A residência onde aprendi a obedecer
A toalha escorregou durante a massagem e, sem querer, eu fiquei olhando. Ele percebeu. E, daquele segundo em diante, deixei de ser eu para virar algo dele.
A toalha escorregou durante a massagem e, sem querer, eu fiquei olhando. Ele percebeu. E, daquele segundo em diante, deixei de ser eu para virar algo dele.
O telefone tocou e era ele, me oferecendo uma sessão para aquela mesma tarde. Pelo tom, soube que não falávamos só de massagem.
Pensei que o merendero estaria vazio com essa chuva. Então ela apareceu, me pediu fogo e, duas horas depois, deixou o vestido escorregar até o chão.
Naquela tarde, a massagem me deixou em brasa. Nunca imaginei que acabaria de quatro diante de um desconhecido na minha própria sala — nem quem me surpreenderia ali.
Eu estava nu na cama, dolorido, e ele se ofereceu para me examinar. Eu não sabia até onde ele estava disposto a ir para passar a dor.
Troquei a música por uma mais lenta, deixei meus dedos descerem pelo pescoço e, de repente, a massagem deixou de ser só uma massagem. Você topa imaginar isso comigo?
Minha tutora tinha acabado de adormecer quando descobri a gaveta entreaberta da mesa de cabeceira. Dentro, algo brilhava e ia mudar tudo entre nós.
Meu anúncio era para homens, sempre. Mas naquela tarde, quando li a mensagem dela, soube que eu ia quebrar minha própria regra e complicar minha vida.
Eu a via passar ao fundo com outra massagista havia meses. Naquela tarde, quando o relógio marcou seis e meia, o nome dela apareceu na minha agenda pela primeira vez.
Ele disse que me mostraria três momentos de prazer e que eu sairia leve. Não mencionou as algemas, a varanda nem o vibrador que mudaria tudo.
Eu estava há semanas deitada na minha rede, me besuntando de óleo e fechando os olhos, até que uma tarde senti que alguém me observava através dos ciprestes.
— Hoje só vamos cuidar de você — sussurrou, e entendi que depois de ser sua puta a noite toda, agora me tocava voltar a ser sua menina.
Há dez anos ninguém me tocava com aquelas intenções. Naquela tarde, de bruços na maca, descobri que meu corpo ainda sabia exatamente o que queria.
A banheira estava pronta, eu fechei os olhos e, quando os abri, ela já estava nua no batente, oferecendo uma massagem que não acabou nos ombros.
Eu a via de salto e meia-calça a vida inteira, mas até aquela noite no sofá nunca tinha imaginado o que os pés dela podiam me fazer sentir.
Passei metade da vida subindo a serra sozinho, mas naquela manhã de outubro desci com mais coisa do que a cesta cheia. Isso aconteceu de verdade e ainda me custa acreditar.
Quando pedi depilação completa, ela arqueou uma sobrancelha e o sorriso dela deixou de ser profissional. A cera e os dedos dela logo se misturaram.
Achei que era uma limpeza de rotina. Mas quando ele me chamou para ir à casa dele naquela noite, descobri que me esperava com uma surpresa sentada no sofá.
Ele vinha fingindo há meses que o uniforme dela não o afetava. Naquela tarde, com a coxa dela enfaixada e as mãos dele tremendo sobre sua pele, soube que não aguentava mais.
Ofereci-me para massagear os pés dela sem saber que ela ia colocar o dela exatamente onde eu não ousava pedir, e que nenhum dos dois diria uma palavra.