Confissão: eu estava obcecada pelo pai da minha amiga
Passei meses fugindo dele. Valentina me arrastou para a caminhonete sem me dar saída. Ele estava no volante, sério, sem me olhar.
Passei meses fugindo dele. Valentina me arrastou para a caminhonete sem me dar saída. Ele estava no volante, sério, sem me olhar.
Ela chegou à sala com um vestido preto e um sorriso que sabia muito bem o que fazia. Minha mulher a olhava como eu. Nós três sabíamos que aquela tarde não terminaria com o café.
Martín me ouviu em silêncio enquanto eu contava o que havia acontecido com o marido da minha mãe. Naquela noite, não dormi pensando em contar.
Eu tinha dezenove anos e passei semanas provocando-o de propósito. Não me arrependo de nada.
Havíamos tentado ter um filho por dois anos, sem resultado. Quando o médico confirmou o que eu suspeitava, tomei uma decisão que ainda me custa explicar.
Eu viajava sozinha, usando aquele vestido que sempre me causa problemas. Ele se sentou ao meu lado no ônibus, e soube desde o primeiro instante que a viagem não terminaria como eu havia planejado.
Eles prometeram que não voltaria a acontecer. Mas quando Marcos atravessou o salão e seus olhares se encontraram, a promessa durou exatamente três segundos.
Eu tinha acesso a cada tela do local e nunca deveria ter olhado. Mas, quando vi o que faziam com minhas fotos, algo se acendeu em mim.
Cheguei naquela chácara recém-separada, sem muitas expectativas. Voltei com lembranças que levaram meses para parar de voltar sozinhas à minha cabeça.
Quando meu marido faltou naquele dia, Rodrigo chegou sozinho bem cedo. O que começou com desafios e perguntas incômodas terminou de um jeito que eu nunca esperei.
Romina entrou naquela festa com uma segurança que poucas mulheres têm. No dia seguinte, quando me levou para buscar a filha, percebi que a noite anterior tinha sido só o começo.
Era o namorado da minha melhor amiga: gato, tímido, religioso. Perfeito demais para eu não fazer alguma coisa a respeito.
Eu tinha as malas no corredor e o táxi pedido para as seis. Então a campainha tocou e eu o encontrei do outro lado, com o telefone na mão.
Quando ela trancou a porta do escritório e me olhou daquele jeito, eu soube que as pastas eram só uma desculpa para o que viria depois.
Eu tinha quinze anos quando as surpreendi pela primeira vez. Hoje, com vinte e dois, já não consigo olhar aquelas lembranças da mesma maneira.
Eu vinha fantasiando com ela havia meses. Quando ela desceu do palco e pôs a boca na minha, entendi que aquela fantasia nunca ia desaparecer.
Olhei-me no espelho e soube que algo tinha mudado. Ele ainda dormia do outro lado do corredor, e eu levava dez minutos sem conseguir tirar os olhos da porta dele.
Quando os vi na laje, tudo mudou. Meu primo me olhava da escuridão e me perguntou algo que eu não esperava ouvir naquela noite.
Rodrigo organizou tudo em segredo: a suíte, as velas, Marcos esperando no sofá. Só me perguntou se eu estava pronta antes de abrir a porta.
Quando Dimitri me chamou para que eu visse minha mãe ajoelhada diante dele, algo em mim se quebrou para sempre. Ou talvez tenha nascido.