A noite em que meu pai me tomou pela primeira vez
Somos quatro na sala da casa de campo. O abajur do canto mal ilumina tudo, e o ambiente tem aquele tom quente e secreto das confissões noturnas. As taças de vinho estão pela metade sobre a mesinha de madeira, e meus três filhos me olham de seus lugares com aquela atenção quieta que eu conheço bem: a de quem sabe que o que vai ouvir não é uma história qualquer.
Lucía, a mais velha, tem vinte e cinco anos e está sentada na poltrona com as pernas encolhidas sob o corpo. Rodrigo, o do meio, tem vinte e está no chão, apoiado no sofá, com os cotovelos sobre os joelhos. Ana, a caçula, também com vinte, está ao meu lado no sofá e morde o lábio com aquele gesto dela quando concentra toda a atenção em alguma coisa.
— Mãe — começa Lucía, com a voz um pouco rouca —. Conta alguma coisa de quando você era jovem. Algo de verdade.
Eu a olho sem pressa. Ela abaixa os olhos por um instante e volta a erguê-los. Nós duas sabemos o que ela está pedindo.
— O que vocês querem saber exatamente? — pergunto, embora já conheça a resposta.
— A primeira vez — diz Rodrigo, sem se mexer do chão —. A primeira de verdade.
Ana assente devagar, sem dizer nada. Espera. Rodrigo está com a mandíbula tensa. Lucía cruzou os braços sobre o peito como se quisesse se conter.
Eu sorrio. Passo a língua pelos lábios, deixo o silêncio durar um pouco mais do que o necessário e começo a falar.
***
Era o verão de 1998. Eu tinha acabado de fazer dezenove anos e morava num vilarejo do interior, daqueles em que todo mundo se conhece e as noites de agosto cheiram a terra seca e alecrim queimado pelo sol.
Meu pai, o senhor Esteban, tinha então sessenta e quatro anos. Alto, ainda forte apesar da idade, cabelo completamente branco e mãos grandes e ásperas de trabalhar o campo a vida inteira. Era um homem de poucas palavras e de silêncios longos que diziam mais do que a maioria dos discursos. Quando falava, as pessoas escutavam. Quando olhava, as pessoas baixavam os olhos.
Eu tinha plena consciência de que era bonita. Não de um jeito inocente, mas daquele jeito em que uma moça jovem aprende a sentir o peso dos olhares dos homens e a caminhar com ele. Eu tinha o cabelo preto e liso até os ombros, os olhos escuros de minha mãe, uns peitos firmes que marcavam sob qualquer camiseta e uma bunda redonda que naquele verão já tinha acabado de decidir o que queria ser. Eu sabia que os homens do vilarejo me olhavam. Sabia que alguns desses homens eram velhos demais para fazer isso assim. E sabia que um deles era meu pai.
Eu já sabia disso havia tempo. O que eu ainda não sabia era que eu também olhava para ele. Que eu passava semanas enfiando dois dedos no meu cu à noite, pensando no pau do meu pai, imaginando que tamanho teria sob a calça do pijama, imaginando qual seria o gosto, como doeria, como me preencheria.
***
A noite em que tudo mudou foi numa quinta-feira de agosto, três semanas depois do meu aniversário. Minha mãe, Amalia, estava na cozinha lavando a louça do jantar. O barulho da água chegava até a sala como um som de fundo constante e reconfortante.
Eu já fazia semanas que não conseguia dormir direito. Um calor diferente do do verão, alguma coisa que se instalava no ventre e deixava meu cu úmido cada vez que meu pai entrava em um cômodo, cada vez que as mãos dele roçavam as minhas ao passar alguma coisa na mesa, cada vez que eu o via na poltrona com os olhos semicerrados e aquele gesto de homem que trabalhou demais e descansa de menos.
Levantei. Coloquei a camisola curta, a de tecido fino que deixava adivinhar mais do que cobria, sem calcinha por baixo, e desci para a sala sem chinelos. O piso frio de cerâmica tocava meus pés. Os mamilos se marcavam duros contra o tecido, e eu sentia a umidade entre as coxas a cada passo.
Meu pai estava na poltrona, de camiseta e calça de pijama. Os olhos abertos, o olhar fixo na televisão desligada. Quando me ouviu entrar, ergueu a vista.
