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Relatos Ardientes

A mansão onde me transformaram na sissy deles

Adrián tinha vinte e sete anos e a vida meio resolvida na cabeça. Estudava para as últimas provas de Direito, tinha amigos, alugava um apartamento pequeno e se imaginava, dali a alguns anos, com um bom terno e um escritório próprio. Era um rapaz comum, daqueles que nunca esperam que lhes aconteça nada fora do habitual. Por isso, quando uma conhecida lhe passou um convite para uma festa particular numa mansão nos arredores, ele encarou aquilo como mais uma anedota para contar na segunda-feira.

A anfitriã se apresentava como Madame Octavia. Tinha os cabelos prateados presos com precisão militar e olhos claros que quase nunca piscavam. Falava baixo, devagar, e, ainda assim, todos no salão se calavam quando ela tomava a palavra. Adrián a achou fascinante, aquele tipo de mulher que parece estar acostumada há décadas a fazer o mundo obedecer.

— Você parece nervoso — disse ela, aproximando-lhe uma taça com um líquido âmbar —. Beba. Esta noite vai ficar na sua memória por muito tempo.

Adrián bebeu. Não percebeu o sabor estranho até ser tarde demais. As luzes se tornaram líquidas, as vozes se afastaram, e a última coisa que viu foi o sorriso tranquilo de Octavia enquanto o chão subia para encontrá-lo.

***

Acordou com a boca seca e um peso frio no pescoço. Estava num quarto que não conhecia, amarrado a uma cadeira de metal com correias nos pulsos e nos tornozelos. Nu. Ao redor da garganta, sentia uma coleira de couro rígido. Diante dele, Octavia esperava sentada, as pernas cruzadas, acompanhada de duas mulheres com uniformes brancos e um olhar de absoluta indiferença.

— Bem-vinda, Adriana — disse Octavia.

— O quê…? Eu não sou nenhuma Adriana. Soltem-me. Soltem-me agora mesmo! — debateu-se contra as correias até o metal morder-lhe a pele.

Octavia riu sem vontade, como quem ouve uma piada velha.

— Logo você vai entender que aqui não escolhe nada. Vai ser a minha sissy, a mais perfeita que eu já tive. Querendo ou não.

Adrián gritou até ficar rouco. Ninguém naquela casa pareceu ouvi-lo. As paredes eram grossas, as janelas estavam tapadas por cortinas pesadas e, além daquele quarto, só se adivinhava o silêncio espesso de uma mansão perdida no meio do campo. Quanto mais gritava, mais tranquila Octavia parecia, como se cada berro confirmasse que ele ainda não havia entendido nada.

— Quando você se cansar de gritar — disse ela por fim, levantando-se —, começaremos de verdade.

***

A transformação começou naquela mesma madrugada. Depilaram-no com cera quente enquanto ele cerrava os dentes e as enfermeiras comentavam, rindo, o pouco que ele aguentava a dor. Arrancaram os pelos do peito, das axilas e das pernas, deixando-lhe o púbis liso como o de uma garotinha, o pau flácido sobre a pele avermelhada e ardente. Uma das mulheres segurou-o sem nenhum cuidado, puxou-o de uma vez para depilar também as bolas e comentou que ele o tinha «triste, pequeno, perfeito para o que iria se tornar».

Vestiram-lhe uma calcinha de renda, um espartilho que apertava suas costelas até deixar-lhe apenas o ar necessário para respirar e meias finas que subiam pelas pernas recém-depiladas. Depois veio uma gaiola de metal, um dispositivo que fecharam entre suas pernas e trancaram com um pequeno cadeado. A enfermeira puxou seu pau para a frente, forçou-o para dentro do tubo curvo e apertou o aro ao redor dos testículos até que dois caroços roxos ficassem marcados. Quando tentou ficar duro por medo ou vergonha, o metal mordeu por dentro e uma pontada subiu até a boca do estômago.

— Isto vai lembrá-lo de quem manda — disse Octavia, dando uma batidinha no metal que o fez se encolher inteiro —. E esse seu pau, tão triste, não vai mais subir sem a minha permissão. Nunca mais.

Maquiaram-no à força: uma base pálida, os lábios de um vermelho intenso, sombra brilhante nas pálpebras, cílios postiços que pesavam sobre seus olhos. Quando o viraram para o espelho, ele tentou gritar outra vez, mas uma mordaça abafou o som na garganta.

— Olhe para você, Adriana — sussurrou Octavia atrás dele —. Você já não é um homem. É a minha boneca.

Eu não sou isso. Eu não sou isso. Vou sair daqui.

***

Ele não desistiu. Durante os primeiros dias, procurou uma brecha em cada rotina. Memorizou os turnos das enfermeiras, os ruídos das fechaduras, os corredores que conseguia ver quando o transferiam. Certa manhã, quebrou o salto de um sapato e o escondeu como se fosse uma faca. Descobriram-no na primeira revista e castigaram-no com açoites até suas costas ficarem marcadas por linhas vermelhas que ardiam quando ele se apoiava.

