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Relatos Ardientes

Trinta e dois graus à sombra da minha madrasta

Mateo chegou numa quinta-feira com uma mala enorme, uma mochila no ombro e a cara que faz alguém de vinte anos que foi transferido de país por uma decisão que não foi sua. O voo tinha sido longo, a cidade lhe parecia estranha, e o pai o recebeu no aeroporto com o mesmo abraço breve e desconfortável com que se cumprimenta um conhecido distante, não um filho que não se vê há anos.

No carro, a caminho de casa, Ricardo fez perguntas sobre o voo, sobre a mãe de Mateo e sobre se ele tinha comido alguma coisa. Perguntas corretas e espaçadas, às quais Mateo respondeu com a mesma correção, e os dois olharam pela janela com aquele alívio silencioso de quem já cumpriu a parte social de algo difícil.

O apartamento era amplo e bem localizado, em um dos bons prédios da cidade, no décimo quarto andar, com portaria vinte e quatro horas e um elevador que não fazia barulho. Não era uma mansão nem pretendia ser, mas tinha aquela solidez concreta dos espaços habitados por alguém que ganha bem e sabe gastar: sala com home theater, cozinha equipada, o quarto do pequeno Tomás decorado com um critério que claramente não tinha sido o do pai.

Ricardo lhe mostrou tudo com a eficiência de um corretor: a sala, a cozinha, o escritório onde ele não devia entrar sem avisar, o quarto do irmãozinho e, por fim, quase como um dado administrativo, o quarto de hóspedes que seria o dele. Vista para a cidade, banheiro privativo, móveis neutros. Funcional e sem personalidade, como convém a um quarto de hóspedes. Mateo largou a mala no chão e não disse nada, mas aquela palavra, hóspedes, ficou instalada em algum lugar que ele preferiu não examinar de imediato.

— O café da manhã é às sete e meia — disse Ricardo—. Eu saio às oito. Tenho reunião.

Sempre tinha uma reunião.

Foi então que Marcela apareceu.

Mateo a ouviu antes de vê-la: passos leves no corredor e uma voz chamando Tomás com aquela mistura justa de autoridade e ternura que têm as mães jovens. Quando dobrou a esquina com o menino no quadril, Mateo entendeu de uma vez várias coisas que antes só tinha intuído. Por que seu pai tinha se casado com ela. Por que nas fotos de eventos da empresa que ele encontrara na internet os sócios de Ricardo o olhavam com aquela mistura particular de inveja e respeito. E por que o mundo distribuía seus dons com uma injustiça que às vezes custava aceitar com elegância.

Marcela tinha trinta anos e o tipo de beleza que não precisa de apresentação nem esforço. Alta, com um cabelo negro longo e liso que emoldurava um rosto de traços limpos e uma pele que parecia nunca ter conhecido o descuido. Os olhos cor de mel, claros demais para um rosto assim, do tipo que a gente volta a procurar para confirmar que são de verdade. E o corpo, que nem a roupa de ficar em casa nem o menino no quadril conseguiam disfarçar: os seios generosos e firmes sob uma blusa de algodão fino, os quadris que se impunham com a mesma naturalidade com que o sol nasce, as pernas longas terminando em sandálias simples. Uma mulher pronta desde jovem, daquelas que não melhoram com os anos porque nunca tiveram por onde melhorar.

— Bem-vindo — disse, e estendeu a mão livre com um sorriso sincero sem ser calculado—. Esta é sua casa.

Mateo apertou a mão dela, sentiu o calor dos dedos e disse muito obrigado com uma compostura que lhe custou mais do que gostaria de admitir. Depois olhou para o menino. Tomás tinha acabado de completar dois anos, o cabelo preto da mãe e uns olhos grandes e escuros que o avaliavam com a seriedade sem filtro dos muito pequenos diante de um desconhecido. Mateo fez uma careta. Tomás o olhou por mais um segundo e escondeu o rosto no pescoço de Marcela.

— Logo ele pega confiança — disse ela, rindo.

Olha só o velho, pensou Mateo ao vê-la pela primeira vez. E imediatamente se sentiu um pouco miserável por ter pensado isso.

***

Ricardo conhecera Marcela três anos antes na própria empresa, uma importadora de eletrodomésticos onde ele era diretor-geral e ela entrara na área de vendas com diploma universitário, boas referências e aquela combinação de inteligência e presença que reorganiza sem querer a postura das pessoas quando entra numa sala.

Ricardo, que passava anos conseguindo o que queria com a mesma metodologia com que dirigia seus negócios, começou a flertar com ela com detalhes caros e uma atenção medida, a projeção de uma solidez que naquele momento ainda não era completamente falsa.

