A lagoa que me transformou em quem sempre fui
Dirigi até o barranco decidido a acabar com tudo. O que encontrei na água gelada da lagoa me devolveu a vontade de viver — e algo que jamais imaginei.
Dirigi até o barranco decidido a acabar com tudo. O que encontrei na água gelada da lagoa me devolveu a vontade de viver — e algo que jamais imaginei.
O outro lado da cama estava intacto e, sobre o fruteiro, um envelope com meu nome e a letra quadrada do meu marido.
Eu já limpava aquela casa enorme havia oito meses. Nunca imaginei o que aquele casamento escondia atrás da fileira de sapatos, nem até onde eu iria pela mensalidade.
Ela estava com o vestido amarelo mais justo do armário e a cabeça cheia de argumentos contra aquela mulher. Uma hora depois, já não sabia se a odiava ou a desejava.
Cinco minutos presa entre a parede e um homem do trono que cheirava a alecrim e madeira. Eu não sabia o nome dele, mas sabia que naquela noite ia procurá-lo de novo.
O táxi se afastou na poeira e, na varanda, os avós esperavam de braços abertos. Ninguém imaginava que aquele abraço de boas-vindas mudaria tudo.
As malas ainda por desfazer e, sob uma das camas, um monte de revistas velhas que nenhum dos três irmãos conseguiu parar de olhar naquela tarde de calor.
Quando o ar fresco bateu na minha pele nua, entendi que não estávamos no quarto: ele me tinha levado para o jardim, amarrada e no escuro, e qualquer um podia me ver.
Achei que teria a casa toda para mim por quatro dias. Não contei com o fato de que ele tinha chaves, câmeras e uma curiosidade que nunca me confessara.
Cada marca que as cordas deixam na minha pele me aproxima um pouco mais do abismo. Mas é a única coisa que silencia a voz dele... do homem que eu deixei morrer.
Quando vi a caminhonete se afastando pela estrada, meu corpo começou a pulsar diferente. Eu sabia exatamente o que ia acontecer assim que ele e eu ficássemos sozinhos naquela casa.
Atrás de cada um dos três buracos podia haver qualquer um. Eu não via nada. Só sentia mãos, bocas e um olhar conhecido me observando do outro lado.
Ele vinha fingindo há meses que o uniforme dela não o afetava. Naquela tarde, com a coxa dela enfaixada e as mãos dele tremendo sobre sua pele, soube que não aguentava mais.
Estreei os tênis num sábado cedo, sem imaginar que voltaria para casa com o short úmido por motivos que não tinham nada a ver com correr.
Tinha vinte anos e um namorado me esperando em casa. Naquela tarde de calor, junto à piscina, descobri o quanto o corpo pode arder quando alguém decide se deixar levar.
Daniel me proibiu de me tocar enquanto me fodia. A regra durou até a noite em que o caminhoneiro voltou antes e nos encontrou no banheiro.
Durante quatro dias, o papelzinho com seu número queimou no meu bolso. Toda noite eu lembrava daquela umidade escorrendo e soube que ia ligar.
Fiquei dias imaginando aquele fim de semana: cada ordem, cada castigo, cada limite quebrado. Escrevi tudo numa mensagem e apertei enviar sem pensar duas vezes.
Conheci-a num app de leitura. Cabelo preto, alta, intimidadora. Aceitei ser sua submissa porque jamais imaginei que uma mulher assim olharia para mim duas vezes.
Olhei-me no espelho, mordi o lábio e soube que aquela foto traria consequências. Não demorou nem três minutos para a chave girar na minha fechadura.