Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

Meu ex-vizinho me esperou até a primeira vez dele

Há três meses me mudei do condomínio onde tinha morado por quase dois anos. Não fui longe, só para outra área de Mazatlán, mas a mudança de bairro foi suficiente para perder a rotina com os vizinhos. Por isso me surpreendi quando minha antiga casera me ligou uma noite para avisar que tinha chegado um pacote em meu nome e que estava há dias tentando me localizar.

Era um pedido que eu tinha dado como perdido. Tinha ligado três vezes para a transportadora, tinha escrito reclamações na página deles, tinha exigido o reembolso. Agora resultava que a caixa estava havia mais de uma semana na portaria de um condomínio ao qual eu já não entrava. Combinei de passar para pegá-la no dia seguinte, antes do escritório.

Nessa manhã tomei banho com calma. Tinha visita em casa —meus pais tinham vindo por uma semana desde o norte— e aproveitei para tirar a depilação pendente. Uma nunca sabe. Faziam semanas que eu não transava, primeiro por um resfriado, depois pela chegada dos meus velhos, e a abstinência já começava a me doer. Sou daquelas que precisam de pelo menos uma boa trepada por semana para se sentir tranquilas, e naquela manhã eu não esperava nada, mas o ritual fiz mesmo assim: cera na virilha, xana lisinha, cu depilado até o último pelinho, creme perfumado entre as coxas.

Coloquei um biquíni verde, normal. Meu pai detesta os que eu enfio na bunda, e como íamos passar a tarde na praia com ele e minha mãe, optei por algo discreto. Por cima vesti um vestido de praia cor de areia, largo, daqueles que se tiram puxando só uma alça. Fiz um meio rabo de cavalo, passei creme nas pernas e nos braços e saí em direção ao carro com a jaqueta de tricô debaixo do braço.

O condomínio ficava a vinte minutos. Quando cheguei, o cara da guarita me explicou que o pacote era grande demais para deixar na portaria e que tinha acabado na casa da minha antiga casera. Desci do carro, abri o porta-malas e caminhei até a porta. Minha antiga casera já tinha a caixa lá fora. Agradeci, trocamos cinco frases de cortesia e voltei para o carro com a caixa nos braços.

Estava terminando de acomodá-la no porta-malas quando uma sombra cruzou o reflexo do vidro.

—Oi, Cami.

Virei devagar. Lá estava ele, parado a dois metros, com um short esportivo cinza e uma camiseta branca. Mateo. O vizinho magrelo que eu vi crescer enquanto morei ali. O garoto a quem algumas vezes deixei entrar em casa quando a bola caía no quintal, o que me ajudava a subir as compras do mercado, o que me olhava sem querer me olhar quando eu atravessava o jardim de biquíni a caminho da piscina.

Já não era magrelo. Estava mais largo de ombros, com o peito marcado sob a camiseta, com a mandíbula mais definida. Continuava tendo, isso sim, aquela carinha de menino bom que em outra época me dava ternura. E alguma coisa se marcava no short, um volume em repouso que já denunciava tamanho.

—Oi, moleque —disse eu, e notei como o apelido fez a boca dele se torcer.

—Para de me chamar de moleque —respondeu, rindo—. Você foi embora sem avisar.

—Avisei. Só que ninguém estava prestando atenção no caminhão da mudança às oito da manhã de uma quarta-feira.

—Eu estava.

Olhei para ele. Falou com uma naturalidade que quase parecia brincadeira, mas os olhos ficaram sérios por um segundo. Fechei o porta-malas e me encostei no carro.

—E aí, o que conta? —perguntei, para preencher o ar.

—O de sempre. Basquete, escola, ajudar minha mãe. E ficar entediado.

—Entediado de quê?

—De que não tem mais vizinha como você.

Soltei uma gargalhada. Ele continuou sério.

—Tô falando sério, Cami. Não tem. Na sua casa entraram dois caras que passam a madrugada jogando videogame, e no apartamento do fundo chegou uma família com três filhos. Ninguém mais atravessa o jardim como você atravessava.

—Coitadinho. Não tem ninguém para espiar.

—Eu não te espionava.

—Mateo —falei, inclinando a cabeça—. Eu deixava as janelas abertas de propósito. Eu sabia que você passava na frente todos os dias às cinco, depois do treino.

O rosto dele ficou vermelho. Baixou os olhos por um segundo, depois segurou os meus.

