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Relatos Ardientes

Cai na tentação com meu filho no casamento

Vou contar o que nunca deveria ter me pertencido. Sei que, ao fazer isso, confesso uma traição a todas as regras com que fui criada, mas também tenho a certeza de que alguém, em algum lugar, já sentiu a mesma paixão pelo próprio sangue e, como eu, está disposta a ceder um pouco mais a cada vez.

Meu nome é Renata. Tenho quarenta e oito anos e administro uma farmácia há quase duas décadas. Passo os dias medindo doses e consolando desconhecidos, e, no entanto, há coisas dentro de mim que nenhuma receita poderia acalmar. Tenho dois filhos que são meu maior orgulho: Mateo, de vinte e sete, e Lucía, de vinte e três. Ambos nasceram de um casamento que achei sagrado, até que certa tarde tropecei na verdade e descobri que meu marido vinha me enganando havia meses com uma colega de trabalho.

Levei anos para me recompor. Com terapia e com a cabeça focada no negócio, fui fechando a ferida, embora nunca tenha voltado a confiar da mesma forma. Não me faltaram pretendentes; embora soe pouco modesto, devo dizer que conservo quase tudo o que tinha aos trinta. Tenho estatura mediana, cabelos escuros e pele clara, traços suaves e um olhar que as pessoas dizem prometer segredos. Tenho uma pinta na borda dos lábios que, segundo me disseram, convida a chegar mais perto do que seria prudente. Meus quadris continuam marcados, minha cintura definida, e minha bunda ainda rouba olhares por onde passo.

Depois do divórcio, também houve uma mulher. Uma médica que, com paciência, foi derrubando meus muros e me ensinou uma versão de mim que eu não sabia que existia. Foram quatro anos de romance clandestino, escondido de meus filhos e da minha família, que acabou se desgastando, mas me transformou para sempre. Ali aprendi a me livrar dos preconceitos e a entender meu desejo sem pedir permissão a ninguém. Esse foi, sem que eu soubesse, o verdadeiro ponto de partida de tudo o que veio depois.

***

Um ano mais tarde chegou o dia do casamento de Lucía. A família inteira teve de viajar vários quilômetros até um hotel à beira-mar, onde minha menina iria selar uma relação de meia-vida. O que eu ignorava era que o prazer não seria naquela noite um privilégio exclusivo dos recém-casados.

O calor da praia entrava até mesmo pelos vidros da suíte. Olhei-me no espelho enquanto as mãos do maquiador percorriam meu rosto, preparando-me junto com minha filha e suas madrinhas. Havia algo quase proibido no ritual: o toque dos pincéis e o aroma doce dos perfumes despertavam em mim uma vaidade que eu julgava adormecida. Embora fosse o dia de Lucía, eu ainda conservava um fogo difícil de ignorar.

Escolhi um vestido cor marfim que parecia se fundir com minha pele. O corpete ajustado realçava o decote e deixava meus ombros nus, e uma fenda frontal tão profunda que, a cada passo, ameaçava mostrar mais do que escondia. Por baixo, eu usava um conjunto de renda translúcida, com uma cinta-liga cujos aros deixavam marcas florais sobre a pele das minhas coxas. Eu me sentia linda e, pela primeira vez, não me importei em admitir isso.

Algumas batidas na porta interromperam o silêncio. Ao abrir, a silhueta de Mateo recortou a luz do corredor. Ele vinha nos avisar que a cerimônia já exigia nossa presença. O linho de sua camisa arregaçada mal disfarçava a força do seu corpo, e havia em seu rosto uma masculinidade serena que, reconheço agora, me incomodou olhar por tempo demais.

Estávamos prestes a sair quando apareceu uma mulher de uns cinquenta e oito anos, de rosto radiante e porte sofisticado, escoltada pela equipe. Era a gerente do hotel. Com um sorriso impecável, ela felicitou minha filha e deu a notícia: por cortesia da casa, os recém-casados seriam levados para a melhor suíte do complexo, com acesso ao spa para começar bem a lua de mel. O quarto inteiro explodiu em alegria, e Lucía nos apresentou àquela mulher antes de ceder a Mateo e a mim a suíte onde nos havíamos preparado.