— O que está fazendo acordada? — perguntou.
— Não consigo dormir — disse eu. E parei na frente dele.
Houve um silêncio. O tipo de silêncio que ocupa mais espaço do que as palavras.
— Pai — disse baixinho —. Preciso que você faça uma coisa para mim.
Ele não respondeu de imediato. Olhava para mim com aqueles olhos quietos, daquele jeito dele de analisar tudo antes de abrir a boca. Mas eu também vi o olhar dele descer por um instante até meus mamilos marcados e voltar a subir.
— Estou assim há semanas — continuei —. Pensando em você. Enfiando os dedos na cama pensando em você. Não posso continuar fingindo que não está acontecendo nada.
— Elena — disse ele, com uma voz muito baixa e muito cuidadosa —. Sou seu pai.
— Eu sei. E é por isso que eu quero você e ninguém mais.
Outro silêncio.
— Você é nova demais — disse ele, embora não tenha saído da poltrona e embora eu já visse o volume duro apertando a calça dele.
— Tenho dezenove anos — respondi —. E sei exatamente o que quero. Quero que você me coma, pai. Quero que seja você o primeiro.
Me aproximei mais um passo. Ele continuou imóvel. Eu podia ver nos olhos dele a luta entre o que sentia e o que um pai deveria fazer. E também podia ver qual dos dois lados estava ganhando.
Pus as mãos nos joelhos dele e me ajoelhei devagar na frente dele. Levantei a camisola só o suficiente para que ele visse, entre minhas coxas abertas, o cu depilado e brilhando de umidade.
— Por favor — sussurrei —. Olha como você me deixou molhada.
Ele fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, algo tinha mudado. Estendeu a mão e tocou minha bochecha com o dorso dos dedos, bem devagar, como se estivesse verificando se eu era real. Depois baixou essa mesma mão e passou dois dedos pelo meu cu aberto, de baixo para cima, parando um segundo no clitóris. Eu me estremeci por inteira.
— Você está encharcada — disse, com a voz mais rouca que eu jamais tinha ouvido nele.
— Estou assim há semanas.
Ele levou os dedos à boca e os chupou, sem desviar o olhar de mim.
— Vem cá — disse baixinho.
***
Eu subi sobre as pernas dele. Ele pôs as mãos na minha cintura, aquelas mãos grandes e calejadas, e me puxou para si. Cheirava a cigarro, a sabonete barato, a algo que era simplesmente ele e que me deixava louca há mais tempo do que eu gostava de admitir.
— Se continuarmos — disse bem perto do meu ouvido —, não tem volta. Vou te comer até você nem lembrar mais o seu nome, filha. Pense bem.
— Não quero volta — respondi —. Me come logo, pai.
Ele começou a me beijar no pescoço. Devagar, sem pressa, como se tivéssemos a noite inteira, o que era exatamente verdade. As mãos dele deslizavam por minhas costas por baixo da camisola, memorizando uma geografia que ele já conhecia de vista, mas nunca tinha tocado assim. Ele levantou a camisola por cima da minha cabeça num só puxão e a jogou no chão.
Ficou olhando meus peitos por um momento, em silêncio, antes de agarrar um deles com aquela mão de camponês e levar o outro diretamente à boca. Chupou meu mamilo com força, os dentes roçando em mim, e eu deixei escapar um gemido que não consegui conter. A língua dele, larga e áspera, passou de um peito ao outro, mordiscando, puxando, deixando meus mamilos vermelhos e duros como pedras. Eu agarrei a cabeça dele com as duas mãos e a apertei contra meu peito, ofegante.
Sentia o pau duro do meu pai marcado contra minha coxa nua, grosso, quente através da fina calça do pijama. Eu me esfregava nele sem conseguir evitar, o cu úmido deixando uma mancha escura no tecido.
Ele baixou uma mão entre nós e enfiou dois dedos de uma vez no meu cu. Joguei a cabeça para trás e gritei baixinho. Nunca tinham me penetrado com nada tão grosso quanto os dedos do meu pai. Ele começou a mover os dedos dentro de mim, devagar no começo, depois mais rápido, enquanto com o polegar esfregava o clitóris com uma precisão que eu não esperava de um homem de sessenta e quatro anos.
— Isso — gemi —, assim, pai, assim.
