Me toco imaginando que você me lê agora mesmo
Não sei quem você é nem onde está, mas enquanto escrevo isto te imagino me lendo, e é essa ideia que está encharcando minha calcinha.
Não sei quem você é nem onde está, mas enquanto escrevo isto te imagino me lendo, e é essa ideia que está encharcando minha calcinha.
Achei que ela não viria. Mas a campainha tocou, olhei pela janela e lá estava ela, com o rosto inocente que tirava meu sono havia anos.
Aquela mancha morna no meu vestido mudou tudo: pela primeira vez entendi o que era desejar e ser desejada, e não quis mais voltar atrás.
Desci para pegar um copo d’água às três da manhã. O que encontrei ali, com a casa em silêncio, jamais deveria ter acontecido.
Achei que tinha a situação sob controle. Achei que um velho sem forças não podia me fazer nada. Esse foi meu primeiro erro da manhã.
Marina voltou da universidade feita mulher, e entre risadas e brincadeiras na água entendi que já não éramos as crianças que se banhavam todo verão naquele povoado.
Caminhei até o parque chupando um pirulito, com a saia tão curta que o ar fresco roçava minha pele, sabendo que qualquer um que passasse poderia me ver.
Quando segui o som da música até o velho armário do meu escritório, não esperava encontrar frestas apontando direto para o vestiário onde ela se despia.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Sempre fui eu quem deixava que ele olhasse. Naquela tarde, virei o jogo: coloquei-o na poltrona e deixei minha melhor amiga fazer com ele o que ele imaginava.
Quando ela desce para o café da manhã de camiseta e calcinha, eu me derreto por dentro e sei que este fim de semana na casa de campo será o último em que vou conseguir me calar.
Naquela tarde, sentada à minha frente, Mariela parou de falar dos seus problemas e começou a desabotoar a blusa com uma calma que me gelou a respiração.
Meu pai me ensinou que os monstros ficam no armário se você não abrir a porta. O que eu nunca confessei é o quanto desejo que o meu tenha coragem de sair.
Sob o hábito austero, ela escondia um segredo de renda preta. E cada vez que ele chegava com as provisões, esse segredo a queimava mais.
Fechei os olhos sob a água quente sem imaginar que, naquela tarde, sozinha no banheiro, descobriria algo sobre mim que não conseguiria mais deixar de buscar.
Fechei a porta, abaixei as persianas e, pela primeira vez, decidi não ter pressa. Nessa tarde, o silêncio da minha casa virou meu cúmplice.
Minha família estava um andar abaixo e eu, sozinha no meu quarto, com o telefone colado à orelha e a voz dele me mandando fazer coisas que eu nunca tinha ousado fazer.
Não quero que você me respeite à distância. Quero ser aquilo que você abre em segredo, às duas da manhã, com a mão já enfiada sob o lençol e meu nome preso na garganta.
Voltei do hospital com o braço engessado e uma ideia que não me deixava dormir. Naquela madrugada entrei no banheiro, e minha mãe apareceu na porta justo quando eu achava que estava sozinho.
Achei que estava sozinho entre as árvores, até que um estalo mudou tudo e eu entendi o quanto desejava ser encontrado assim, nu e entregue.