A travesti do escritório que os deixou de joelhos
Passava das dez e quinze da noite quando Camila fechou a gaveta da recepção e apagou a última tela. O prédio tinha ficado quase vazio uma hora antes: só persistiam o zumbido surdo das lâmpadas fluorescentes sobre as mesas desertas e o apito distante do elevador respondendo a algum andar que ninguém deveria estar ocupando àquela hora. Seus saltos — quinze horas sobre eles, pretos, de agulha, com a tira do calcanhar ameaçando deixar uma assadura para o dia seguinte — haviam transformado seus pés em duas brasas. Cada passo do balcão até a sala dos funcionários era uma tortura ascendente que subia pelas panturrilhas e terminava afundando nos quadris como um prego fino.
Mas era o outro desconforto, aquele que carregava costurado ao corpo desde a manhã, que lhe deixava o estômago tenso.
Sob a saia lápis cor de grafite, justa e profissional, o tecido da calcinha fio-dental pressionava o pau semiereto que seu corpo produzia sem pedir sua permissão. A glande pegajosa pelo líquido que havia escapado ao longo do dia, roçando contra o algodão úmido toda vez que dava um passo. As bolas suadas, apertadas entre as coxas pela pressão da lingerie justa. O lembrete físico e constante da distância entre o que projetava para o mundo e o que escondia por baixo. Camila conhecia tão bem aquela sensação que havia aprendido a ignorá-la durante o dia, a transformá-la numa espécie de combustível de baixa intensidade que ardia devagar e sem chama visível. Ela o havia aperfeiçoado em sete anos de trabalho lidando com o público.
O que nunca conseguira ignorar era a maneira como alguns homens olhavam para ela.
Não todos. Apenas alguns. E sempre da mesma forma: começavam pelo rosto, desciam até o peito, continuavam mais para baixo e terminavam erguendo o olhar de novo com algo diferente nos olhos. Uma pergunta não formulada. Uma certeza pela metade que não sabiam se deviam confirmar ou deixar quieta. A pergunta sobre se, sob a saia lápis, o que se adivinhava era aquilo que eles suspeitavam.
Marcelo foi o primeiro a aparecer no corredor. Quarenta e poucos anos, terno risca de giz com o paletó desabotoado e a gravata afrouxada até a metade do peito, barba de vários dias que lhe dava aquele aspecto de homem que já não precisava se esforçar diante de ninguém. Ela o vira presidir reuniões com aquela voz grave que não pedia validação nem a esperava. Naquela noite, não presidiria nada.
— Já vai embora, Camila? — perguntou, apoiando o ombro no batente da porta. Seu olhar desceu por um segundo, calculado e sem qualquer tentativa de disfarce, detendo-se exatamente onde a saia se esticava sobre o volume —. Eu ia ficar um pouco com os caras. Umas cervejas, um pouco de música. Sem agenda, sabe como é. Fora do horário.
Atrás dele apareceram mais dois.
Sebastián, do marketing, com aquele sorriso de lado de quem sabe que agrada e administra isso sem esforço aparente. Julián, do departamento técnico, mais calado, com os olhos escuros fixos nela numa atenção que não tinha nada de inocente. Os três vinham olhando para ela daquela mesma maneira havia semanas, e Camila sabia disso porque prestava atenção nesse tipo de coisa. Tinha ouvido fragmentos de conversas interrompidas quando entrava numa sala. Vira mensagens em telas mal viradas. Eles sabiam o suficiente para que a curiosidade tivesse se transformado em algo mais concreto. Sabiam que ela tinha um pau e queriam confirmar.
Camila sentiu o calor subir do esterno até a base do pescoço. E um pouco mais abaixo, um estremecimento que tensionou o tecido da calcinha.
— Meus pés estão me matando — disse, e sua voz saiu mais rouca do que pretendia, o cansaço misturado a algo que preferia não identificar em voz alta —. Foi um dia muito longo.
Marcelo esboçou um sorriso lento, daqueles que não chegam a ser um sorriso de verdade.
— Então tire-os. Aqui não tem ninguém para julgar nada.
Sebastián cruzou os braços. Camila percebeu perfeitamente como o volume em sua calça social já começava a marcar o tecido.
— A gente sabe que você é diferente, Camila. E isso é bom para nós. Mais que bom, na verdade.