Em outra ocasião, conseguiu forçar o trinco de uma janela. Chegou a pôr metade do corpo no ar frio da noite antes que duas mãos o puxassem para dentro pelos cabelos. Octavia observou tudo da porta, sem mover um músculo do rosto.

— Se insistir em resistir — disse ela, mostrando uma seringa entre os dedos —, vou ter de ser muito mais persuasiva. E acredite, Adriana, você não vai gostar da minha versão persuasiva.

***

Cada tentativa de fuga tornava os métodos mais severos. Certa noite, levaram-no a uma sala branca, equipada com luzes frias e uma maca no centro. Sedaram-no apenas o suficiente para mantê-lo acordado, mas incapaz de se mover. Deitado sob aquelas luzes, ouviu Octavia falar como se nada estivesse acontecendo.

— Seu corpo precisa de alguns ajustes para que você aceite de uma vez o seu lugar.

Acordou diferente. Sob a pele do peito, sentia dois caroços estranhos e repuxados: dois seios novos que puxavam sua caixa torácica cada vez que respirava e roçavam no tecido do espartilho, deixando seus mamilos sensíveis como fios desencapados. A cintura ficara impossivelmente estreita, como se uma mão invisível a apertasse sem descanso. Os lábios estavam pesados, inchados. O reflexo que colocaram diante dele já não se parecia com nada que lembrasse como seu. Sua voz saía estranha, amolecida por algo que lhe introduziam no corpo havia semanas, sem que ele soubesse exatamente o quê.

Passou horas tocando o rosto com as pontas dos dedos, procurando os traços que conhecia e encontrando outros. Todas as manhãs, as enfermeiras voltavam com comprimidos, cremes e uma rotina de cuidados que ele aprendeu a odiar e, ao mesmo tempo, a temer não cumprir. A diferença entre obedecer e desobedecer era medida em dor, e seu corpo, antes da cabeça, começara a fazer as contas.

— Agora sim você é Adriana — zombou Octavia, obrigando-o a andar de um lado para o outro sobre saltos impossíveis —. Caminhe. Quero ver como a minha obra se move.

Cada passo vacilante era um lembrete de tudo o que ele já não controlava.

***

— O dinheiro de tudo isso — disse Octavia certa tarde, conferindo alguns papéis — não vai sair do meu bolso. Você vai pagar. Com a única coisa que agora lhe pertence.

Levaram-no a uma parte da mansão que ainda não conhecia: um salão na penumbra, com cortinas pesadas e homens esperando em poltronas. Um lugar clandestino onde se pagava por companhia e silêncio. Vestiram-no com um vestido vermelho apertado que mal lhe cobria a bunda e o apresentaram a um homem que riu assim que o viu.

— Que coisa tão triste — disse o sujeito, divertido, obrigando-o a se ajoelhar diante dele.

Adrián tentou empurrá-lo e sair correndo. As enfermeiras o seguraram antes que chegasse à porta, e Octavia cravou uma agulha em seu braço, um sedativo leve que lhe amoleceu as pernas e deixou sua cabeça pesada, incapaz de resistir, mas perfeitamente acordado para sentir tudo.

— Se você não obedecer — sussurrou-lhe ao ouvido enquanto ele perdia as forças —, eu o quebro por completo. E não vai sobrar nada para reconstruir.

Devolveram-no aos joelhos diante do cliente. O homem abriu as calças sem pressa, tirou um pau grosso, já meio duro, e o colocou diante de seu rosto. Agarrou-lhe o maxilar com uma mão, apertando suas bochechas até que a boca pintada se abrisse à força.

— Vamos, boneca. Abra bem. É para isso que mantêm você aqui.

Adrián tentou cerrar os dentes, e o sujeito lhe deu um tapa seco que fez as lágrimas saltarem. Ao segundo tapa, sua boca se abriu sozinha. Sentiu o pau entrar até o fundo, empurrando contra a garganta, e as ânsias sacudiram seu corpo inteiro. O homem segurou sua nuca com as duas mãos e começou a foder seu rosto sem ritmo algum, tirando e enfiando o pau até as bolas, sufocando-o a cada investida. Seus olhos se encheram de água, o rímel escorreu, um fio espesso de baba misturada ao batom vermelho pendia de seu queixo. Sempre que o sujeito se enterrava por inteiro, o nariz de Adrián batia contra os pelos do púbis dele, e ele ficava vários segundos sem conseguir respirar.

— Isso, sissy, isso. Chupe esse pau como a puta que você é.

Ele gozou na boca de Adrián sem avisar. Um jorro quente e espesso encheu seu palato, outro caiu sobre a língua, outro respingou em seus lábios e escorreu pelo queixo até os seios novos. Quando tentou cuspir, Octavia fechou-lhe o maxilar com dois dedos por baixo.

— Engole. Tudo. Nada do que pagam por você deve ser desperdiçado.

Adrián engoliu, com a garganta ardendo e as lágrimas se misturando ao sêmen que lhe sujava o rosto. O homem ajeitou as calças, deixou algumas notas sobre a mesa e deu um tapinha em sua bochecha molhada.

