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Relatos Ardientes

O que aconteceu na cabana entre mamãe, vovó e eu

Tinha dezoito anos quando entendi: há coisas que não se desaprendem. O verão que passei na serra com minha mãe e minha avó foi um desses pontos de virada que dividem uma vida em antes e depois. O que aconteceu ali eu nunca contei. Até hoje.

Mamãe, Nora para todo mundo, tinha trinta e sete anos e ainda era uma mulher chamativa. Loira, com o cabelo ondulado até os ombros, olhos claros e uma silhueta que mantinha sem esforço aparente. Era tímida e formal, daquelas mulheres que nunca levantam a voz. Fazia quatro meses que meu pai tinha nos abandonado por outra e ela ainda não tinha encontrado um jeito de se recompor.

Minha avó Elena era outro caso. Cinquenta e quatro anos, cabelo curto tingido de mogno, olhos verdes que herdei, e um corpo que envergonhava mulheres vinte anos mais jovens. Fazia ginástica três vezes por semana e isso dava para notar: cintura fina, busto firme, uma presença que os homens percebiam de longe. Era ela quem tomava as decisões quando ninguém mais podia.

Foi ela quem propôs a viagem. Uma amiga emprestou a cabana dela na serra: toda de madeira, rodeada de pinheiros altos, com vista para um vale que nas fotos parecia irreal. Eu convenci mamãe a ir. Precisávamos de ar e distância de tudo o que tinha nos quebrado.

O primeiro dia foi de adaptação. Desfazemos as malas, caminhamos por uma trilha entre pinheiros antes do anoitecer e, naquela noite, nos sentamos as três junto à lareira. Era exatamente o que precisávamos.

***

No segundo dia apareceu Marcos.

Fui a primeira a acordar. Quando abri a porta dos fundos para buscar lenha, o encontrei parado na entrada. Alto, forte, de pele escura e curtida. Careca, com uma camisa xadrez aberta no peito e uma expressão fechada que dificultava calcular sua idade: podia ter entre quarenta e cinco e sessenta anos. Apresentou-se de forma lacônica como o encarregado da propriedade. Cortar lenha, fazer compras, reparos. A dona o tinha enviado para que o descanso fosse completo.

Pedi que voltasse mais tarde. Elena também não sabia de nada, mas assumiu aquilo como algo natural. Quando todas estivemos apresentáveis, o fizemos entrar.

Marcos era econômico nas palavras. Era preciso arrancar cada uma dele com esforço. Mas ele nos avisou algo importante: uma tempestade estava se aproximando, daquelas violentas. Na serra, disse, podiam durar dias.

Naquela tarde aproveitamos a paisagem apesar de tudo. O vale, os picos, o bosque fechado. Quando voltávamos para a cabana, o vento já empurrava com força. Antes de escurecer, a chuva chegou.

Convidamos Marcos para tomar algo quente. Enquanto bebia café junto à lareira, eu percebi: ele nos olhava de um jeito que não era discreto, mas também não era agressivo. Simplesmente como quem estava havia muito tempo sem ver certas coisas.

Elena perguntava sobre a vida na serra, os costumes, o trabalho. Aos poucos Marcos foi se soltando. Contou que havia anos trabalhava para a dona junto com outro homem que morava com ele no estábulo. Antes que Elena pudesse perguntar por esse companheiro, bateram à porta com três pancadas fortes.

Bruno era mais velho que Marcos. Mais corpulento, mais alto, com cabelo cacheado e escuro e um olhar que perfurava. Devia ter uns sessenta anos. Nora lhe serviu café sem dizer nada. Os dois homens se sentaram juntos e a conversa se animou.

Quando o temporal apertou, Elena perguntou como pensavam voltar. Bruno explicou que, nesses casos, a dona sempre os deixava dormir no estábulo de cima: havia camas, era confortável. Jantamos os cinco. Só percebi que as garrafas esvaziavam mais rápido do que deveriam.

***

Acordei depois das duas da manhã. Fui ao banheiro e vi luz na sala de jantar. Era Elena, de camisola branca, sentada junto à lareira. Eu usava apenas uma calcinha e uma jaqueta curta. Preparamos leite quente e nos acomodamos para conversar, como fazíamos quando eu era pequena.

Ao voltar da cozinha, um relâmpago iluminou a janela que dava para a varanda. Vi duas figuras. Elena disse que deviam ser as árvores. Deixei que ela acreditasse nisso, mas eu tinha certeza: eram Marcos e Bruno, olhando para dentro.