Marcela, por sua vez, chegara aos vinte e oito com um histórico amoroso que era basicamente a mesma decepção em embalagens diferentes. Homens bonitos, charmosos, da sua idade, que sem exceção acabavam sendo alguma variação da mesma coisa: vadios, irresponsáveis, incapazes de se comprometer com qualquer coisa além do próprio umbigo. Tinha amado com intensidade e sido decepcionada com a mesma intensidade, e em algum ponto entre o último namorado e a chegada de Ricardo tomou uma decisão que não disse em voz alta, mas que seu comportamento deixou clara. Já tinha tentado os imaturos da sua geração. Talvez fosse preciso mudar a perspectiva.

Ricardo não era o homem dos seus sonhos, e ela sabia disso desde o início com aquela honestidade consigo mesma que era um dos seus traços mais firmes. Tinha cinquenta e cinco anos quando começaram a sair, uma energia que já não era a de um homem jovem e uma maneira de estar no mundo organizada, mas não exatamente calorosa. E, no entanto, tinha coisas que seus namorados anteriores, apesar de toda a beleza, jamais tinham tido: aparecia quando dizia que apareceria, resolvia problemas sem drama, fazia uma mulher se sentir protegida de um jeito que ela não sabia que sentia falta até tê-lo.

Quando, ao cabo de um ano, Ricardo lhe propôs casamento com um anel que custava o que ela ganhava em seis meses, Marcela disse que sim pensando no futuro. Não só no dela. No dos filhos que queria, naquele filho que já imaginava com uma clareza quase física, naquele menino que merecia tudo o que ela não tinha tido: estabilidade, segurança, uma escola onde não houvesse com que se preocupar.

Com Mateo ela sabia desde o começo. Que o filho do primeiro casamento de Ricardo, que vivia com a mãe em um país vizinho, acabaria vindo estudar na universidade com eles. Longe de a inquietar, isso lhe parecera um bom sinal: que Ricardo reconhecesse aquela responsabilidade econômica, ainda que a afetiva fosse outra coisa, dizia algo sobre ele. Ou foi o que ela acreditou então.

O pequeno Tomás chegou oito meses depois do casamento. Saudável, lindo, com os traços exatos da mãe e um sorriso que apareceu cedo e ficou para sempre. Ricardo o olhava com o orgulho genuíno de um homem diante do herdeiro, e por algumas semanas Marcela se permitiu pensar que tinha escolhido bem. Que a versão gentil e atenciosa de Ricardo, a que conhecera primeiro, era a verdadeira, e a outra, passageira.

Não era.

Algo foi mudando tão devagar que era difícil apontar o momento exato. Como se, para Ricardo, ela tivesse deixado de ser mulher no instante em que virou mãe. As noites juntos foram se espaçando sem explicação. Os detalhes desapareceram. As chegadas tarde viraram costume, e os perfumes baratos que vinham com ele, perfumes que com certeza não eram os dele, confirmaram o que ela preferia não confirmar. Marcela não era ingênua. Era muito inteligente, e essa inteligência às vezes pesava, porque não a deixava ignorar o óbvio.

Mas Tomás dormia em um quarto decorado no melhor bairro da cidade, tinha pediatra particular e uma vida que ela tinha desenhado milimetricamente antes mesmo de ele existir. E isso, repetia para si nas noites em que Ricardo não chegava ou chegava sem olhá-la, valia o que custava.

***

Mateo demorou exatamente dois dias para entender a dinâmica daquele apartamento.

Seu pai era uma presença periférica: chegava tarde, saía cedo, falava de negócios ao telefone durante o jantar nas poucas vezes em que aparecia e olhava para Marcela com a mesma expressão funcional com que olhava para o porteiro. Amava Tomás, isso era evidente, pegava o menino no colo com uma ternura que contrastava por completo com o trato com o resto do mundo. Com Mateo era correto, atencioso no prático, pontual com o dinheiro das despesas. Mas havia algo na maneira como o tratava que Mateo não soube nomear até a terceira noite, quando percebeu: o pai o tratava exatamente como a um hóspede. Com a cortesia devida e a distância certa. Como se fosse alguém de passagem que em algum momento pegaria a mala e iria embora, e a vida real do apartamento seguiria sem ele.

Marcela percebeu antes de Mateo dizer qualquer coisa. Viu nos pequenos gestos de Ricardo: o escritório fechado com chave embora Mateo nunca tivesse mostrado o menor interesse em entrar, o jeito como distribuía as tarefas da casa sem incluí-lo, como se sua presença fosse provisória. Numa noite, já com Ricardo dormindo, encontrou Mateo na cozinha fazendo um sanduíche com aquela discrição de quem não quer incomodar em casa alheia, e algo naquela imagem a doeu de um jeito que ela não esperava.

Pôs a mão no ombro dele por um instante.

— Mateo. Esta também é sua casa.

Ele a olhou. Assentiu com um sorriso mais agradecido do que a frase pedia. Marcela foi dormir pensando naquele gesto e com mais raiva de Ricardo do que estivera em muito tempo.

