A travesti da oficina que os deixou de joelhos
Já passava das dez e quinze da noite quando Camila fechou a gaveta da recepção e apagou a última tela. O prédio tinha ficado quase vazio uma hora antes: só persistiam o zumbido surdo dos fluorescentes sobre as mesas desertas e o apito distante do elevador respondendo a algum andar que ninguém deveria estar ocupando àquela hora. Seus saltos — quinze horas em cima deles, pretos, de agulha, com a tira do calcanhar que ameaçava deixar um ralado para o dia seguinte — tinham transformado seus pés em duas brasas. Cada passo do balcão até a sala do pessoal era uma tortura ascendente que subia pelos gêmeos e acabava afundando nos quadris como um prego fino.
Mas era o outro incômodo, o que ela carregava costurado ao corpo desde a manhã, que lhe deixava o estômago tenso.
Debaixo da saia lápis cor grafite, justa e profissional, o tecido da tanga pressionava contra a rola semiereta que seu corpo produzia sem pedir permissão. A glande pegajosa pelo líquido que tinha escapado ao longo do dia, roçando no algodão úmido cada vez que dava um passo. Os ovos suados, apertados entre as coxas pela pressão da lingerie justa. O lembrete físico e constante da distância entre o que ela projetava para o mundo e o que escondia por baixo. Camila conhecia essa sensação tão bem que tinha aprendido a ignorá-la durante o dia, a transformá-la numa espécie de combustível de baixa intensidade que ardia devagar e sem chama visível. Tinha aperfeiçoado isso em sete anos de trabalho cara a cara com o público.
O que nunca tinha conseguido ignorar era a forma como alguns homens a olhavam.
Nem todos. Só alguns. E sempre do mesmo jeito: começavam pelo rosto, desciam para o peito, seguiam mais para baixo e terminavam levantando de novo o olhar com algo diferente nos olhos. Uma pergunta sem forma. Uma certeza pela metade que eles não sabiam se confirmavam ou deixavam pra lá. A pergunta de se, por baixo da saia lápis, o que se adivinhava era o que eles suspeitavam.
Marcelo foi o primeiro a aparecer no corredor. Quarenta e poucos anos, terno risca de giz com o paletó aberto e a gravata afrouxada até a metade do peito, barba por fazer de alguns dias que lhe dava aquele ar de homem que já não precisa se esforçar diante de ninguém. Ela já o tinha visto presidir reuniões com aquela voz grave que não pedia validação nem esperava por ela. Naquela noite ele não ia presidir nada.
— Já vai embora, Camila? — perguntou, apoiando o ombro no batente da porta. O olhar desceu por um segundo, calculado e sem fingir disfarce, parando justo onde a saia se esticava sobre o volume —. Ia ficar mais um pouco com os caras. Umas cervejas, um som. Sem pauta, sabe? Fora do expediente.
Atrás dele apareceram mais dois.
Sebastián, do marketing, com aquele sorriso de canto de quem sabe que agrada e administra isso sem esforço aparente. Julián, do setor técnico, mais quieto, com os olhos escuros fixos nela com uma atenção que não tinha nada de inocente. Os três vinham a semanas olhando para ela daquele mesmo jeito, e Camila sabia disso porque prestava atenção nesse tipo de coisa. Tinha ouvido fragmentos de conversas cortadas quando entrava em uma sala. Tinha visto mensagens em telas mal viradas. Eles sabiam o suficiente para que a curiosidade tivesse virado algo mais concreto. Sabiam que ela tinha pau e queriam conferir.
Camila sentiu o calor subir do esterno até a base do pescoço. E um pouco mais embaixo, um sobressalto que esticou o tecido da tanga.
— Meus pés estão me matando — disse, e a voz saiu mais rouca do que pretendia, o cansaço misturado com algo que ela preferia não identificar em voz alta —. Foi um dia muito longo.
Marcelo esboçou um sorriso lento, daqueles que não chegam a ser sorriso de verdade.
— Então tira eles. Aqui não tem ninguém pra julgar nada.
Sebastián cruzou os braços. Camila percebeu perfeitamente como o volume na calça social dele já estava marcando o tecido.
— A gente sabe que você é diferente, Camila. E isso nos parece bom. Mais do que bom, na verdade.