Ela olhou para os três em silêncio, um por um. Marcelo com sua arrogância de executivo desgastada pelo dia. Sebastián com aquela confiança calculada que nunca se apagava por completo. Julián, que ainda não havia dito nada, com os olhos cravados nela como se já estivesse contando quanto faltava para que tomasse uma decisão.
O coração batia forte, mas a voz interior que às vezes a alertava para ir embora, que aquilo não era uma boa ideia, que o corpo não acompanhava, naquela noite estava estranhamente calada.
No lugar dela havia outra coisa. Mais fria. Mais limpa. Mais quente entre as pernas.
— Tudo bem — disse enfim —. Mas quem estabelece as condições sou eu. E, se algum de vocês passar dos limites, vai embora. Entendido?
Os três assentiram quase ao mesmo tempo.
***
A sala de reuniões cheirava a café da manhã e a papel impresso. Eles haviam baixado as persianas antes de entrar. A única luz vinha das faixas de emergência rente ao chão e do brilho azulado de um laptop esquecido no canto da mesa comprida. No quadro ao fundo ainda restava o vestígio de uma apresentação de quarta-feira, meio apagada, com um gráfico de barras que já não tinha contexto nem sentido algum.
Camila entrou por último. Fechou a porta com cuidado. Passou o trinco. Tirou um salto com calma e deixou-o cair sobre o carpete. O som foi seco, definitivo. O outro veio em seguida. Depois ela se sentou na beirada da mesa de vidro, cruzou as pernas e olhou para eles.
— Primeiro quero ver vocês. Nus. Todos. Quero ver com o que vieram.
Os três se entreolharam por um segundo, aquele momento de calibragem masculina que sempre lhe parecia curioso, como se precisassem confirmar entre si que a situação era real. Então começaram.
Marcelo foi o primeiro a soltar a gravata e se livrar do paletó. A camisa caiu no chão sem ser dobrada. Baixou a calça e a cueca ao mesmo tempo, com a desajeitada pressa de quem vinha pensando naquele momento havia mais tempo do que estava disposto a admitir. Seu pau saltou para a frente já completamente duro, grosso, com a glande escura aparecendo do prepúcio recolhido e uma veia grossa percorrendo-o por baixo. Sebastián desabotoou a camisa de cima para baixo, botão por botão, com a eficiência de quem já fizera aquilo muitas vezes sem pensar; por baixo, tinha o peito liso e uma tatuagem no antebraço que nunca havia ficado visível sob as mangas compridas das reuniões formais. Quando baixou as calças, o dele era mais comprido que o de Marcelo, um pouco mais fino, com a glande rosada e úmida na ponta. Julián foi mais desajeitado, ou talvez mais nervoso; desabotoou o cinto diretamente e deixou as calças caírem sem nenhuma solenidade. O que ele tinha entre as pernas era o mais escuro dos três, mais curto, mas notavelmente grosso, com as bolas pesadas e baixas.
Três homens em pé diante dela. Três paus duros apontados para ela. E nenhum fingia que era outra coisa.
Camila os estudou sem pressa. O peito de Marcelo, com aqueles pelos escuros que desciam até o umbigo e continuavam até a mata espessa do púbis. O corpo mais magro de Sebastián, os abdominais marcados, o pau batendo de leve contra o ventre toda vez que respirava. Julián, mais baixo e de ombros largos, com a pele morena e as mãos grandes e imóveis ao lado do corpo, contendo-se para não se tocar.
Ela mordeu o lábio inferior por um instante.
Então se levantou, enfiou os polegares no elástico da calcinha e a baixou devagar, sem desviar o olhar dos três. O tecido ficou preso por um instante na coxa. Ela ergueu a saia com um gesto lento, recolhendo-a até a cintura, e a manteve apertada contra o ventre.
Seu pau ficou à vista. Duro, médio, com a pele esticada e a glande molhada, uma gota de líquido pré-ejaculatório pendendo da ponta e escorrendo devagar. Embaixo, as bolas recolhidas contra o corpo. As pernas longas, depiladas, as coxas firmes por causa dos saltos.
O silêncio que se seguiu durou talvez quatro segundos.
— Minha nossa — murmurou Sebastián, levando a mão ao próprio pau sem pensar, apertando-o na base.
Julián não disse nada. Engoliu em seco. Camila viu o pomo de Adão se mover em sua garganta.
Marcelo deu um passo à frente.
— Pare — disse Camila.
Ele parou bruscamente.
— Ajoelhe-se.