Com Tomás, porém, Mateo era outra coisa. O menino o adotara com a velocidade e a determinação absolutas dos dois anos, e Mateo correspondia com uma naturalidade que a Marcela parecia comovente. Pegava o menino no colo, se jogava no chão para brincar com suas coisas com uma paciência que muitos adultos não teriam, fazia caretas até arrancar aquela risada de bebê impossível de não contagiar. Às vezes os encontrava na sala, Tomás escalado em cima de Mateo como se ele fosse um móvel disponível, os dois vendo desenhos com a mesma concentração, e pensava que Mateo seria um bom irmão mais velho. Já era.

Com ela, Mateo descobriu desde o primeiro dia uma facilidade inesperada. Os separavam dez anos, mas compartilhavam referências com uma naturalidade desconcertante: as mesmas séries, um pouco de música, a mesma maneira de achar graça nas coisas pequenas. Marcela tinha o dom de deixar as pessoas à vontade sem nenhum esforço aparente, e Mateo, que tinha chegado predisposto a se sentir deslocado, encontrou nela algo que tornava a situação não só tolerável, mas genuinamente boa.

Eles saíam juntos quase todos os dias. Shoppings, visitas a universidades, cinema quando Tomás permitia. Mateo empurrava o carrinho do menino sem ninguém pedir, carregava as sacolas, segurava a porta. Não por cálculo, mas porque tinha sido criado assim pela mãe, com aquela educação básica e firme que às vezes é a única coisa que uma mãe solo consegue garantir. Marcela percebia e agradecia sem dizer.

***

Mateo procurava não olhar demais para ela. Tentava com verdadeira determinação e resultados variáveis. Havia momentos em que o esforço era simplesmente insuficiente: no cinema, quando a luz da tela iluminava o perfil dela e aquele decote; no shopping, quando ela se abaixava para pegar algo de Tomás e a roupa se ajustava de maneiras que ele preferia não registrar com tanta precisão. Marcela era a mulher mais bonita que ele já vira de perto, vivia na mesma casa, fazia café da manhã de pijama e às vezes o olhava com aqueles olhos claros e sorria como se não soubesse perfeitamente o efeito que produzia.

Não era um rapaz com más intenções. Era, simplesmente, um rapaz de vinte anos em uma situação que nenhum rapaz de vinte anos foi feito para manejar com serenidade. Em seu país havia deixado Carolina, sua primeira namorada séria, com quem tinha chegado quase ao fim sem realmente chegar ao fim. O momento tinha sido cruel: seis dias antes de viajar, Carolina tinha sugado seu pau pela primeira vez, de forma desajeitada e breve, terminando com a mão porque tinha medo de que ele gozasse na boca dela. Para Mateo, que construíra certas expectativas a partir de anos de vídeos em que as coisas funcionavam de um jeito bem diferente, aquilo parecera um desfecho insatisfatório, embora ele não tenha dito nada porque também não era o momento. Ela também tinha chupado seus peitos, o que tinha sido notavelmente melhor. Essa era toda a sua experiência com mulheres reais, e era muito menos do que uma situação daquelas exigia para não perder a compostura.

À noite, no quarto com vista para a cidade, Mateo processava tudo isso da única forma disponível para um rapaz na sua situação: começava pensando em Carolina e terminava, inevitavelmente, em outro lugar, e depois dormia com aquela mistura concreta de alívio e leve culpa que é a assinatura emocional dos vinte anos. O universo, concluía antes de fechar os olhos, tem um senso de humor particularmente cruel.

***

Foi num domingo, no jantar, que Ricardo apareceu com a cara de quem traz um anúncio, não uma consulta.

— Comprei um apartamento no litoral — disse, servindo vinho sem oferecer—. A três horas daqui. Vista para o mar, prédio novo, boa região.

Marcela o olhou.

— Quando?

— Esta semana. É um investimento. E um lugar para os fins de semana, quando estiver pronto.

Mateo ouvia sem opinar. Tomás pedia atenção da cadeira com a energia renovada de quem acabara de despertar da soneca.

— Ainda falta instalar algumas coisas — continuou Ricardo—. A cozinha, o ar-condicionado, os móveis novos. Vai levar uns dias. Quero que vocês vão na próxima semana e fiquem lá enquanto tudo se organiza. Eu vou aos fins de semana; durante a semana tenho trabalho.

— Quantos dias? — perguntou Marcela.

— Os que forem necessários. Duas semanas, talvez um pouco mais. Os trabalhadores vão estar lá. Alguém precisa supervisionar.

O que ele não disse, mas que Marcela entendeu perfeitamente, era que esse alguém tinha de ser qualquer um menos ele. Porque ele tinha coisas mais importantes. Sempre tinha.

Mateo não disse nada. Olhou para o prato e depois para Marcela, que sustentou o olhar dele por um segundo com uma expressão que dizia o que não podia dizer em voz alta: eu já sei, e sinto muito, e isso não é justo.

