A tarde em que minha irmã experimentou vestidos para mim
Aquele sábado começou como qualquer outro fim de semana na casa que dividíamos desde a morte dos nossos pais. Vinte e oito anos completos, uma rotina conhecida demais e a voz da minha consciência me repetindo que eu tinha sorte de não estar sozinho. Desci as escadas descalço, atraído pelo aroma do café que Daniela sempre deixava pronto antes que eu abrisse os olhos.
A cozinha estava banhada pela luz morna da manhã, aquela que entrava filtrada pela cortina branca de algodão. E lá estava ela, de costas para mim, diante da geladeira aberta. Não era o pijama gasto que costumava usar nos fins de semana. Ela vestia um conjunto que eu nunca tinha visto. Uma camisola curta de seda cor bordô que se ajustava ao corpo como água sobre a pele, deixando os ombros estreitos e a curva suave das costas à mostra. A saia preta, alta na cintura, abraçava os quadris com precisão, desenhando o contorno arredondado da bunda que o tecido mal continha, e um cinto fino com fivela dourada rematava sua silhueta. Por baixo, umas meias pretas transparentes cobriam as pernas com um véu quase invisível, deixando entrever a pele pálida que subia até onde a saia as escondia. Minha boca secou ao notar como o tecido afundava entre as nádegas quando ela mudou de posição.
Fiquei um instante no batente, observando-a sem dizer nada. Só o zumbido baixo da geladeira e a respiração tranquila dela. Daniela se esticou para alcançar alguma coisa na prateleira de cima, e o movimento fez a camisola subir por uns dois centímetros, revelando uma faixa fina de pele nua na parte baixa das costas. Foi um gesto inocente, cotidiano. Mas meu olhar ficou ali mais tempo do que deveria. A forma como a seda se esticava sobre o corpo, como a saia se ajustava à cintura estreita e depois se abria suavemente sobre os quadris. Senti um puxão quente entre as pernas, o pau despertando dentro da calça do pijama com uma urgência que eu não soube disfarçar. Algo em mim se mexeu. Algo que eu nunca tinha sentido ao olhá-la. E esse algo estava tomando a forma dura e inconfundível de uma ereção.
— Bom dia — disse por fim, entrando e me dirigindo à cafeteira.
Ela se virou com aquele sorriso natural que sempre tinha para mim. Vinte e três anos, uma beleza que eu ainda não conseguia entender por completo, e aquela expressão entre carinhosa e um pouco rebelde que a definia desde criança.
— Bom dia, maninho — respondeu com voz suave, quase cantada. Veio me dar o beijo de sempre no rosto, mas desta vez o abraço se prolongou por mais dois segundos. Os braços dela contornaram meu pescoço com naturalidade, e por um instante senti o calor do corpo dela contra o meu: a seda da camisola roçando no meu peito, a pressão delicada dos seios firmes e macios, dois pontos duros marcando sob o tecido e se cravando em mim através da camiseta. O perfume dela, doce e quente, entrou no meu nariz como nunca antes. O pau, meio duro, ficou preso por um segundo eterno contra o ventre dela. Não soube se ela percebeu. Não soube se ela ligou—. Dormiu bem? Deixei o café forte, como você gosta.
Ela se afastou com a mesma naturalidade, mas minhas mãos ficaram um segundo na cintura dela antes de soltá-la. A fivela dourada estava fria sob meus dedos; a pele dela, ao contrário, ardia levemente por cima do tecido. Ela não pareceu notar. Só pegou o suco e se sentou sobre a bancada, cruzando as pernas devagar. A saia subiu um pouco, deixando à mostra a borda superior das meias e um trecho a mais daquelas coxas que a transparência tornava ainda mais sugestivas. Quando mudou o peso de uma nádega para a outra, o tecido se esticou tanto na virilha que o vinco do cu dela ficou marcado sob a saia. Desviei o olhar de repente, com o coração batendo nas costelas.
— Comprei ontem — comentou, balançando um pé descalço —. Queria algo diferente pra sair hoje à noite com as meninas. O que você acha? Ficou bom em mim ou parece muito… sei lá, mais velha?
O tom dela era casual, quase infantil, como quando me pedia opinião sobre roupa desde os quinze anos. Mas os olhos me encaravam com aquela faísca rebelde que ela sempre tinha quando sabia que estava testando limites. Não era flerte. Era só Daniela sendo Daniela: carinhosa, um pouco provocadora sem perceber, me perguntando como sempre. E, no entanto, enquanto eu a ouvia, minha cabeça já estava em outro lugar: imaginando ela sem aquela saia, sem as meias, com o sexo escancarado sobre a bancada fria de mármore e os peitos à mostra, se oferecendo para minha boca. Pensamentos que não tinham o direito de existir, e que mesmo assim eu já não conseguia conter.
