Três mesas nos separavam e, ainda assim, você me despiu
Faziam dois anos. Ele entrou com o sobrinho pela mão, sentou-se a três mesas da minha e, sem dizer uma palavra, me fez lembrar de tudo o que fomos.
Faziam dois anos. Ele entrou com o sobrinho pela mão, sentou-se a três mesas da minha e, sem dizer uma palavra, me fez lembrar de tudo o que fomos.
Ele nunca enfeitou o amor com frases bonitas. Me provou escolhendo estar ali, me olhando como quem estuda uma obra de arte, e dizendo a verdade sem rodeios.
Ela levava oito anos de um casamento confortável e vazio quando um desconhecido sorriu para ela no supermercado. Não imaginava que aquele sorriso a deixaria sem marido, sem amante e, enfim, diante de si mesma.
Uma lâmpada do corredor cedeu e se apagou. Na penumbra, as mãos dela envolveram minha cintura e eu soube que passara anos esperando aquele instante sem ousar nomeá-lo.
Aceitei o trabalho pelo dinheiro. O que eu não esperava era que o silêncio daquela casa acabasse nos empurrando, aos dois, para algo que nenhum de nós conseguia nomear.
Passei anos me convencendo de que sabia o que queria de uma mulher. Numa noite num bar quase vazio, uma desconhecida me provou o contrário.
Eu tinha dezenove anos e me achava intocável, até aquela madrugada em que um homem que dobrava minha idade me mostrou o quanto eu estava errada.
Era a última pessoa que eu esperava ver naquela tarde. Abri a porta meio dormindo e, ao vê-lo parado ali com aquele sorriso torto, a boca secou.
Ela cruzou as pernas na minha frente e algo não encaixava. A voz era doce, mas as mãos grandes demais. Levei dias para entender o que tinha me roubado o sono.
Bastou um olhar de Renata para eu entender: ela tinha visto tudo na tarde anterior e agora queria a sua parte, sem chance de recusa.
A única coisa que ele tinha que fazer era olhar. Sem tocar, sem falar. Mas quando ela deixou a calcinha cair no assoalho do vagão, ele já não sabia onde pôr os olhos.
Eu tinha quinze anos quando ouvi aquela frase. Nunca imaginei que, numa noite qualquer, meu próprio pai me faria entender o que ela significava de verdade.
Aceitei ajudá-las com o concurso da faculdade. Não imaginei que, diante daquele espelho, maquiado e com aquele vestido justo, deixaria de me reconhecer.
A gente tinha brincado com a ideia depois do cinema. Uma semana depois, minha mulher me deixou um áudio à uma da manhã e o quarto cheirava a outro homem.
Quando vi a caminhonete se afastando pela estrada, meu corpo começou a pulsar diferente. Eu sabia exatamente o que ia acontecer assim que ele e eu ficássemos sozinhos naquela casa.
Atrás de cada um dos três buracos podia haver qualquer um. Eu não via nada. Só sentia mãos, bocas e um olhar conhecido me observando do outro lado.
Às quatro da tarde eu estava linda, recém-maquiada diante do espelho. Às dez da noite não restava nada daquela menina perfeita, e eu adorava.
Na madrugada de Ano-Novo, Camila pediu um beijo. O que parecia uma brincadeira de bêbadas terminou com um vibrador e uma confissão guardada por vinte anos.
Quando ele bateu à minha porta à meia-noite, eu soube que tinha voltado a mentir para a mulher. E soube, também, que naquela noite ele seria só meu.
Vi meu próprio rosto na tela do celular dele, perdido entre os pelos do peito, e entendi que aquela tarde na sauna não tinha sido tão anônima quanto eu pensava.