***

O apartamento do litoral era, de fato, lindo. Vista direta para o mar, um pequeno terraço, janelas do chão ao teto que transformavam o oceano em algo que parecia pintado. Ricardo não economizava quando o gosto era para ele, isso era inegável. Três quartos: o principal, com suíte e a melhor vista. O quarto de Tomás, pequeno e ainda sem decoração, onde Marcela improvisaria algo com o que tivesse à mão. E o terceiro, o de hóspedes, para Mateo. De novo. Sempre o de hóspedes.

Marcela percebeu. Percebeu que Ricardo não hesitara nem por um segundo ao distribuir os quartos, que não considerara nenhuma outra opção, que a palavra hóspede continuava sendo a que definia o lugar de Mateo em qualquer propriedade do pai. Naquela noite, enquanto desfazia as malas, decidiu que pelo menos naquele apartamento, durante aquelas semanas, Mateo não se sentiria assim se ela pudesse evitar.

No mais, o lugar era um andar meio pronto, com uma cozinha provisória de micro-ondas e geladeira pequena, e um calor úmido e constante que vinha do mar e se infiltrava por cada janela com uma persistência democrática e implacável. Trinta e dois graus com uma umidade que os fazia parecer trinta e sete, uma temperatura que mudava tudo: o humor, a roupa, a distância que se mantém entre o próprio corpo e o alheio.

O Wi-Fi não tinha sido instalado. A TV a cabo, também não. A operadora informou, com a equanimidade de quem dá más notícias que não são suas, que em doze dias úteis estariam prontas as conexões para a nova área residencial. Doze dias em que o único entretenimento disponível era o barulho dos operários instalando a cozinha, as discussões sobre a cor das paredes do quarto de Tomás e o mar, que era lindo mas depois do primeiro dia já era, simplesmente, o fundo permanente de tudo.

Marcela organizou os quartos, estabeleceu rotinas com Tomás, coordenou os operários com uma eficiência que teria surpreendido Ricardo se ele estivesse ali para ver. Mateo ajudava onde podia, pegava Tomás no colo quando ela precisava das mãos livres, descia até a orla para buscar gelo ou o que fosse preciso sem ninguém pedir.

O calor mudava tudo, e em Marcela, em particular, mudava de modos que Mateo teria preferido que não mudassem tanto, ou mais, conforme a hora do dia e conforme o controle que ele tivesse sobre os próprios pensamentos. Na cidade, Marcela se vestia com a discrição de uma mulher casada em um ambiente onde as aparências importam. No litoral, com trinta e dois graus colados à pele e sem nenhuma reunião para atender, se vestia com a lógica simples da sobrevivência: shorts que terminavam bem mais acima do que convinha a Mateo, blusas de alças finas que faziam coisas com aquele decote que ele tentava não registrar com tanta frequência e com resultados que pioravam a cada dia. Quando Tomás dormia a soneca e os operários paravam, ela se deitava no terraço com vista para o mar com o mínimo necessário para não estar tecnicamente de biquíni, e Mateo encontrava razões para ficar na sala, que tinha janela para o terraço, com uma frequência que ele mesmo reconhecia como pouco casual e que, ainda assim, não conseguia mudar.

Adeus aos shoppings, às universidades e aos cinemas. Os dias eram ouvir furadeiras, discutir acabamentos e sair os três até a orla para procurar onde almoçar e onde jantar, com Tomás no carrinho e o cartão de Ricardo com um limite diário que dava, mas sem sobra. As noites, quando o menino dormia, eram os dois sozinhos no apartamento meio pronto, com um baralho de UNO como única forma de entretenimento.

***

Mateo sempre ganhava. Com uma regularidade que Marcela achava irritante e divertida, acumulava vitórias sem comemorar demais nem esfregar nada na cara. Tinha ganho duas semanas sem lavar a própria roupa, o que foi a primeira aposta, e conseguido que ela prometesse falar com Ricardo sobre a televisão para o quarto dele, o objeto de desejo mais imediato do apartamento da cidade e que seu pai considerava desnecessário tendo uma sala de cinema em casa.

Na terceira noite, Ricardo ligou às oito. Marcela escutou com a cara de quem recebe exatamente o que esperava. Reunião cedo no dia seguinte. Não dava para chegar naquela noite. No dia seguinte veria se conseguia passar, embora provavelmente não. Desligou, olhou o telefone por um momento e o deixou sobre a mesa.

Tomás dormia desde as sete e meia. O apartamento estava quieto e o mar soava lá fora com aquela constância que, depois de três dias, já era simplesmente o silêncio daquele lugar. Mateo estava no sofá com um livro que trouxera na mochila.

— Jogamos? — disse Marcela.

Mateo ergueu o livro.

— Eu já te venci o dia inteiro.

— Então vamos deixar mais interessante — disse ela. Sentou-se diante dele no chão, cruzando as pernas, a blusa de alças se ajustando com o movimento. Mateo fez o esforço de sempre com os olhos—. As tarefas da casa já estão feitas. A TV já está. Vamos apostar outra coisa. Algo que realmente te interesse.

Marcela o olhou à espera, genuinamente curiosa.

