O caçador das montanhas e os três rapazes
Quatro meses sozinho na montanha tinham deixado nele uma fome que nenhum uísque acalmava. Naquela noite, atrás da cortina vermelha da estalagem, três rapazes sabiam exatamente como recebê-lo.
Quatro meses sozinho na montanha tinham deixado nele uma fome que nenhum uísque acalmava. Naquela noite, atrás da cortina vermelha da estalagem, três rapazes sabiam exatamente como recebê-lo.
Na sexta, por volta das dez, o ginásio quase vazio e um cara que pegava o dobro no banco ao lado. Bastou um olhar no espelho para tudo sair do eixo.
Eu tinha nadado três mil metros a toda e só queria água quente sobre os ombros. Então ele se virou no chuveiro ao lado, e soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
A porta mal se fechou e já tenho a boca dele buscando a minha, ainda com o gosto da noite entre os dentes. Agora a cama é só nossa.
Iván e Nico atravessaram a porta como se a cobertura já fosse deles, e antes mesmo de cumprimentar já tinham nos empurrado contra a parede da sala.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Quando a porta se fechou e engoliu a última luz, só existiam as mãos, as bocas e a voz de Mateo dizendo que naquela noite eu era dele.
Quando entramos nus e pingando, os três caras que se ensaboavam se afastaram sem dizer nada e nos deixaram o centro, como se soubessem que a noite ainda não tinha acabado.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Ele tinha namorada e pagava de durão, mas naquela noite, trancados no cubículo do banheiro, foi ele quem me agarrou pela nuca e pediu que eu chupasse direito.
Perdemos o jogo e caminhávamos rumo ao metrô quando um carro de luxo parou ao nosso lado. O homem ao volante tinha uma proposta que nenhum de nós esperava.
Só ia ser a desculpa para a mulher dele não desconfiar. Nunca imaginei que acabaria sentado na frente dos dois, sem conseguir desviar os olhos do que faziam.
Andrés guardou o cartão por dois dias sem se atrever a escrever. Quando finalmente o fez, não imaginou que naquela mesma noite estaria nu contra a parede do próprio hall.
Estávamos há semanas em alto-mar e o velho contramestre vinha me olhando de um jeito diferente. Nessa meia-noite, ao terminar meu turno, bati em sua porta sem imaginar o que ele me pediria.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava debaixo dele, sem intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me encararam da porta.
Eu passava anos entrando escondido só para olhar. Naquela tarde de verão, finalmente resolvi abrir a porta para um deles.
Sentamos como dois amigos quaisquer, mas nós dois sabíamos a que tínhamos vindo. Ao fechar a porta, nenhum de nós ousava dar o primeiro passo.
Assim que os pais entraram na cozinha, o rapaz agarrou o volume dele por cima do jeans. Ninguém naquela casa imaginava como o jantar ia acabar.
Damián salvou metade da cidade e levou o novato para a suíte para comemorar. Tomás o admirava como a um ídolo, até descobrir quem mandava de verdade naquela noite.