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Relatos Ardientes

O que ensinei ao meu irmão naquela tarde

A verdade é que, quando você decide cruzar uma linha daquelas que não deveriam ser cruzadas, o mais curioso não é o momento em si. O mais curioso é perceber que você vinha caminhando para aquele momento há meses sem reconhecer isso.

Foi o que aconteceu comigo e Julián.

Meu irmão tinha acabado de completar dezoito anos quando comecei a olhá-lo de um jeito diferente. Não foi um instante específico nem uma revelação repentina. Foi algo que foi se infiltrando aos poucos, como a água que encontra as fissuras mesmo quando a gente jura que não tem nenhuma.

Julián tinha acabado de entrar no primeiro ano de engenharia e vivia num estado de excitação constante: pelas aulas, pelos amigos novos, por tudo o que ainda não sabia que queria. Aquela energia nervosa e sem foco que têm os que acabam de descobrir que são adultos, mas ainda não sabem bem o que isso significa.

Comigo era diferente. Comigo não havia nervosismo nem energia dispersa. Só havia uma atenção muito específica, concentrada, difícil de ignorar.

***

Percebi primeiro pelos olhares.

Aquele tipo de olhar que dura um segundo a mais do que deveria, que não desvia quando você ergue os olhos. O olhar de quem está olhando para algo de que gosta e ainda não tem prática suficiente para disfarçar com naturalidade.

Depois vieram as desculpas para ficar perto: aparecer na cozinha justo quando eu preparava café, sentar no sofá ao meu lado quando havia espaço de sobra, ficar no corredor conversando sobre nada por um tempo maior do que o necessário.

Uma tarde entrei no quarto dele sem bater e o peguei com o celular sobre o peito e o rosto vermelho de quem acabou de fazer algo que não queria que vissem. O que me incomodou não foi o que imaginei que ele estivesse fazendo, mas a maneira como me olhou: sem recuar de todo, com aquele rubor que não era vergonha, mas algo mais complicado.

Fechei a porta sem dizer nada e fiquei no corredor com o coração um pouco mais acelerado do que o normal.

Isso vai se complicar.

***

Durante várias semanas eu agi como se não tivesse visto nada.

Eu o rejeitava quando as mãos dele “se enganavam” de lugar, com uma firmeza seca que não deixava espaço para negociação. Interrompia quando um abraço de irmãos durava tempo demais. Fingía não ouvir os ruídos que vinham do quarto dele quando a casa estava em silêncio.

Mas então, um dia, ele se plantou diante de mim com a cara de derrota total e perguntou em voz baixa:

—Você está brava comigo?

E algo naquela pergunta, naquela honestidade sem defesa, me desarmou de uma forma que eu não tinha antecipado.

Comecei a afrouxar tudo aos poucos. Parei de tirar a mão dele cada vez que ela ia parar onde não devia. Tolerei os abraços que se alongavam mais do que o normal. Acostumei-me à presença dele colada à minha no sofá, como se aquele fosse o lugar natural dele.

E o mais perigoso: comecei a gostar disso.

Sentir-me desejada daquele jeito, com aquela intensidade sem filtros que só têm os que ainda não aprenderam a se proteger, era diferente de tudo o que eu conhecia. Não havia negociação, não havia pose, não havia o ego complicado dos caras da minha idade que já tinham tido experiência demais. Só havia uma adoração muito honesta e muito direta que me fazia sentir viva de um jeito que eu não esperava.

Virei cúmplice sem querer. Passei a provocar eu mesma esses aproximações, tanto para me sentir melhor quanto por algo que eu não ousava chamar pelo nome. Pedia a opinião dele sobre a roupa que eu estava usando e me divertia vendo como a pergunta o deixava sem jeito. Deixava que ele apoiasse a cabeça onde quisesse no sofá e não dizia nada. Puxava-o pelo braço quando saíamos para fazer recados e notava como ele ficava tenso diante desse contato tão simples.

Era uma dinâmica absurda e completamente deliberada da minha parte.

Isso não pode acabar bem, Clara.

Eu sei.

***

O domingo do cobertor foi um domingo de chuva intensa.

Meus pais tinham saído: papai em viagem a trabalho, mamãe na casa de uma amiga com a vaga promessa de voltar “antes das nove”. A casa era só nossa.

Julián desceu de pijama e se enfiou debaixo do cobertor sem perguntar. Era nosso costume de sempre: filme da tarde, cobertor compartilhado, nenhum de nós prestando atenção demais na tela. O que não era igual a sempre era a nova tensão que havia no espaço entre nossos corpos.

Ele se aproximou devagar. Ombro com ombro primeiro. Depois a cabeça dele apoiada no meu peito, com aquela naturalidade ensaiada que teria me parecido inocente se eu não o conhecesse tão bem.

Deixei ele ficar.

Depois de um tempo senti o movimento debaixo do cobertor. Discreto. Rítmico. Inconfundível.

Você não está me dizendo isso sério.