—Você deixava abertas de propósito?

—Às vezes.

—Por quê?

—Porque me dava tesão saber que alguém estava olhando. Porque às vezes eu estava no sofá com a mão enfiada na calcinha e pensava em você me olhando da calçada. Eu fechava os olhos e imaginava que você ficava duro do outro lado da grade.

Ele perdeu o ar. Vi a garganta dele se mover.

Ficamos em silêncio. Um carro passou pela avenida. Um cachorro latiu três vezes e se calou.

—Sua mãe está em casa? —perguntei.

—Não. Saiu cedo. Só volta à tarde.

—Seu pai?

—Tá viajando.

Pensei por três segundos. Três segundos exatos. Não mais. Olhei o relógio do painel através do vidro: oito e meia. Tinha uma hora e meia antes da minha primeira reunião. Tinha um vestido de praia que saía com uma alça. Tinha a depilação recém-feita. Tinha uma xana pulsando havia duas semanas. Tinha um garoto de dezoito anos que tinha me visto passar quase pelada por dois anos e a quem obviamente ainda faltava muito.

—Sobe a caixa para o carro —disse eu.

Ele a carregou como se não pesasse nada e a acomodou no fundo do porta-malas. Fechei a porta do lado do motorista com o controle. Caminhei até a calçada. Ele me seguiu.

—Pra onde vamos? —perguntou.

—Pra sua casa. Vinte minutos. Quero que você me conte uma coisa.

***

A sala estava com meia luz. As cortinas corridas, um ventilador girando devagar no teto, cheiro de café e de um perfume floral que devia ser da mãe dele. Sentei no sofá, cruzei as pernas, larguei a bolsa ao lado.

—Senta na minha frente.

Ele fez isso. Tinha as mãos apoiadas nos joelhos. Me olhava como quem olha uma prova final para a qual não estudou.

—Me conta. O que você fez?

—Em que sentido?

—Nesse sentido.

—Ah. —Baixou os olhos—. Não muita coisa.

—Diz o quê.

—Beijos.

—Quantas garotas?

—Duas.

—Com língua?

—Com uma, sim. A outra foi um beijinho numa festa.

—Mais alguma coisa?

Negou com a cabeça.

—Toque?

—Por cima da roupa. Uma vez. E ela se assustou. Ou fui eu que me assustei, não sei.

—Já te chuparam a rola? Já chupou uma xana?

—Não.

—Já transou?

—Não.

—Você se toca?

Ele ficou vermelho até as orelhas.

—Todo dia.

—Pensando em quê?

—Em você. Quase sempre em você.

Fiquei em silêncio. Olhei bem para ele. Tinha as orelhas vermelhas. A testa brilhava um pouco. Passei a mão devagar pela rodilha dele, sem pressão, e vi a rola saltar dentro do short.

—E por que você está me contando tudo isso, Mateo?

—Porque você perguntou.

—Não. Você está me contando porque quis me contar. Estou te olhando faz vinte minutos e sei exatamente o que você está pensando.

—O que eu estou pensando?

—Você está pensando que tem dezoito anos, que seus amigos mentem nas segundas na quadra, que você nunca tem nada para contar e que, se não me pedir alguma coisa agora, não vai me pedir nunca.

Ele assentiu. Não falou.

—Levanta —disse eu.

Ele fez isso. Eu também me pus de pé. Ficamos a quinze centímetros. Peguei nas duas mãos dele.

—Vou te ensinar tudo. Tá? Mas vamos passo a passo. Se eu disser para parar, você para. Se eu disser para continuar, você continua. Combinado?

—Combinado.

—Coloca as mãos aqui. —Levei-as para a cintura, por cima do tecido do vestido—. Aperta um pouco. Assim. Agora baixa uma. A outra, não, deixa onde está. Mais embaixo. Mais. Na bunda. Fica quieto. Aperta. De novo. Agora círculos suaves. Isso. Assim.

Eu o via concentrado, quase sério. Ele trabalhava como quem monta um móvel por instrução: conferindo duas vezes cada passo, sem pressa. Isso me deu graça. E me deu outras coisas também: a calcinha do biquíni grudou na minha xana de tão molhada que eu já estava.

—Agora sobe a outra na minha costas. Cola em mim.

