Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

Quando Rodrigo descobriu meu lado mais secreto

5(1)

Tenho vinte e sete anos, moro em Zapopan e, desde criança, eu sabia que algo em mim não se encaixava no que esperavam de mim. Não foi uma revelação dramática nem um momento específico: foi mais uma acumulação silenciosa de coisas que me atraíam e que eu aprendi a guardar. A roupa feminina, os gestos, a forma como certas mulheres se moviam por um cômodo. Tudo isso fui internalizando com a mesma disciplina com que depois aprendi a treinar.

No dia a dia, sou completamente invisível. Ninguém no trabalho, ninguém na minha família, ninguém na academia desconfia de nada. Mas, em privado, me transformo em Valentina, e essa parte de mim é tão real quanto qualquer outra. Eu a cuido, a ensaio, a aperfeiçoo em silêncio há anos.

Rodrigo chegou à academia há dois anos. Tinha cinquenta e cinco, embora carregasse bem a idade: costas largas, barba grisalha, mãos grandes. Um daqueles homens que não precisam provar nada a ninguém porque o tempo já fez isso por eles. Desde o primeiro dia em que o vi no vestiário, soube que eu gostava dele, e também soube que era um pensamento que eu devia guardar com o mesmo cuidado com que guardava tudo o resto. Uma vez o vi sair do chuveiro com a toalha no ombro e uma pica grossa pendurada entre as pernas, ainda meio inchada da água quente, e aquela imagem ficou gravada em mim por semanas inteiras.

Fomos nos conhecendo aos poucos, como costuma acontecer entre pessoas que coincidem no mesmo espaço várias vezes por semana. Ele me contou que era divorciado, que morava sozinho em um apartamento na Lafayette, que os filhos já eram grandes. Coisas de conversa. Nada que sugerisse o que viria depois.

Uma quinta-feira à tarde, enquanto guardávamos as coisas depois do treino, Rodrigo se apressou mais do que o normal. Tomou banho em dez minutos, se trocou às pressas e, quando passou por mim, disse quase de passagem:

— Hoje tenho planos. Um encontro.

— Alguém especial? — perguntei, sem pensar muito.

— Bastante especial, sim. — Fez uma pausa. Conferiu se não havia ninguém perto e baixou a voz —. É uma garota trans. Travestis, transexuais, como você quiser chamar. Já tive antes e é difícil voltar ao de sempre depois disso. Uma vez que você experimenta, foder com uma mulher normal fica chato.

Fiquei parado por um momento.

— Desde quando? — foi a única coisa que consegui dizer.

— Desde que me separei. Decidi experimentar coisas que nunca tinha me permitido. — Jogou a bolsa no ombro e sorriu —. Não me arrependo de nenhuma. Gosto de como mamam, de como se oferecem, de como apertam quando você mete nelas. Não tem comparação.

Ele foi embora apressado, com aquele sorriso. E eu fiquei pensando por dias no que ele tinha dito, com o pau duro dentro da calça de moletom toda vez que me lembrava da frase.

***

Três semanas depois, ele me escreveu numa terça-feira às seis da tarde.

— Ei, tenho uns documentos do trabalho que não entendo muito bem. Você pode me ajudar a revisar? Se quiser, passa no meu apê e depois vamos juntos pra academia, pra não levar os dois carros.

Aquele dia eu tinha saído duas horas antes do escritório. Tinha tempo. E, na mochila, como sempre, eu levava minhas coisas de Valentina. Roupa, peruca, maquiagem, saltos. Tudo, absolutamente tudo, por via das dúvidas. Sempre por via das dúvidas.

— Claro, tô indo praí — respondi —. Em quinze minutos chego.

Enquanto dirigia até o prédio dele, senti que o “por via das dúvidas” finalmente tinha chegado.

Rodrigo me abriu a porta de moletom e camiseta. O apartamento era simples, limpo, com uma tela grande na sala e cheiro de café fresco. Sentei diante do computador dele e começamos a revisar o que ele precisava.