Mateo juntou coragem. Disse com aquele meio sorriso de quem está pronto para transformar em piada se a coisa ficar desconfortável.

— Roupa. Isso me interessaria.

Marcela não se ofendeu. Não se escandalizou. Olhou para ele um momento com aqueles olhos cor de mel e passou pela cabeça dela algo rápido e pragmático: era um rapaz de vinte anos, não um predador. Estavam entediados havia três dias e tinham outros nove pela frente. O marido não aparecia. Tomás dormia. E ela passava meses sendo invisível para o único homem que deveria vê-la.

Uma travessura. Nada além disso.

— Fechado — disse, e começou a distribuir as cartas.

Jogar a primeira partida foi uma leveza quase inocente. Riram, se interromperam com pequenas provocações, e a tensão teve a delicadeza de se esconder por trás da dinâmica do jogo. Mas o ar na sala já tinha mudado. Marcela percebia isso por detalhes que não queria exagerar: o jeito como Mateo ajeitava as cartas entre os dedos, a maneira como, toda vez que ela se inclinava, ele piscava mais devagar, como se precisasse de tempo para se recolocar por dentro.

A primeira peça a cair foi a camiseta de Mateo. Ele perdeu a rodada por uma carta mal jogada e a tirou sem discutir, largando-a sobre o encosto do sofá. Marcela, que não esperava que o corpo do rapaz fosse tão bem trabalhado, olhou por um segundo a mais: ombros largos, peito limpo, abdômen marcado por uma definição ainda juvenil, aquela mistura de leve flacidez e músculo fresco que têm os que fazem esporte sem obsessão. Ainda não era um homem completamente formado, mas havia o bastante ali para que uma mulher olhasse e pensasse coisas que não convinha pensar.

— Você trapaceia com a cara — disse ele, tentando brincar.

— Eu não preciso trapacear — respondeu ela, sorrindo com uma segurança que fez cócegas no estômago dele.

A segunda rodada se alongou mais. Tomás teve outra rodada de sono e Marcela foi vê-lo, conferiu que seguia dormindo profundamente, voltou à sala com o cabelo um pouco bagunçado, a blusa mais colada ao corpo por causa do calor e o decote mais evidente do que havia sido meia hora antes. Mateo a seguiu com os olhos sem querer. Odiou-se um pouco por fazer isso. Não o suficiente.

Ela ganhou. Mateo ficou olhando para ela em silêncio enquanto Marcela se recostava um pouco sobre uma mão, aproveitando a vitória com um sorriso lento.

— Calça — disse ela.

Ele soltou uma risada curta.

— Não sou tão fácil.

— Veremos.

Mateo tirou a calça jeans e ficou só de cueca, a ereção ainda apenas sugerida pelo tecido, uma concessão do corpo que nem sequer tentava esconder por completo. Marcela viu. Viu de verdade e sentiu no baixo ventre um puxão seco que a surpreendeu por completo. Não era a primeira vez que via um homem jovem e desejável, mas era a primeira em muito tempo que o desejo lhe aparecia sem rodeios, sem culpa automática, como algo vivo e concreto.

E isso era pior.

— Você está ficando vermelho — disse ela.

— Está calor.

— Claro.

Jogaram outra partida. Depois outra. E mais outra. A casa, com o menino dormindo e o mar batendo na escuridão, foi se estreitando sobre eles como se o resto do mundo estivesse em outra parte. A luz quente da luminária de piso fazia a pele de Marcela parecer mais dourada, o pescoço mais longo, a boca mais úmida. Mateo já não fingia tão bem que não a olhava. Ela também não fazia grande esforço para parecer indiferente.

A blusa de Marcela foi a próxima a cair. Ela perdeu por uma carta que não calculou a tempo e se levantou soltando uma reclamação fingida.

— Isso não é justo. Você tem a sorte de principiante.

— Isso não existe.

— Existe para justificar quando alguém ganha muito — disse ela, e tirou a blusa com uma calma que terminou de bagunçar o cérebro dele.

Sob a luz tênue, ela usava um sutiã fino cor creme que sustentava seios grandes e redondos, cheios e firmes, com a borda do rendado desenhando-se sobre a pele clara. Mateo engoliu em seco. Marcela notou, claro, e o canto da boca dela se ergueu apenas um pouco.

— Continua olhando assim e você vai perder — murmurou.

— Estou tentando não olhar.

— Pois está falhando bastante.

Havia algo perigosamente fácil na maneira como conversavam. Como se os dois tivessem se deslocado um pouco do lugar certo e estivessem testando o peso daquela falta de distância sem admiti-la por inteiro. A próxima peça a cair foi o short de Marcela. Ela o tirou com um gesto rápido, sem se levantar de todo, ficando em lingerie na frente dele: uma calcinha pequena, de algodão fino, que não deixava muito à imaginação e que se colava no sexo pelo calor de um jeito que Mateo registrou com uma clareza humilhante.