— Ficou… diferente — respondi, tentando fazer minha voz soar normal enquanto servia o café. Mas os olhos me traíram. Pararam na forma como a seda marcava o contorno macio dos seios, em como o pequeno pingente de prata repousava exatamente no vale entre eles, se movendo a cada respiração. Na maneira como os mamilos se desenhavam levemente sob o tecido, dois pontos endurecidos que a seda não conseguia esconder. Nas meias que se aderiam às pernas dela, criando aquela sombra delicada que subia e se perdia sob a saia, exatamente onde eu, sem conseguir evitar, queria enterrar o rosto e a língua.
O dia seguiu seu curso habitual. À tarde, enquanto eu lia no sofá, comecei a notar detalhes que antes passavam despercebidos. Quando ela se inclinou para pegar um livro no chão, a curva das costas se acentuou com elegância e a saia subiu o suficiente para me deixar ver o começo das nádegas, a sombra escura onde a fenda da bunda começava. Mais tarde, ela se recostou junto à janela para tomar um pouco de sol, as pernas esticadas e levemente abertas, as meias brilhando sob a luz oblíqua, falando bobagens: o trabalho dela na livraria do centro, uma amiga, planos para a noite. Eu ouvia pela metade. Estava ocupado tentando disfarçar a ereção que a simples visão dela me provocava, apertando minha calça como um animal preso.
Num momento, ela se ergueu e se inclinou para a frente para alcançar o telefone. A camisola se abriu levemente, oferecendo uma visão impossível de ignorar: a suave elevação dos seios, a sombra escura do mamilo direito aparecendo de leve no decote, a pequena pinta que sempre estivera ali, mas que agora parecia me chamar. A boca se encheu de saliva. Eu me imaginei chupando aquilo devagar, mordendo com os dentes até ouvi-la gemer meu nome, puxando a aréola até ver a pele esticar entre meus lábios. O pau pulsou dentro da calça, molhado na ponta.
— Você me ajuda a escolher o look completo? — perguntou de repente, com aquele sorriso de irmã que usava para pedir favores —. Subo pra trocar e desço com o próximo conjunto. Quero que você seja sincero, como sempre. Você é o único que me diz a verdade.
Ela se levantou e passou ao meu lado. A mão dela roçou meu ombro por um segundo a mais do que o habitual, um gesto carinhoso de sempre, mas que agora me deixou a pele arrepiada. Subiu as escadas com passos leves, a saia balançando a cada movimento, revelando por um instante a linha exata onde as meias se uniam à pele. Lá de baixo, quando levantou a perna no segundo degrau, consegui distinguir um triângulo branco de tecido afundado entre as coxas: a calcinha minúscula que usava por baixo, colada no sexo como uma segunda pele. Esse lampejo me fez apertar os punhos contra o sofá para não enfiar a mão na calça.
Fiquei sentado, com o coração batendo mais forte do que o normal e o pau completamente duro entre as pernas. Algo tinha mudado. Pela primeira vez em vinte e oito anos, minha irmã de vinte e três já não era só minha irmãzinha. Era uma presença que enchia o ar, uma silhueta que tinha ficado gravada na minha retina, um calor que começava a despertar sensações que não tinham o direito de existir. Passei a mão pelo volume sem perceber, apertando o pau por cima do tecido, e parei envergonhado. Mas o desejo já estava instalado. Não havia como arrancá-lo.
***
Sentei no sofá de frente para a escada, com o celular na mão fingindo conferir e-mails. O coração batia um pouco mais rápido do que o normal. O pau continuava duro entre as pernas, insistente, já úmido na ponta contra o tecido da calça. Alguns minutos se passaram. Ouvi os passos descalços no andar de cima, o roçar suave de tecidos, uma gaveta abrindo e fechando. Nada fora do comum. Só Daniela se arrumando para sair, como qualquer outro sábado. E, no entanto, eu, sentado embaixo, imaginava cada movimento: as mãos puxando a saia pelos quadris, a camisola caindo no chão, os seios soltos balançando enquanto ela experimentava outra peça, a mão roçando o sexo sem querer ao ajustar uma calcinha nova.