Em algum momento ele parou de falar dos documentos.

— Você lembra do que eu te contei na academia? — disse do sofá.

— Do seu encontro — respondi sem me virar.

— É. Desde então, não consigo tirar isso da cabeça. — Houve uma pausa —. Na segunda, na academia, eu não conseguia parar de olhar pra você. Quando você fez perna com aquela roupa colada... meu pau subiu ali mesmo, tive que me virar pra não ficar evidente. — Ele parou —. Nunca pensou em experimentar uma coisa assim?

Respirei devagar antes de responder.

— Que tipo de coisa assim? — perguntei, embora soubesse exatamente a que ele se referia.

Ele se levantou. Caminhou até onde eu estava sentado e me disse com voz tranquila:

— Me ajuda a passar uma boa tarde? Que você me chupe, que eu te coma, o que sair.

Tirou da carteira quatro notas e as colocou sobre a mesa sem drama, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Se não te interessa, a gente esquece — acrescentou —. Sem problema, continua tudo como sempre, amigos.

Olhei para ele. Olhei para as notas. Pensei na mochila que eu tinha deixado no carro.

— Me dá dez minutos — falei —. Eu desço pegar uma coisa e depois você decide se vai se arrepender de ter me chamado.

Desci quase correndo.

***

Quando voltei, Rodrigo tinha ligado algo na tela da sala. Ele apontou o banheiro do corredor e eu balancei a cabeça.

— Prefiro seu quarto, se não se importar.

Fechei a porta e comecei a me transformar. Meia arrastão até meio da coxa com cinta-liga, calcinha tipo biquíni em cetim preto, sutiã combinando, saia lápis azul-escura, blusa de seda cor creme, peruca castanha longa e ondulada, saltos agulha de couro preto. Levei o tempo que precisava com a maquiagem: lábios escuros, contorno suave, rímel nos cílios. Valentina precisa do seu tempo. Sempre precisou.

Quando saí para o corredor, o som dos meus saltos no piso de madeira foi a primeira coisa. Rodrigo espiou da sala antes de eu chegar, atraído por aquele som que claramente reconhecia. Me olhou de cima a baixo sem dizer nada por três segundos inteiros e vi a saliência se marcar de imediato contra o moletom.

— Meu Deus — murmurou —. Como você se chama?

— Valentina. — Usei a voz que pratico, a que sai sozinha quando estou assim —. Mas você pode me chamar como quiser.

— Valentina — repetiu, saboreando a palavra —. Eu sou Rodrigo. E, a partir de hoje, você pode me chamar do que quiser. Puta, meu amor, minha safada, o que te der na telha.

Eu ri. Ele era direto. Eu gostava disso nele desde o primeiro dia.

— Tá com fome? — perguntei.

— Como é?

— Se tá com fome. Senta que eu cuido disso.

Fui pra cozinha e, com o que encontrei na geladeira, preparei algo simples: ovos com presunto, feijão, tortilhas quentes. O som dos saltos no piso da cozinha misturado ao chiado do óleo e ao murmúrio da tela ligada na sala. Rodrigo não saiu do sofá, mas também não parou de me olhar toda vez que eu cruzava em direção à mesa, com os olhos cravados na minha bunda apertada dentro da saia lápis.

Sirvi um tequila para ele enquanto esperávamos. Ele trouxe outro para mim, embora eu quase não beba.

— Vamos brindar — disse, erguendo o copinho —. Aos segredos que valem a pena.

— E aos homens que sabem guardá-los — respondi.

Brindamos duas vezes. No segundo copinho, senti o calor se espalhar do peito para fora e algo em mim se soltou: aquela tensão de fundo que eu sempre carrego quando estou assim, fora do meu quarto.