Não me mexi. Decidi esperar para ver até onde ele iria.

Fiz carinho no cabelo dele bem devagar com a mão direita. Ele prendeu a respiração. Desci os dedos até a nuca e passei por sua pele com lentidão. O corpo dele se colou ainda mais ao meu como resposta automática.

Aproximei os lábios do ouvido dele.

—Agora não —sussurrei—. Deixa que eu faço.

Ele ficou imóvel na mesma hora. O movimento sob o cobertor parou.

Passei a mão devagar por baixo do tecido da calça dele. Encontrei-o duro e tenso, com aquela rigidez de quem espera há tempo demais por alguma coisa. Envolvi-o com a palma e comecei a me mover sem pressa, medindo o ritmo, sentindo a pele quente e a pressão crescente sob meus dedos.

—Sem fazer barulho —eu disse.

Ele assentiu. Tentou.

Pus a mão livre sobre a boca dele para garantir. Ele fechou os olhos e se entregou por completo, o corpo colado ao meu, a respiração se quebrando em suspiros curtos que eu sentia contra minha palma. A tela da televisão continuava piscando na escuridão. A chuva batia nos vidros.

Acelerei o ritmo aos poucos. Meus dedos deslizavam cada vez melhor sobre a dureza pulsante, sobre a pele lisa e tensa, até que o calor começou a grudar na minha mão com uma umidade viscosa que me fez apertar mais. O corpo dele começou a tremer de forma quase incontrolável e eu sentia cada sacudida colada ao meu lado.

Afastai a mão da boca dele só o suficiente para ouvi-lo respirar.

—Olha pra mim —sussurrei.

Ele virou o rosto. Os olhos estavam semicerrados, escuros, com a expressão de quem está prestes a perder completamente o controle.

—Você quer mais disso? —perguntei, sem parar.

Ele assentiu com urgência.

—Então obedece. O que eu disser, quando eu disser. Entendeu?

Outro aceno. A respiração dele já era um caos.

Toquei a ponta com o polegar, devagar, e senti como ele se tensionava por inteiro, como se o corpo fosse se partir ao meio. A saliva umedeceu meus lábios enquanto eu o beijava bem no momento em que o quadril dele arqueou contra a minha mão. Ele gozou entre meus dedos com uma força quase violenta, uma porra espessa e morna que me sujou a palma e os nós dos dedos, e ficou tremendo, sufocado, com o peito subindo e descendo como se lhe faltasse ar. Beijei-o durante todo o tempo que durou, devagar e firme, até o último espasmo se apagar.

Ficamos quietos por um instante. A TV. A chuva contra a janela. A respiração dele se recuperando aos poucos.

Afastei o cabelo da testa dele e o olhei.

—Vai se limpar —disse—. Isso você não conta pra ninguém.

Ele se levantou sem dizer nada e desapareceu escada acima. Eu o observei do sofá, com o cobertor ainda sobre as pernas, com uma sensação estranha no peito que eu não sabia nomear direito.

***

O que aconteceu no quarto dele foi duas semanas depois.

Ele tinha pedido sem palavras, do único jeito que sabia pedir as coisas: com aquele olhar que me procurava no corredor, na cozinha, na mesa durante o jantar. Com aquela presença constante que era mais uma pergunta do que uma afirmação.

Numa quarta-feira à tarde entrei no quarto dele, tranquei a porta e me ajoelhei diante dele sem dar tempo para reagir.

O que mais me chamou atenção foi a mistura de coisas que conviviam no rosto dele ao mesmo tempo: o espanto inicial, o prazer imediato e, por baixo de tudo isso, uma espécie de incredulidade honesta, como se uma parte dele ainda não conseguisse acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade.

Eu conseguia acreditar.

Baixei a calça e a cueca dele de uma vez, sem cerimônia, deixando à mostra a pica já dura, grossa na base e com a ponta brilhante. Inclinei-me e a tomei na boca devagar, primeiro só a ponta, sugando com a língua por baixo, sentindo-a crescer entre meus lábios. A mão dele foi direto para meu cabelo, agarrando-o com desajeito, apertando sem saber direito quanta força usar. Os gemidos dele eram curtos e mal contidos, com aquela qualidade quebrada das reações que ainda não aprenderam a se modular.

Fiz isso sem pressa. Nada de correr. Eu queria que ele se lembrasse bem, com toda a precisão que fosse possível.

Enfiei mais, levando boa parte do comprimento dele, e deixei que ele me enchesse a boca com aquele impulso quente que me obrigava a engolir saliva de novo e de novo. Passei a língua pela veia, por baixo, de trás para a frente, e então voltei a chupar a ponta com força, fazendo barulho, querendo que ele soubesse exatamente como aquilo se sentia na minha boca. Quando senti que ele estava perto, ele me puxou contra si com as duas mãos. Eu não me afastei.

