O aluno que me esperou depois da última aula
Quando a sala esvaziou, ele ficou diante da minha mesa com uma desculpa tola sobre um exercício que já sabia resolver. E eu parei de fingir.
Quando a sala esvaziou, ele ficou diante da minha mesa com uma desculpa tola sobre um exercício que já sabia resolver. E eu parei de fingir.
Ele fechou a porta do banheiro, se viu no espelho com a blusa curta e a renda úmida, e soube que naquela noite não haveria volta.
Tenho vinte e quatro anos e ainda estou aprendendo o que me acende. Naquela tarde, com a mão no meu pescoço, descobri algo que eu não sabia que precisava.
Eu estava havia um ano sem escrever para ele. Naquela tarde, abri o e-mail, digitei seu nome e, antes de pensar, já contava exatamente o que queria que ele me fizesse.
Quando ela fechou a porta, disse que eu não era homem suficiente. Eu não imaginava que naquela mesma noite deixaria de ser para sempre, e que isso seria a melhor coisa que me aconteceu.
Quando Sofia abriu aquela caixa do armário, eu soube que a noite não terminaria como as outras. Mesmo assim, não me mexi.
Tinha cabelo vermelho, batom e um corpo de parar o trânsito. O que eu não imaginava era o que encontraria quando enfiei a mão debaixo do vestido.
Quando o lenço cobriu meus olhos, pensei que era uma brincadeira inocente. Não era. Mariela tinha outros planos e eu não queria que ela parasse.
Eu a avisei que, se não gostasse, a deixaria na próxima esquina. Ela sorriu, reclinou meu banco e me pediu que fechasse os olhos por um segundo.
Quando ela se sentou no meu sofá com o rímel borrado e a voz trêmula, eu soube que não resolveríamos aquilo com um uísque e duas palavras de consolo.
Quando me abaixei para acomodar a caixa no depósito, Adela se virou devagar e me deixou ver o rendado branco sob a blusa. Naquela noite soube que a rota tinha mudado para sempre.
A gaveta emperrava por causa de um caderno manuscrito. Dentro estavam as páginas mais íntimas de um desconhecido e de seu amante de oito anos.
Quando me ajoelhei na areia com o sol batendo nas minhas costas, não imaginei que alguém observava cada movimento do outro lado do rochedo.
Pedi uma piña colada no quiosque e o garçom me trouxe com um sorriso. No segundo dia, entendi que o serviço dele ia muito além do bar.
Naquela noite me aplicaram a primeira injeção de hormônios e me fizeram jogar fora toda a roupa de homem. «Você vai ver como vai ficar linda», ela me disse sorrindo.
O que começou como uma tarde boba no sofá acabou comigo ajoelhado entre as pernas dele, descobrindo que algumas intimidades não se desfazem.
Parei no corredor com a mão no ar. Os suspiros que vinham do quarto da minha irmã não me deixavam bater na porta nem dar meia-volta.
Entrei no carro com o coração na boca e disse, quase sem pensar, que enfim entendia o que uma mulher sente a caminho de se entregar.
Abri a porta esperando o jantar e me deparei com uma moça baixinha, as unhas pintadas de vermelho e um sorriso que dizia bem mais do que «boa noite».
Sua camisola branca com flores de lavanda mal cobria as coxas, e eu sabia que naquela noite iria desabotoá-la toda, botão por botão, em silêncio.