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Relatos Ardientes

A arquiteta que cedeu diante de todos os seus operários

À medida que a luz de Vaeldris se estendia pelas cavernas sem fundo, todo caminho antigo precisava ser pavimentado de novo. Era a única forma de garantir a passagem de soldados, suprimentos e mensagens entre os postos que a cidade fincava na escuridão. Onde antes só havia rocha úmida, agora se erguiam túneis com lanternas de luz jade e pequenas capelas dedicadas a Aurelia, a mártir que havia unido as criaturas das profundezas sob uma única bandeira.

Na borda de um precipício sem fundo, onde um caminho morria e outro precisava começar, foi armada uma modesta equipe de construtores. Sátiros e aracnes, dirigidos por uma única mão.

Essa mão era a de Mirena, uma ninfa arquiteta. Seu corpo lembrava o de uma célula vegetal, cor de água-marinha, quase translúcido por dentro e opaco nas bordas. Vestia roupa formal: uma capa que lhe cobria as costas até arrastar no chão e uns óculos escuros que escondiam seus olhos de esclera negra. Seu cabelo era um tumulto de parede celular, preso numa longa trança amarela. Ninguém teria adivinhado, sob aquela figura solene, o corpo jovem que ela ocultava.

Os sátiros operários eram baixos e rechonchudos, de pelagem parda, com placas de queratina como casco natural e chifres curtos sobre cabeças redondas. As aracnes, por sua vez, douradas e enormes, tinham torso de mulher sobre um corpo de aranha, quatro pares de patas e braços raptoriais que teciam seda de sustentação entre as vigas. Vinte operários, cinco tecelãs. Com isso Mirena tinha de salvar o abismo.

—Mais vinho, arquiteta? —não havia. Só rações secas e prazos impossíveis.

O trabalho começou com o Ciclo. Os sátiros talhavam tijolos da rocha; as aracnes penduravam as vigas com seu fio. Mirena desenhava os planos em sua barraca de campanha, calculando o peso, a distância, os vinte metros de vazio que a separavam da outra margem.

Então chegou o emissário, um sátiro corredor de pelagem alaranjada, com uma ordem seca: a ponte devia ficar pronta o quanto antes. Do contrário, a guarda que os protegia seria enviada para outra frente, e a equipe ficaria à mercê da fauna das cavernas: os centopeias abissais, os kric, as banshees que uivavam na escuridão.

***

O capitão daquela guarda dividia a barraca com ela naquela noite, e a discussão sobre os prazos logo se torceu para outra coisa. Ele tinha o poder de ficar ou ir embora; ela tinha uma única moeda com a qual negociar, e os dois sabiam disso.

—Uma ninfa faz isso de graça —disse ele, enquanto a obrigava a se ajoelhar com um puxão na trança que lhe arrancou um gemido.

Ele abriu a capa e rasgou a blusa na altura do peito para deixar os seios pequenos expostos, duas gotas de água-marinha coroadas por mamilos escuros que se endureceram com o frio da caverna. Depois soltou o cinto, baixou as calças de couro e lhe mostrou bem na cara uma rola grossa, de raiz peluda e glande arroxeada, que já pingava uma gota espessa antes mesmo de tocá-la.

—Abre a boca, arquiteta. Sem dentes. Como tu sabe.

Mirena obedeceu. Passou a língua desde os ovos inchados até a ponta, chupou a gota que pendia e enfiou a glande inteira de uma vez só. O sátiro rosnou, agarrou-a pela trança como se fosse uma rédea e começou a enfiá-la até o fundo. Ela trabalhou com a boca o que a língua não havia conseguido. Tomou tudo, até o fundo da garganta, até o nariz se afundar contra a pelagem áspera da virilha e as lágrimas lhe correrem por baixo dos óculos. A rola pulsava dentro dela, grossa, marcando-lhe a garganta a cada investida, enquanto ele a balançava para frente e para trás como se ela fosse um brinquedo.

—Muito bem, puta. Chupa, chupa, que pra isso tu nasceu.

A saliva começou a escorrer em fios grossos sobre os peitos nus dela. Ele apertou o crânio com as duas mãos e a cravou até o fundo três, quatro, cinco vezes, até ela sentir os ovos batendo no queixo. Quando percebeu que estava prestes a gozar, ela quis se afastar para negociar; o sátiro a impediu fechando as coxas em torno de sua cabeça. Esvaziou-se entre maldições dentro da garganta dela, uma descarga longa e pastosa que lhe encheu a boca até fazê-la tossir sêmen pelo nariz, e a deixou com os lábios trêmulos e o queixo pingando espesso.

