O que aconteceu quando o pintor tirou o macacão
Subi ao quarto com um copo d’água gelada e o encontrei nu sobre a escada. Pigarreei para avisar que eu estava ali, mas ele se virou sem pressa.
Subi ao quarto com um copo d’água gelada e o encontrei nu sobre a escada. Pigarreei para avisar que eu estava ali, mas ele se virou sem pressa.
Escondidos entre as árvores, eles os ouviram ofegar, e, ao voltar à mesa, a mulher sussurrou ao filho uma ideia que jamais imaginou ter coragem de realizar.
Meu amigo não tirava os olhos dela. Eu fingia me incomodar, mas a verdade é que entendia perfeitamente o que ele sentia ao olhar para ela.
Vivo nua neste apartamento onde ninguém nos conhece, esperando que meu filho volte todas as noites. Depois dele não haverá outro homem, e eu soube disso desde o primeiro dia.
Às quatro da manhã, sozinho na fornada, ele descobriu que o divórcio não tinha despertado nele os desejos de sempre: tinha despertado outros, com nome de vizinho.
Eu a encurralei no sofá entre risadas bêbadas e, quando meus dedos entraram sob o pijama de gatinhos, a mulher de gelo finalmente se rendeu.
Eu tinha implorado mil vezes e ela sempre me freava com a mesma desculpa. Até que naquela noite, na penumbra do quarto, ela disse que sim.
Eu me cruzava com ela no hall havia meses, desviando do olhar. Naquela tarde, trancados no elevador com o marido bêbado ao lado, parei de desviar.
O que começou como uma conversa constrangedora sobre brinquedos no banco de trás acabou se tornando o segredo mais sombrio que essa família jamais contaria.
Eu estava sendo fiel à minha namorada há oito anos. Bastaram uma piscina, dois biquínis e o sorriso safado da minha irmã para tudo desabar.
Quando minha filha cruzou a porta rindo, eu ainda trazia na pele o rastro do homem com quem ela iria se casar.
Era o casamento da minha filha, mas foi a ele que procurei entre a multidão. Uma balada, a areia sob os pés, e de repente ele já não era só meu filho.
A primeira coisa de que me lembro daquele verão são as mãos rachadas do caseiro e os olhos da garota da franja. A última, o que vi entre as árvores antes do amanhecer.
Desci do trem com uma única ideia na cabeça, e ao atravessar a porta do apartamento dele soube que nenhum dos dois fingiria que aquilo era uma visita de família.
A chave ainda aquecia meu bolso desde a noite anterior. Eu sabia que ela estaria acordada, me esperando, com o robe aberto e a cafeteira no fogo.
Quando as portas travaram entre dois andares, soube que faltavam horas para o resgate. Não imaginei que minha irmã já tinha outros planos para aquela espera.
Toda vez que ele olhava para o meu rosto, via minha mãe. E eu aprendi a usar essa semelhança, uma saia curta e um cumprimento íntimo demais, para apagar a linha entre nós.
Faltavam duas horas para o sim; quis roubar um último beijo de namorados e atravessei a mata até a cabana dele. A janela dos fundos me mostrou algo que eu jamais esqueceria.
Eu a olhava havia anos quando ninguém olhava. Naquela noite, com a casa vazia e uma garrafa de vinho entre nós, parei de fingir que era só o marido da filha dela.
Eu cuidava dela havia anos, pagava tudo, suportava seus gritos. Nessa madrugada, diante do beco vazio, decidi que pela primeira vez ela ia me dar algo em troca.