— Porra — escapou dele, quase um sussurro.

Marcela arqueou uma sobrancelha.

— Você perdeu ou acabou de rezar?

Mateo caiu na risada, mas a risada saiu quebrada, nervosa, tensa demais para ser real. Viu-a cruzar as pernas, viu o tecido da calcinha esticar sobre o monte de Vênus e, de repente, a sala inteira pareceu respirar diferente. O ar estava carregado, denso, como se a própria casa soubesse que algo estava prestes a quebrar.

Marcela largou as cartas de lado.

— Pronto. Acho que por hoje basta.

Ele assentiu, mas não se mexeu. Ela também não.

O silêncio que ficou entre os dois não foi incômodo. Foi pior: foi exato.

— Mateo — disse ela por fim, em voz baixa.

Ele ergueu os olhos.

Marcela tinha uma expressão nova no rosto, algo que não era só desejo nem só curiosidade. Era cansaço. Era fome. Era o tipo de decisão que uma mulher toma quando passa tempo demais sendo a única a sustentar tudo e, de repente, encontra à sua frente alguém que a olha como se ela ainda estivesse viva.

— Se isso te parece uma má ideia, me diz agora.

Mateo soltou uma risada seca, incrédula.

— Má ideia? Faz três dias que penso em te beijar.

A honestidade saiu de uma vez, brutal e desajeitada, e assim que a ouviu ele sentiu o pânico atrasado de quem acabou de cruzar uma linha sem volta. Marcela não recuou. Ao contrário: inclinou-se um pouco na direção dele, apoiando um cotovelo no joelho, o olhar fixo na boca dele.

— E o que você imaginou exatamente?

Mateo ficou em silêncio por um segundo, engolindo a vontade de dizer algo inteligente que o salvasse. Não teve sorte.

— Você sem tanta roupa — disse, e depois, mais baixo—. Você me tocando.

Marcela fechou os olhos por um instante, como se aquela resposta lhe tivesse dado exatamente o que precisava. Quando os abriu, o brilho neles era direto, limpo, sem jogos.

— Então vem.

Mateo se levantou tão rápido que quase virou a cadeira com o joelho. Marcela também se levantou, ficando muito perto, mais baixa que ele por apenas alguns centímetros, o suficiente para ele sentir a respiração dela no queixo. Nenhum dos dois falou. Ele olhou para a boca dela, depois para os seios, depois de novo para os olhos, e ela sorriu com uma paciência que era puro veneno.

— Me beija, então — disse.

Ele a beijou como se a vida dependesse disso. Foi um choque desajeitado no começo, os dentes roçando, a respiração desordenada, a mão dele buscando lugar na cintura dela antes de se atrever a apertar. Marcela respondeu na mesma hora, se abrindo com uma facilidade que lhe afrouxou o corpo inteiro. A boca dela era morna, úmida, com um gosto leve de vinho tinto e creme dental, e Mateo sentiu o beijo subir pelo peito como uma descarga. Ela agarrou a nuca dele, o puxou mais para perto, meteu a língua sem cerimônia e o rapaz soltou um gemido curto que ela engoliu com um sorriso contra os lábios dele.

As mãos de Mateo desceram para os quadris dela. Sentiu a curva redonda das nádegas através do tecido fino da calça, a firmeza de uma mulher que não era daquelas que se desfazem ao primeiro toque. Marcela o empurrou um pouco para trás até ele bater na beirada do sofá e depois se acomodou entre as pernas dele, colando o corpo ao seu com uma decisão que o fez tremer. A pressão dos seios dela contra o torso nu de Mateo, os mamilos endurecidos através do sutiã, o roçar do sexo quente sobre a ereção ainda presa na cueca, tudo aconteceu ao mesmo tempo e com uma intensidade tão brutal que Mateo soltou o ar pelo nariz como se tivesse levado uma pancada.

— Caralho — murmurou ele, sem disfarçar mais nada.

— Isso — disse Marcela, contra a boca dele—. Assim que eu quero você.

Ela abriu o elástico da cueca com dedos rápidos, experientes, sem perder o ritmo do beijo mais do que o necessário para descer a cabeça e deixar uma mordida leve na mandíbula dele. Mateo sentiu o ar fresco no pau e quase as pernas se dobraram. A mão de Marcela o envolveu de imediato, firme, quente, com o polegar percorrendo o freio de um modo que lhe arrancou uma sacudida seca nas costas.

— Meu Deus — disse Mateo, com a voz quebrada—. Meu Deus, Marcela.

Ela riu baixinho.

— Gostou?

— Sim — disparou ele, rápido demais—. Sim, porra.

Marcela o masturbou devagar no começo, como se estivesse testando, vendo como ele respondia. Mateo estava com a cabeça jogada para trás, os olhos fechados com força, as mãos agarradas ao sofá para não perder o controle. Ela sentiu a rigidez pulsante sob a palma, a pele lisa e quente, e aquela resposta tão sincera do corpo masculino a acendeu mais do que gostaria de admitir. Gostava do contraste: a idade, a força ainda fresca, a maneira como o desejo dele era quase ingênuo de tão visível.