E ele obedeceu. O executivo que na semana anterior havia presidido uma reunião sobre os resultados anuais caiu de joelhos no carpete com a mesma naturalidade com que assinava documentos. Agora ele olhava para cima e ela para baixo, e nenhum dos dois fingiu que aquilo era outra coisa senão o que era.
— Chupe — disse ela, e o verbo saiu limpo, sem hesitação —. Devagar. Quero sentir a língua, não os dentes. Se acelerar sem eu mandar, eu paro e dou para outro. Está claro?
— Sim — disse Marcelo, com a voz alterada.
— Abra a boca.
Ele abriu. Camila segurou seu pau com uma mão e o apoiou sobre a língua, sem colocá-lo inteiro ainda. A glande molhada deixou um rastro brilhante em seu lábio inferior. Marcelo fechou os olhos por um instante.
— Olhe para mim — ordenou ela.
Ele os abriu.
— Agora.
O calor da boca foi imediato e completo. Camila apertou a borda da mesa com a outra mão e deixou a cabeça cair para trás por um segundo, os cabelos soltos roçando suas omoplatas, antes de baixá-la novamente para não perder o espetáculo. Marcelo começara pela ponta, lambendo a glande com cuidado, recolhendo o líquido pré-ejaculatório com a língua plana antes de enfiar o pau na boca até a metade. A língua trabalhava com uma desajeitada honestidade — pressão demais em alguns momentos, ritmo demais em outros —, mas a vontade evidente compensava o resto.
— Mais devagar — repetiu Camila, agarrando-o pelos cabelos com a mão livre —. Faça uma concha com a língua. Abra espaço para mim com ela. Assim.
Ele corrigiu. A saliva começou a escorrer pelos cantos da boca e a cair pelo queixo até o peito nu. Camila empurrou os quadris para a frente, controlando quanto entrava, e o pau chegou ao fundo de sua garganta. Marcelo engoliu. Tossiu por um segundo. Tornou a abrir mais a boca.
— Isso. Bom garoto. Até o fundo.
Sebastián se aproximou por trás sem que ela pedisse. Afastou os cabelos de seu pescoço com dois dedos e mordeu sua pele entre o ombro e a orelha, os dentes deixando uma pressão que não chegava a doer, mas também não desaparecia. Camila sentiu o pau duríssimo de Sebastián cravando-se na parte baixa de suas costas através da saia levantada, deixando um rastro quente de líquido na pele nua de seu quadril. Ele começou a desabotoar sua blusa de cima para baixo, botão por botão, sem pressa. Quando abriu o tecido, agarrou seus seios com as duas mãos e beliscou os mamilos ao mesmo tempo, puxando-os com a força exata para fazer Camila gemer por cima do pau de Marcelo em sua boca.
— Porra, como estão duros — murmurou Sebastián contra sua orelha, esfregando o pau contra sua bunda por cima da saia —. Faz meses que imagino esses peitos.
— Então olhe para mim agora — disse ela, virando a cabeça para fitá-lo —. E aprenda.
Julián permaneceu onde estava, olhando, apertando devagar o pau na mão. Esperando instruções.
— Venha — disse Camila, indicando com dois dedos um ponto bem diante de seu rosto —. Quero o seu na boca enquanto este chupa o meu.
Julián obedeceu sem falar. Aproximou-se até deixar a glande grossa a um palmo de seus lábios. Camila esticou a língua e lambeu a ponta, recolhendo a gota de líquido pré-ejaculatório que pendia dela, e depois enfiou o pau inteiro na boca com um único movimento que fez Julián fechar os olhos e soltar o primeiro gemido da noite.
— Isso, assim — murmurou Camila ao tirá-lo por um segundo —. Você tem um pau lindo. Bem grosso. Enfie até o fundo.
E tornou a enfiá-lo sozinha.
***
O que veio depois foi uma coreografia sem ensaio. Camila a dirigiu com instruções curtas e precisas, e os três a escutaram com uma atenção que não tinha nada de servil: era algo mais próximo do reconhecimento, aquele que acontece quando alguém sabe exatamente o que quer e não tem dúvida alguma ao pedir.
— Sente-se ali — disse a Marcelo, afastando o pau de sua boca com um fio de saliva pendendo entre os dois. Apontou para a cadeira do fundo, de encosto reto —. Aquela.
Ele obedeceu. Sentou-se com as pernas abertas e o pau apontado para o teto, brilhante com a saliva dela, inchado e pulsando no ritmo do pulso.