Quando terminou, ela ergueu o rosto, engoliu o que ainda tinha dentro e perguntou, com a voz partida, se ele reconsideraria. A resposta foi um tapa que a fez salpicar contra o chão. O sátiro sacudiu as roupas e foi embora sem guarda.

Sozinha em sua mesa, Mirena não chorou. A indignação lhe incendiou a cabeça. Repassou o orçamento, as horas, os ativos e os passivos, e encontrou uma margem para terminar antes. Enviaria seus exploradores mais longe por uma rota alternativa. E aos seus operários pediria mais seis horas de jornada.

Os operários se recusaram. Discutiram, elevaram a voz, lembraram que sem comida mal moveriam um tijolo. As aracnes observavam do teto, penduradas em suas próprias redes, alheias à disputa. Mirena descobriu, com um frio no estômago, que não tinha autoridade real sobre nenhum deles.

Nessa noite, cinco dos mais barulhentos entraram em sua barraca. Queriam carne; ela não tinha. O que podia lhes dar era o de sempre. Ajoelhou-se contra a parede, com a trança caindo à frente do ombro, e eles formaram uma meia-lua ao redor, cinco rolas à mostra, todas grossas, todas vermelhas de tanto esfregá-las antes de entrar. Começou pelo primeiro, um sátiro barrigudo que já se esvaziava no prepúcio. Ela agarrou a rola com a mão pequena, levou-a à boca e chupou da raiz à ponta com lambidas longas, cuspindo saliva sobre a cabeça para lubrificar o vai e vem. O sátiro agarrou-a pelas orelhas e a usou como bainha, entrando e saindo até ela sentir o sabor amargo do sêmen inundando-lhe o palato.

—Engole, ninfa. Tudo. Sem desperdiçar.

Mal terminou, o segundo a agarrou pelo queixo, abriu-lhe a boca à força e enfiou a sua com uma investida. Mirena teve de respirar pelo nariz enquanto ele a estuprava pela garganta sem piedade, com os ovos batendo-lhe no queixo. Os outros três não aguentaram esperar: um se aproximou por um lado e lhe pôs uma rola na mão, outro pelo outro com o mesmo, e ela começou a masturbá-los com as duas mãos enquanto o do centro continuava a foder sua boca. Os cinco a chuparam um após o outro, um após o outro, cada qual gozando na boca ou sobre o rosto. O terceiro lhe encheu as bochechas de sêmen grosso. O quarto apontou para o peito e lhe banhou os seios com jatos longos que escorreram pelo ventre. O quinto tirou da boca dela no último segundo e sujou os óculos e a testa. Quando o último se esvaziou em sua boca pequena, ela ficou com o rosto pegajoso, a trança salpicada e o gosto amargo em cada canto da língua. Eles se retiraram ameaçando se amotinar se ela não cumprisse. A ninfa ficou a sós com a vergonha e o gosto amargo, repetindo para si mesma que nenhum título a livrava do antigo ofício.

***

No Ciclo seguinte chegou uma comitiva inesperada: trinta soldados escoltando quatro sacerdotisas armadas em exotrajes que as cobriam como sinos, sem um único pedaço de pele à vista. Cada uma portava um báculo de luz esmeralda. Chamavam-nas de Irmãs do Olho Único, e eram as únicas com poder para manipular a tecnologia arcana enterrada na pedra, herança dos Antigos que Aurelia havia estudado.

Mirena as admirava. Eram a prova viva de que uma ninfa podia aspirar a algo mais do que agradar. Viu-as cruzar o abismo sobre as teias ainda meio armadas, entrar no túnel estreito e desaparecer rumo à sala onde, segundo se dizia, dormia um motor do tamanho de uma montanha.

A líder fincou o báculo no chão e recitou palavras numa língua perdida. As ruínas despertaram, os circuitos esmeralda se acenderam, e por um instante o lugar inteiro vibrou à beira do perigoso. Depois tudo se apagou de repente, como objetos que caem de uma prateleira. O sargento que as escoltava se recusou a permitir mais experimentos. E a Mirena foi proibida de entrar e teve o prazo encurtado de novo.