— Olha pra mim — ordenou.

Mateo obedeceu. Os olhos dele brilhavam, a boca entreaberta, o pescoço tenso.

— Assim — sussurrou ela—. Quero te ver gozando.

As palavras o atravessaram como uma corrente elétrica. A mão de Marcela acelerou um pouco, o suficiente para levá-lo à beira em questão de segundos. Mateo enfiou uma mão entre os dois, tateando desajeitado a borda da calcinha, querendo tocá-la de verdade finalmente. Marcela permitiu o gesto e ele encontrou o sexo encharcado, quente, escorregadio, inchado de desejo. O tecido estava molhado de maneira obscena. Ele o esfregou com os dedos sobre a pequena barreira de algodão e ela soltou um gemido mais grave do que esperava.

— Não me toca assim se não vai continuar — disse ela, respirando fundo.

— Vou continuar.

Marcela tirou o sutiã com uma destreza que não tinha nada de inocente e deixou os seios à mostra. Eram ainda maiores de perto, com mamilos escuros e eriçados que Mateo contemplou por um segundo antes de se inclinar e pôr um deles na boca com uma ansiedade quase reverente. Ela jogou a cabeça para trás, apoiando uma mão no cabelo dele, e o rapaz chupou com fervor, alternando língua e sucção, sentindo o mamilo endurecer ainda mais entre os lábios. O gemido de Marcela foi baixo, contido, mas suficiente para inflar o ego de Mateo no mesmo instante em que seu pau latejava com violência.

Marcela tirou a camiseta que ele ainda vestia, o empurrou para o sofá e se ajoelhou à frente dele com uma naturalidade que não admitia discussão. A visão dela ali, entre as pernas dele, com o cabelo preto caindo pelos ombros e a boca úmida, foi tão brutal que Mateo soltou um “puta merda” quase infantil. Marcela sorriu de leve e pegou o pau dele de novo, desta vez para levá-lo diretamente à boca.

O calor úmido da língua dela em torno da glande o fez arquear as costas. Marcela o chupava com uma precisão tranquila, sem pressa, mas sem suavidade excessiva, engolindo o comprimento aos poucos até onde conseguia, as bochechas fundindo-se, a mandíbula abrindo para acomodá-lo. Mateo pôs uma mão na cabeça dela, sem empurrar, mais para se apoiar. Não queria ser desajeitado nem brusco, mas era impossível não perder uma parte de si naquela sensação de ser mastigado por uma mulher assim.

— Porra, Marcela... assim...

Ela ergueu os olhos um instante, a boca cheia, e esse gesto o destruiu mais do que qualquer outra coisa. Um fio de saliva escapou pelo canto da boca enquanto ela subia e descia sobre o pau, e Mateo sentiu que estava prestes a gozar só de vê-la. Não deixou. Ainda não. Marcela se afastou com um som úmido, limpou o lábio inferior com o polegar e o olhou como se estivesse medindo a fome dele.

— Você ficou muito quieto de repente.

— É porque, se eu falar, eu gozo.

— Então não fala.

Ela o beijou de novo, o empurrou para trás até fazê-lo deitar no sofá, e se colocou por cima dele, montada. O roçar do sexo dela através da calcinha fina contra o pau nu de Mateo foi quase insuportável. Ela se mexeu só um pouco, devagar, procurando o ponto exato, e o rapaz gemeu com uma desesperação que já não tentou disfarçar. As mãos de Marcela foram aos ombros dele, mantiveram-no imóvel enquanto ela começava a se esfregar sobre ele com um vai-e-vem medido, úmido, cada vez mais urgente.

— Você está duríssimo — disse, respirando aos pedaços.

— Você também.

Marcela soltou uma risada abafada.

— Isso você já sabia.

Ela puxou a calcinha com um tranco e deixou à mostra o sexo brilhante, depilado e aberto pela excitação. Mateo o observou com uma fascinação quase reverente. Vê-la assim, aberta para ele, com aquele cheiro morno de sexo e suor fino, fez com que perdesse o fio de qualquer pensamento coerente. Marcela pegou o pau e o guiou até a entrada, roçando primeiro na ponta, lambuzando-o com sua própria umidade, e depois alinhando-o com uma precisão lenta que fez Mateo soltar um gemido quebrado.

— Assim? — perguntou ela, embora soubesse perfeitamente.

— Sim — disse ele, tremendo—. Sim, porra, por favor.

Marcela desceu sobre ele de uma vez, engolindo-o inteiro com um suspiro fundo que se misturou ao de Mateo numa espécie de golpe único e selvagem. A pressão foi tão intensa que os dois ficaram imóveis por um segundo, respirando como se tivessem acabado de sair da água. Ela estava de olhos fechados, a boca aberta, as mãos apertadas no peito dele, e ele sentiu o sexo se contrair ao redor do pau com um calor tão apertado que quase escureceu sua vista.