— Você está apertadíssima, Elena — murmurou ele, com os lábios colados ao meu pescoço —. Vai sentir meu pau como se ele estivesse te partindo ao meio.
— Quero sentir — ofeguei —. Quero que você me enfie tudo.
Me inclinei sobre ele. Desabotoei a calça do pijama devagar, sem tirar os olhos dos dele. Ele deixou que eu fizesse isso. Quando baixei o cós e o pau saltou livre, fiquei olhando para ele por um longo segundo. Era enorme. Grosso, meio escuro na ponta, com veias grossas marcadas e a glande inchada e brilhante de líquido pré-ejaculatório. Maior do que eu tinha imaginado em todas aquelas noites enfiando os dedos na cama.
Eu o segurei com uma mão — não conseguia fechar o punho inteiro em volta dele — e apertei, movi para cima e para baixo, sentindo-o duro como ferro quente. Meu pai rosnou baixinho e apertou minha nuca.
Deslizei de seus joelhos para o chão e lhe abri as pernas. Baixei o rosto devagar, sem tirar os olhos dele. Primeiro lambi da base até a ponta, com a língua larga, saboreando-o por inteiro. Depois chupei a glande, brincando com a língua ao redor, enquanto com a mão apertava a base.
— Me chupa — disse ele, com a voz rouca —. Tudo, se puder.
Abri a boca e coloquei ele dentro. Coloquei devagar, aprendendo, deixando o tempo se esticar, sentindo como ele preenchia minha boca até roçar a garganta. Engasguei um pouco no começo, a saliva escapando pelas comissuras, mas continuei descendo até o nariz tocar os pelos grisalhos de seu púbis. Ele apoiou a cabeça no encosto da poltrona e fechou os olhos com um som baixo que não era exatamente um gemido, mas algo mais contido, mais íntimo.
Comecei a chupá-lo com vontade. Subindo e descendo, sugando com a boca inteira, deixando a saliva escorrer pelos testículos e encharcar tudo. Ele pôs uma mão na minha nuca e começou a marcar o ritmo, apertando-me, forçando-me a engolir mais fundo. Eu deixava que ele fizesse isso. Chupava olhando para ele de baixo, com os olhos cheios de lágrimas do esforço, o rosto vermelho, os lábios esticados em volta daquele pau grosso que era o do meu pai.
— Puta merda, Elena — sussurrou ele —. Puta merda, filha.
Tirei o pau da boca com um som úmido e lambi os testículos dele, um primeiro e depois o outro, sugando-os inteiros dentro da boca. Ele tremia por completo. Voltei a subir pelo tronco, chupando pela lateral, e o coloquei de novo até o fundo.
— Para — disse ele depois de um tempo, com a voz rouca —. Para, filha, ou não vamos chegar a nada mais, e eu quero gozar dentro de você.
***
Minha mãe apareceu na porta da cozinha naquele momento.
Secou as mãos no avental. Olhou para nós. Não disse nada por um tempo que me pareceu enorme. Depois atravessou a sala devagar, pegou a cadeira que estava junto à janela e se sentou.
— Continuem — disse simplesmente.
Eu a olhei, desconcertada, com os lábios ainda brilhando do pau do meu pai e a saliva escorrendo do queixo. Ela me devolveu o olhar com uma calma que eu só entendi anos depois.
— Seu pai ama você — disse —. E faz tempo que eu estou vendo vocês. Continuem.
Meu pai não disse nada. Me ergueu com os braços e me colocou sobre ele, de pernas abertas, com os joelhos afundados na poltrona de cada lado dos quadris dele. O pau duro e úmido de saliva ficou exatamente sob meu cu, roçando meus lábios, e eu comecei a me esfregar contra ele sem pensar, molhando-o inteiro com minha própria umidade.
***
O que veio depois foi mais lento e mais cuidadoso do que eu tinha imaginado. Meu pai não tinha nenhuma pressa. Como se soubesse que haveria apenas uma primeira vez e quisesse que fosse irrepetível.
Ele agarrou minha cintura com as duas mãos e me manteve suspensa sobre ele. Com uma mão segurou o pau e encostou a ponta na entrada do meu cu. Eu senti a glande grossa empurrando ali, apenas separando os lábios, e ofeguei.
— Desce você — disse ele —. No seu ritmo. Eu te seguro.
