Minha mãe nunca chegou a ver o filme
Quando sua mãe desceu a escada com aquele vestido colado, Marcos soube que a ida ao cinema não terminaria como esperava.
Quando sua mãe desceu a escada com aquele vestido colado, Marcos soube que a ida ao cinema não terminaria como esperava.
Eu estava de peruca e salto quando vi alguém esperando na porta. Era o sobrinho de Germán. Parei a meia quadra, sem saber se seguia.
Deitados, nus, ainda cheirando ao que tínhamos acabado de fazer, Sofia me disse que precisava me contar algo. Algo sobre Elena. Algo que mudaria para sempre a forma como eu a via.
Diego me olhou antes de desligar o motor. Nós dois sabíamos o que significava eu convidá-lo para subir. Ainda assim, abri a porta do carro.
A primeira vez que a vi, o marido dela estava no quarto ao lado. Na segunda, os lábios dela estavam em mim. Não consegui pensar em outra mulher por semanas.
Ele era grande, calejado, de mãos que faziam o trabalho pesado sem reclamar nunca. Não era o homem que eu imaginaria. Mas naquela tarde de neve, algo se quebrou.
Quando ela me convidou para subir ao apartamento dela, eu soube que não podia dizer não de novo. Ela tinha quase setenta anos e eu trinta e seis, e isso nunca tinha importado tão pouco.
Ela sempre disse que meu corpo a denunciava antes da minha voz. Naquele dia, depois de esbarrar em uma velha amiga, ela iria comprovar isso da forma mais crua.
A primeira vez que fui sozinho à casa dele, meu coração batia forte enquanto eu tocava a campainha. Eu não sabia o que dizer. Ele abriu de robe úmido e sorriso.
Quando ele me pediu para tirar a segunda pele e me cobrir com a toalha, achei que seria apenas mais uma sessão. As mãos no meu adutor provaram o contrário.
Passei seis meses indo buscá-lo na esquina. Uma única noite na casa vazia bastou para que ele parasse de me esperar.
Passei vinte anos achando que conhecia meus próprios desejos. Bastaram dez minutos no elevador com um rapaz nervoso para entender que eu não sabia nada.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
Nunca pensei que atravessar a porta de um bar discreto usando a roupa íntima da minha esposa acabaria me levando a um quarto de hotel com um desconhecido.
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.
Meu chefe me apresentou ele entre risadas, como se fosse uma piada interna. Sete dias depois, aquele homem me tinha inclinado sobre a minha própria mesa.
Eu ia à loja do engraxate para lustrar os sapatos e ler quadrinhos. Nenhum dos dois imaginava o que ele acabaria guardando no bolso da camisa, nem até onde chegaríamos.
Cheguei primeiro ao quarto, de boné e óculos, e me sentei na beirada da cama sem saber o que ia fazer quando aquele desconhecido tocasse a porta.
Faz anos que eu não via Mateo, o pai de Diego. Quando o encontrei naquela tarde, não imaginei que acabaria no sofá dele com uma sunga vermelha emprestada e a respiração ofegante.