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Relatos Ardientes

A travesti da fita azul no cortijo

No início de fevereiro, Marcelo me ligou para avisar que tínhamos serviço. Dez dias inteiros num cortijo perdido na serra, disse ele, e me indicou a data em que passaria para me buscar. Não me deu mais detalhes, e eu também não lhe pedi. Fazia tempo que eu tinha aprendido que, com Marcelo, perguntas sobravam e respostas chegavam quando ele queria.

Chegado o dia, a van apareceu em frente ao meu prédio. Dentro já viajavam Brenda e Noelia, minhas companheiras de sempre. Coloquei a mala na parte de trás, subi e partimos rumo ao norte. Depois da capital da província, paramos num clube de estrada onde recolhemos outras três garotas. Marcelo se despediu daquele que parecia ser o dono do local com um aperto longo e, já de volta ao volante, fez as apresentações.

— Garotas, estas são Katia, Larisa e Vera, três romenas desse clube que vão nos dar uma mão. Os clientes pediram seis, e nós somos só três — disse, e depois se virou por um instante para as recém-chegadas —. Elas são Brenda, Noelia e Daniela, as três espanholas do grupo.

Depois dos cumprimentos de praxe, o carro mergulhou num silêncio espesso, quebrado só de vez em quando por Marcelo, que ia apontando povoados e soltando causos das estradas por onde passávamos. A gente se embrenhava no Vale das Azinheiras, uma região de dehesa fechada onde, segundo ele, íamos passar a semana longa.

Depois de mais de cinco quilômetros por uma estrada de terra que serpenteava entre barrancos, chegamos à portada de um cortijo enorme. O portão se abriu justamente quando Marcelo começou a buzinar, muito antes de precisarmos disso.

Desceu do carro e abraçou com efusão a mulher que nos abria, uma tal de Rosa. Apertou e apalpou o quanto pôde, e ela se deixou fazer entre risadas, encantada com a mão boba.

Rosa era colombiana, na casa dos trinta, morena, com o rosto tostado de sol e uma boquinha pequena pintada com suavidade. Não devia chegar a um metro e sessenta e cinco. Usava um suéter justo que apertava dois seios redondos e firmes, e uma legging colada que desenhava uma bunda cheinha e torneada. Pela frente marcava tudo; por trás, duas nádegas que pareciam pedir briga.

— Olha só a sorte do filho da puta do seu marido, tendo um colírio desses como você — disse Marcelo sem parar de apalpá-la —. A boba é você. Outra mulher tão bonita não estaria enterrada nesses barrancos, perdendo o bom da vida. Já te disse mil vezes: no dia em que quiser vir comigo, é só piscar. Bom, estas são as garotas que os senhores pediram. Diz onde elas se arrumam e onde dormem, que quando os homens voltarem têm de estar prontas.

— Pois vocês já chegaram atrasadas — respondeu Rosa, nos fazendo sinal para que a seguíssemos —. Vocês eram esperadas para o almoço. Quando voltaram da caça, pensavam encontrar vocês aqui, para ter festa.

Subimos para uma sala grande na parte alta da casa, com seis camas e seus armários. Estávamos desfazendo as malas quando Marcelo apareceu com uma caixa de papelão.

— Aí dentro vão vários conjuntos de lingerie. Vocês vestem à tarde, antes de eles voltarem do campo. De manhã, usem suas roupas, mas mostrando carne, que é o que esses caras querem ver. Comportem-se, que eles pagam bem e às vezes largam boas gorjetas. Quando eu for chamando pelo nome, vocês descem uma de cada vez e eu as apresento. Ponham também a fita justa no pescoço, cada uma com o nome escrito. Daniela, você fica com a azul, que é a única dessa cor. Vamos, não percam tempo, que já já eles chegam.

Enquanto nos arrumávamos, Rosa ficou com a gente. Confessou que às vezes gostaria de se vestir de puta como nós, que Marcelo já tinha proposto isso muitas vezes e ela nunca aceitou. Depois nos pôs por dentro da situação. A fazenda era de um rico bodegueiro da região, dom Gustavo. Com ele teríamos de atender dom Esteban, militar de carreira; dom Lorenzo, chefe de uma agência bancária na capital; dom Cosme, um político vindo de Madri; dom Ignacio, dono de uma marca de roupas, e dom Mauricio, proprietário de um hotel-restaurante no litoral. Todos os anos se reuniam dez dias no cortijo para caçar perdizes com reclamo de manhã e à tarde. Nosso trabalho era fazer companhia a eles e todo o resto.