Então ela apareceu no topo da escada.
Dessa vez, o conjunto era ainda mais impactante. Um vestido preto curto, de alças finas, que se ajustava ao corpo como se tivesse sido feito sob medida. O tecido leve, com um brilho acetinado, chegava logo acima da metade da coxa, deixando ver a continuação das mesmas meias transparentes. As alças mal sustentavam o decote, que caía de forma suave e funda, deixando à mostra o começo dos seios e a sombra estreita do canal entre eles. O pingente de prata continuava ali, repousando onde o tecido terminava e a pele começava. Ela não usava sutiã. Os mamilos se marcavam com clareza sob o cetim, duas protuberâncias pequenas e duras que subiam e desciam com a respiração.
Ela desceu os degraus com aquela graça despreocupada de sempre. Cada passo fazia o vestido se mover com ela, ajustando-se à cintura e abrindo com suavidade sobre os quadris.
— E esse? — perguntou quando chegou embaixo, parando na minha frente com um sorriso tímido, mas curioso. Girou devagar sobre si mesma, uma volta completa. O vestido subiu um pouco com o movimento, deixando ver mais da parte de trás das coxas cobertas pelas meias, e por um instante consegui distinguir a linha negra de uma tanga afundando entre as nádegas, apertando a bunda com aquela firmeza mínima de tecido molhado —. Comprei no mesmo dia que o outro. É pra hoje à noite, mas queria que você visse antes. Muito curto? Ou ficou bom?
A voz era exatamente a mesma de sempre: carinhosa, um pouco insegura quando me pedia opinião, como se realmente se importasse com o que eu pensava.
Limpei a garganta antes de responder. Eu estava com o pau tão duro que doía e uma mancha úmida começava a surgir no tecido da calça.
— Ficou muito bom em você — eu disse, e era verdade. Bom demais —. A cor destaca seu tom de pele e o corte é bonito.
Ela sorriu, satisfeita, e se aproximou um pouco mais. Sentou no braço do sofá, bem ao meu lado, com as pernas cruzadas com naturalidade. O vestido subiu mais alguns centímetros sobre as coxas, deixando à mostra a textura delicada das meias e a forma como se ajustavam perfeitamente à pele. O decote, daquela distância, era impossível de ignorar. Eu podia ver quase por completo o volume macio do seio esquerdo, balançando livre sob o cetim com cada respiração, a aréola rosada aparecendo por um instante toda vez que ela se inclinava.
— Obrigada — disse suavemente, inclinando-se um pouco na minha direção para ajeitar uma das alças que escorregara do ombro. O movimento fez o busto dela se aproximar do meu rosto por um segundo, e pude sentir o calor suave que vinha da pele dela, misturado com aquele perfume doce que eu já começava a associar só a ela. Ela estava tão perto que eu poderia colocar a língua para fora e lamber o mamilo por cima do tecido sem quase me mexer. A simples ideia me deixou o pau tão tenso que ele saltou dentro da calça —. Você sempre fala a verdade pra mim. É o único que não mente pra me fazer sentir melhor.
Ela riu baixinho, um som leve e familiar, e jogou o cabelo para o lado, deixando-o cair como uma cascata sobre o ombro direito. Uma mecha solta roçou meu braço. Ela permaneceu ali sentada, balançando de leve um pé, como se não tivesse pressa para levantar.
— Ei, pode me ajudar com uma coisa? — perguntou de repente, com aquela expressão de irmã que sempre usava quando queria um favor —. O fecho desse vestido é meio complicado. Você sobe um pouco pra mim? Acho que ficou mal fechado.
Ela se levantou e se virou, ficando de costas para mim. Prendeu o cabelo com uma mão e o segurou no alto da cabeça, deixando à mostra toda a nuca e a linha elegante das costas. O vestido tinha um fecho invisível que descia da nuca até a cintura. Estava um pouco baixo, deixando ver a curva delicada onde as costas encontravam os quadris e, mais abaixo ainda, o início da fenda da bunda aparecendo na borda. Sem sutiã. Sem nada sob o vestido além daquela tanga finíssima que se afundava entre as nádegas.