Comemos devagar, falando pouco. Rodrigo tinha aquela qualidade dos homens seguros: não precisava preencher o silêncio. Me perguntou algumas coisas sobre mim, sobre há quanto tempo eu era Valentina, se eu tinha parceiro, o que eu buscava. Respondi com honestidade, talvez mais do que responderia sem o tequila.

— Eu sou assim há anos — disse a ele —. Muito no armário, muito discreto. Ainda não posso ser de outro jeito. Família, trabalho, tudo isso.

— Entendo perfeitamente — disse ele —. Eu também preservo aparências. Mas aqui, neste apartamento, podemos ser o que quisermos.

Houve um momento de silêncio.

— O que você está dizendo exatamente? — perguntei.

— Que eu gostaria de você como meu par. Discreto, casual, só nosso. Sem ninguém mais saber de nada. — Ele me encarou sem desviar os olhos —. Você quer ser minha namorada, Valentina?

Não respondi de imediato. Olhei para ele, olhei para o apartamento, pensei nos anos que passei esperando que alguém me visse assim e me pedisse dessa forma, sem que eu tivesse que explicar nada nem pedir desculpa por nada.

— Sim — disse por fim —. Quero.

***

O primeiro beijo foi lento. Rodrigo colocou uma mão na minha mandíbula e me virou para ele com uma segurança que fez algo nos meus joelhos ficar instável. A boca dele cheirava a tequila e café. A barba roçava de leve. Nos beijamos por minutos inteiros sem que nenhum de nós desse sinal de parar, com a língua enfiada até a garganta, a saliva se misturando entre as duas bocas, enquanto ele apertava minha nuca com uma mão e com a outra apertava uma nádega por cima da saia.

As mãos dele percorreram meus ombros, minhas costas, a curva do quadril. Ele parou nas meias, na cinta-liga, e eu percebi: a respiração dele mudou. Aquela mudança tão pequena e tão reveladora. Ele colou em mim e senti o pau duríssimo pressionando minha barriga através do tecido do moletom.

— Vem — disse.

Ele me levou ao sofá. Beijou meu pescoço, desceu pela clavícula, abriu minha blusa devagar, botão por botão, como quem desembrulha alguma coisa que vai devorar. Quando chegou no sutiã, tirou sem dificuldade, com a habilidade de quem sabe o que faz, e começou a chupar meus mamilos um de cada vez, mordiscando com os dentes o suficiente para me arrancar um gemido a cada vez. Eu já os tinha sensíveis, e com a língua quente girando ao redor e a barba raspando na pele, eles ficaram duros como pedra.

— Que tetinhas gostosas — murmurou contra meu peito —. Olha como elas ficam.

A mão dele desceu por baixo da saia, ergueu-a até a cintura, e ele me apalpou por cima da calcinha de cetim, sentindo o volume que já começava a crescer ali. Enfiou os dedos por dentro do elástico e agarrou meu pau na mão sem cerimônia, apertando com firmeza enquanto continuava sugando meus mamilos.

— E isso aqui também eu vou comer — disse —. Tudo isso.

Ninguém nunca tinha me tocado assim.

Ele me ergueu nos braços, o que eu não esperava, e me levou para o quarto. Deitou-me na cama e ficou de pé, me olhando por um instante: eu com as meias, a cinta-liga, a calcinha de cetim e os saltos ainda calçados, a blusa aberta e os peitos ao ar, a saia amassada subindo sobre os quadris.

— Fica assim — pediu —. Não se mexe.

Ele se ajoelhou na beira da cama e me beijou das pernas para cima, com calma, parando onde bem entendesse. Quando chegou na calcinha, puxou-a para o lado sem tirar de todo, e meu pau saltou para fora, duro, a ponta já molhada de líquido pré-ejaculatório. Rodrigo o olhou por um segundo longo antes de agarrá-lo com a mão e descer a boca sobre ele de um só movimento.