Terminamos de nos vestir de putinhas, como dizia Rosa. Depois de nos maquiar com capricho, colocamos tanga e sutiã vermelhos, meias arrastão, sapatos de salto alto e um robe transparente de imitação de renda, tudo da mesma cor. Cada uma ajustou ao pescoço sua fita elástica com o nome. As delas, vermelhas. A minha, azul.

— Já estão aqui — avisou Rosa da janela que dava para o pátio.

Todas corremos para espiar que tipo de homens iam nos usar naquela semana. Eu fiquei um pouco para trás, e Rosa se aproximou do meu ouvido.

— Você não é como as outras. Elas são mulheres, você é travesti, eu vi que você tem pau. Você trouxeram para o dom Mauricio, que dizem que é um pouco da outra margem.

Entre as garotas, se armou um pequeno alvoroço. As romenas não acreditavam. Não tinham percebido nada durante toda a viagem e me tomaram por mais uma mulher.

***

A voz de Marcelo ecoou lá de baixo, mandando que nos aprontássemos. Nos posicionamos no começo da escada, prontas para descer assim que ouvissem nosso nome. Chegava até nós a gritaria daqueles homens, que vinham contentes comentando as peripécias da jornada. Chamaram Rosa aos berros para que depenasse e cozinhasse as peças, enquanto o dono da casa advertia Marcelo de que esperava boa mercadoria.

— Dom Gustavo, o senhor vai ver que não têm do que reclamar — respondeu Marcelo —. Trouxe seis éguas que não há melhores. Seis fêmeas de respeito para aproveitar muito bem.

— Então vamos vê-las — disse o anfitrião, ansioso.

— Brenda! — anunciou Marcelo.

Ela começou a descer, uma mulher já nos quarenta e tantos, corpo cheio, cabelo com mechas caindo pelas costas, lábios carnudos e olhos grandes pintados de verde-água. Dois seios firmes e um par de quadris largos que balançavam sob a gaze transparente. Causou alvoroço entre os clientes.

— Noelia! — foi a segunda.

Desceu devagar. Morena, meio cigana, cabelo até a cintura, olhos negros brilhantes, alta e magra, mas com as nádegas duras e as pernas longas. Seios pequenos e empinados. Também causou sensação.

— Daniela! — disse Marcelo, e meu fôlego travou por um segundo.

Desci devagar, medindo cada degrau. Sou uma garota com um sexo pequeno que escondo bem. Quadris largos, bunda empinada e dura, seios pequenos, o cabelo moreno roçando meus ombros, lábios grossos e olhos cor de mel. Marcelo acrescentou, elevando a voz:

— Como verão, ela está usando a fita azul. Isso quer dizer que é a única mulher com pau. Tenham isso em conta.

Os seis começaram a falar entre si, surpresos, porque eu era toda mulher, salvo por aquele detalhe.

— Vamos, vamos… que venha para cá essa vagabunda, que eu quero conferir uma coisa.

Cheguei perto de dom Gustavo. Ele enfiou a mão entre minhas pernas sem pedir licença, afastou a tanga e sacou meu pau pequeno ao ar, diante de todos. Pesou-o na mão, esticou um pouco entre o polegar e o indicador, e riu olhando para os amigos.

— Pois é verdade, senhores. Esta, embora não pareça, é. E que pica mais bonitinha, olhem só, cabe inteira na boca de uma vez.

Todos riram e começaram a fazer piadas, menos dom Mauricio, que tentou convencê-los de que eu não era um homem, mas uma mulher no corpo errado. Marcelo encerrou a discussão com outro nome.

— Katia!

Desceu uma loira lindíssima, com pouco mais de vinte anos, olhos azuis, pele quase de porcelana, pernas firmes e um pouco arqueadas, quadris generosos, cintura finíssima e os lábios contornados de vermelho intenso. Pelos comentários, dava para ver que seria uma das disputadas a tapa.

— Larisa!

Desceu uma mulher miúda, de pernas torneadas e quadris largos, cintura pequena, boca grande muito bem maquiada e olhos verdes. O cabelo castanho-claro, cacheado, na altura dos ombros. A juventude dela e o corpo bem proporcionado agradaram muito.

— Vera! — era a última.

Desceu a terceira romena, pernas delgadas e bem torneadas, quadris normais, bunda carnuda, cintura muito fina, cabelo loiro liso e olhos cor de mel. Agrada pela mirada de fera e por aquela bunda empinada.