Os operários trabalharam além das forças, e o descontentamento cresceu a cada parada. A comida começou a rarear. Quando Mirena pediu suprimentos e não bastaram, os cinco barulhentos voltaram a exigir seus serviços. Desta vez ela se recusou e os enfrentou: eram trabalhadores, não crianças mimadas. A resposta foi uma rasteira no estômago.

No chão, diante dos demais operários, os cinco cobraram o desaforo. Espancaram-na, arrancaram-lhe a roupa entre puxões e desprezo, e a deixaram semidesnuda e trêmula diante de vinte machos. Sob a capa de dama solene, ficou à mostra o corpo de uma moça, jovem até mesmo para os longos anos de sua espécie.

E justamente então as Irmãs voltaram. “Manutenção”, disseram, embora ninguém as tivesse avisado. Os operários, desconfiados, só as deixaram passar se fossem vigiadas de perto. As sacerdotisas aceitaram com uma pressa suspeita e se embrenharam de novo nas ruínas.

***

Alguém trouxe para Mirena umas roupas tecidas com seda de aranha. Ela as recebeu surpresa; não esperava gentileza. Mas os quinze operários que restavam se aproximaram como cordeiros rumo à pastora, e ela conhecia bem demais aquela fome. Não queria revivê-la. Mas, do outro lado do túnel, vinham luzes e estrondos, e lhe barraram a passagem “pela própria segurança”. A menos que pagasse um pedágio.

Decretou um intervalo e se despiu por completo, porque as roupas novas já não lhe serviam para nada. Quinze sátiros a cercaram com os membros à mostra, quinze rolas de tamanhos diversos apontando-a de todos os ângulos, uma floresta de vergas curvas que gotejavam ansiedade. A sensação que lhe subiu por dentro era a mesma dos tempos de estudante, quando pagava os livros com o corpo. Envergonhava-a até a alma, e ainda assim seria mentira dizer que não houve momentos de prazer. Sob sua pele translúcida, o citoplasma começou a se mover por conta própria, aquecendo-se pela virilha, e ela sentiu as paredes internas do seu cuzinho se umedecerem com um suco espesso, água-marinha como sua seiva.

Começou pela boca. Chupou-os em grupos de cinco: ajoelhou-se no centro do círculo e foi passando a língua de uma rola à outra, chupando cabeças, lambendo ovos, deixando que lhe empurrassem a boca no ritmo que quisessem. Os sátiros a agarravam pela trança, pelas orelhas, pelo pescoço, e a revezavam como uma taça que passa de mão em mão. Todos provando seus lábios sem dentes, todos terminando dentro dela ou sobre seu corpo esguio. Os primeiros cinco gozaram um na garganta, dois na língua, um na bochecha e outro nos seios. Os segundos cinco quiseram mais jogo: a puseram de quatro e lhe penetraram a boca por cima, a fizeram chupar duas rolas ao mesmo tempo, gozaram sobre a nuca e a trança até deixá-la pingando por toda parte. Saciou a maioria, mas, claro, queriam mais.

Um sátiro deitou-se no chão com a rola eriçada como um mastro e ela montou nele. Acomodou-a com a mão, abriu os lábios e desceu devagar, deixando-o preenchê-la por inteiro. A grossura a abriu por dentro com uma ardência doce e ela gemeu sem conseguir se controlar, sentindo-se partida em dois. Começou a cavalgar, subindo e descendo a pelve num vai e vem longo, com os seios saltando e a trança batendo nas costas, implorando para que fosse o único, com a cabeça concentrada no que as Irmãs estariam fazendo lá dentro. O sátiro agarrou suas ancas e a impulsionou num ritmo mais rápido, investindo de baixo toda vez que ela descia, até que as nádegas água-marinha ressoavam contra o ventre peludo dele.

Quando o sentiu perto, lembrou-se de um truque dos tempos em que servia: os sátiros enlouquecem quando se coça o pescoço, bem atrás da base do chifre. Inclinou-se sobre ele sem parar de cavalgar, cravou as unhas naquele ponto exato e coçou com firmeza. Ele se sacudiu e bateu no chão como um cão agradecido, investindo mais rápido, com os olhos revirados, até gozar antes da hora. Mirena sentiu o jato quente inundando-a por dentro, uma descarga longa e pulsante que lhe encheu o ventre e começou a escorrer pelas coxas assim que ele amoleceu.