Então ela começou a se mover.

Primeiro devagar, erguendo-se só um pouco para voltar a descer, marcando o ritmo com os quadris. Depois mais forte. O sofá rangeu sob o peso dos dois, e a sala inteira se encheu de sons úmidos, respirações descompassadas e o choque rítmico de pele contra pele. Mateo a sustentava pelos quadris, sentindo a carne firme sob as mãos, as nádegas redondas se deslocando no compasso de cada investida. Marcela ia procurando o ângulo que a fizesse gemer mais, e quando encontrou, soltou um gemido longo, quase partido, que fez Mateo cerrar os dentes.

— Assim, assim... não para — disse ela, já com a voz sufocada.

— Não vou parar.

— Mais forte.

Ele obedeceu. Ergueu-a um pouco e a empurrou para baixo com um ritmo mais brutal, entrando mais fundo, ouvindo o som obsceno dos corpos cada vez que se chocavam. Marcela apoiou uma mão na parede atrás do sofá para se sustentar e com a outra levou dois dedos ao clitóris, se esfregando com movimentos rápidos, precisos, sem pudor. Mateo a viu se tocar por cima dele e sentiu o controle ir definitivamente para o caralho.

— Vou fazer você gozar — disse, quase sem voz.

Marcela abriu os olhos e o olhou com uma mistura de surpresa e prazer que a deixou ainda mais bonita.

— Faz.

Ele a golpeou com uma urgência cada vez mais selvagem. O calor, a fome acumulada, o risco de Tomás acordar do outro lado do corredor, tudo se misturou numa corrente tão intensa que apagou o resto do mundo. Marcela começou a gemer mais alto, mordendo o lábio inferior para não perder totalmente a compostura, mas já era tarde. A tensão no sexo dela se tornou quase insuportável e Mateo a sentiu tremer sobre ele antes que o orgasmo a atravessasse com violência.

— Ah, porra... sim... assim... — arquejou Marcela, agarrando-se a ele enquanto gozava em torno do pau com espasmos quentes e profundos.

O corpo dela se apertou de um jeito que o fez perder o juízo. Mateo aguentou mais algumas investidas, vendo como o rosto de Marcela se desfazia entre prazer e necessidade, e então gozou com uma sacudida brutal, afundando pela última vez enquanto a ejaculação subia pelo pau e explodia dentro dela em pulsos quentes. Soltou um gemido rouco, quase animal, e ficou imóvel enquanto o sêmen continuava saindo, sentindo a umidade de Marcela se encaixar sobre ele, sustentando-o, apertando-o devagar.

Quando enfim os dois começaram a recuperar o fôlego, ela permaneceu sentada sobre ele por mais um momento, respirando contra seu pescoço, a pele suada, o cabelo colado às têmporas. Mateo a envolveu com os braços, ainda atordoado, sem saber se tinha feito algo glorioso ou uma estupidez monumental.

Marcela ergueu a cabeça e o beijou de novo, desta vez mais devagar, com uma ternura que o desarmou quase mais do que tudo o que veio antes.

— Não fala nada — murmurou.

Ele assentiu, ainda com a respiração trêmula.

— Tudo bem.

— Não — disse ela, sorrindo apenas um pouco—. Não está tudo bem. Mas agora eu também não me importo.

Ela o ajudou a ficar de pé. Arrumou a calcinha com um gesto breve, depois ficou imóvel, olhando para ele. Havia um brilho novo em seus olhos, algo satisfeito e perigoso, mas também uma pequena sombra de consciência que nenhum dos dois quis nomear. Tomás continuava dormindo. Ricardo não viria. O mar seguia soando lá fora como se nada tivesse acontecido.

Marcela tocou a bochecha dele com dois dedos.

— Amanhã a gente continua jogando — disse.

Mateo sorriu, ainda desorientado.

— Se você aceitar perder assim toda vez, claro.

Ela soltou uma risada baixa, pegou a blusa do chão e a vestiu de novo sem pressa. Depois apagou a luminária. E embora o apartamento tenha voltado a parecer o mesmo de antes, com suas paredes inacabadas, seu calor e seu silêncio, para nenhum dos dois ele já era o mesmo.

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Comentários(7)

FaiscaAcesa

nossa esse final... fiquei pensando nisso o dia todo

Marcos

Por favor continua essa história!! deixou muita coisa em aberto, preciso saber o que aconteceu depois

LeitoraFiel

A tensão toda construída com um simples baralho é genial. Sem precisar ser explícito pra segurar a atenção da gente até o fim.

CalorRepentino

O título ja diz tudo kkk trinta e dois graus mesmo

SemSono

li isso de madrugada e nao consegui dormir depois. valeu hein

Tati_BH

Incrivel como uma cena simples pode ser tão carregada de tensão. Muito bom!

Gabi92

tem segunda parte ou vai deixar a gente assim?? hahaha

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