***

Descemos até o altar diante do mar. Enquanto o restante do cortejo ocupava seus lugares, avistei meu ex-marido ao longe, esperando ao lado da amante para acompanhar Lucía até a nova vida. Ao cruzar com a mulher que tinha fracturado meu casamento, cravei nela um olhar tão frio que a obrigou a estudar a areia sob os próprios pés. Sem dizer palavra, o queixo erguido, avancei até meu lugar na primeira fila, amparada pelo braço firme do meu filho, o único homem que nunca me falhou.

Vieram a cerimônia, os aplausos, o confete, as fotografias. Quando a noite caiu, nos transferimos para um espaço mais reservado, entre a imensidão escura da praia e a ala de quartos que se erguia ao lado como um convite silencioso.

Perto da meia-noite, o álcool já corria solto pela festa. Enquanto todos cercavam os noivos e o bolo, eu só notei a ausência de Mateo. Procurei-o com os olhos e o encontrei de frente para o oceano, de costas, com a luz da lua roçando seus ombros. Vê-lo ali, sozinho diante do mar, fez com que a algazarra ficasse em segundo plano. Tentada pelo ar salgado e pela escuridão, fui até ele com o pulso acelerado.

Seu nome escapou de mim quase como um sussurro, e o tremor da minha voz denunciou algo que eu mesma não queria nomear. Ele cheirava a tabaco. Sem dizer nada, tirei o cigarro de seus dedos e o levei aos lábios com um olhar desafiador. Ele me olhou surpreso ao descobrir meu velho vício. Soltei a fumaça devagar e nós dois sorrimos.

Ao longe começou a tocar uma balada lenta. Aproveitando a proximidade, peguei suas mãos e as apoiei nos meus quadris enquanto as minhas envolviam seu pescoço. Os movimentos suaves da dança me faziam perder-me em seu olhar, e o silêncio foi nos tensionando. A areia sob os pés, a brisa, a escuridão: tudo transformou aquele instante de ternura entre mãe e filho em algo que colocava em dúvida a própria natureza do vínculo que nos unia.

Só restavam o roçar de nossas respirações e uma certeza que nenhum de nós ousava dizer. Comecei a vê-lo como um homem. Sem pensar, fomos encurtando a distância até que nossos lábios se tocaram de leve. Fechei os olhos.

Algumas risadas ao longe atingiram minha consciência. Dei um passo para trás, lembrando de repente em que terreno estávamos pisando.

— Volta para a festa — eu disse, com a voz quebrada —. Esquece o que acabou de acontecer.

Ele me segurou pelo braço para me deter, mas eu lhe peguei a mão e o conduzi de volta ao resto dos convidados.

***

Ao nos reintegrarmos, o barulho me atingiu como uma realidade distorcida. Lá estava Lucía, rindo e cantando com o marido, alheia ao incêndio que eu trazia sob a pele. Minhas irmãs brincavam a caminho do banheiro. Meu ex-marido bebia com a família longe da pista. Éramos cúmplices ocultos à vista de todos, fingindo que nada havia mudado.

Sem pensar, infiltrei-me entre a multidão que dançava, de mãos dadas com minha própria perdição. A dança foi o pretexto perfeito para manter os corpos colados, e mal conseguia disfarçar uma fome cada vez mais descarada. A mão dele deslizou pela fenda do vestido e subiu pela minha coxa com uma confiança que me deixou sem fôlego. Por um momento quis esquecer que ele era meu filho. Sua língua entrou na minha boca, seus braços apertaram minha pélvis contra a dele, e senti sua dureza reivindicando espaço contra meu ventre, separados apenas pelo tecido.

Foi minha última centelha de lucidez que me obrigou a me afastar. Enquanto recuperava o fôlego e conferia discretamente que nenhum familiar tivesse me visto, um olhar cortante nos interceptou de longe. Era a gerente do hotel.

Fiquei paralisada. A mesma mulher que minha filha nos apresentara horas antes sabia perfeitamente que o homem que devorava meus lábios era meu próprio filho. E, no entanto, em vez de julgamento, vi acender-se em seus olhos uma faísca de excitação. Ela sorriu de leve, deu meia-volta e desapareceu entre as sombras, levando consigo nosso segredo.