— Molhe bem — disse Camila, cuspindo na palma da mão e abaixando-se para alcançá-lo. Agarrou o pau com a mão cheia de saliva e esfregou-o devagar, da base à glande, espalhando o lubrificante natural por todo o comprimento —. Não quero ir seca.
Ela ergueu a saia até a cintura. Deu as costas a Marcelo e se posicionou sobre ele, de costas, uma mão no apoio de braço da cadeira para se estabilizar, a outra guiando o pau até seu cu. Encostou a glande no buraco e ficou assim por um segundo, respirando, deixando que o calor do prepúcio abrisse um pouco a entrada antes de empurrar.
— Não se mexa — murmurou —. O ritmo é meu. Se gozar antes de eu mandar, nunca mais vai me comer. Entendido?
— Entendido — disse Marcelo, com a voz áspera.
Ela começou a descer. Centímetro por centímetro. A glande pressionou, o primeiro anel de músculo cedeu e começou a entrar. O calor foi intenso, a fricção ainda mais, a ardência exatamente no limite entre a dor e o prazer. Cerrou os dentes e soltou o ar pelo nariz muito devagar, medindo cada segundo, deixando o corpo se acostumar a tê-lo dentro. Quando chegou ao fundo e sentiu as bolas de Marcelo contra sua bunda, gemeu demoradamente, os olhos semicerrados.
— Porra — murmurou —. Como você é grosso.
Seu próprio pau havia voltado a ficar duríssimo diante dela, aparecendo entre a saia levantada e o ventre, pingando.
Sebastián se ajoelhou atrás dela sem que precisasse pedir, intuindo. A língua que sentiu entre seus quadris estava fria no começo, explorando com cautela, lambendo suas bolas por baixo enquanto o pau de Marcelo continuava cravado em seu cu. Camila contraiu os músculos sem querer em resposta, e Marcelo soltou um gemido abafado sob ela. Depois a língua de Sebastián subiu pelo períneo, percorrendo o espaço entre as bolas e o buraco, lambendo em círculos ao redor do ponto onde o pau de Marcelo lhe abria o cu.
— Ai, porra, continua aí — gemeu Camila —. Bem aí.
Sebastián continuou. Enfiou a língua entre a bunda e o pau de Marcelo, lambeu as bolas de Marcelo de passagem, voltou a subir até o buraco esticado, lambendo as bordas onde a pele se tensionava com a penetração. Cada passada da língua lhe disparava um chicote pela coluna.
Julián se posicionou diante dela, em pé. Tinha o pau na altura exata para que Camila pudesse lambê-lo sem se abaixar demais. Ela o segurou com a mão e começou a chupá-lo, determinando o ritmo, afundando a cabeça devagar até deixar a glande bater no fundo da garganta e então subindo novamente. Julián pôs uma mão em sua nuca, sem empurrar, apenas deixando-a ali.
Eles começaram a se mover.
Devagar no início. O ritmo era ditado por ela: quando erguia os quadris, deixando o pau de Marcelo sair até a glande; quando descia de repente, empalando-se até o fundo; como inclinava a pélvis para senti-lo mais profundamente; o que era permitido e o que não era. Os três respondiam a seu corpo com aquela concentração que ela só havia encontrado em homens que entendiam que o prazer não era um direito, mas uma consequência de prestar atenção.
— Assim — dizia quando algo funcionava.
— Pare — dizia quando não.
E eles paravam.
— Mais forte — ordenou a Marcelo em certo momento, agarrando-se aos apoios de braço com as duas mãos para tomar impulso —. Empurre de baixo. Foda-me de verdade.
Marcelo cravou as mãos em seus quadris e começou a empurrar de baixo, levantando sua bunda do assento a cada estocada. O baque seco das bolas contra ela, o som úmido da penetração, os gemidos dos quatro se misturando. Sebastián precisou se afastar por um segundo, mas voltou imediatamente, agora lambendo seus mamilos por trás, uma mão à frente apertando o pau de Camila e masturbando-a devagar no ritmo das estocadas de Marcelo.
— Porra, você está soltando tanto líquido como se já fosse gozar — murmurou Sebastián contra seu pescoço, mostrando-lhe os dedos brilhantes que acabara de retirar da glande de Camila.
— Chupe os dedos — disse ela sem parar de chupar Julián.
Sebastián enfiou os dois dedos na boca e os lambeu.