Outros seis quiseram o mesmo. Outro subiu por baixo, se enfiou nela, e ela voltou a cavalgar, desta vez com a mão de um terceiro acariciando-lhe os seios por trás e um quarto pedindo a boca. Foi passando de rola em rola, sempre montada, sempre coçando-lhes o pescoço para fazê-los gozar rápido, deixando que cada um se esvaziasse dentro dela ou sobre seu ventre. Ao quinto, ela teve por trás, de quatro, enquanto dois mais lhe usavam as mãos. O sexto gozou sobre suas nádegas. O sétimo, já sem forças, mal conseguiu derramar-se em seu umbigo. Quando terminou, tinha a virilha dolorida e uma camada espessa de sêmen misturado com sua própria seiva água-marinha escorrendo-lhe por dentro das coxas.

Encerrada a sessão, Mirena vestiu suas roupas provisórias e caminhou até a outra extremidade do precipício, com a virilha dolorida e o prazer se espalhando dentro dela como tinta em um copo de água.

***

Chegou à entrada das ruínas em silêncio e encontrou uma decepção. As herdeiras do legado de Aurelia não estudavam nada: três delas estavam ocupadas com os sátiros de sua escolta. As armaduras tinham se recolhido em biquínis metálicos que deixavam à mostra seus corpos de fada, de pele alvíssima e seios arredondados coroados por mamilos rosa-claro. Uma cavalgava um soldado deitado de costas, subindo e descendo a pelve com a rola enterrada até o fundo, cada descida arrancando-lhe um gemido agudo que ecoava nas paredes. Outra recebia pela frente e por trás, suspensa no ar entre dois sátiros que a sustentavam pelas coxas e pelas axilas enquanto a investiam em sincronia, empalando-a pelo cu e pela boceta ao mesmo tempo, gritando algo entre prazer e insulto a cada investida. A terceira, de quatro, atendia a dois ao mesmo tempo: um lhe cravava a rola por trás e lhe agarrava as ancas para fodê-la com força, enquanto o outro a enfiava na boca até o fundo, segurando-a pela cabeça enquanto ela engolia e babava em partes iguais.

Contei três. Onde está a quarta?

Tentou passar sem ser vista, mas falhou. Assim que todos os olhares se voltaram para ela, correu para a sala. Os sátiros quiseram retê-la, mas as sacerdotisas mostraram sua verdadeira face: de seus exotrajes brotaram tenazes e cabos que se moviam como serpentes para silenciar seus amantes.

Lá dentro, a quarta Irmã, a líder, trabalhava sozinha na extremidade mais distante, recitando para devolver a vida ao motor soterrado. O metal rompia a pedra e a transmutava. Os desabamentos começaram, e do lado de fora seus exploradores a chamavam aos gritos. Justo então um mensageiro chegou com a notícia que mudava tudo: as Irmãs do Olho Único haviam caído em traição.

Nenhum de seus homens queria entregar a própria vida para deter as sacerdotisas, mesmo que fosse o certo. Mirena, cansada de ninguém respeitar seu cargo, lembrou-lhes que eram os únicos capazes de agir; qualquer outra força chegaria tarde. Os operários se entreolharam. Ninguém se moveu.

—Como se ganha a lealdade de quem não te deve nada? —perguntou a si mesma, e conhecia a única resposta que eles aceitariam.

***

Retiraram com cuidado a roupa de seda, difícil de rasgar, e a colocaram de joelhos sobre uma manta estendida no chão da barraca. Ela já estava molhada antes de ser tocada. Um se posicionou atrás, abriu-lhe as nádegas com as duas mãos e afundou a rola no seu cu numa única investida, arrancando-lhe um suspiro longo. Outro segurou sua trança e lhe pôs a glande nos lábios; ela, resignada a tudo, cedeu e abriu a boca. Começou o vai e vem duplo: a penetraram por trás enquanto outro lhe pedia a boca, e ela se deixou balançar entre os dois ritmos, com o cu empurrado para trás toda vez que o da boca lhe enfiava a rola até a garganta.