Ele fez isso. Colou nossos corpos. Senti, contra a minha anca, que o garoto carregava alguma coisa. Não era pequena. Era um pedaço de rola que empurrava o tecido do short e me apertava bem acima do osso. Levantei uma sobrancelha.

—Nossa. Você escondia isso aí.

Ele soltou uma risada nervosa. Passei a mão por cima do short, apertei a rola inteira sobre o tecido, senti pulsar sob a palma.

—Olha pra mim —disse eu—. Vou te beijar. Você não empurra com a língua. Só deixa a minha passar. Tá?

—Tá.

Beijei-o devagar. Passei a ponta da língua primeiro no lábio de baixo. Depois entrei. Ele ficou parado por um segundo, como se estivesse me ouvindo com a boca, e então começou a responder. Com torpeza, com ansiedade, mas sem disputar o ritmo comigo. Peguei o rosto dele com uma mão. Aproximei mais. Mordi o lábio dele, chupei a língua, enfiei a minha até o fundo até ouvi-lo gemer contra a minha boca.

Quando me afastei, ele respirava curto.

—Você vai bem —disse eu—. Tira a camiseta.

Ele tirou. Tinha o peito marcado de aguentar muitas tardes de quadra. Passei a mão pelo esterno, arranhei com a unha um mamilo até endurecer, segui a linha do abdômen. Beijei-o outra vez, desta vez sem instruções. Desci a mão pelo ventre dele, por cima do elástico do short, e enfiei os dedos por baixo. Peguei a rola diretamente na pele. Estava quente, grossa, com a cabeça já úmida. Apertei a base, passei o polegar pelo glande, espalhei o próprio líquido dele por toda a ponta. Ele soltou um gemido rouco que saiu do peito.

—Senta no sofá.

Ele fez isso. Ajoelhei entre as pernas dele. Baixei o short e a cueca num só movimento. Ela saltou. A rola bateu no ventre, dura, curvada para cima, com as veias marcadas e a ponta brilhante de tanto pré-gozo. Era maior do que eu tinha calculado por cima do tecido: grossa, longa, com os ovos apertados embaixo, vermelhos de tanto aguentar. Me deu água na boca.

—Mateo.

—O quê?

—Esta é a única vez que vou pedir permissão. Deixa eu chupar sua rola?

—Por favor —disse ele. Pediu assim, por favor. Quase sorri.

Envolvi a base com a mão. Apertei com os cinco dedos, segurei firme, senti pulsar contra a palma. Passei a língua por baixo, devagar, de onde eu o segurava até a ponta, percorrendo a veia grossa que corria pelo centro. Ouvi-o prender o ar. Levei um ovo inteiro à boca, chupei devagar, depois o outro, enquanto com a mão fazia uma puxada lenta desde a base. Passei a língua pela ponte que separa os ovos da rola, uma lambida longa até o glande, e aí parei. Fiz uma pausa para olhá-lo. Tinha os olhos fechados, a boca aberta, a mandíbula frouxa.

—Olha pra mim quando eu colocar na boca —disse eu—. Quero que você veja como ela some dentro de mim.

Ele abriu os olhos. Fixou-os em mim. Segurei o olhar dele enquanto abria a boca, mostrava a língua, apoiava a ponta da rola nela e a enfiava inteira até que a ponta tocou o fundo do meu palato. Ouvi-a entrar. Senti ela me encher a boca. Ele soltou um gemido longo que veio de dentro.

—Puta merda —disse ele—. Puta merda, Cami.

Comecei a me mover. Devagar no início, ganhando ritmo. Subia e descia com uma mão seguindo a boca, marcando o limite. Passava a língua pela ponta cada vez que chegava lá em cima, fazia um círculo no glande, apertava o freio com os lábios. Depois descia outra vez até o fundo, até me fazer arquear de leve, até meu nariz tocar os pelos da base. Com a outra mão eu acariciava os ovos, apertava-os justamente quando o tirava da boca, soltava quando o voltava a colocar. Ouvia-o respirar como se estivesse correndo. Vi as coxas dele tremerem, as mãos agarradas nas almofadas do sofá, os dedos brancos de apertar.

Tirei a rola da boca por um segundo, segurei-a colada ao meu rosto, passei-a pela bochecha, pelo pescoço, lambi-a dos ovos até a ponta com a língua achatada. Cuspi na ponta e usei a saliva para puxá-la com a mão, apertada, enquanto chupava só o glande, movendo a pele dele com os lábios.

