A noite em que me viu com o vestido preto
Eu guardava aquele vestido no fundo do armário para ninguém. Nessa madrugada, quando ele tocou a campainha encharcado, soube que enfim ia estreá-lo para alguém.
Eu guardava aquele vestido no fundo do armário para ninguém. Nessa madrugada, quando ele tocou a campainha encharcado, soube que enfim ia estreá-lo para alguém.
Quando ele pôs minha mão sobre a própria entreperna enquanto dirigia, eu soube que não havia mais volta. Naquela noite parei de fingir e me entreguei por completo.
Quando atravessei essa porta, deixei de ser eu. Ele me esperava sem peruca nem maquiagem, com um sorriso de bad boy e meu novo nome já escolhido.
O treinador me olhou do outro lado da mesa e sorriu. Meu pai apertou minha nuca e sussurrou: «Filho, vamos fazer o que for preciso para você entrar no time».
Cheguei de vestido preto e grampos no cabelo. Ela me esperava em seda vermelha, com um colar de brilhantes e uma pergunta: o que você espera que eu lhe ofereça?
Cheguei ao apartamento dele convencido de que as agulhas não iam me tocar a alma. Damián fez eu entender rápido demais que tinha se preparado para o contrário.
No banheiro me esperavam um vestido preto e branco, lingerie feminina e uns saltos. Ele só disse: tire a roupa e se vista. Obedeci sem saber no que iria me transformar.
Minha mulher tirou um folheto da bolsa e disse que naquela mesma tarde teríamos uma reunião. Eu não sabia que aceitar significava deixar de ser o único homem na cama dela por quinze dias.
O machão que me humilhou na frente de metade da academia me escreveu por um app de encontros a cinquenta metros da minha casa. Quinze minutos depois, estava tocando a campainha.
Eu tinha contado a ela minha fixação por travestis, mas nunca pensei que ela aceitaria se sentar naquele sofá para ver outra mulher me pôr de joelhos.
Quando abri os olhos, ela ainda estava dentro de mim. Não soube quantas horas tinha dormido, só que Soledad sorria como quem sabe que você não tem mais para onde ir.
Ele tinha certeza de que ninguém podia hipnotizá-lo. Sentou-se no sofá com um sorriso de superioridade, sem suspeitar que aquela mulher já havia decidido em quem ia transformá-lo.
Tranquei a porta e me transformei em outra pessoa diante do espelho. Não contei com que ele tivesse uma cópia da chave.
De dia, assinava como Tomás e ninguém suspeitava de nada. A pasta aberta por acidente no tablet do meu chefe ia romper, de uma só vez, dezoito meses de silêncio.
Bastava que ela se insinuasse para que eu me pusesse de quatro. Naquela noite descobri que ela escondia duas surpresas, e só uma era para mim.
Subi as escadas mal conseguindo andar, com o vestido cheirando à noite inteira. Eu não sabia que minha mãe estava acordada, me esperando no corredor.
Quando entrei no banheiro e encontrei as flores e aquele cartão, soube que aquele verão me marcaria para sempre, embora eu ainda não imaginasse como terminaria.
Tenho 1,62 e ele 1,88. Quando abriu a porta de short e vi o que tinha entre as pernas, pensei em dar meia-volta. Não fiz isso.
Seu nick dizia «travesti ativa» e eu mal tinha uma experiência. Naquele hotel perto do metrô, aprendi o que era ser realmente submetido.
Cruzei a porta daquele apartamento com minha bolsa cheia de lingerie e saí convertida em outra coisa: na cachorrinha obediente de dois homens.