— Tem um gosto bom.
— Da próxima vez eu engulo tudo.
Camila voltou a se concentrar em Julián. Ele estava quase lá. Ela percebia pela tensão das bolas toda vez que as apertava com a mão livre, pela maneira como seus quadris tremiam involuntariamente.
— Você não vai gozar ainda — advertiu, tirando-o por um segundo e olhando-o nos olhos —. Quero a gozada no rosto, não na boca. E quero no final, não agora.
— Porra — murmurou ele —. Está bem.
Ela o afastou por um momento. Fez um sinal para Sebastián.
— Você, venha aqui. Saia de trás. Fique na frente.
Sebastián se levantou do chão, com o pau pesado e pingando, brilhante de sua própria saliva. Ficou em pé diante dela, no mesmo lugar onde Julián estivera um segundo antes.
— O seu também — disse Camila, agarrando os dois paus ao mesmo tempo, um com cada mão. Apertou-os juntos e começou chupando primeiro a glande de Sebastián, depois a de Julián, alternando, lambendo a junção, colocando as duas pontas na boca ao mesmo tempo quando conseguia —. Quero os dois juntos.
Enquanto isso, Marcelo continuava fodendo-a por baixo, agora mais devagar porque ela ordenara que não acabasse cedo demais, mas enfiando o pau até o fundo a cada estocada e fazendo-a gemer por cima dos paus que tinha na boca.
O suor formou um fio em sua coluna que desceu até o cóccix. Seus próprios gemidos se misturaram aos dos três homens, todos diferentes no timbre e na urgência. Marcelo grunhindo do peito a cada estocada por baixo, Sebastián arfando com os dentes cerrados, Julián com um gemido grave quase contínuo. A sala de reuniões preencheu aquele espaço habitual de silêncio institucional com uma densidade que o ambiente jamais tivera durante suas horas de uso regular. O gráfico de vendas continuava no quadro, indiferente ao som úmido dos paus entrando e saindo, ao cheiro de sexo e suor que já começava a impregnar o carpete.
Camila sentiu o orgasmo se construir de baixo para cima, lento e sem pressa, como uma pressão enchendo um reservatório que demorasse muito a transbordar. Subia do cu aberto e pulsante ao redor do pau de Marcelo, percorria suas bolas e se concentrava na base do pau. Ela permaneceu na borda mais tempo do que poderia ter previsto, saboreando aquela tensão que era metade sensação física e metade algo mais difícil de nomear: o prazer de que três homens acostumados a ocupar espaço, a fazer o mundo girar em torno de suas decisões, agora esperassem suas instruções com atenção genuína, com os paus duros em suas mãos ou dentro de seu corpo, sem se mover até que ela decidisse.
Ela tirou os dois paus da boca. Apoiou-se nos braços da cadeira. Ergueu um pouco o corpo para conseguir o ângulo.
— Agora, todos — ordenou —. Marcelo, foda-me com força. Como se não houvesse amanhã. Vocês dois, no meu rosto, os dois ao mesmo tempo. Gozem quando eu gozar.
Não era preciso acrescentar mais nada. Os três entenderam.
Marcelo cravou os dedos em seus quadris e começou a estocar por baixo num ritmo que ela já não controlava, levantando sua bunda do assento a cada impulso, o pau entrando até o fundo, as bolas batendo nas dela com um som úmido e constante. Sebastián e Julián se posicionaram um de cada lado de seu rosto, masturbando-se rapidamente, os paus a centímetros de seus lábios e bochechas.
Camila segurou o próprio pau com a mão que lhe restava livre e começou a masturbá-lo rapidíssimo, sincronizando-se com as estocadas de Marcelo por baixo. O orgasmo chegou longo, com espasmos percorrendo suas costas dos quadris até os ombros. O primeiro jato saiu por cima do ombro de Sebastián e manchou o quadro da apresentação, deixando uma grande gota branca sobre o gráfico de barras. O segundo caiu sobre seu próprio ventre. Ela continuou gozando em espasmos, gemendo de boca aberta.
Sentiu Marcelo se retesar sob ela ao mesmo tempo, o pau inchando dentro dela um segundo antes de chegar o calor interno que reconheceu sem palavras: o primeiro jato de sêmen contra a parede de seu cu, depois o segundo, depois um terceiro mais fraco, o pau pulsando a cada descarga.
— Porra, porra, porra — ofegava Marcelo contra sua nuca —. Porra, que cu, porra.