Comecei a descer. Devagar, sentindo como aquele pau enorme ia me abrindo por dentro milímetro por milímetro. Quando começou a me penetrar de verdade, tive que morder o lábio com força para não gritar. Era a primeira vez de verdade. Nenhum garoto da minha idade chegava perto dele em tamanho, nem de longe.
— Respira — disse ele, com a voz rouca —. Relaxa. Isso. Devagar. Se abre para o seu pai.
A dor foi breve e precisa — uma ardência aguda enquanto a glande atravessava a carne fechada — e depois se desfez em algo completamente diferente. Uma plenitude que eu nem sabia que existia. Desci um pouco mais e senti o pau abrindo caminho para dentro, preenchendo cada centímetro de espaço que eu não sabia que tinha. Continuei descendo. E descendo. Até minha bunda se apoiar nas coxas dele e eu perceber que tinha o pau inteiro dentro de mim, até o fundo.
— Estou toda tomada — sussurrei, com os olhos arregalados —. Ele está inteiro dentro de mim.
— Assim, filha. Agora me fode devagar.
— Pai — sussurrei, com os olhos fechados.
— Estou aqui — disse ele.
Ele se moveu devagar no começo, deixando-me me acostumar. Eu apoiei a testa no ombro dele e me deixei levar. Comecei a subir e descer sobre ele, sentindo como o pau saía quase inteiro e entrava de novo até o fundo, tocando lugares que nenhum dedo meu jamais tinha alcançado. Eu ouvia a respiração dele acelerar aos poucos, sentia as mãos dele em meus quadris guiando o ritmo, sentia o corpo dele respondendo ao meu com aquela urgência de homem que reprimiu algo por tempo demais.
Comecei a me mover mais rápido. Eu cavalgava a poltrona, os peitos saltando diante do rosto dele, e ele chupava um mamilo e depois o outro, mordendo, deixando marcas. A poltrona rangia. Meu cu fazia um barulho úmido e obsceno cada vez que eu descia, um chapinhar que eu nunca tinha ouvido e que me deixava ainda mais excitada.
— Que apertada você é, filha — ofegou ele —. Que cu você tem.
— É seu — ofeguei —. É todo seu, pai.
Minha mãe, da cadeira junto à janela, nos observava em silêncio. Tinha as mãos cruzadas no colo e uma expressão que eu não soube ler por inteiro: algo entre tristeza e satisfação, entre renúncia e alívio.
Quando gozei pela primeira vez foi sem aviso, sem esperar, com um estremecimento que percorreu meu corpo todo e me deixou sem fôlego por vários segundos. Meu cu se fechou ao redor do pau dele em espasmos violentos, apertando-o, sugando-o por dentro. Gritei contra o pescoço dele, gemi sujo, e senti o orgasmo me sacudir até a sola dos pés. Meu pai sentiu como eu me contraía ao redor dele e me abraçou ainda mais forte sem parar, mantendo o ritmo, me fodendo agora ele por baixo, empurrando para cima com os quadris, cravando-o em mim.
— Isso — disse no meu ouvido —. Assim. Se solta. Goza no pau do seu pai.
O orgasmo se prolongou, encadeado, um atrás do outro, enquanto ele continuava investindo. Eu não sabia que um corpo podia dar tanto. Eu tremia inteira, com os olhos revirados, a boca aberta.
Ele me agarrou pelo cabelo, jogou minha cabeça para trás e me beijou na boca pela primeira vez naquela noite. Um beijo profundo, com língua, enquanto continuava me fodendo. Tinha gosto de cigarro, de vinho e de algo mais antigo que eu.
Quando ele gozou por fim, com aquele rosnado baixo e contido que eu demorei muitos anos para parar de ouvir em sonhos, ficou imóvel por um momento longo com os braços em volta de mim. Senti os jatos quentes de sêmen dispararem dentro de mim, um atrás do outro, enchendo meu cu até eu sentir que escorria e descia pela parte interna das coxas. Depois ele afastou meu cabelo do rosto e me olhou diretamente nos olhos.
— Você está bem? — perguntou.
— Sim — respondi. E era completamente verdade.
Fiquei quieta sobre ele, com o pau dele ainda duro cravado dentro de mim, sentindo o sêmen e meus próprios fluidos se misturando e escorrendo pela base do pau dele até os testículos.