—Cami —disse ele, com a voz quebrada—. Cami, espera, vou gozar, vou gozar.

—Não espera —respondi, e voltei a enfiá-la inteira.

Acelerei. Dei uma puxada longa e firme com a mão enquanto com a boca chupava a ponta, enquanto com a língua apertava o freio, enquanto com a outra mão apertava os ovos. Ele tentou me avisar apertando meu ombro um segundo antes. Não me afastei. Cravei o olhar no dele e a enfiei até o fundo justamente quando ele explodiu. Senti o primeiro jato bater na minha garganta, morno, espesso, e depois outro, e outro. A rola pulsava dentro da minha boca, cada batida um jorro novo. Recebi tudo, sem engolir nada ainda, deixando a boca se encher. Quando ele parou de gozar, tirei-a devagar, com os lábios cerrados para não derramar. Mostrei a boca aberta, com todo o leite dentro, e depois fechei, engoli de uma vez, estiquei a língua para que visse que não tinha sobrado nada. Passei a língua outra vez pela ponta para limpar a última gota. Dei um beijo no glande, outro na base.

Quando levantei a cabeça, ele tinha a cara de alguém a quem acabaram de dizer que ganhou na loteria.

—Isso foi —disse ele—. Isso foi.

—Isso foi uma vez —respondi—. Falta outra coisa.

Ele riu. Tinha o cabelo colado na testa. Sentei ao lado dele, me joguei para trás e soltei uma alça do biquíni. Meu peito direito ficou de fora. Ele olhou como se fosse a primeira vez que visse um na vida. A boca se abriu. Peguei a mão dele e a coloquei na minha teta. Fechei-a eu mesma em volta.

—Aperta. Sem medo. Não quebram.

Ele apertou. Passou o polegar pelo mamilo. Endureceu na hora. A cara dele se aproximou sem pensar e ele o chupou. Desajeitado, ansioso, com a boca toda aberta. Coloquei a mão na nuca dele, aproximei mais, deixei que mordesse. Senti um puxão entre as pernas.

—Você tem camisinha?

Ele ficou imóvel. Depois levantou num pulo, subiu a cueca, foi correndo até a mochila escolar. Voltou com uma na mão. Das que distribuem na aula de saúde.

—Serve —disse eu—. Me dá dois minutos para começar de novo.

Deixei-o respirar. Eu também respirei. Tinha a xana encharcada, escorrendo pela coxa, com o tecido do biquíni colado aos lábios. Estiquei os braços acima da cabeça, arqueei as costas contra o encosto do sofá, dei a ele um sorriso que não era inocente. Enfiei a mão por baixo do biquíni, passei um dedo pela fenda para ele, mostrei-o brilhante.

—Tá vendo como eu estou? Tudo isso é por sua causa. Vem provar.

Ele se jogou em cima de mim. Ajoelhei no sofá, me apoiei no encosto, empurrei o quadril para trás. Ele puxou o tecido do biquíni para o lado. Peguei sua nuca e levei a boca dele à minha xana.

—Língua plana, para cima e para baixo. Suave. Como se lambesse um sorvete, não como se mordesse. Encontra o clitóris. É um botãozinho em cima, entre os lábios. Quando achar, fica ali. Círculos. Sem apertar.

Ele começou desajeitado. A primeira lambida foi tímida, a segunda dura demais. Apertei sua nuca quando a terceira saiu certa. Ensinei-o a respirar pelo nariz, mostrei como abrir meus lábios com os dedos para chegar melhor. Quando encontrou o clitóris, ficou ali, obediente, círculos lentos como eu tinha pedido. Depois indiquei que puxasse mais a língua, que a enfiase. Senti a ponta macia da língua abrindo caminho, entrando, se mexendo dentro de mim. Agarrei o cabelo dele. Esfreguei a cara dele na minha xana. Passei o clitóris pela ponta do nariz, pelos lábios, pelos dentes. Ouvi-o engolir meu fluxo, respirar fundo, voltar a se enfiar.

—Um dedo —disse eu—. Só um. Dentro. E com a boca você continua chupando lá em cima.