Sebastián foi o próximo. Ela percebera pela maneira como sua mão havia acelerado. O primeiro jato caiu sobre sua bochecha e seu lábio, quente, espesso, escorrendo pelo queixo. O segundo manchou seu pescoço. Camila esticou a língua e lambeu a glande para tirar as últimas gotas, olhando-o nos olhos.
— Bom garoto — murmurou —. Aguentou bastante.
Sebastián riu, ofegante, sem ar.
Julián foi o último; Camila olhou diretamente para ele quando aconteceu, sem desviar os olhos, a boca aberta e a língua para fora. O primeiro jato entrou direto em sua boca e ela o engoliu. O segundo caiu sobre a outra bochecha, misturando-se ao de Sebastián. O terceiro manchou seu peito. Camila não deixou de olhá-lo nem por um segundo, e isso pareceu ser exatamente o que faltava para Julián estremecer com um gemido grave que lhe saiu das entranhas e dobrar os joelhos até precisar se apoiar na mesa.
Camila permaneceu assim por um momento. O rosto cheio do sêmen dos dois, o próprio escorrendo pelo ventre, o pau de Marcelo ainda enterrado em seu cu, perdendo lentamente a dureza, pulsando os últimos resquícios do orgasmo dentro dela. Fechou os olhos. Soltou o ar muito devagar.
Depois, sem pressa, ergueu os quadris e sentiu o pau flácido sair de seu buraco, seguido por um fio de sêmen morno que desceu pela parte interna da coxa. Ela o recolheu com dois dedos e levou os dedos à boca, olhando para Marcelo enquanto os lambia.
***
Quando tudo terminou, a sala cheirava a calor humano, suor, sêmen e esforço. Camila se deu tempo. Pegou alguns lenços de papel da caixa sobre a mesa de vidro e limpou o rosto com calma, recolhendo o sêmen da bochecha, do pescoço e do lábio. Outro lenço para o ventre. Outro para a parte interna da coxa. Dobrou-os e jogou-os na lixeira junto com a embalagem de uma bala que estava ali desde segunda-feira. Pegou a calcinha do chão, dobrou-a e guardou-a na bolsa — não pretendia vesti-la daquele jeito —. Ajustou a saia com as duas mãos. Abotoou a blusa, dois botões do meio que haviam ficado abertos, e outro de cima que se soltara em algum momento. Pegou os saltos do carpete e calçou-os em pé, primeiro um, depois o outro, com a mesma calma com que os tirara meia hora antes.
Os três homens continuavam sentados ou recostados, os paus moles pendendo, o esgotamento visível em suas posturas e na maneira como evitavam olhar uns para os outros.
Marcelo foi o primeiro a falar.
— Aquilo foi…
— Eu sei — disse Camila, sem se virar.
Ela conferiu os cabelos no reflexo escuro da tela apagada do quadro digital. Estavam aceitáveis. Então pegou a bolsa do chão e pendurou-a no ombro.
— Na quinta-feira vocês têm reunião de equipe — disse, olhando-os de frente —. Não se atrasem.
Sebastián soltou uma risada baixa, daquelas que escapam quando algo é mais verdadeiro do que deveria.
Julián passou a mão pelo rosto — manchou a palma com um resto do próprio sêmen que ficara em seu queixo — e sorriu devagar.
Marcelo assentiu, sem tirar os olhos dela.
Camila apagou a faixa de emergência ao sair. No corredor, as lâmpadas fluorescentes continuavam zumbindo com a mesma indiferença de sempre, alheias a tudo o que acontecera do outro lado daquela porta. Apertou o botão do elevador e esperou com a bolsa pendurada no antebraço, olhando os números acima das portas. Ainda sentia o sêmen de Marcelo dentro dela, escorrendo devagar a cada passo.
Quando as portas se abriram e ela entrou, viu seu reflexo no espelho de aço escovado do interior: o pescoço marcado pelos dentes de Sebastián, os cabelos soltos, a blusa que não estava exatamente igual àquela da manhã. A assadura do salto podia esperar até amanhã.
Ela sorriu.
A tensão de antes havia desaparecido. Não havia pressão, não havia o peso surdo de carregar o corpo como um traje que nunca caía perfeitamente bem. Havia apenas o cansaço limpo de quem sabe exatamente o que quer e conseguiu aquilo naquela noite.
As portas se fecharam.
O elevador desceu em silêncio até o térreo.