***
Mas a noite não tinha acabado.
Meu pai me deixou recuperar o fôlego por um tempo. Passou a mão pelas minhas costas em silêncio, sem falar. Eu sentia como, dentro de mim, ele ainda estava duro. Nem tinha amolecido. Depois, quando minha respiração se acalmou, ele se inclinou até meu ouvido.
— Vira — disse ele —. Quero mais de você. Quero o outro buraco.
Eu o olhei. Ele sustentou meu olhar sem desviar os olhos.
— Isso também dói no começo — disse, com uma honestidade da qual eu gostei —. Mas só no começo. Depois você vai gostar mais do que da primeira vez.
Minha mãe, da cadeira, nos observava. Não disse nada. Só subiu a saia devagar e cruzou as mãos sobre o colo, com os olhos fixos em nós. Sob a saia levantada, viam-se suas coxas abertas e uma mão que já tinha se enfiado entre elas, movendo-se devagar.
Levantei-me de cima do meu pai — sentindo o pau sair de mim com um som úmido e uma enxurrada de sêmen escapando do meu cu e caindo pelas coxas — e me coloquei de quatro no sofá, com a bunda bem erguida para ele. Ouvi meu pai cuspir na mão e senti o toque dele, ao mesmo tempo frio e quente, no meu buraquinho, me molhando com saliva e com o meu próprio sêmen que ele recolheu do cu. Os dedos dele me prepararam devagar, sem pressa. Primeiro um, girando na entrada, empurrando muito lentamente até abrir meu músculo. Eu cerrei os dentes.
— Respira — disse ele —. Empurra como se fosse me expulsar o dedo. Isso.
O dedo entrou inteiro. Ardendo. Fiquei quieta por um instante, acostumando-me à sensação. Depois ele começou a mover o dedo dentro de mim, entrando e saindo, me alargando. Acrescentou um segundo dedo. Eu gemi, entre a dor e algo mais escuro que já começava a se misturar. Ele enfiou os dois até os nós e me abriu, fazendo tesoura.
— Relaxa — repetiu —. Confia em mim.
Ele tirou os dedos. Senti a ponta grossa do pau dele encostada no meu buraquinho, úmida de saliva e sêmen. Empurrou.
Quando a glande atravessou o músculo, a dor foi intensa e aguda por alguns segundos. Gritei com a boca fechada, mordendo o punho, me apertando contra a almofada. Senti como aquele pau grossíssimo ia abrindo meu cu centímetro a centímetro, avançando com uma lentidão deliberada que me fazia sentir cada milímetro de pele se esticando.
— Você está dentro — ofegou ele, com a voz trêmula —. Você tem ele inteiro enfiado no cu, Elena.
Depois a dor começou a se misturar com outra coisa mais difícil de nomear. Algo escuro e profundo que eu nunca tinha sentido e que, paradoxalmente, me fazia querer mais. Um prazer sujo, diferente do do cu, mais intenso, mais animal.
— Pai — ofeguei —. Não para. Me come o cu. Forte.
— Não vou parar — disse ele.
Ele começou a se mover. Os movimentos dele eram lentos e profundos, completamente diferentes dos de antes. Cada investida chegava mais longe do que eu imaginava ser possível. Eu sentia o pau sair quase inteiro — o buraquinho fechando ao redor da glande — e entrar de novo até o fundo, me empurrando para a frente. Eu me agarrei à almofada do sofá com os dedos e deixei meu corpo encontrar o ritmo sozinho.
Ele me segurou pelos quadris com as duas mãos, cravando os dedos em mim, e começou a acelerar. Não era mais cuidado: era fome. Ele me comia o cu com investidas duras, surdas, que faziam um barulho de carne contra carne toda vez que as coxas dele batiam nas minhas. Eu empurrava para trás, indo ao encontro dele, gemendo como nunca tinha me ouvido gemer.
— Toma — ofeguei —, tudo, pai, me dá tudo.
Enfiei uma mão entre as pernas e comecei a esfregar o clitóris com dois dedos. Eu estava prestes a gozar de novo. O cu me apertava no vazio enquanto o pau do meu pai abria meu ânus a cada investida, e as duas sensações juntas estavam me enlouquecendo.