— Na próxima — disse —, vou enfiar no seu cu.

***

Os dias se transformaram numa única noite interminável. Obrigavam-no a atender vários homens por jornada, e a gaiola entre suas pernas continuava ali, trancada com o cadeado, lembrando-o a todo momento de quão pouco restava de si mesmo. Cada homem zombava de sua voz quebrada, de sua falta de jeito ao se mover com o espartilho, da maneira como tropeçava nos saltos.

Aprendeu a chupar como exigiam: a língua trabalhando contra a ponta, as bochechas encovadas, a garganta aberta para que chegassem até o fundo sem que ele se engasgasse demais. Aprendeu a empinar a bunda de quatro sobre a cama, com o vestido levantado até a cintura e a calcinha puxada para o lado, esperando o pau daquele que lhe tocasse naquela noite. Os primeiros clientes abriram seu cu à força de dedos com lubrificante frio enquanto ele chorava mordendo o travesseiro; os seguintes já o encontravam cedendo, alargado por semanas de uso.

Havia um que gostava de cuspir em seu rosto antes de enfiá-lo. Havia outro que apertava seus seios novos até deixar os mamilos roxos e sussurrava «puta, puta, puta» em seu ouvido enquanto o comia de lado, com uma perna levantada sobre o ombro. Havia um velho que só queria que ele se sentasse sobre seu pau e se movesse sozinho, empalado até o fundo, enquanto o homem lhe apalpava a bunda e beliscava sua gaiola de castidade; Adrián, com o pauzinho sufocado dentro do metal, sentia a próstata se apertar contra o pau do cliente a cada descida, e da ponta do tubo pingava um líquido claro e triste que os homens riam, chamando de «a gozadinha da sissy».

— Olha, está gozando e nem consegue ficar duro — dizia algum deles, e os outros comemoravam a humilhação como se fosse um número de circo.

Às vezes, colocavam-no de joelhos no meio do salão e faziam fila. Dois, três, quatro paus se revezando em sua boca, outros esperando pelo seu cu, mãos por toda parte sobre os seios, sobre os cabelos, puxando sua coleira. Terminava com o rosto envernizado de sêmen, as coxas pegajosas, o vestido levantado e amarrotado sobre a cintura, enquanto Octavia contava notas num canto, anotando num caderno quanto «a boneca» havia produzido naquela noite.

Aprendeu a ler os homens como um idioma de sobrevivência. Alguns só queriam rir e olhar; esses eram os fáceis. Outros chegavam com a raiva já carregada desde a porta, e, com esses, a única coisa que podia fazer era fechar os olhos, oferecer o cu ou abrir a boca e esperar a noite acabar. Octavia o observava de um canto, anotando, cobrando, contando um dinheiro que ele jamais veria, mas que diziam ser sua dívida.

Quando se recusava, os castigos subiam de nível. Noites inteiras numa jaula tão baixa que não conseguia se esticar. Descargas elétricas ligadas ao metal da castidade que sacudiam seu pau encerrado e arrancavam gritos agudos, femininos, que ele já nem reconhecia como seus. Sessões públicas em que outros clientes o açoitavam com a palma aberta na bunda até deixá-la vermelha e quente, para depois comê-lo assim, ardendo, enquanto Octavia o obrigava a repetir, com a voz quebrada, uma frase decorada.

— Eu sou Adriana — recitava entre os dentes, com um pau entrando e saindo de seu cu —. Uma sissy inútil que só existe para servir.

Cada vez que a pronunciava, sentia mais um pedaço de Adrián se apagar.

***

Com o tempo, sua resistência foi se consumindo como uma vela. As cirurgias, os hormônios e a humilhação repetida noite após noite acabaram esvaziando-o da vontade de lutar. Certa madrugada, ficou olhando para si num espelho rachado, a maquiagem escorrida pelas bochechas, restos secos de sêmen no queixo e o vestido manchado, e não encontrou dentro de si sequer um vestígio do desejo de fugir.

Octavia entrou, satisfeita, e prendeu à coleira uma pequena placa de metal gravada.

— «Propriedade da casa» — leu ele em voz baixa, quase sem forças.

— Você já pagou metade dos seus procedimentos, Adriana — disse ela, acariciando sua bochecha com dois dedos frios —. Comporte-se, continue abrindo a boca e o cu como uma boa sissy, e talvez um dia eu deixe você ir. — Fez uma pausa calculada —. Ou talvez não.

***

Adriana já não sonhava em fugir. Sonhar exigia uma energia que ela não tinha mais. Seu corpo se tornara irreconhecível, e sua cabeça se acostumara a obedecer antes que terminassem de dar a ordem. Cada cliente, cada pau na boca, cada pica no cu, cada gesto de submissão, cada humilhação era a confirmação de uma única coisa: Adrián, o estudante de Direito que certa noite aceitara uma taça numa festa, havia desaparecido para nunca mais voltar. Em seu lugar restava ela, presa numa mansão cuja localização ninguém conhecia, pagando com o corpo por uma transformação que jamais pedira.

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