Na manhã seguinte ainda chovia. Passamos o dia trancadas: cartas, leitura, conferência de provisões. Marcos e Bruno estavam na varanda coberta, consertando um arreio. Nora os convidou com um rum que tinha encontrado no aparador.

Logo os quatro estavam bebendo e conversando enquanto trabalhavam. Eu não bebi. Lembrei da última vez e não queria repetir. Fui para meu quarto com o tablet.

Depois de um tempo notei um silêncio estranho, depois de tanta algazarra. A curiosidade venceu o bom senso.

Saí para o corredor em silêncio e parei de repente. Refletida no espelho do corredor, vi Elena beijando Bruno na boca. Um beijo longo, sem pressa, com as mãos dele no rosto dela. Fiquei paralisada na soleira.

Tinha que voltar para o meu quarto.

Não fui.

Ouvi ruídos no banheiro. Mamãe. Eu já começava a recuar quando vi Marcos atravessar o corredor na direção de lá. Tranquei-me no quarto e olhei pela fresta que deixei entreaberta.

Marcos abriu a porta do banheiro sem bater e entrou. Deixou-a encostada. Escutei a voz de Nora, tensa, pedindo que ele saísse. Ele respondeu algo sobre o que tinham conversado antes, sobre ela tê-lo atiçado com suas confidências. Silêncio. E depois, sons diferentes.

Espreitei com cuidado. Pela fresta os vi: Nora o segurava pelo pescoço com as duas mãos e ele tinha as mãos apoiadas nos quadris dela. Custou-me acreditar. Minha mãe, sempre tão contida. Aquele homem bruto e quase sem palavras.

Saíram do banheiro juntos. Foram para a sala de jantar, onde Elena e Bruno continuavam no que estavam fazendo. Bruno tinha a mão enfiada sob o suéter de Elena e ela fechava os olhos com a cabeça jogada para trás. Nora os viu e não disse nada. Talvez o rum tivesse feito seu trabalho. Ou talvez fosse simplesmente o que ela queria.

Fiquei no corredor, com as costas contra a parede, sem conseguir me mexer. Eu os olhava e sentia algo que ainda não queria nomear.

***

Marcos me viu. Sorriu e piscou para mim. Bruno também percebeu minha presença e passou a língua pelos lábios. O gesto me gelou por um segundo.

Elena tirou a calça. Bruno a sentou na beira do sofá e se ajoelhou diante dela. Nora observava a cena enquanto Marcos lhe apoiava uma mão no quadril, com naturalidade, como se já fizessem aquilo havia tempo.

— Vem — disse Marcos em voz alta, olhando diretamente para mim —. Não há nada a temer e nada do que se privar.

Nora se virou para mim. Fez menção de se levantar, mas ele a segurou com suavidade.

Entrei.

Não saberia explicar exatamente o que me moveu. O que eu tinha visto, o calor da lareira, a sensação de que algo enorme estava acontecendo e de que, se eu ficasse de fora, perderia aquilo para sempre. Me aproximei de Marcos e o beijei na boca. Minhas mãos tremiam um pouco e eu esperava que a presença de mamãe e da vovó me travasse. Não aconteceu. O corpo não raciocinava.

Marcos me segurou o rosto com as duas mãos e devolveu o beijo com uma boca dura, lenta, que tinha gosto de rum e tabaco. Abriu meus lábios com a língua, segurou minha nuca e deixou claro desde o primeiro segundo que não ia pedir minha permissão duas vezes. Eu entrei no jogo. Senti a aspereza da barba raspando minha pele, o calor do peito contra meus seios, a rigidez do volume crescendo sob a calça.

Ele levou minha mão para baixo e me obrigou a tocá-lo. Era enorme. Não estou exagerando: senti-o tenso, grosso, vivo, pulsando sob o tecido. Tive que engolir em seco. Já tinha tido namorados, sim, mas nada comparado àquilo. Aquilo parecia feito para me partir ao meio.

Olhei para onde estavam Elena e Bruno para não pensar demais. Minha avó lutava para acomodá-lo, com uma mistura de frustração e deleite que eu nunca tinha visto. Nora, sentada sobre Bruno, fechava os olhos com uma expressão que eu não conhecia. Bruno tinha levantado o suéter dela e mordiscava um mamilo através do sutiã, enquanto ela lhe agarrava a cabeça com as duas mãos e pedia mais com uma voz quase irreconhecível.

Era excessivo. Era absurdo. Eu não podia olhar para outro lado.

Logo fiquei só de roupa de baixo. Marcos me beijava o pescoço e chupava meus mamilos com uma cadência que esvaziava minha cabeça. Ele baixou minha calcinha devagar, sem parar de me olhar, e quando passou a língua pela minha virilha por cima do tecido já encharcado eu arqueei de puro choque. Nunca tinha chegado a esse nível de excitação. Era como se alguém tivesse retirado um freio que eu nem sabia que existia.