Quando terminou de descer, os senhores bateram palmas, e dom Gustavo se dirigiu a Marcelo.

— Este ano você se comportou. Boas éguas. Acho que vamos nos divertir muito.

— Bom, senhores, aí estão elas. Aproveitem, que para isso é que servem. Se houver qualquer coisa de que não gostem, me chamem e eu resolvo. E vocês, comportem-se com esses clientes, que eles são especiais. Simpáticas, complacentes e obedientes. Vou embora, que não quero reclamações.

***

Marcelo foi embora e nós começamos a conversar com os homens, que logo nos cercaram a cintura e nos tocaram por toda parte, como se não acreditassem que éramos de carne e osso. Enquanto isso, Rosa preparava as perdizes numa frigideira funda e o marido dela, Tomás, cortava presunto, queijo e embutidos numa tábua.

Dom Gustavo sentou Katia no colo e não parava de apalpá-la. Enfiou a mão por dentro do sutiã vermelho, beliscou os mamilos rosados até deixá-los duros como caroços e, quando a loira soltou um gemidinho, fez escorrer uma taça de vinho tinto pelo decote e lambeu o filete que descia entre os seios. A mim, tirando o militar, todos tocaram meu sexo em algum momento, até o próprio Tomás, espantados de eu não parecer um homem. Dom Cosme me meteu os dedos por dentro da tanga, agarrou meu pau adormecido e o sacudiu devagar, curioso, como quem examina uma fruta rara. Dom Ignacio apertou meus mamilos por cima do tecido e me disse ao ouvido que queria vê-los com os dentes cravados. Dom Lorenzo passou a língua no meu pescoço, logo abaixo da fita azul, e sussurrou que, se a sorte o colocasse comigo, me poria de quatro em cima da mesa da sala de jantar.

— Vamos, para a mesa, que as garotas nos sirvam — ordenou dom Gustavo, ocupando a poltrona que presidia a mesa com Katia de novo no colo.

As outras cinco, com a ajuda de Rosa, fomos servindo os pratos e o vinho em um ambiente cada vez mais carregado. Todas recebíamos apalpadas na bunda e nas pernas, inclusive a guardesa, que era apalpada diante do marido. Dom Cosme enfiou a mão em Rosa por baixo da legging e afundou o dedo médio no xoxota dela diante de Tomás, que se limitou a engolir em seco e continuar cortando presunto com a mandíbula travada. Rosa gemeu sem querer, ficou vermelha, e dom Cosme tirou o dedo brilhante e o chupou devagar, olhando o marido nos olhos.

— Está molhadinha a colombiana, Tomás. Muito mais do que você imagina.

O militar, dom Esteban, me chamou pelo nome e pediu que eu lhe servisse uma garrafa. Enquanto eu enchia a taça devagar, senti sua mão explorando minha bunda. Ele enfiou dois dedos por baixo da tanga e afastou minhas nádegas, procurando meu cu com a ponta do dedo. Olhei para o zíper da calça e vi que ele estava duro, um volume grosso empurrando o tecido. Não tive ideia melhor do que agarrar o pacote, apertá-lo por cima da calça, e soltar, em tom de brincadeira, porque várias companheiras já tinham feito o mesmo com outros:

— Quando o senhor quiser, eu curo essa inflamação com a boca, deixo ela bem vazia.

— Tira a mão daqui — explodiu ele, me dando um empurrão que derrubou a garrafa no chão, onde se despedaçou —. O que você disse, bicha de merda? Você não me toca o pau. Se você tiver a coragem de fazer isso de novo, eu te mato. Anda, abaixa e junta a bagunça que você fez.

Me abaixei para pegar os cacos e limpar o vinho com um pano. Dom Gustavo interveio.

— Deixa, Esteban. Não a aperta por causa do que ela é. Já conversamos, que este ano pediríamos ao Marcelo uma garota do terceiro sexo, para experimentar e nos distrair. Mais ainda, combinamos que sortearíamos as garotas cada dia, para o azar decidir quem atende a quem. Então vá se acostumando com a ideia de que pode ser que você também durma com Daniela.

— Com um viado, nem morto — respondeu dom Esteban.