Ela os encarou em silêncio, um por um. Marcelo com sua arrogância de executivo desgastada pelo dia. Sebastián com aquela confiança calculada que nunca se apagava de todo. Julián, que ainda não tinha dito nada, com os olhos cravados nela como se já estivesse contando quanto tempo faltava para ela tomar uma decisão.
O coração dela batia forte, mas a voz interior que às vezes a advertia para ir embora, que não era uma boa ideia, que o corpo não estava acompanhando, naquela noite estava estranhamente calada.
No lugar dela havia outra coisa. Mais fria. Mais limpa. Mais quente entre as pernas.
— Tá bem — disse por fim—. Mas as condições são minhas. E se algum de vocês passar do limite, vai embora. Entendido?
Os três assentiram quase ao mesmo tempo.
***
A sala de reuniões cheirava a café da manhã e papel impresso. Tinham baixado as persianas antes de entrar. A única luz vinha das faixas de emergência rente ao chão e do brilho azulado de um notebook esquecido no canto da mesa comprida. No quadro branco do fundo ainda restava o resíduo de uma apresentação de quarta-feira, meio apagada, com um gráfico de barras que já não tinha contexto nem sentido nenhum.
Camila entrou por último. Fechou a porta com cuidado. Trancou. Tirou um salto com calma e o deixou cair no carpete. O som foi seco, definitivo. O outro veio em seguida. Depois sentou na beirada da mesa de vidro, cruzou as pernas e os encarou.
— Primeiro eu quero ver vocês. Nus. Todos. Quero ver com o que vocês vieram.
Os três se olharam por um segundo, aquele momento de calibragem masculina que a ela sempre parecia curioso, como se precisassem confirmar entre si que a situação era real. Depois começaram.
Marcelo foi o primeiro a soltar a gravata e se livrar do paletó. A camisa caiu no chão sem dobrar. Ele baixou a calça e a cueca ao mesmo tempo, com a desajeitada pressa de quem pensa naquele momento há mais tempo do que está disposto a admitir. A rola saltou para a frente já completamente dura, grossa, com a glande escura aparecendo por baixo do prepúcio recolhido e uma veia grossa correndo por baixo. Sebastián desabotoou a camisa de cima para baixo, botão por botão, com a eficiência de quem já fez aquilo muitas vezes sem pensar; por baixo tinha o peito liso e uma tatuagem no antebraço que nunca tinha ficado visível sob as mangas compridas das reuniões formais. Quando baixou a calça, a dele era mais longa que a de Marcelo, um pouco mais fina, com a glande rosada e úmida na ponta. Julián foi mais desajeitado, ou talvez mais nervoso; soltou o cinto direto e deixou a calça cair sem nenhuma solenidade. A que ele tinha entre as pernas era a mais escura das três, mais curta mas notavelmente grossa, com os ovos pesados e baixos.
Três homens em pé diante dela. Três paus duros apontando para ela. E nenhum fingindo que era outra coisa.
Camila os examinou sem pressa. O peito de Marcelo, com aquele pelo escuro que descia até o umbigo e seguia até a mata espessa do púbis. O corpo mais magro de Sebastián, os abdominais marcados, a rola batendo levemente no ventre a cada respiração. Julián, mais baixo e de ombros largos, com a pele morena e as mãos grandes e quietas ao lado do corpo, se contendo para não se tocar.
Ela mordeu o lábio inferior por um instante.
Depois se levantou, enfiou os polegares no elástico da tanga e a baixou devagar, sem tirar os olhos dos três. O tecido ficou enroscado por um momento na coxa. Ergueu a saia com um gesto lento, puxando-a até a cintura, e a segurou apertada contra o ventre.
Seu pau apareceu à vista. Duro, mediano, com a pele esticada e a glande molhada, uma gota de líquido pré-goz pingando da ponta e escorrendo devagar. Embaixo, os ovos recolhidos contra o corpo. As pernas longas, depiladas, as coxas firmes dos saltos.
O silêncio que se seguiu durou talvez quatro segundos.
— Caralho — murmurou Sebastián, e levou a mão à própria rola sem pensar, apertando-a na base.
Julián não disse nada. Engoliu em seco. Camila viu a maçã de Adão mexer na garganta dele.
Marcelo deu um passo à frente.
— Para — disse Camila.
Ele parou na hora.
— Ajoelha.