Ele meteu um dedo. Depois outro quando apertei a mão dele. Ensinei-o a curvá-los para cima, a buscar o ponto macio por dentro. Quando encontrou, comecei a tremer. Montei em sua cara. Agarrei seu cabelo. Gozei em cima da boca dele com um espasmo longo que me sacudiu inteira, com as pernas tremendo, com o suco descendo pela coxa até a mão dele. Ele ficou ali, chupando devagar, até eu ter que levantar sua cara porque já não aguentava mais.

Ele estava com a cara encharcada. Passou o dorso da mão pela boca sem parar de me olhar, como quem acabou de descobrir algo importante.

—Levanta —disse eu.

Fiquei de pé junto com ele. Deixei o vestido cair. Puxei os laços do biquíni. Fiquei nua na sala dele, com a luz filtrando pelas cortinas, com um garoto de dezoito anos me olhando como se eu fosse o manual inteiro.

—Agora senta.

Ele voltou para o sofá. Peguei a camisinha. Abri. Baixei sua cueca outra vez, encontrei-a já dura de novo, pulsando contra o ventre dele. Coloquei a ponta e desenrolei com a mão e com a boca em um só movimento, chupando por cima do látex até o fundo. Outra cara de incredulidade.

Subi em cima. Segurei a base com a mão. Passei a ponta da rola pela minha fenda, devagar, encharcando-a com meu fluxo, brincando com o clitóris, deixando que repousasse na entrada sem entrar. Apoiei a ponta bem no buraco. Ouvi-o gemer baixinho, cerrar os dentes.

—Me mete —pedi—. Não, espera. Eu. Eu me meto.

Desci devagar. Centímetro por centímetro. Senti como me abria, como me enchia, como a rola grossa empurrava minhas paredes. Fui descendo com a boca aberta, com a respiração presa, até engoli-lo inteiro e ficar sentada sobre ele. Fiquei quieta um segundo. Beijei sua testa. Senti a rola pulsar dentro de mim.

—Olha pra mim.

Ele olhou. Tinha os olhos vidrados. Comecei a me mover. Devagar no início, balançando o quadril para frente e para trás, sem tirá-lo, apertando sua rola com as paredes enquanto roçava meu clitóris em seu osso. Depois comecei a subir e descer. Um centímetro. Cinco. Metade. Inteira. Voltei ao fundo com um golpe seco que lhe arrancou um suspiro. Deixei-o sentir o ritmo, deixei-o entender como meu corpo se fechava em torno do dele. Peguei suas mãos, levei-as de novo aos seios. Coloquei-as em cima. Depois para a cintura. Ensinei-o a me segurar pela bunda, a marcar meu ritmo com as mãos, a me puxar para baixo quando eu subia. Quando me deixei cair mais rápido, foi ele quem começou a empurrar de volta, desajeitado primeiro, cada vez mais certeiro, até que suas investidas encontraram as minhas.

—Assim —disse eu—. Assim, papi. Mete em mim. Me come. Me fode com essa rola deliciosa que você tem.

Ele gostou de ouvir safadeza. Endureceu ainda mais, se isso fosse possível. Começou a me empurrar por baixo com força, batendo minha bunda contra as coxas dele com um som úmido que encheu a sala. Passei a língua pelo pescoço dele, mordi, cravei as unhas nos ombros. Deixei marcas por todo o corpo dele, que eu ainda sentiria naquela mesma tarde na praia.

—Me põe de quatro —disse eu, e ele aprendeu essa palavra na hora.

Ele saiu de dentro de mim. Virei-me, apoiei-me no encosto do sofá, empurrei a bunda para trás. Ele se acomodou de joelhos atrás de mim, agarrou minha cintura com as duas mãos e me enterrou de uma só investida. Gritei contra a almofada. Ele começou a me comer por trás com um ritmo brutal que fazia meus peitos saltarem até baterem no meu queixo. Ele segurou meu cabelo. Apertou bem. Puxou minha cabeça para trás sem pedir licença, com um gesto que eu não tinha ensinado, que saiu dele sozinho, e por dentro eu agradeci. Apertou uma nádega e depois me deu uma palmada que deixou a marca de sua mão. A segunda meu corpo pediu antes que ele vacilasse.

—Outra vez —disse eu—. Mais forte.

Outra palmada. A pele ardia. A xana ardia. A rola entrando em mim por trás, inteira a cada vez, estava me levando outra vez à beira. Senti o polegar dele entrar onde antes tinha entrado o dedo. Eu estava perto. Sentia na forma como meu ventre começava a tremer, em como minha xana se apertava sozinha ao redor dele.