Logo os demais se despiram para ter sua vez com a ninfa empalada. Formou-se um círculo de rolas duras ao redor dela. Os que esperavam se encostavam em seus lados e lhe punham as vergas nas mãos para que ela os masturbasse enquanto era fodida pelos dois extremos. Passou por várias posições: um dentro dela e três atendidos com boca e mãos; ela ajoelhada com a língua num glande, os dedos apertando duas rolas, e as ancas empurradas ritmicamente pelo que lhe cravava a boceta por trás. Quando o primeiro se esvaziou dentro dela com um rugido, outro o substituiu sem lhe dar trégua, penetrando-a assim que a descarga anterior começava a escorrer por suas coxas.

Depois a puseram de bruços, com os seios esmagados contra a manta, o rosto de lado, com a mesma contagem: um cavalgando-a por trás, um terceiro fodendo-lhe a boca por baixo, duas rolas nas mãos. Cada sátiro que terminava dava lugar ao seguinte, e ela continuou recebendo descargas dentro da boceta, sobre as nádegas, na boca, nas costas, sempre ficando cheia por dentro e suja por fora. A seiva e o sêmen alheio se misturavam em sua pele translúcida até formar desenhos que se moviam a cada investida.

O auge daquela sessão foi quando a tomaram três ao mesmo tempo. Um se deitou no chão e ela se deixou descer sobre a rola com a boceta, gemendo ao senti-la acomodar-se até o fundo. Outro se pôs atrás, cuspiu sobre o cu apertado dela para lubrificá-lo e enfiou a rola no ânus com uma investida lenta que lhe arrancou um grito abafado. O terceiro agarrou sua cabeça e empurrou a própria rola até sua garganta, até Mirena ficar atravessada por três paus ao mesmo tempo, a penetração dupla esticando-a pela frente e por trás enquanto o de cima lhe tapava a boca. Um falo em cada mão —dois sátiros mais haviam se colado aos seus lados para pedir-lhe os dedos— e o resto banhando-a em jatos do círculo. Quando os três gozaram quase ao mesmo tempo, ela sentiu três descargas simultâneas: uma enchendo-lhe o ventre, outra escaldando-lhe o cu, a terceira transbordando pelas comissuras da boca. Os demais se derramaram sobre o cabelo, os seios, as costas, numa chuva quente que a deixou coberta da cabeça aos pés.

Ela pensou que seria o suficiente. Mas então as aracnes desceram do teto por seus fios. Tinham sido espectadoras tempo demais e juravam segui-la até o inferno, a um preço. Mirena revirou os olhos. Era justamente o que faltava.

Deitaram-na no chão, prenderam-lhe os braços com fios de seda que a amarraram pelos pulsos e lhe abriram as pernas até quase o limite. Uma das cinco se colocou entre elas, agarrou suas coxas com os braços raptoriais e baixou a cabeça. Mirena viu, a um palmo de seu sexo, mandíbulas complexas que se abriram mostrando centenas de pequenos apêndices, palpos vibráteis e uma língua bífida. A aracne fechou as mandíbulas sobre a sua virilha. A sensação de mil apêndices separando-lhe os lábios e sugando o clitóris com uma precisão impossível fez com que se contorcesse inteira, e foi preciso segurá-la com mais força. Os palpos se moviam dentro dela como dedos pequenos, um por um, explorando cada dobra do interior, enquanto a língua bífida trabalhava o capuz com um ritmo de vibração constante. O orgasmo lhe veio em espasmos e gemidos longos, um tremor que sacudiu as paredes celulares e a fez encharcar a boca da aracne com seu próprio suco água-marinha.

A aracne se afastou deixando-a ensopada, com os lábios inchados e pulsando, e foi substituída pela seguinte. Esta começou a lamber mais devagar, com a língua inteira dentro da boceta aberta, e sugou-lhe o clitóris entre dois palpos como se o ordenhasse. Mirena gozou de novo, arqueando-se contra a seda. A terceira preferiu abrir-lhe as nádegas e trabalhar as duas entradas ao mesmo tempo, a língua no ânus e os palpos na boceta. A quarta a pôs de quatro e devorou sua vulva por trás, mordiscando sem machucar. A quinta subiu sobre ela, em um sessenta e nove invertido, e enterrou a face em seu sexo enquanto oferecia a Mirena sua própria virilha arácnida, uns lábios verticais e suculentos que a ninfa aprendeu a lamber entre gemidos abafados. Algumas a beijavam na boca com línguas longas e frias; outras nos seios, sugando-lhe os mamilos água-marinha até deixá-los duros e arroxeados; todas explorando cada canto de seu corpo jovem.