Prendi o ar. Ele o colocou inteiro na boca, até o fundo, e começou a me chupar com uma destreza que me deixou colado ao colchão. A língua dele dava voltas na glande, os lábios apertavam o corpo do pau, e de vez em quando ele descia para lamber meus ovos, chupando um por um enquanto me acariciava com a mão. Ele sabia perfeitamente o que fazia. Não era a primeira vez dele, isso ficou claro nos primeiros trinta segundos.

— Ai, Rodrigo — escapei sem querer, com a voz de Valentina feita em fiapos —. Assim, assim, chupa assim.

Ele respondeu com um rosnado baixo, a boca cheia, e engoliu de novo até a raiz. Me chupou por minutos, sem pressa, enquanto com a outra mão apalpava minha bunda por cima das meias, enfiando um dedo por baixo da calcinha, roçando só de leve a entrada, me provocando. Eu empurrava os quadris para cima, buscando a boca dele, buscando o dedo, buscando qualquer coisa que me desse mais.

— Vira — ordenou de repente, tirando o pau da boca com um som molhado —. Fica de joelhos de frente para o colchão.

Obedeci sem pensar. Ajoelhei no chão, com os saltos apontando para trás, o peito apoiado na cama e a bunda levantada. Rodrigo ficou atrás de mim, abaixou minha calcinha até metade das coxas, e senti as mãos dele abrirem minhas nádegas com firmeza. Depois a língua quente, larga, molhada, lambendo meu buraco de cima a baixo.

Escapei um gemido longo. Ele estava me comendo o cu com a mesma dedicação com que antes tinha chupado meu pau. A língua entrava e saía, empurrava, girava, e as mãos dele me mantinham aberto sem me deixar mexer. A barba me arranhava as nádegas e até esse detalhe estava me deixando louco.

— Que bundinha bonita você tem — disse, afastando-se por um segundo —. Dá pra ver que você cuida dela.

— É toda sua — respondi, apertando o rosto contra o lençol —. Continua, por favor. Não para.

Ele enfiou um dedo. Depois dois. Movia devagar, procurando dentro, e quando tocou o ponto certo, minha coluna arqueou sozinha. Eu mordia o lençol para não gritar tão alto.

Em algum momento me virei. Baixei o moletom dele e o tive diante de mim, duro e quente, grosso, recoberto de veias grossas, com a glande brilhante e uma gota transparente pendurada na ponta. Era exatamente a rola que eu tinha imaginado no vestiário, e agora ela estava a um centímetro da minha boca. Eu a peguei com cuidado, lambi da base à glande em uma única passada e a meti na boca devagar para me acostumar ao peso e à textura. As mãos dele pousaram no meu cabelo, suaves no início, depois com mais pressão. Os sons que ele fazia eram baixos, contidos, o que fazia cada um valer mais do que se ele estivesse gritando.

— Você faz isso muito bem — murmurou —. Devagar, assim. Puta, chupa tudo pra mim.

Levei-o até a garganta. Tossi uma vez, engoli saliva, e voltei a metê-lo mais fundo. Ele segurava minha cabeça com as duas mãos agora, marcando o ritmo, me empurrando contra o quadril. A rola batia no fundo da minha garganta e eu deixava os olhos encherem de água sem me afastar. A saliva escorria pelo meu queixo, caía nos meus peitos, e ele baixava os olhos e sorria daquele jeito que os homens fazem quando veem que a mulher está fazendo o que eles querem.

— Assim, meu amor, assim, engole tudo.

Ele tirou da minha boca de repente. Bateu o pau contra meus lábios, contra minhas bochechas, me lambuzando de saliva o rosto inteiro antes de enfiá-lo de novo. Eu o chupava com fome real agora, com as mãos apoiadas nas coxas dele, ouvindo-o respirar cada vez com mais dificuldade, sabendo que era eu quem o deixava assim. Chupei também os ovos dele, um por um, metendo-os inteiros na boca, enquanto com a mão continuava a masturbá-lo devagar.

— Basta, basta — ele ofegou, afastando minha cabeça —. Se continuar, eu gozo já, e não quero, ainda não.