O medo, em vez de me frear, transformou-se numa luxúria insuportável. Sem dizer nada, apertei a mão de Mateo e o arrastei para longe das luzes, pelos corredores acarpetados que amorteciam o som da nossa fuga. Os saltos batiam no chão no compasso do meu coração. Eu não ousava olhá-lo, mas sentia seu olhar cravado na minha nuca como uma queimadura. Cada passo era uma renúncia à moral que me sustentara a vida inteira.

Ao chegarmos ao quinto andar, voltamos a vê-la, no fim do corredor, observando-nos sem se esconder. Seu silêncio cúmplice nos permitiu avançar. Minha mão tremeu ao passar o cartão pela fechadura. O clique soou como uma sentença. Entramos na penumbra e fechei a porta atrás de nós, deixando do lado de fora a família, o mundo e o bom senso.

***

Tirei as sandálias e atravessei o quarto. Com um gesto brusco, abri as cortinas e deixei a ampla janela despida, exibindo-nos para a vila iluminada lá embaixo, desafiando qualquer um que quisesse ser testemunha. Sob a luz da lua e o brilho da piscina, o quarto se tornou uma espécie de santuário.

Como pode o mesmo ato ser minha maior glória e minha maior ruína?, pensei. O que mais me aterrorizava não era o julgamento de ninguém, mas a fragilidade do meu próprio corpo: eu sabia que, ao primeiro toque, não teria vontade de me negar.

Seus braços envolveram minha cintura por trás e me obrigaram a sentir toda a sua urgência contra mim, enquanto minhas mãos permaneciam apoiadas no vidro. Seus lábios desceram pelo meu pescoço; estiquei a cabeça para lhe mostrar o caminho e ele entendeu de imediato. Suas mãos subiram aos meus seios e desceram pelos meus quadris, lentas, no ritmo do meu próprio movimento. Procurei sua boca girando o tronco para trás e nos beijamos longo, fundo, até perder a conta do tempo.

Ao nosso lado havia uma poltrona. Sem me virar, levantei uma perna e a apoiei no braço acolchoado, de costas para ele, com o peito afundado no encosto e a bunda erguida. Senti-o colar-se a mim, suas mãos apertando minha carne enquanto puxava o vestido para cima. Soltou um rosnado ao encontrar minha pele nua; eu já havia tirado a roupa de baixo antes, na festa. Ele afastou de um tapa as tiras da cinta-liga e, sem avisar, enterrou o rosto entre minhas pernas.

O primeiro contato de sua língua arrancou de mim um gemido que arqueou minhas costas. Quente e firme, ele percorria meu sexo com uma lentidão que era quase tortura. Perdi a noção de tudo, entregue a esse ritmo úmido. Depois a pressão mudou de lugar: com os dedos afundados na minha carne, ele me abriu por completo e explorou mais fundo, onde ninguém nunca estivera, até me fazer perder totalmente o controle.

A sensação era avassaladora, uma mistura de pudor fulminado e um prazer elétrico que me percorreu até a ponta dos dedos. Meus quadris ganharam vida própria, girando contra seu rosto, buscando mais. Cravei as unhas no estofado até quase rasgá-lo. A realidade inteira se reduziu a esse ponto de contato e ao som rítmico da sua boca.

***

Eu já não aguentava mais. A necessidade de senti-lo dentro de mim virou um rugido. Endireitei-me, puxei o vestido para cima e o tirei pela cabeça num único gesto frenético que me deixou quase nua e trêmula diante dele.

— Tira a camisa — ordenei com a voz partida.

Enquanto ele se desfazia da peça, meus dedos desajeitados lutaram com o botão da sua calça até baixar o zíper. Deslizei o tecido num único movimento. Fiquei sem fôlego ao vê-lo. Ele já não era o menino que eu lembrava: diante de mim havia um homem, e a imagem me pareceu tão estranha quanto proibida.

Empurrei-o para a cama. Ele caiu de costas, ofegante. Não esperei. Subi, me posicionei sobre ele e, sem desviar os olhos dos dele, desci devagar até senti-lo inteiro dentro de mim. Centímetro a centímetro, minhas paredes cederam com uma resistência deliciosa até que minhas coxas se chocaram contra as dele. Fiquei imóvel por um instante, o peito subindo e descendo, transbordando de uma plenitude que nascia no ventre e se espalhava como uma descarga por todo o corpo.