Num frenesi sem freio, todos os seus colaboradores a tomaram sem exceção. Uma aracne a ergueu pela cintura, prendendo-a contra o próprio torso, enquanto um sátiro se acomodava atrás e a penetrava pela boceta suspensa no ar, investindo de baixo com a rola até o fundo. Outro subiu e enfiou a sua na boca dela por cima. Penduraram-na no teto com fios de seda que lhe rodeavam as coxas abertas, os pulsos amarrados acima da cabeça, e naquela posição não lhe deixaram um único vão livre: dois sátiros ao mesmo tempo, um na boceta, outro no cu, enquanto um terceiro gozava em seu rosto do chão. Amarraram-na de mil maneiras com teia de aranha, sempre com as pernas abertas e algum orifício em uso, sempre com a pele translúcida ensopada de seiva e sêmen. Ela passou horas empalada, chupando quando não tinha ninguém dentro, gozando pela boceta outra e outra vez até perder a conta.

E, em meio àquele prazer, começou a sentir medo. Aquele interesse repentino tinha algo de fome real, como se bocas e dentes quisessem abrir caminho para devorá-la. Os palpos das aracnes demoravam demais dentro dela; as mandíbulas se fechavam com força demais sobre suas coxas. Só pôde rezar a Aurelia para não morrer entre eles.

Quando terminaram, todos caíram exaustos, dormindo como cadáveres. Só o último ainda se movia contra ela, dentro dela, investindo devagar, quase em transe. Sua descarga se misturou com seu citoplasma, penetrou a parede celular no ponto mais fino e lhe acariciou os órgãos por dentro, uma sensação mórbida que lhe transbordou cada poro da pele. Mirena teve um último orgasmo, silencioso e profundo, um tremor que nasceu do próprio núcleo. Depois ele se aconchegou em seu peito, e quando ela lhe acariciou a cabeça, respondeu como um cachorrinho contente. Tinha conquistado sua lealdade. Agora sim.

***

Nas ruínas, a líder traidora preparava o ritual definitivo, decidida a despertar a relíquia custasse o que custasse. Mas suas três irmãs viram que sua ascensão as deixaria para trás e abriram fogo com os blasters dos ombros.

Uma teia puxou Mirena para fora da linha de tiro. Suas aracnes saltaram sobre as pregadoras; os sátiros correram para destruir os nós que rodeavam a relíquia. No caos, a arquiteta avançou em direção à conjuradora, que continuava recitando enquanto o motor voltava à vida.

—Quer a ascensão? —perguntou a sacerdotisa com voz de seda—. Vou te levar a um plano onde ninguém vai te denegrir. Você finalmente terá o que mais deseja: respeito.

Mirena ficou parada por um segundo. Depois apontou sua pistola de sinalização.

—Minha lealdade é de Vaeldris, da visão de sua fundadora.

O projétil explodiu contra o escudo de raios e a reação se desencadeou. O ritual se partiu, o lugar inteiro começou a se mutar sem controle, e um raio atingiu Mirena em cheio: suas paredes cederam e seu citoplasma respingou na pedra. A traidora não se irritou; apenas sorriu com ironia antes que as luzes verticais a atravessassem e a fizessem desaparecer junto com as suas. O teto começou a cair, e os que restavam fugiram levando quem puderam.

***

A ponte ficou pronta, sólida como a rocha da qual era feita. Mirena não recebeu prêmios nem reconhecimento, mas algo havia mudado: aquela equipe já não só a obedecia, como a estimava, e lhe oferecia lealdade e proteção. Ainda que não sem um último preço.

Ela fora resgatada quase morta, sustentada apenas por seda e costuras que impediam seu conteúdo vital de se derramar. E então chegaram rastejando os cinco canalhas que a haviam humilhado, salvos por milagre, implorando perdão. Mirena só tinha uma coisa em mente. As aracnes os cercaram, o resto esperou ansioso, e ela disse, com a voz calma:

—Aos meus, prometi carne.

Num movimento, as aracnes os despedaçaram, e aqueles corpos serviram de ração para os que realmente a haviam defendido.

Mirena empacotou seus esboços, apoiou a muleta sob seu único braço e saiu da barraca em direção à sua próxima obra, uma praça na cidade onde crescera. Caminhou rumo à luz jade repetindo em voz baixa, como uma oração:

—Por Vaeldris, por Aurelia… por mim.

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