***

Depois nos deitamos na cama. Rodrigo tirou uma camisinha da mesinha de cabeceira e um frasco de lubrificante, o que me disse que aquela não era a primeira vez dele com alguém como eu. Ele colocou a camisinha devagar, com o pau tão inchado que as veias latejavam visíveis. Passou lubrificante no meu cu com dois dedos, empurrando-os para dentro, girando-os em círculos para me abrir. Passou mais um pouco na pica, lambuzando-a bem de cima a baixo.

Colocou almofadas sob minhas costas. Instintivamente, levantei as pernas e as abri, as meias tensas contra as coxas, os saltos apontando para o teto. Nos olhamos. Ele se acomodou devagar entre minhas pernas, sem pressa, procurando o ângulo certo, apoiando a glande contra a minha entrada.

A entrada foi gradual. Ele fez a entrada ser gradual de propósito, isso eu notei desde o começo. Empurrou um pouco, parou, empurrou de novo. A cabeça entrou primeiro, com um pouco de resistência, e soltei um gemido longo quando o aro cedeu. Depois o resto, centímetro por centímetro, até sentir os ovos dele contra minhas nádegas. Ele perguntou com os olhos se eu estava bem, e eu assenti toda vez. Quando finalmente esteve completamente dentro, ficou imóvel por um momento e eu também não me mexi. Só a sensação de estar cheio, de calor, de algo que eu imaginava há anos e que finalmente era real, concreto e meu.

— Você tá bem? — perguntou.

— Muito bem — respondi, e era absolutamente verdade —. Mete tudo. Me fode logo, Rodrigo, por favor.

Ele começou a se mover. Devagar primeiro, encontrando o ritmo, tirando-a quase inteira e enfiando de novo até o fundo. As mãos dele seguravam meus quadris com firmeza, sem apertar demais. Ele beijava meu pescoço, meu ombro, minha boca quando se inclinava sobre mim. Eu tinha as mãos nas costas dele, sentindo os músculos se contraírem a cada investida, e as pernas enroladas na cintura dele, com os saltos cruzados na altura dos rins.

— Que delícia — disse ele no meu ouvido, aumentando o ritmo —. Que apertadinho, amor. Que cuzinho você me deu.

— Não para — respondi, mordendo o ombro dele —. Não tira, não tira ainda. Mete mais forte.

Ele começou a foder mais duro. A cama rangia sob nós, a cabeceira batia na parede com um ruído ritmado, e os ovos dele chocavam contra minhas nádegas produzindo um som molhado que enchia o quarto. Meu próprio pau quicava entre nossos ventres, duro a ponto de já doer, e ele percebeu e o agarrou com a mão, começando a me masturbar no mesmo ritmo com que me fodava.

— Vou gozar — avisei, cerrando os dentes —. Assim eu não aguento muito.

— Aguenta, ainda não — disse, e soltou meu pau —. Falta.

Em um momento, ele me virou com suavidade. Eu fiquei de quatro, arqueei as costas, apoiei a testa no travesseiro e levantei bem alto a bunda. Ele se acomodou atrás e me enfiou de um só golpe, tudo de uma vez, e eu gritei contra o travesseiro. Daquele ângulo tudo era mais intenso, mais fundo. Sentia a pica tocar meu fundo a cada estocada, tocando aquele ponto dentro de mim que me fazia ver luzes.

As mãos dele percorriam meus lados, minhas costas, paravam nos quadris para empurrar com mais força quando eu pedia com um movimento ou um som. Ele me agarrou pelo cabelo, envolvendo a peruca no punho, e puxou para trás até eu arquear mais. Com a outra mão me deu uma palmada seca na bunda, que ecoou no quarto.

— Pra quem você está dando esse cu, Valentina — ele disse, me fodendo com força.

— Pra você, Rodrigo, só pra você, tudo seu.

— De quem é essa bundinha?

— Sua, meu amor, sua.