Uma vez servida a mesa, começaram a nos sentar entre uns e outros, nos convidando a comer e beber. A conversa girou em torno de qual era a égua mais bonita, porque essa seria a última a ser designada. Perguntaram que tipo de serviços estávamos dispostas a fazer, e o tom foi subindo à medida que explicávamos. Brenda contou, sem parar de mastigar, que adorava engolir sêmen e que podiam gozar dentro dela sem medo. Noelia disse que gostava de sexo anal, de ser partida ao meio e de ouvir palavras sujas enquanto a fodiam pelo cu. Katia, ainda no colo de dom Gustavo, confessou num espanhol arranhado que gostava de chupar dois homens ao mesmo tempo, um na boca e outro no cu. Quando chegou minha vez, baixei a voz e admiti que gostava de ser fodida com força, sem olharem para meu pau, me tratando como a mulher que eu sentia ser, e que também chupava de joelhos melhor do que qualquer uma. Dom Mauricio engasgou com o vinho e ficou vermelho até as orelhas. Rosa escutava de olhos arregalados e, num momento, se inclinou para o marido.

— Esta noite eu vou chupar até você encher minha boca, e depois você me come por trás. Quero saber o que é sentir enfiar pelo cu, chega de tanto fingimento.

— Tomás, se você deixar sua mulher entrar no sorteio como mais uma puta, a gente também deixa sortear você e levar uma dessas para a cama — disse dom Gustavo, soltando uma gargalhada acompanhada pelo resto —. Quem sabe você dá azar e acaba com a própria mulher.

Dom Mauricio se aproximou de mim e começou a falar baixinho. Que eu era muito bonita, que gostaria que fosse eu a atendê-lo naquela noite. Passou a mão pela minha coxa, por baixo da saia, e com a ponta do polegar acariciou meu pau escondido sob a tanga vermelha, bem devagar, com um carinho que nem o mais carinhoso dos meus namorados tinha tido. Retribuí com alguns afagos que o deixavam aceso a cada instante. Procurei seu zíper por baixo da mesa e senti uma pica longa e dura pulsando contra o tecido. Apertei, e ele fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

***

Chegou a hora do sorteio. Decidiram que a primeira a ser designada, numa partida de cartas, seria Brenda. Antes de começar, dom Gustavo, no papel de anfitrião, ordenou a Katia, que seria a última a ser distribuída, que entrasse debaixo da mesa e o chupasse com a boca. A loira se meteu de quatro por baixo da toalha, e todos ouvimos o ruído do zíper e o estalido úmido de uma boca abrindo caminho ao redor de uma pica grossa. Era digno de se ver: dom Gustavo jogando suas cartas com cara de pôquer enquanto escapava algum gemido de prazer, e de vez em quando um grunhido mais grave quando a romena devia enfiá-lo até a garganta. A toalha se mexia no ritmo da cabeça dela. Dom Cosme, sentado em frente, se mijava de rir.

— Gustavo, filho da puta, dá para ver na sua cara. Ela está engolindo até as bolas.

— Como uma campeã — respondeu ele, cerrando os dentes —. Essa loira mama como os anjos. Chupa, chupa, vaca, que eu vou esvaziar tudo no teu bucho.

Os nós dos dedos ficaram brancos de tanto apertar as cartas, ele jogou a cabeça para trás e soltou um rugido longo. Debaixo da mesa, ouviu-se Katia engasgar por um segundo e depois engolir. Não demorou a terminar, e Katia saiu debaixo da mesa se lambendo, com um fio branco escorrendo pelo canto dos lábios, que ela limpou com o dedo e levou à boca, chupando devagar.

As cartas decidiram. Brenda ficou para dom Gustavo; Noelia, para dom Cosme; Katia, para dom Ignacio; Larisa, para dom Lorenzo; Vera, para dom Mauricio, e eu, Daniela, para dom Esteban, o militar, que reclamava e xingava sem parar porque não me queria. Dom Mauricio, sorridente, propôs uma troca, garantindo que, para ele, tanto fazia. Então ficou comigo, que era justamente o que eu desejava, e o militar com Vera.

Rosa, a guardesa, se aproximou de mim e, baixando a voz, disse:

— Você não sabe a sorte que tem. No fim, ficou com o doce do dom Mauricio. Nem imagina como vai ser bom. Esse te come devagar, mas te come inteira.

— Não pense. Eu teria gostado mais de um macho de verdade me dando com força, me encostando na parede e enfiando sem perguntar — respondi —. Essa delicadeza de homem eu ainda vou ver se cumpre ou me deixa pela metade.

Rosa soltou uma gargalhada e me chamou de puta. Eu retruquei, entre risos:

— Vem depois com a gente para o quarto, que eu visto você de vadia também. Porque esse, com certeza, vai querer me ver assim a noite toda, com a fita azul apertada e a tanga baixada até o meio da coxa.