Ajoelhei-me diante dele. Desabotoei sua calça com dedos desajeitados e tirei sua rola. Era grossa, de um tamanho que me intimidou, com a ponta escura brilhando de umidade. Segurei-a com as duas mãos, dei alguns beijos na glande e então me inclinei para chupá-la devagar, aprendendo o peso, o sabor, o ritmo de sua respiração. Marcos soltou um rosnado baixo e me agarrou pelo cabelo, guiando-me mais fundo, sem brutalidade, mas sem paciência.

— Isso, gata — murmurou —. Abre a boca e engole direitinho.

Me esforcei. Lambia a base, percorria a veia latejante, me entretinha com os testículos até sentir que ele realmente se tensionava. Quis continuar, queria fazer perfeito, mas Marcos enfiou os dedos no meu cabelo e empurrou para dentro com mais força. Fui longe demais, rápido demais. Me afastei tossindo, com lágrimas nos olhos. Do sofá, Nora o repreendeu por não ser um animal, que eu era uma menina. Sua voz soou estranha vindo de onde vinha.

Marcos me ergueu e me levou para o meu quarto. Fechou a porta.

— Aqui estaremos melhor — disse —. Sua mãe fica nervosa quando te vê e assim nenhuma das duas aproveita.

Quis protestar. Eu gostava de olhar, aquilo me excitava. Mas não tive tempo.

Ele se ajoelhou diante de mim, abriu minhas pernas e passou a língua por cima do tecido da calcinha. Devagar, ritmicamente, sem pressa. Depois a puxou para o lado e me lambeu de verdade. Segurou minhas coxas com uma mão poderosa, afastando-as mais, e foi direto ao clitóris com uma precisão obscena. Eu me agarrei à beira da cama. Em questão de minutos senti que estava encharcada por inteiro e um espasmo que não consegui controlar. Pedi que me penetrasse.

O que veio depois foi longo e deliberado. Marcos controlava o tempo com uma paciência que me desesperava. Me colocou de costas sobre o colchão, levantou meus quadris e foi me abrindo com os dedos antes de entrar. Senti a ardência inicial, a pressão brutal daquela cabeça enorme empurrando, a resistência do meu corpo engolindo-a aos poucos. Agarrou minhas pernas, dobrou-as sobre os ombros e entrou até o fundo com um gemido rouco. Esvaziou minha cabeça de uma vez.

Ele me fodeu devagar no começo, saindo quase inteiro para depois voltar a afundar, marcando cada estocada com uma batida seca do quadril contra minha bunda. Beijava minha boca, mordia meu pescoço, dizia no meu ouvido que eu tinha nascido para aquilo, que eu olhasse como o recebia, que não fechasse as pernas. Quando reclamei porque o sentia fundo demais, ele só riu e mudou o ângulo até encontrar um ponto que me fez gritar.

Ele me virou, me pôs de quatro na cama e continuou por trás. Eu me apoiei nas palmas das mãos, tremendo, sentindo vergonha e excitação misturadas na mesma corrente quente. Marcos abriu minhas nádegas com uma mão e me penetrou com a outra, deslizando depois com uma investida que me fez ver luzes. Sua rola entrava e saía com um som úmido, animal. O colchão batia na parede. Eu não conseguia pensar em nada além da pressão, do atrito, da necessidade de mais.

— Você gosta que te deem duro — disse, cravando os dedos na minha cintura —. Dá para notar no seu rosto, gata.

E ele tinha razão. Eu gostava. Ele estava me quebrando por dentro no melhor sentido possível. Pedi que não parasse. Pedi mais. Pedi que me enchesse.

Por fim ele me segurou pela cintura e me conduziu de volta à sala.

***

O que encontrei ali me deixou sem ar.

Bruno tinha Elena e Nora de joelhos diante dele no tapete, e alternava os beijos entre uma e outra enquanto passava as mãos pelas costas delas. As duas se haviam entrelaçado com uma naturalidade que me perturbou: os lábios quase juntos, os corpos se roçando, como se tivessem passado a vida inteira assim. Não pareciam envergonhadas. Pareciam completamente entregues.

Eram minha mãe e minha avó.

Parei na soleira. Marcos se colocou atrás de mim, me envolveu com os braços e esfregou o corpo contra o meu. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Queria que eu visse.