Levantei-me. As mãos tremiam levemente quando as aproximei. Toquei primeiro o tecido, depois o fecho. Meus dedos roçaram a pele quente enquanto eu subia o zíper devagar, centímetro por centímetro. Senti a suavidade, a temperatura um pouco mais alta que a minha, a forma como a respiração dela se mantinha tranquila e constante. Quando cheguei quase ao topo, meus nós dos dedos roçaram a nuca. Ela soltou um suspiro pequeno, quase inaudível. Eu tinha o pau completamente ereto apontando para as nádegas dela, a poucos centímetros de distância. Se eu desse mais um passo, estaria cravando aquilo na bunda dela por cima da roupa, e eu não sabia se seria capaz de me conter se isso acontecesse. A tentação foi tão grande que precisei fechar os olhos e respirar fundo.
— Obrigada… — murmurou, ainda de costas —. Você é o melhor.
Ela se virou para mim. Agora estávamos muito perto. Os olhos castanhos me encaravam com aquela mistura de carinho e curiosidade. O vestido tinha se ajustado perfeitamente, marcando cada curva com uma elegância que acelerava meu pulso. Eu podia sentir o perfume com mais intensidade. Podia ver o leve movimento do peito a cada respiração, os mamilos tensos apontando para mim por baixo do cetim como dois pequenos dedos querendo me tocar.
— Não sei… — disse baixinho, mordendo o lábio inferior por um segundo, aquele gesto nervoso que ela sempre fazia quando pensava em voz alta —. Às vezes sinto que estou ficando velha rápido demais. Mas com você eu ainda posso ser eu mesma, né? Sem precisar fingir nada.
Ela assentiu com a cabeça, como se confirmasse as próprias palavras, e então, com naturalidade, se inclinou e me deu um abraço rápido, mas quente. Os braços dela rodearam meu pescoço, o corpo se colou ao meu por alguns segundos a mais que o normal. Senti a pressão suave e firme dos seios contra meu peito, o calor do ventre através do tecido fino do vestido, a forma como os quadris dela se acomodaram um instante contra os meus. O pau, duro como pedra, ficou preso entre os nossos ventres. Desta vez eu tive certeza de que ela sentiu. A respiração dela travou por uma décima de segundo, um suspiro mínimo que só eu consegui ouvir. E então, quase imperceptível, houve um balanço quase invisível dos quadris contra os meus, um roçar lento do púbis contra meu pau por cima do tecido. Um, dois segundos. Depois ela se afastou, como se nada tivesse acontecido.
Quando ela se afastou, as bochechas estavam levemente coradas. Não soube dizer se era por causa do calor da tarde ou por outra coisa.
— Vou retocar um pouco a maquiagem e desço em cinco minutos pra você ver o look completo com salto — disse com um sorriso —. Não sai daí, hein? Quero sua opinião final antes de ir.
Ela subiu as escadas de novo. O vestido balançava a cada passo, as meias sussurravam suavemente, e da minha posição eu podia ver como as nádegas se alternavam sob o cetim a cada degrau, subindo e descendo nesse ritmo hipnótico. Fiquei em pé na sala, com as mãos ainda lembrando a textura das costas dela, o pulso batendo forte nas têmporas e um calor perigoso se espalhando pelo meu corpo. Olhei para baixo. O volume se marcava obscenamente por cima da calça. Um pequeno círculo úmido se formara na ponta. Ajustei o pau como pude, respirando fundo, tentando me acalmar antes que ela descesse e me visse assim excitado.
***
Cinco minutos depois, o som dos saltos voltou a ecoar na escada. Mais firme, mais alto, mais presente. Cada passo era como um eco que vinha direto para o meu peito.
Ela surgiu no vão e parou por um instante, permitindo que eu a visse inteira. Os saltos pretos de agulha fina, com aquela tira delicada que contornava o tornozelo e cruzava o peito do pé. As meias transparentes continuavam a linha escura das coxas até os pés, criando uma continuidade elegante que fazia o olhar deslizar sem permissão. Era a imagem exata da fantasia que vinha me torturando a tarde inteira: a irmãzinha adorada transformada numa mulher capaz de fazer qualquer homem embaçar a razão e levantar o pau sem pedir licença.
Ela veio até mim, agora com um balanço sutil de quadris imposto pelos saltos. Girou devagar na frente do sofá, deixando o vestido subir o suficiente para mostrar a borda superior das meias e um vislumbre de pele pálida acima. Os seios se moviam livres sob o cetim a cada giro. Os mamilos, ainda duros, não davam trégua.
— Look final aprovado? — perguntou com um sorriso pequeno, quase tímido, enquanto passava as mãos pelos lados para alisar o tecido. Ao fazer isso, apertou levemente os seios sem perceber, e o decote se abriu por um instante, me deixando ver até a aréola rosada de uma das tetas, redonda e perfeita.