E ele obedeceu. O executivo que na semana anterior tinha presidido uma reunião de resultados anuais se deixou cair de joelhos no carpete com a mesma naturalidade com que assinava documentos. Agora olhava para cima e ela para baixo, e nenhum dos dois fingiu que aquilo era outra coisa além do que era.
— Chupa pra mim — disse ela, e o verbo saiu limpo, sem hesitar—. Devagar. Quero sentir a língua, não os dentes. Se você acelerar sem eu mandar, eu paro e dou pra outro. Ficou claro?
— Sim — respondeu Marcelo com a voz mudada.
— Abre a boca.
Ele abriu. Camila agarrou a rola dele com uma mão e a apoiou sobre a língua dele, sem enfiar tudo ainda. A glande molhada deixou um rastro brilhante no lábio inferior. Marcelo fechou os olhos por um instante.
— Me olha — ordenou ela.
Ele abriu os olhos.
— Agora.
O calor da boca foi imediato e completo. Camila apertou a borda da mesa com a outra mão e deixou a cabeça cair para trás por um segundo, o cabelo solto roçando nas escápulas, antes de voltar a baixá-la para não perder o espetáculo. Marcelo tinha começado pela ponta, lambendo a glande com cuidado, recolhendo o líquido pré-gozo com a língua plana antes de enfiar a rola na boca até a metade. A língua trabalhava com uma honestidade atrapalhada — pressão demais em alguns momentos, ritmo demais em outros — mas com uma vontade evidente que compensava o resto.
— Mais devagar — repetiu Camila, e agarrou o cabelo dele com a mão livre—. Abre melhor. Faz espaço com a língua. Assim.
Ela corrigiu. A saliva começou a escorrer pelos cantos da boca dele e a pingar do queixo até o peito nu. Camila empurrou os quadris para a frente, dando a ele o controle de quanto entrava, e a rola lhe veio até o fundo da garganta. Marcelo engoliu em seco. Tossiu por um segundo. Voltou a abrir mais a boca.
— Isso. Bom menino. Até o fundo.
Sebastián se aproximou por trás sem que ela pedisse. Afastou o cabelo do pescoço dela com dois dedos e mordeu a pele entre o ombro e a orelha, os dentes deixando uma pressão que não chegava a doer, mas também não sumia. Camila sentiu a rola duríssima de Sebastián cravando-se no baixo das costas através da saia erguida, deixando um rastro quente de líquido na pele nua do quadril. Ele começou a desabotoar a blusa dela de cima, botão por botão, sem pressa. Quando abriu o tecido, agarrou os peitos com as duas mãos e beliscou os mamilos ao mesmo tempo, puxando-os com a força exata para que Camila gemesse por cima da rola que estava na boca de Marcelo.
— Porra, que duros você tem — murmurou Sebastián contra a orelha dela, roçando a rola no bumbum dela por cima da saia—. Tô imaginando isso há meses.
— Então me olha agora — disse ela, virando a cabeça para encará-lo—. E aprende.
Julián permaneceu onde estava, olhando, com a rola na mão se apertando devagar. Esperando instruções.
— Vem — disse Camila, apontando com dois dedos para um ponto bem diante do rosto dele—. Quero a tua na boca enquanto esse me chupa.
Julián obedeceu sem falar. Chegou mais perto até deixar a glande grossa a um palmo dos lábios dela. Camila pôs a língua para fora e lambeu a ponta, recolhendo a gota de pré-gozo que pendia ali, e então a levou inteira à boca de um só movimento, o que fez Julián fechar os olhos e soltar o primeiro gemido da noite.
— Isso, assim — murmurou Camila ao tirá-la por um segundo—. Sua rola é linda. Bem grossa. Enfia até o fundo.
E a colocou de volta sozinha na boca.
***
O que veio depois foi uma coreografia sem ensaio. Camila a conduziu com instruções curtas e precisas, e os três a escutaram com uma atenção que não tinha nada de servil: era algo mais próximo do reconhecimento, aquele que acontece quando alguém sabe exatamente o que quer e não tem nenhuma dúvida ao pedir.
— Senta aqui — disse para Marcelo, separando a rola da boca dele com um fio de saliva pendendo entre os dois. Apontou a cadeira ao fundo, de encosto reto—. Essa.
Ele obedeceu. Sentou-se com as pernas abertas e a rola apontando para o teto, brilhando de saliva, inchada e pulsando no ritmo do pulso.