Ele gozou com força, com o corpo completamente tenso e os calcanhares cravados no colchão como se buscasse algo em que se apoiar. Engoli devagar, sem tirar os lábios dele até que terminasse. Depois me afastei com cuidado, limpando a ponta com a língua antes de soltá-lo.

Ergui-me e o olhei de cima.

Os olhos dele estavam fechados e havia aquela expressão de abandono total de quem acabou de dar algo que não sabia que tinha. Passei a mão aberta sobre o peito dele e senti o coração batendo depressa, desordenado e forte.

Você vai ter que parar em algum momento.

Ou talvez não.

***

O que ninguém na casa sabia, ou fingia não saber, era o que acontecia na cozinha algumas segundas-feiras de manhã.

Ernesto tomava café da manhã sozinho quando o resto da família ainda dormia. Era um hábito antigo, daqueles que se instalam sem que ninguém os decida conscientemente: café forte, a tabela com as notícias, o silêncio da casa antes de tudo começar a se mover.

Nessa manhã Valeria apareceu na cozinha quando ele ainda tinha a xícara pela metade. Tinha voltado para casa do apartamento para passar os dias de folga, como às vezes fazia sem avisar muito.

Usava o cabelo solto e uma camiseta larga que caía sobre um ombro. Serviu-se de um copo d’água, olhou para ele do outro lado da mesa e, sem dizer nada, posicionou-se debaixo dela.

Ernesto não perguntou nada. Deixou a tabela virada para baixo sobre a madeira e esperou.

Valeria se agachou sem pressa, com uma segurança fria e quase insolente, e começou a desabotoar a calça dele. Tirou a pica de dentro da cueca com a mesma naturalidade com que se serve um café, e a levou à boca imediatamente, abrindo-a o suficiente para engoli-la a base de língua e saliva. A cozinha ficou em silêncio, salvo pelo som úmido da boca dela e pelo leve choque da cadeira contra o chão quando Ernesto jogou o quadril para a frente.

O que veio depois durou vários minutos. Valeria trabalhou a pica com a boca em movimentos profundos, alternando sucções fortes com lambidas lentas que arrancavam um rosnado baixo de Ernesto. Ele segurou o cabelo dela, não para marcar o ritmo, mas para se apoiar, com os dedos apertados na raiz enquanto ela o engolia até onde podia, a garganta tragando e soltando com uma precisão obscena. Quando se afastou, os lábios estavam brilhantes e o rosto úmido, mas ela ainda não estava satisfeita.

Ergueu-se, pegou a mão dele e o levou até a bancada. Sentou-se de costas sobre a pedra fria, abriu as pernas e deixou que ele visse a calcinha afastada, a pele exposta e o cu já molhado, brilhando entre as coxas. Ernesto ficou um segundo olhando para ela, como se ainda estivesse decidindo se o que via era real.

—Vem —disse ela, com uma calma que não admitia demora.

Ele se colocou entre as pernas dela e a penetrou devagar, sentindo como o corpo dela o engolia aos poucos, quente e apertado, até ficar completamente enterrado. Valeria jogou a cabeça para trás e soltou um suspiro longo quando o sentiu todo dentro. Depois começou a se mover, primeiro com balanços curtos de quadril, depois com empurradas mais firmes, aproveitando a borda da bancada para se abrir melhor e recebê-lo mais fundo.

Ernesto a segurou pela cintura enquanto a fodia de frente, a pica entrando e saindo com um som úmido cada vez mais sujo. O choque dos quadris dele contra a pedra marcava o ritmo. Valeria cravou os calcanhares nas coxas dele e pediu sem rodeios que ele não afrouxasse, que a comesse inteira. Ele respondeu com uma investida mais seca, mais profunda, que a fez cerrar os dentes e agarrá-lo pela camiseta.

Quando terminou, Valeria se ergueu e se sentou na cadeira da frente. Tinha os olhos brilhantes e aquela expressão tranquila de quem acabou de cobrar algo que lhe pertencia. Um fio de porra escorria pela parte interna da coxa, e ela o passou com dois dedos, devagar, antes de levá-los à boca.

Ernesto a olhou em silêncio por um momento.

—Vem cá —disse por fim.

Ela contornou a mesa e se sentou no colo dele sem hesitar. Ele passou um braço pela cintura dela e a manteve perto, com a palma repousando sobre a curva da bunda, apertando devagar como se estivesse conferindo que ela continuava ali.

—Como está seu irmão? —perguntou depois de um momento—. Sua mãe me disse que ultimamente o nota diferente.

Valeria conteve um sorriso.

—Bem —disse—. Falei com ele. Está tudo sob controle.

Ernesto assentiu lentamente, com aquela gravidade de quem acredita entender mais do que realmente entende.

—Ótimo —repetiu—. As coisas nesta casa têm uma ordem. Entendido?

—Entendido, papai.

A tabela continuava virada para baixo sobre a mesa. O café de Ernesto tinha esfriado. Lá fora, a manhã seguia seu curso com total indiferença ao que acabara de acontecer lá dentro.

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