— Muito melhor — respondi, e a voz saiu mais grave do que eu pretendia. Meus olhos percorreram as pernas dela sem disfarce: a forma como as meias capturavam a luz suave, como os saltos alongavam as panturrilhas, como o vestido se ajustava aos quadris e depois caía exatamente onde começava a curva feminina do corpo.
Ela soltou uma risadinha suave e se jogou no sofá ao meu lado, não totalmente colada, mas perto o bastante para que a coxa dela roçasse a minha por um segundo. Cruzou as pernas, o vestido subiu mais um pouco e ela suspirou aliviada. Consegui ver a parte interna da coxa direita, branca e macia acima da borda da meia, e mais acima uma sombra escura: o tecido preto da tanga esmagado contra o sexo, uma linha tênue de umidade marcando o centro.
— Esses saltos novos estão me matando — disse, flexionando um pé e depois o outro —. Só estou com eles há dez minutos e já sinto os dedos apertados. Te incomoda se eu tirar por um minutinho? Só pra descansar antes de sair.
— Não, nada disso — respondi, tentando soar casual. O pau pulsava dentro da calça, dolorido de tanto tempo duro.
Ela se inclinou para a frente e tirou os saltos com movimentos lentos. Deixou-os cair no chão com um som suave. Os pés ficaram livres, cobertos apenas pelas meias pretas transparentes. Pequenos, delicados, com um arco elegante. A transparência deixava ver cada detalhe: a pele pálida e lisa, as unhas pintadas de um vermelho discreto.
Sem pedir permissão, esticou as pernas e apoiou os dois pés diretamente no meu colo. Não foi um gesto provocador. Foi natural, como quando a gente era mais novo e ela se jogava no sofá depois de um dia longo, confiante de que eu sempre deixaria ela fazer o que quisesse.
— Só um pouquinho — murmurou, recostando-se no encosto e fechando os olhos —. Prometo que não demoro.
Os pés dela descansavam sobre minhas coxas. Eu podia sentir cada detalhe: a maciez sedosa das meias, o calor da pele. Um dos calcanhares se acomodou bem sobre minha virilha, não pressionando, só… ali. Sobre o pau duro. Sobre o volume que ela não podia deixar de ter notado. O outro pé se mexeu levemente, roçando o interior da coxa enquanto buscava uma posição confortável. Cerrei os punhos contra o sofá para não gemer em voz alta.
Abri a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram. Senti o calcanhar se mover um milímetro. Depois outro. Pressionando de leve, como sem querer. O pau pulsou tão forte contra o tecido que tive certeza de que ela sentiu através da meia. E mesmo assim ela não afastou o pé. Deixou ali. Quieto. Esperando.
Ela entreabriu os olhos por um segundo e me olhou de lado, com aquela expressão carinhosa de sempre.
— Você é o único que me deixa fazer essas coisas sem reclamar — disse baixinho —. Obrigada por ter tanta paciência comigo. Sempre.
Moveu os dedos dos pés de leve, um alongamento inocente que esticou as meias e aprofundou o atrito. Os dedos do pé direito se curvaram bem sobre a glande, separados apenas por duas camadas finas de tecido. Senti o calor subir pelo corpo, o sangue se concentrando onde o calcanhar dela repousava. Era impossível ignorar a proximidade: as pernas esticadas sobre mim, o vestido subido o bastante para deixar ver a junção das meias com a pele das coxas, e mais acima ainda, entre as pernas pouco afastadas, o volume escuro da tanga apertando o sexo dela, o tecido de cetim marcando o vinco exato dos lábios.
Então ela suspirou mais fundo e virou um pouco o corpo em minha direção.
— Ai, maninho… de verdade, tá doendo muito — disse com aquela voz manhosa que sempre usava quando queria carinho —. Você me faz uma massagem rapidinha? Só um minutinho, eu juro. Você fazia isso quando eu era menor e meus pés doíam depois de dançar ou correr. Lembra? Me relaxa tanto…
Ela pediu com total naturalidade, como se estivesse me pedindo para alcançar a água. Os olhos dela me encararam com aquela confiança absoluta de irmã mais nova.
— Claro… — respondi, e a voz saiu rouca.