— Molha bem — disse Camila, cuspindo na palma e descendo para pegá-lo. Agarrou a rola com a mão cheia de saliva e a esfregou devagar, da base à glande, espalhando o lubrificante natural por todo o comprimento—. Não quero ir seca.
Ela ergueu a saia até a cintura. Deu as costas para Marcelo e se colocou de costas sobre ele, uma mão no braço da cadeira para se estabilizar, a outra guiando a rola até o cuzinho. Encostou a glande no buraco e ficou assim um segundo, respirando, deixando o calor do prepúcio abrir um pouco a entrada antes de empurrar.
— Não se mexe — murmurou—. O ritmo sou eu que mando. Se você gozar antes de eu mandar, nunca mais me fode. Entendido?
— Entendido — disse Marcelo com a voz rouca.
Ela começou a descer. Centímetro por centímetro. A glande pressionou, o primeiro anel de músculo cedeu e começou a entrar. O calor foi intenso, o atrito mais ainda, a ardência exatamente na fronteira entre dor e prazer. Ela cerrou os dentes e soltou o ar pelo nariz bem devagar, medindo cada segundo, deixando o corpo se acostumar a tê-lo dentro. Quando chegou até o fundo e sentiu os ovos de Marcelo contra o próprio cu, gemeu longo, os olhos semicerrados.
— Caralho — murmurou—. Que grossa você tem.
A própria rola tinha voltado a ficar duríssima à frente dela, surgindo entre a saia erguida e o ventre, pingando.
Sebastián se ajoelhou atrás dela sem que ela pedisse, intuindo. A língua que ela sentiu entre as coxas foi fria no começo, explorando com cautela, lambendo os ovos por baixo enquanto a rola de Marcelo continuava cravada em seu cu. Camila contraiu os músculos sem querer em resposta, e Marcelo soltou um gemido por baixo dela. Depois a língua de Sebastián subiu pelo períneo, percorrendo o espaço entre os ovos e o buraco, lambendo em círculos ao redor do ponto onde a rola de Marcelo lhe abria o cuzinho.
— Ai, porra, continua aí — gemeu Camila—. Bem aí.
Sebastián continuou. Enfiou a língua entre o cu dela e a rola de Marcelo, lambendo os ovos de Marcelo no processo, subindo de novo até o buraco esticado, lambendo as bordas onde a pele se tensionava com a penetração. Cada passada de língua lhe mandava um choque pela coluna.
Julián se colocou diante dela, em pé. Tinha a rola na altura certa para que Camila pudesse lambê-la sem se abaixar demais. Ela a agarrou com a mão e começou a chupá-la, ditando o ritmo, afundando a cabeça devagar até deixar a glande batendo no fundo da garganta e subindo de novo. Julián pôs uma mão na nuca dela, sem empurrar, só deixando-a ali.
Começaram a se mover.
Devagar no começo. O ritmo era ela quem marcava: quando subia os quadris deixando a rola de Marcelo sair até a glande, quando descia de repente até se empalar até o fundo, como inclinava a pelve para senti-la mais fundo, o que era permitido e o que não era. Os três respondiam ao corpo dela com aquela concentração que ela só tinha encontrado em homens que entendiam que prazer não é um direito, mas uma consequência de prestar atenção.
— Assim — dizia quando algo funcionava.
— Para — dizia quando não.
E eles paravam.
— Mais forte — ordenou a Marcelo em certo momento, agarrando-se aos braços da cadeira com as duas mãos para ganhar impulso—. Empurra de baixo. Me fode de verdade.
Marcelo cravou as mãos nos quadris dela e começou a empurrar de baixo num ritmo que ela já não controlava, levantando-lhe o cu do assento a cada investida, a rola entrando até o fundo, os ovos batendo nos dela com um som úmido e constante. Sebastián teve de se afastar por um segundo, mas voltou logo, agora lambendo os mamilos dela por trás, uma mão pela frente apertando a rola de Camila e masturbando-a devagar no ritmo das investidas de Marcelo.
— Porra, você solta tanto líquido como se fosse gozar já — murmurou Sebastián contra o pescoço dela, mostrando os dedos brilhantes que acabara de retirar da glande de Camila.
— Chupa os dedos — disse ela sem parar de chupar Julián.
Sebastián enfiou os dois dedos na própria boca e os lambeu.
— Bom gosto.