Bruno deitou Elena no tapete e colocou Nora por cima, de quatro. Os seios das duas se tocavam. Com uma só investida, entrou na minha avó com força e começou a se mover contra ela. Elena tomou os seios de Nora nas mãos. Nora gemia sem se conter, sem se importar que eu estivesse a poucos metros.

Eu queria estar ali. Senti isso com uma clareza que me surpreendeu.

Marcos me deitou no sofá e começou a me penetrar devagar. Senti a ardência e o alívio ao mesmo tempo. Me concentrei em respirar, em abrir, em deixar o corpo se adaptar. Não demorei a acompanhar com os mesmos movimentos. Ele segurou uma perna sobre o ombro e mudou o ritmo até me fazer perder o senso de onde eu terminava e ele começava. Tocou meu clitóris com dois dedos, me fez gemer mais alto, disse para eu ir assim, para não me calar.

De onde eu estava, via Nora. Em dado momento nossos olhares se cruzaram. Ela não desviou os olhos. Eu também não.

Foi a imagem mais estranha e intensa daquela noite: minha mãe me olhando enquanto nós duas estávamos sendo tomadas por aqueles dois homens que mal conhecíamos. Não havia vergonha no olhar dela. Havia algo parecido com reconhecimento.

Bruno gozou em Elena com um gemido longo. Pouco depois, Marcos também terminou dentro de mim. Senti-o pulsando, quente, me enchendo até o fundo. Eu ainda não tinha chegado e ele percebeu. Disse para eu descansar, que a noite era longa.

***

Ele tinha razão.

Mais tarde, Bruno me deitou no tapete. Entrou em mim primeiro para me lubrificar, e depois buscou outro caminho. Senti uma dor aguda e tentei me mover, mas já era tarde. Ele pediu que eu respirasse fundo e relaxasse. Obedeci. A dor foi cedendo devagar, transformando-se em outra coisa. Levei os dedos até onde precisava e me certifiquei de não ficar na vontade desta vez. Bruno me segurou pelos quadris, foi mais lento no início e depois começou a me foder com uma força rude, profunda, que arrancou de mim gemidos que eu não reconhecia como meus.

Nora estava ao meu lado. Nós duas, juntas, no mesmo chão da mesma cabana.

Elena nos observava do sofá com os olhos semicerrados e acabou se tocando sozinha, devagar, sem tirar os olhos de nós. Abriu as pernas com uma naturalidade brutal, esfregou a boceta com dois dedos e respirou fundo até gozar com um tremor silencioso.

***

Nos dias seguintes experimentamos quase tudo o que se pode experimentar. A tempestade durou mais do que o esperado e ninguém reclamou. Marcos e Bruno ficaram na casa. Transávamos a qualquer hora: de madrugada junto à lareira, ao meio-dia na cozinha, ao entardecer nos colchões empilhados na sala.

Uma tarde, Marcos me empurrou contra um dos pinheiros do jardim dos fundos e me tomou de pé, com o frio nas costas e o cheiro de resina no ar. Abriu-me o bastante para entrar em mim com estocadas secas, profundas, me segurando por baixo das coxas enquanto eu me agarrava ao pescoço dele para não cair. Deixou minha pele vermelha e eu não reclamei.

Elena e eu vimos juntas da porta como Bruno e Marcos se revezavam com Nora no quarto dela. Mamãe gemia sem se conter, e não era a dor que a fazia soar assim. Depois foi a nossa vez. Marcos me enfiou enquanto Bruno levava Elena para a mesa da cozinha, a inclinava sobre a madeira e separava suas pernas com uma calma quase ofensiva. Os ruídos de pele, saliva e respiração invadiam toda a cabana.

Aprendi mais naquela semana do que em todos os anos anteriores juntos. Não só sobre sexo. Também sobre as mulheres da minha família, sobre o que escondem por baixo do que mostram. Minha mãe silenciosa e formal. Minha avó elegante e sempre no controle. As duas, naquela cabana de madeira cercada de pinheiros, completamente libertas de tudo o que eram lá fora.

Na última noite, Elena me disse algo que eu não esqueci:

— Você é jovem. Essas coisas em excesso enjoam. Não há nada como o sexo com amor. Mas, enquanto isso, é preciso viver tudo.

Não fiquei totalmente convencida. Mas guardei as palavras.

***

Quando voltamos para a cidade, tudo parecia igual e nada era. Voltamos àquela cabana mais duas vezes antes de o ano acabar. E Marcos e Bruno nos visitaram na cidade algumas vezes, sempre avisando com pouca antecedência, sempre partindo antes do amanhecer.

Nunca falamos disso entre nós três. Não era preciso. Algumas coisas não precisam de palavras para serem reais.

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