Peguei o pé direito com as duas mãos. Comecei pela planta, pressionando com os polegares em círculos lentos e firmes. A meia escorregava sob meus dedos como seda quente e elástica. Daniela soltou um som baixo, quase um suspiro de alívio, e afundou a cabeça no encosto do sofá. O pé esquerdo, enquanto isso, se acomodou com mais firmeza sobre meu pau, pressionando agora sem dúvida, embora o gesto ainda parecesse inocente. Meu pau, preso entre o calcanhar dela e minha própria coxa, estremecia como se tivesse vida própria. Ela não parou de movê-lo. Pelo contrário. Começou a balançá-lo num ritmo quase imperceptível, para cima e para baixo, como se a massagem que eu fazia em um pé exigisse que o outro devolvesse algo de forma automática.
— Meu Deus… que delícia — sussurrou, fechando os olhos —. Continua um pouquinho mais embaixo, nos dedos. Por favor.
Meus polegares passaram para a base dos dedos, massageando cada um com cuidado. Algo estranho e proibido subiu pela minha garganta. Imaginei deslizar a meia com os dentes, provar a pele nua entre meus lábios, saborear o calor. Chupar os dedos um por um até ela gemer meu nome. Subir com a língua pela panturrilha, pela parte interna da coxa, até a junção com a meia. Arrancar a tanga com os dentes e enfiar o rosto no sexo dela até me afogar no sabor, comer o clitóris até ela gozar contra a minha boca.
Era um pensamento impossível. Era minha irmã. Mas o desejo era tão físico, tão imediato, que eu mal conseguia respirar. O pau gotejava dentro da calça, a ponta pegajosa contra o tecido, o líquido pré-ejaculatório já marcando uma mancha visível.
Ela mexeu o pé de leve, como se soubesse que eu precisava de mais. O calcanhar afundou um pouco mais contra minha virilha, exatamente onde eu já não podia esconder a excitação. O atrito era inocente. O efeito, não. O pau pulsou tão forte que se moveu sozinho contra a planta do pé dela, um pequeno salto que ela tinha que ter sentido. E mesmo assim ela não tirou o pé. Pelo contrário. Deixou ali. Os dedos se curvaram um pouco mais, envolvendo a forma dura do meu pau por cima do tecido, apertando-me de leve logo abaixo da glande, como se sem querer medisse o tamanho do que estava escondido ali.
— É tão bom quando você me toca aí — disse baixinho, quase sonolenta —. Será que você podia… sei lá… beijar um pouquinho? Como quando éramos crianças e você dizia que beijo curava tudo. É bobagem, eu sei, mas me relaxa tanto…
Ela riu baixinho ao dizer isso, envergonhada da própria ideia, mas sem tirar o pé. Os olhos continuavam fechados, confiando tudo a mim. O pé esquerdo permanecia apoiado sobre meu pau, balançando só um pouco no ritmo da respiração dela, como se, por conta própria, estivesse se acomodando cada vez com mais intenção sobre o volume que já não deixava dúvidas.
O coração batia contra as costelas. Inclinei-me lentamente. Primeiro beijei o arco do pé direito, um beijo suave, roçando apenas a meia morna. Ela suspirou mais fundo. Depois subi para a sola, beijando centímetro por centímetro. O cheiro da pele dela era inebriante através do tecido. Eu podia sentir a umidade dos meus próprios lábios molhando a seda, marcando o caminho úmido da minha boca pelo pé dela.
Desci até os dedos e os beijei um por um. Quando cheguei ao dedão, sem conseguir me conter, o coloquei na boca por cima da meia. Chupei devagar, prendendo-o entre os lábios, passando a língua ao redor com a seda no meio. Daniela soltou um gemido quase inaudível, um som tão pequeno e tão carregado que me gelou o sangue e o reacendeu um segundo depois. Os quadris dela se mexeram um milímetro sobre o sofá, um vaivém mínimo, quase involuntário, como se o prazer tivesse escapado antes que ela pudesse controlar.
Soltei o dedo com um beijo demorado e voltei a subir. Beijei o arco, o calcanhar, a parte de cima do pé onde a meia se ajustava ao tornozelo. Minhas mãos, enquanto isso, seguravam a perna com firmeza, subindo devagar até contornar a parte de trás do joelho. A outra mão acariciou a panturrilha por cima da meia, lenta, subindo também, desenhando o contorno da perna como se a estivesse reconhecendo pela primeira vez. E então, sem parar para pensar, deslizei os lábios um pouco mais acima, em direção à curva onde a meia começava a subir pelo tornozelo. Daniela abriu os olhos por um instante. Não desviou. Só entreabriu os lábios de leve, como quem se prepara para dizer algo que já não tem nome.