— Da próxima vez eu engulo a tua inteira.
Camila voltou a se concentrar em Julián. Ele estava perto. Ela percebia pela tensão dos ovos toda vez que os apertava com a mão livre, pela forma como os quadris dele se sacudiam sem querer.
— Você ainda não pode gozar — avisou, tirando-a por um segundo, encarando-o nos olhos—. Quero o gozo na cara, não na boca. E quero no final, não agora.
— Porra — murmurou ele—. Tá bom.
Ela o afastou por um instante. Fez sinal para Sebastián.
— Você, vem aqui. Sai de trás. Fica na frente.
Sebastián se levantou do chão, com a rola pendendo pesada e pingando, brilhante do próprio cuspe. Ficou em pé diante dela, no mesmo lugar onde Julián estava um segundo antes.
— A tua também — disse Camila, agarrando as duas rolas ao mesmo tempo com uma mão e a outra. Apoiou uma na outra e começou a chupar a glande de Sebastián primeiro, depois a de Julián, alternando, lambendo a junção, enfiando as duas pontas na boca ao mesmo tempo quando conseguia—. Quero as duas juntas.
Enquanto isso, Marcelo continuava a foder por baixo, agora mais devagar porque ela tinha ordenado para ele não acabar antes da hora, mas afundando a rola até o fundo a cada investida e fazendo-a gemer por cima dos paus que tinha na boca.
O suor lhe formou um fio na coluna que descia até o cóccix. Seus próprios gemidos se misturavam aos dos três homens, cada um com timbre e urgência diferentes. Marcelo rosnando do peito a cada investida por baixo, Sebastián ofegando com os dentes cerrados, Julián com um gemido grave quase contínuo. A sala de reuniões encheu aquele espaço habitual de silêncio institucional com uma densidade que o cômodo nunca tinha tido em suas horas de uso regular. O gráfico de vendas continuava no quadro, indiferente ao ruído úmido dos paus entrando e saindo, ao cheiro de sexo e suor que já começava a impregnar o carpete.
Camila sentiu o orgasmo se construir de baixo para cima, devagar e sem pressa, como uma pressão enchendo um reservatório que demorasse muito para transbordar. Subia do cu que tinha aberto e pulsando em torno da rola de Marcelo, percorria os ovos, concentrava-se na base da sua própria rola. Ela se manteve na beira por mais tempo do que teria previsto, saboreando aquela tensão que era metade sensação física e metade algo mais difícil de nomear: o prazer de três homens acostumados a ocupar espaço, a fazer o mundo girar ao redor de suas decisões, esperarem agora suas instruções com atenção genuína, com os paus duros nas mãos ou dentro do corpo dela, sem se mexer até que ela decidisse.
Ela tirou os dois paus da boca. Se apoiou nos braços da cadeira. Se ergueu um pouco para pegar ângulo.
— Agora todos — ordenou—. Marcelo, me fode forte. Como se não houvesse amanhã. Vocês dois, na cara, os dois ao mesmo tempo. Vocês gozam quando eu gozar.
Não era necessário dizer mais. Os três entenderam.
Marcelo cravou os dedos nos quadris dela e começou a investida de baixo em um ritmo que ela já não controlava, levantando-lhe o cu do assento a cada impulso, a rola entrando até o fundo, os ovos batendo nos dela com um som úmido e constante. Sebastián e Julián se colocaram um de cada lado do rosto dela, se masturbando rápido, os paus a centímetros de seus lábios e suas bochechas.
Camila agarrou a própria rola com a mão que lhe restava livre e começou a batê-la rapidíssimo, sincronizando-se com as investidas de Marcelo por baixo. O orgasmo veio longo, com sacudidas que percorreram sua coluna dos quadris até os ombros. O primeiro jorro saiu por cima do ombro de Sebastián e manchou o quadro branco da apresentação, deixando um pingo branco em cima do gráfico de barras. O segundo caiu no próprio ventre dela. Ela continuou gozando em espasmos, gemendo de boca aberta.
Sentiu Marcelo se tensionar debaixo dela ao mesmo tempo, a rola inchando dentro dela um segundo antes de chegar o calor interno que reconheceu sem palavras: o primeiro jorro de sêmen contra a parede do cu, depois o segundo, depois um terceiro mais fraco, a rola pulsando a cada descarga.