Dom Mauricio não aguentou nem que terminassem de recolher a mesa. Me agarrou pela mão, me pôs de pé de um puxão e me levou pelo corredor até o último quarto, o mais afastado. Trancou a porta e ficou me olhando como quem tem diante de si algo que desejava havia muito tempo e ainda não acreditava.

— Quero te ver inteira — disse com a voz rouca —. Mas sem tirar nada. Só afastar.

Me empurrou de leve contra a parede, ergueu meu robe transparente e enterrou o rosto entre meus seios pequenos, chupando meus mamilos por cima do sutiã vermelho até o tecido ficar colado, molhado, marcando os bicos endurecidos. Agarrei sua cabeça e arqueei as costas para oferecê-los melhor. Ele puxou uma copa inteira do sutiã e prendeu meu mamilo nu entre os dentes, puxando, mordendo até o ponto em que doía e gostava ao mesmo tempo. Eu gemi baixinho, com a boca aberta contra o cabelo dele.

— Isso, chupa meus peitos, morde eles, faz eles endurecerem de vez.

Foi descendo com a língua, lambeu meu umbigo, enfiou o nariz na virilha por cima da tanga vermelha e inspirou fundo, me farejando como um cachorro. Afastou o tecido para o lado e deixou meu pau pequeno à mostra, já meio inchado, brilhando na ponta. Olhou por um segundo, quase com ternura, e o enfiou inteiro na boca de uma vez, até a raiz. Joguei a cabeça contra a parede e soltei um gemido longo.

— Ai, caralho… assim, chupa pra mim, chupa tudo, que não cabe mais na tua boca.

Dom Mauricio chupava como quem está há muito tempo com fome. Chupava meu pau inteiro, lambia os ovinhos apertados embaixo, passava a língua no períneo e voltava a subir até a glande, apertando-a entre os lábios. Com uma mão, amassava uma nádega por baixo da tanga; com a outra, abria o zíper e tirava a dele. Baixei os olhos e fiquei quieta um segundo: ele era comprido, grosso, com veias salientes e a glande arroxeada já babando líquido pré-seminal. Não parecia a pica de um homem delicado. Parecia a pica de alguém acostumado a dar porrada em quem caía debaixo.

— Vem aqui, põe-se de joelhos, quero que você chupe a minha também — pedi, puxando-lhe o cabelo para cima —. Quero que chupe essa pica enorme que você tem, eu não esperava por essa.

Ele se levantou, me virou contra a parede e enfiou a boca da pica nos meus lábios. Eu abri e fui engolindo devagar, sentindo como primeiro me enchia a boca, depois a garganta. A língua dele acariciava a veia de baixo enquanto avançava, e quando cheguei à base, fiquei um instante ali, com o nariz esmagado contra os pelos pubianos, sentindo o cheiro dele, sem respirar. Ele me segurou a cabeça com as duas mãos e começou a foder minha boca, devagar mas fundo, entrando e saindo com ritmo firme.

— Como você chupa bem, caralho, como você chupa bem, minha puta linda — ofegava —. Essa fita azul fica de foder na tua cara enquanto você mama minha vara. Engole, vaca, engole tudo, que eu sei que você consegue.

Eu babava a pica inteira dele, fios de saliva me caíam pelo queixo e encharcavam suas bolas. Agarrei seus testículos com uma mão, apertei, massageei, puxei para fora por cima da calça. Passei a língua por baixo, no freio, e voltei a comê-lo até o fundo, apertando as nádegas dele para me empurrar mais. Senti como ele inchava, como ficava ainda mais duro, e afastei a cabeça a tempo, chupando só a ponta.

— Não goze ainda, dom Mauricio, que eu quero isso dentro. Quero que você me foda.

Ele me arrastou até a cama, me deitou de bruços e ergueu meus quadris, me deixando de joelhos com a bunda empinada. Baixou a tanga vermelha pelas coxas, sem tirá-la por completo, e a deixou esticada na metade da perna. Abriu minhas nádegas com as duas mãos e ficou olhando. Eu, com o rosto esmagado contra o colchão, o ouvi murmurar algo como “que bundinha de puta você tem, Daniela” e depois senti sua língua quente entrando no meu cu. Lambia e enfiava a ponta, tirava e voltava a empurrá-la, me salivando, me abrindo. Agarrei um travesseiro e mordi para não gritar. Nunca ninguém tinha me chupado o cu assim, com essa fome.