—Goza dentro —disse eu—. Goza comigo. Espera um segundo. Espera. Espera. Agora.

Gozei com um sobressalto que me dobrou ao meio, com a testa colada à almofada, com a mandíbula cerrada para não gritar no meio da manhã de um dia útil na sala de outra pessoa. Me contraí em volta dele, apertei sua rola com as paredes como se quisesse ordenhá-la, e ele aguentou mais dois segundos, até não aguentar mais. Senti os espasmos, a rola inchar pela última vez, o jato quente encher a camisinha dentro de mim. Ele se deixou cair sobre minhas costas com o rosto enterrado no meu pescoço, o ar entrecortado contra minha clavícula, com a rola ainda dentro até o fundo, pulsando devagar.

Fiquei assim um tempo, dobrada sobre o encosto, com ele em cima. Não conseguia me mexer. Não queria. Senti a rola dele amolecer dentro de mim, perder tamanho aos poucos até sair sozinha com um ruído úmido. Acariciei a mão que ainda me apertava a cintura. Virei-me, me acomodei de costas, o puxei contra meu peito. Acariciei sua nuca devagar. Dei um beijo em sua têmpora. Ele me abraçou como se eu fosse uma boia salva-vidas.

Quando finalmente me levantei, desci com cuidado. Tirei a camisinha, cheia até a metade, morna. Enrolei em papel higiênico, dei um nó, enfiei lá no fundo da lixeira do banheiro e joguei por cima umas bolas de papel para tapar. Voltei. Ele ainda estava no sofá, nu, olhando para o teto, com um sorriso que parecia não caber nele e com a rola descansando sobre a coxa, ainda meio inchada.

—Tenho que ir —disse eu.

—Quando você volta?

—Não sei. Mas eu volto.

Entrei no chuveiro do banheiro dele. Ele me ensaboou. Deixei. Aproveitei para ensinar a tocar uma mulher com a mão ensaboada: coloquei a mão dele entre minhas pernas, ensinei-o a esfregar o clitóris com o sabão sem machucar, a enfiar dois dedos e curvá-los, a sentir o ritmo com a palma. Também peguei a mão dele e coloquei em sua rola, puxei devagar sob a água, mostrei como apertar a base e girar o pulso ao chegar no alto. Ele teve outra ereção entre os dedos; eu a encostei contra meu ventre e a balancei, mas essa deixamos viver e morrer em paz. Eu tinha de voltar a ser uma mulher apresentável em menos de quinze minutos. Dei um último beijo com a rola dura colada ao meu quadril e saí do chuveiro.

Ele me emprestou desodorante da mãe dele. Me emprestou creme. Pedi um pouco de perfume, também da mãe dele, e o fiz prometer que não diria que no frasco faltava alguma coisa. Me vesti. Ele me ajudou. Amarrou a fita do biquíni com as mãos desajeitadas de alguém que mal tinha acabado de aprendê-las, e isso me fez rir.

Na porta, eu o abracei. Dei um beijo longo, final, lento. Apertei sua rola por cima do short mais uma vez, para que ele se lembrasse.

—Mateo.

—O quê?

—Você pode contar, se precisar. Mas não pra quem. E se eu descobrir que você tirou foto ou vídeo, eu corto uma coisa importante. Tá?

—Tá.

—E outra coisa.

—O quê?

—Da próxima vez, você põe.

Ri, dei um beliscão leve no ombro dele e saí. Fechei a porta atrás de mim. Caminhei até o carro com o sol batendo na nuca, com a xana ainda pulsando dentro do biquíni, com as palmadas marcando cada passo. Dirigi até o escritório com o ar ligado no máximo. Cheguei cinco minutos antes da reunião, sem cheirar a nada além do perfume floral da mãe de Mateo, com o corpo ainda vibrando e a cabeça mais limpa do que eu a sentia havia semanas.

Nessa mesma tarde fui à praia com meus pais. Falei do tempo, brinquei com a areia, comi ceviche, bebi uma michelada. Toda vez que eu me sentava na toalha, as marcas das mãos dele na minha bunda me lembravam da manhã. Minha mãe me disse, em algum momento do entardecer, que me achava contente. Eu disse que era o ar do mar. Ela riu.

Não menti completamente.

Ver todos os contos de Primeira Vez

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.