Outra palmada. Outra estocada até o fundo. Não precisava dizer muita coisa. Ele entendia, eu entendia, e nós dois estávamos onde queríamos estar.

Depois ele se deitou de costas e me indicou com um gesto que eu montasse. Me acomodei, agarrei a pica com a mão para posicioná-la e fui me sentando devagar até ficar por cima. Comecei a me mover, primeiro subindo e descendo lentamente, depois com mais ritmo, cavalgando-o com as pernas abertas e as meias tensas ao redor dos quadris dele. À nossa frente estava o espelho do armário e, por um instante, parei só para olhar: eu em cima dele, as meias ainda vestidas, os saltos cravando no colchão, a peruca desalinhada caindo sobre os peitos ao ar, meu pau quicando na barriga a cada movimento, e a expressão dele de concentração e prazer enquanto segurava meus quadris com as duas mãos.

Era uma imagem que eu não sabia que queria ver até tê-la na minha frente. Fiquei me olhando no espelho, vendo-me cavalgar Rodrigo, vendo a pica entrar e sair entre minhas nádegas, e agarrei a minha e comecei a me masturbar sem parar de me mover em cima dele.

— Se olha — ofegou ele, olhando também para o espelho —. Se olha que puta você tá, montando em mim assim.

— Eu sou sua puta — respondi, com a respiração cortada —. Sua puta, Rodrigo.

Senti ele se tensionar por baixo de mim. A respiração dele se fragmentou, os músculos endureceram sob minhas mãos, os quadris empurraram para cima com mais força sem eu pedir, me golpeando por baixo enquanto eu descia. Ele me agarrou pela cintura com as duas mãos e começou a me mover sobre ele como se eu não pesasse nada, me subindo e descendo no ritmo dele, afundando o pau até a raiz a cada vez.

— Vou gozar — rosnou —. Vou gozar dentro, amor.

— Isso, goza, goza dentro.

Ele gozou com um som grave e prolongado, arqueando as costas contra o colchão, apertando meus quadris com tanta força que no dia seguinte eu ia ter as marcas dos dedos dele. Senti as investidas finais, cada uma mais profunda, e mesmo que a camisinha levasse o sêmen embora, senti cada pulsação da pica dele dentro de mim. Que eu tinha feito algo certo. Que Valentina tinha feito algo certo.

Sem sair de dentro de mim, ele agarrou meu pau com a mão e começou a me masturbar rápido, com firmeza, olhando no meu rosto.

— Agora você — disse —. Goza pra mim, quero te ver.

Não aguentei nem um minuto. Com ele ainda dentro e a mão dele se movendo no meu pau com aquela pressão exata, senti o orgasmo subir desde os pés. Gozei sobre o peito e a barriga dele, jatos grossos que caíram na barba grisalha e nos peitos, enquanto eu tremia em cima dele e apertava o cu ao redor da pica ainda dura. Ele sorria, com meu gozo no rosto, me olhando como se eu fosse a melhor coisa que ele tinha visto em meses.

***

Ficamos na cama sem falar por um tempo, grudentos, suados, com as respirações se normalizando devagar. O teto do apartamento tinha uma mancha de umidade num canto. Eu a observei sem pensar em nada concreto.

— Você tem fantasias? — perguntou Rodrigo por fim —. Coisas que queira experimentar um dia.

Pensei antes de responder.

— Muitas — disse —. Mas vamos começar nos conhecendo bem primeiro.

— Me parece justo. — Ele se virou para mim —. Ainda sou o homem de quem você gostava na academia?

Eu ri.

— Mais — respondi.

Rodrigo sorriu. Passou o braço por cima de mim e eu me aproximei do peito dele sem pensar muito no que aquele gesto significava nem no que viria depois. Do lado de fora, era noite. A academia estaria lá amanhã. O segredo era nosso e, por enquanto, isso era mais do que suficiente.

Ver todos os contos de Trans

Avalie este conto

5(1)

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.