— Sim, dom Mauricio, chupa, mete a língua, me abre — gemi, balançando a bunda contra a boca dele —. Prepara esse cu de puta para sua pica.

Ele cuspiu no meu buraco, cuspiu na própria mão, besuntou bem a pica e apoiou a glande contra meu cu. Empurrou devagar. No começo queimou, fechou tudo por instinto, mas ele me acariciava a lombar, me falava baixinho, pedia que eu respirasse. Empurrou de novo, e desta vez a coroa passou para dentro com um estalo úmido. Eu uivei contra o travesseiro.

— Aguenta, linda, aguenta que já passou a pior parte — ofegou, segurando meus quadris —. Já tenho quase tudo dentro, olha só como você aguenta bem, sua vadia.

Ele se enterrou até o fundo, até eu sentir suas bolas esmagadas contra as minhas. Ficou ali um momento, me deixando sentir tudo, pulsando. Depois começou a me foder. Empurrões longos, controlados no começo, saindo quase até a ponta e voltando a cravar até a raiz. Cada investida me arrancava um gemido mais agudo, e eu empurrava de volta para ele meter mais fundo. O delicado dom Mauricio, o doce de que Rosa falava, estava arrebentando meu cu com uma pica que ninguém descreveria sem ficar sem fôlego.

— Mais forte, dom Mauricio, mais forte, não me trate como uma senhora, me trate como a puta que eu sou — supliquei —. Fode esse cu, arrebenta ele.

A expressão dele mudou. Agarrou a fita azul no meu pescoço e puxou como se fosse rédea, jogando minha cabeça para trás. A outra mão cravou na minha anca, com os dedos marcando-me a pele, e ele começou a me arrebentar de verdade. O som de seus quadris batendo contra minhas nádegas encheu o quarto, um chapinhar seco, rítmico, misturado aos meus gemidos cortados e às suas respirações roucas. O colchão rangia. A fita me entrava na garganta e me obrigava a arquear ainda mais as costas.

— Assim, vaca? Assim você gosta que eu enfie?

— Sim, sim, sim, assim, mais, não para, me dá tudo…

Ele tirou de repente, me virou de barriga para cima, dobrou minhas pernas contra o peito até a meia arrastão esticar nas coxas, e voltou a enfiar, desta vez me olhando no rosto. Queria me ver, queria ver minha boca aberta, os olhos semicerrados, o pau pequeno saltando contra meu ventre a cada estocada. Segurava minha pica com dois dedos e a sacudia no ritmo com que me fodía o cu, e essa carícia dupla, por dentro e por fora, estava me enlouquecendo.

— Goza pra mim, preciosa — pediu, sem parar de me investir —. Goza com a pica dentro, quero te ver, quero ver como escapa.

Senti que vinha, que subia de muito dentro de mim, empurrado pela glande esfregando onde precisava esfregar. Tudo se contraiu, meu cu se apertou em volta da pica dele, e eu gozei como uma fêmea, em jatos curtos, quase sem firmeza, um sêmen ralo e branco que me saiu sobre o umbigo e sobre a mão dele. Ele rosnou ao sentir meu aperto por dentro.

— Caralho, caralho, como você aperta, vaca, como você me espreme… vou gozar, vou gozar dentro, vou gozar dentro de você.

— Sim, goza dentro, enche meu cu, dom Mauricio, me enche inteira.

Empurrou mais três, quatro vezes, fundo, e se derramou. Senti os espasmos da pica dele nas paredes do meu cu, o pulsar quente de cada jato. Foram muitos, e muito espessos. Ficou ali, cravado, me deixando até a última gota, com a testa colada à minha testa e o ar entrecortado na minha boca. Me beijou, e era um beijo estranho, denso, mistura de gratidão e de besta ainda meio acalmada.

Quando enfim saiu de mim, um fio branco escapou do meu cu aberto e desceu pela fenda até o lençol. Ele olhou, passou dois dedos pelo rastro, recolheu e levou até minha boca. Eu abri, e os chupei devagar, sem desviar o olhar, saboreando sua gozada misturada com a minha.

— Você é… você é outra coisa, Daniela — murmurou, ainda sem recuperar o fôlego —. Esta noite eu não te largo.

E é que aqueles dez dias no cortijo renderam muito mais do que qualquer um poderia imaginar. Mas aquela primeira noite, com a fita azul ainda apertando meu pescoço, a pica de dom Mauricio ainda latejando dentro de mim e o sêmen escorrendo pelas minhas coxas, foi só o começo.

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