Encerrados com minha mãe, deixamos de fingir
Não havia portas, nem janelas, nem um amanhã. Só ela e eu naquela sala branca, e um calor entre nós que já não fazia sentido continuar negando.
Não havia portas, nem janelas, nem um amanhã. Só ela e eu naquela sala branca, e um calor entre nós que já não fazia sentido continuar negando.
Minha família foi viajar e eu me vi sozinha com uma lingerie vermelha, um app anônimo e um estranho que topou me foder em cinco minutos.
Achei que tinha a situação sob controle. Achei que um velho sem forças não podia me fazer nada. Esse foi meu primeiro erro da manhã.
Quando todos adormeceram, Diego ficou ao meu lado na cama. Dizia que não sabia se gostava de homens. O que aconteceu depois nenhum dos dois tinha planejado.
Eu já tinha tentado antes e só sentira dor. Numa noite de hotel com um desconhecido, descobri o quanto eu estava enganada.
Caminhei até o parque chupando um pirulito, com a saia tão curta que o ar fresco roçava minha pele, sabendo que qualquer um que passasse poderia me ver.
Deixei meu país, vendi meus móveis e comprei uma passagem sem volta. A única coisa que eu sabia com certeza era que Helena estaria me esperando do outro lado do vidro, em Antuérpia.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
A persiana estava meio abaixada e a chave girou duas vezes atrás de mim. Vim sem a aliança e com doze anos de silêncio na língua.
Segui a moça para a rua convencido de que seria só mais uma noite. Não imaginava o que ela escondia sob aquele vestido colado nem até onde iria me levar.
Abri a porta só com um robe no corpo. Quando o vi no hall, soube que aquele sábado de fevereiro seria lembrado por um motivo bem diferente do calor.
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
Rubén encheu a cafeteira enquanto, do outro lado da janela, nossas mulheres paravam de disfarçar. Nenhum de nós desviou o olhar, e então a mão dele encontrou a minha.
Só queria sol e silêncio. Não procurava ninguém, muito menos um homem que me esperou na beira do mar só para dizer que não pretendia me deixar ir.
Subi para pegar ar porque não aguentava o calor. Ouvi os passos dele na escada e soube, antes de me virar, que aquela noite eu não ia conseguir dormir.
Ela saiu do banheiro, me viu meio vestido, com o uniforme, e soltou: “você tem umas pernas fortes”. Foi aí que eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Eu sonhava com os dois quando senti o peso de um corpo subir na cama. Uma mão quente percorreu minhas costas e eu soube, antes de abrir os olhos, que não era Mateo quem tinha voltado.
Abaixei-me entre os pinheiros e vi Bruno se ajoelhar diante de um desconhecido. Naquele instante entendi por que ele vinha me evitando há semanas.
Quando desci suas malas e ela se abaixou diante de mim sem o menor pudor, soube que aqueles dias sob meu teto não terminariam como eu imaginava.
Eram seis e quarenta. Ela olhou o relógio, pediu que eu parasse junto ao beco e, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, já estava me beijando.