— Porra, porra, porra — ofegava Marcelo contra a nuca dela—. Porra, que cu, porra.
Sebastián foi o seguinte. Ela tinha visto isso vir pela forma como a mão dele tinha acelerado. O primeiro jorro caiu na bochecha e no lábio dela, quente, espesso, escorrendo pelo queixo. O segundo manchou o pescoço. Camila pôs a língua para fora e lambeu a glande dele para tirar as últimas gotas, encarando-o nos olhos.
— Bom menino — murmurou—. Aguenta muito.
Sebastián riu ofegante, sem ar.
Julián foi o último; Camila o encarou diretamente quando aconteceu, sem desviar os olhos, com a boca aberta e a língua para fora. O primeiro jorro entrou direto na boca dela e ela engoliu. O segundo caiu na outra bochecha, se misturando ao de Sebastián. O terceiro manchou o peito dela. Camila não deixou de encará-lo nem por um segundo, e pareceu ser exatamente o que faltava para Julián se sacudir com um gemido grave que saiu das entranhas e dobrar os joelhos até ter de se apoiar na mesa.
Camila ficou assim um instante. A cara cheia de sêmen dos dois, o dela própria escorrendo pelo ventre, a rola de Marcelo ainda enterrada no cu perdendo devagar a dureza, pulsando os últimos restos do orgasmo dentro dela. Fechou os olhos. Soltou o ar bem devagar.
Depois, sem pressa, ergueu os quadris e sentiu a rola mole saindo do buraco, seguida de um filete de sêmen morno que desceu pela parte interna da coxa. Pegou aquilo com dois dedos e levou os dedos à boca, encarando Marcelo enquanto os lambia.
***
Quando tudo terminou, a sala cheirava a calor humano, suor, sêmen e esforço. Camila tomou seu tempo. Pegou alguns lenços de papel da caixa que havia sobre a mesa de vidro e limpou o rosto com calma, recolhendo o sêmen da bochecha, do pescoço, do lábio. Outro lenço para o ventre. Outro para a parte interna da coxa. Dobrou-os e jogou no lixo junto com o papel de um doce que estava ali desde segunda-feira. Pegou a tanga do chão, dobrou-a e a guardou na bolsa — ela não pensava em vestir aquilo de novo daquele jeito —. Ajustou a saia com as duas mãos. Abotoou a blusa, dois botões do meio que tinham ficado abertos, outro de cima que tinha se soltado em algum momento. Pegou os saltos do carpete e os calçou em pé, primeiro um, depois o outro, com a mesma calma com que os tinha tirado meia hora antes.
Os três homens continuavam sentados ou recostados, os paus moles pendendo, o cansaço visível nas posturas e na forma como evitavam se olhar entre si.
Marcelo foi o primeiro a falar.
— Isso foi…
— Eu sei — disse Camila, sem se virar.
Ela conferiu o cabelo no reflexo escuro da tela desligada do painel digital. Estava aceitável. Depois pegou a bolsa do chão e a jogou no ombro.
— Na quinta-feira tem reunião de equipe — disse, olhando-os de frente—. Não se atrasem.
Sebastián soltou uma risada baixa, daquelas que saem quando algo é mais verdade do que deveria.
Julián passou a mão pelo rosto — sujando a palma com um resto do próprio sêmen que tinha ficado no queixo — e sorriu devagar.
Marcelo assentiu, sem tirar os olhos dela.
Camila apagou a faixa de emergência ao sair. No corredor, os fluorescentes continuavam zumbindo com a mesma indiferença de sempre, alheios a tudo o que tinha acontecido do outro lado daquela porta. Apertou o botão do elevador e esperou com a bolsa presa ao antebraço, olhando os números acima das portas. Sentia o sêmen de Marcelo ainda dentro, escorrendo devagar a cada passo.
Quando as portas se abriram e ela entrou, se viu refletida no espelho de aço escovado do interior: o pescoço marcado pelos dentes de Sebastián, o cabelo solto, a blusa que não estava exatamente igual à de manhã. O ralado do salto podia esperar até amanhã.
Ela sorriu.
A tensão de antes tinha desaparecido. Não havia pressão, não havia o peso surdo de carregar o corpo como um terno que não terminava de servir. Só o cansaço limpo de quem sabe exatamente o que quer e naquela noite conseguiu.
As portas se fecharam.
O elevador desceu em silêncio até o térreo.