O silêncio do quarto só era rompido pela nossa respiração. Comecei a me mover, cavalgando sobre ele, enquanto suas mãos subiam aos meus seios e os moldavam com uma massagem dominante. Cada vai-e-vem era um lembrete da linha que havíamos cruzado e, ao mesmo tempo, uma descarga que me fazia arquear as costas e cravar as unhas nele. De repente, ele ergueu o torso, beijou-me com descaro e me puxou contra o peito.

Nessa posição, seu corpo pressionava meu ponto mais sensível a cada movimento. Qualquer balanço, por menor que fosse, me fazia tremer. Minha visão se toldou, o suor escorria dos dois. Vê-lo perder o controle por minha causa foi o gatilho: explodi numa série de espasmos que me deixaram sem ar, agarrada a ele até o tremor ceder.

***

Ainda com o pulso disparado, senti uma centelha de audácia. Não me bastava. Levantei-me sobre as pernas trêmulas e subi de novo na cama, desta vez ao seu lado, apoiando-me de quatro na beirada do colchão.

Mateo entendeu na hora. Colocou-se atrás de mim, afastou minhas pernas e segurou meus quadris com firmeza. Baixei o peito contra o colchão e ergui a bunda, à sua mercê, esperando. Senti a glande roçar minha entrada, um contato elétrico que abafei contra o travesseiro. Ele não se apressou: roçou-se contra mim marcando território antes de começar a entrar, abrindo caminho devagar, preenchendo-me até que o choque da sua pélvis contra mim selou a união.

O ritmo começou pausado, quase cerimonial, mas logo a urgência se impôs. Cada investida me empurrava contra a cama e me obrigava a lutar pelo equilíbrio, enquanto meus seios se sacudiam contra os lençóis. Eu estava completamente submetida ao seu vaivém, sentindo como aquela união proibida me queimava por dentro com uma intensidade nova. No fundo da minha cabeça, a consciência ainda gritava que aquilo jamais deveria ter acontecido, mas o calor apagava qualquer vestígio de culpa. Eu me sentia suja, degradada pela entrega, e essa mesma sensação disparava minha excitação a níveis insuportáveis.

Gemia contra o travesseiro saboreando o pecado, enquanto suas mãos puxavam meu cabelo para marcar o ritmo. Eu me excitava ao me sentir possuída por ele, ao meu corpo estremecer com o dele. Não era só sexo: era uma transgressão consentida que me fazia sentir mais viva do que nunca. O golpe rítmico do corpo dele contra o meu reverberava por todo o quarto, que cheirava a suor e a sexo. Seus dedos se enterravam na minha cintura com uma força que deixaria marca, obrigando-me a recebê-lo até o fundo.

Então sua respiração se partiu num rosnado gutural. Deu uma, duas investidas frenéticas, e senti-o terminar dentro de mim em pulsações violentas. Meu próprio corpo respondeu se contraindo ao redor dele, liberando toda a tensão acumulada numa onda que me percorreu das costas aos pés e me apagou os sentidos por vários segundos. Caímos os dois exaustos sobre a cama e, entre beijos e carícias desajeitadas, fomos cedendo a uma calma profunda.

***

A luz do sol começou a entrar pela janela ampla que havia sido testemunha muda de tudo. O suor tinha grudado nossa pele, e uma leve ardência nos avisou quando enfim nos separamos. Uma mistura de culpa e vertigem me invadiu ao me ver nua ao lado do meu filho, mas seu beijo me devolveu a calma.

Depois nos duchamos, arrumamos as malas e descemos para tomar café. Lucía já estava em lua de mel; nós, em uma lua diferente, que nenhum dos dois ousava nomear. Não havia mais volta: eu me tornara a amante do meu próprio filho, e só de pensar nisso tudo se revirava dentro de mim.

Ao entregar as chaves, senti o peso de um olhar. A gerente nos observava da recepção. Enquanto Mateo seguia à frente em direção ao carro, ela se interpôs no meu caminho. Com uma lentidão deliberada, ajeitou uma mecha atrás da minha orelha e, sem aviso prévio, reivindicou meus lábios num beijo fundo, no qual nossas línguas se reconheceram no mesmo segredo. Separámo-nos com um sorriso cúmplice. Sem dizer uma palavra, caminhei até o carro, deixando para trás o hotel onde meu filho e eu tínhamos cruzado, pela primeira vez, uma linha que jamais poderíamos apagar.

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