Minha mãe gozou em silêncio da cadeira dela. Eu soube pelo pequeno som que ela fez, aquele som contido que aprendi a reconhecer muito depois, e por como ficou imóvel por vários segundos com a cabeça jogada para trás e a mão parada entre as coxas.
Eu gozei um segundo depois, com um grito abafado, apertando o cu em volta do pau do meu pai com tanta força que ele soltou um rosnado. Todo o meu corpo tremia. O orgasmo do cu era diferente: mais profundo, mais longo, algo que saía de um lugar dentro de mim que eu não sabia que existia.
Quando meu pai gozou pela segunda vez naquela noite, foi com um som mais longo e mais baixo do que o primeiro. Ele se enterrou até o fundo e ficou ali, me segurando forte pelos quadris, e eu senti o calor dele dentro de mim, jato após jato, enchendo meu cu com seu sêmen. Fechei os olhos. Quando ele finalmente tirou o pau, senti o sêmen começando a escorrer para fora e descer pela minha coxa, e ele se abaixou e passou a língua por ali, recolhendo-o, subindo pela minha perna até a fenda do cu, lambendo meu buraquinho aberto e cheio do próprio sêmen dele.
Eu me estremeci uma última vez, sem forças já.
Ficamos os três em silêncio por um tempo que eu não soube medir.
***
Minha mãe foi a primeira a se mover. Abaixou a saia, levantou-se da cadeira com calma e voltou para a cozinha sem dizer nada. Ouvi o som da torneira. O ruído normal de uma noite normal, exceto pelo fato de que nada voltaria a ser exatamente igual.
Fiquei ainda um tempo nos braços do meu pai, com a cabeça em seu peito, ouvindo a respiração dele voltar ao normal. Sentia o sêmen descendo por dentro dos dois buracos, o cu e a buceta pulsando ao mesmo tempo, doloridos e felizes.
— O que acontece agora? — perguntei depois de muito tempo.
Ele demorou a responder.
— Agora os dois dormem — disse ele —. E amanhã o dia amanhece.
Não era a resposta para o que eu estava perguntando de verdade. Mas era uma resposta. E naquela noite isso me bastou.
***
Os dias seguintes foram estranhos. Não num sentido ruim. Estranhos no sentido de que o mundo continuava exatamente igual — o calor, as refeições, os silêncios habituais —, mas eu via tudo de outro ângulo. Como se tivesse atravessado uma porta que jamais voltaria a se fechar.
Meu pai me tratava como sempre na frente de qualquer pessoa. Mas às vezes, quando não havia mais ninguém, ele roçava o dorso da mão em mim ao passar, ou me olhava daquele jeito longo e quieto, ou enfiava a mão por baixo da minha saia no corredor e conferia com dois dedos se eu ainda estava molhada por ele — e estava sempre —, e eu sabia que não tinha sido um sonho. Que tudo tinha acontecido exatamente como eu me lembrava.
Minha mãe também não mudou, pelo menos visivelmente. Continuou cozinhando, continuou arrumando tudo, continuou vendo televisão à noite. Só que às vezes, quando me olhava, havia algo diferente nos olhos dela. Não era raiva. Também não era exatamente compreensão. Era algo mais antigo e mais complicado do que qualquer uma dessas duas coisas. Como se ela tivesse visto algo que não a surpreendia tanto quanto deveria, e tivesse de decidir o que fazer com isso.
Aquela foi minha primeira vez de verdade. Não a do garoto de dezenove anos do verão anterior. Não a dos beijos rápidos nas festas do vilarejo. Aquela noite na sala, com o abajur do canto apagado e o barulho da torneira da minha mãe ao fundo, com o pau do meu pai me partindo primeiro o cu e depois a buceta, com o sêmen escorrendo por dentro das minhas coxas.
***
Na sala, Lucía está com os olhos muito abertos e a taça esquecida na mão. Rodrigo se sentou direito e apoia os antebraços nos joelhos, com o olhar fixo em mim. Ana tem a respiração lenta e contida de quem já está imóvel há muito tempo.
— E depois? — pergunta Lucía, com a voz muito baixa.
— Depois — digo eu — foi o verão mais longo da minha vida. E não precisamente por causa do calor.
Os três ficam em silêncio, esperando.
Eu pego minha taça, dou um longo gole e sorrio.
— Mas isso — digo — fica para outra noite.