A noite em que aceitamos a troca
Conheci Marina durante uma caminhada ao lado de um riacho seco, daqueles em que a gente vai pulando de pedra em pedra para não torcer o tornozelo. Ela escorregou, soltou um grito e consegui segurá-la pela cintura antes que caísse no chão. O corpo dela bateu contra o meu, nossos rostos ficaram perto demais e o beijo aconteceu sozinho, desajeitado no começo, longo depois. Às vezes penso que ainda estamos dentro daquele abraço.
Fomos morar juntos depois de algum tempo e começamos a inventar pequenos costumes de casal. O mais estranho era o do copo: quando jantávamos sozinhos, colocávamos apenas um sobre a mesa e bebíamos os dois dali. Nunca conversamos sobre isso; simplesmente aconteceu no primeiro dia e ficou. Durante anos, achei que era um sinal de que o nosso relacionamento tinha algo especial.
Depois veio a rotina, como acontece com quase todos os casais. Não foi uma tragédia, apenas um desgaste lento. Em algumas noites eu estava cansado, em outras ela não tinha vontade, e, sem percebermos, as trepadas começaram a ficar mais espaçadas do que gostávamos de admitir.
Para voltarmos a ficar excitados, começamos a falar de fantasias. No início eram bobagens, brincadeiras de cama, histórias improvisadas para nos excitarmos e terminar transando. Marina percebeu imediatamente que, se me descrevesse uma cena com outras pessoas, eu ficava de pau duro em poucos minutos.
Certa noite, ela me contou que, anos antes, tinha tomado banho com uma amiga, Nora. Segundo ela, tinham se ensaboado mutuamente, apalpado os peitos entre risadas e pouco mais. Pedi detalhes como um desesperado. Qual mão tinha descido primeiro, quem tinha olhado para quem, se tinham roçado a boceta, se uma delas tinha gemido. Acabamos transando com ela montada em cima de mim, descrevendo no meu ouvido aquele banho meio real, meio inventado.
Quando viu o efeito que aquilo tinha sobre mim, foi mais longe. Em outra noite, aumentou a história e colocou quatro pessoas na banheira: ela, Nora e dois amigos daquela amiga. Contou que estavam sentados em fila, um entre as pernas do outro, sob o pretexto de se ensaboarem por turnos. Eu sabia que ela estava inventando enquanto falava, mas não me importava. Ficava excitado ao ouvi-la dizer que, com uma mão, lavava o pau do homem à sua frente enquanto o de trás abria suas pernas e enfiava nela os dedos cheios de espuma.
— E você gostava? — perguntei naquela vez, já com o pau duro debaixo do lençol.
— Se eu imaginar, sim — respondeu. — Se o de trás soubesse tocar direito, é claro que eu gostaria.
— E você faria uma punheta nele?
— Se ele ficasse duro por minha causa, eu não o deixaria assim.
Isso bastou. Afastei sua calcinha, abri suas coxas e comecei a tocar seu clitóris enquanto ela continuava inventando a cena. Ela dizia que um deles apertava seus peitos, o outro enfiava dois dedos nela e Nora observava, dando ordens, rindo, incentivando-os a continuar. Eu a fazia falar e, em troca, transava com mais força. Nossas melhores trepadas daquela época nasciam assim, de mentiras úteis.
Também havia uma mulher real dentro das minhas fantasias: Lidia, uma amiga do grupo. Não era a mais bonita, mas tinha um corpo que chamava atenção mesmo vestida e um jeito de olhar que parecia um convite permanente. Certa vez, meio bêbado, fiquei conversando com ela numa varanda.
— Tenho uma dúvida — falei. — Quando você conhece alguém, alguma vez imagina como seria transar com essa pessoa?
Ela riu antes de responder.
— Sim. Não com todo mundo, mas isso acontece comigo.
— Isso também aconteceu com você comigo?
Ela levou o copo à boca, ainda sorrindo.
— Alguma vez, sim.
Nada aconteceu naquela noite, mas aquela resposta ficou dentro de mim como uma brasa. Eu não estava tentando conquistá-la de verdade; só queria confirmar que o desejo ia e vinha em todas as direções. Ainda assim, desde então imaginei mais de uma vez como seria vê-la nua.
O jogo subiu de nível quando começamos a dar nomes concretos às fantasias. Já não eram desconhecidos indistintos, mas gente de verdade. Amigos. Amigos próximos.
— Alguma vez você se imaginou com alguém que eu conheça? — perguntei a Marina certa noite.
Ela hesitou tanto que pensei que não diria nada. Mas, no fim, soltou:
— Com Darío.
Darío tinha sido meu amigo antes de ser amigo dos dois. Alto, seguro de si, daqueles sujeitos que sempre parecem à vontade ocupando espaço. Senti uma pontada estranha ao ouvir o nome dele, mas a excitação foi mais forte.
— E o que você imaginou?
— Que ele me tocava — disse quase num sussurro. — Que abria minhas pernas e me fazia gozar com a mão antes de enfiá-la em mim.
Desci a mão entre suas coxas.
— Aqui?
— Sim.
— E assim?
— Sim... assim.
Naquela noite, ela gozou duas vezes imaginando Darío, enquanto eu a masturbava e depois a penetrava, perguntando se ele faria mais devagar, com mais força, mais fundo. Quando terminamos, ofegantes e grudados um no outro, soltei a ideia que já rondava minha cabeça havia algum tempo.
— Se imaginar isso nos deixa assim, algum dia vamos ter que fazer de verdade.
Ela balançou a cabeça.
— Gosto de fantasiar. Levar para a realidade, já não sei.
Mas a semente estava plantada.
***
Tínhamos um grupo de amigos que se reunia com frequência na casa grande de Darío. Ele era o anfitrião perfeito típico: comida, bebida, música e uma facilidade irritante para fazer tudo parecer espontâneo. Ali conhecíamos melhor todo mundo, especialmente Bruno e sua mulher, Elisa.
Bruno falava de sexo com uma desenvoltura que às vezes parecia fanfarronice e às vezes confissão. Certa noite, nós três ficamos bebendo na cozinha enquanto os outros estavam na varanda. Não sei quem puxou o assunto, mas acabamos falando de fantasias com outras pessoas.
— Marina e eu às vezes fantasiamos com troca de casais — falei, fingindo que era uma ideia casual.
— Elisa e eu também já brincamos com isso — respondeu Bruno, sem vergonha. — Nunca completamente, mas tesão existe. E, se um dia rolar alguma coisa, eu não vou ficar de fora.
Darío soltou uma gargalhada.
— Se vocês fizerem de verdade, eu entro primeiro.
— E a Elisa? — perguntei.
— Conheço a Elisa — disse Bruno. — No começo ela ficaria com medo, mas também teria curiosidade. Muita.
O álcool fazia seu trabalho. Fiquei empolgado.
— Podíamos convencê-las. Um fim de semana. Cada um com a mulher do outro.
Darío me olhou diretamente, sem fingir prudência.
— Eu não teria problema com a Marina.
Senti o impacto exato daquelas palavras. O tesão e o ciúme entrando juntos, misturados. Ainda assim, sorri como se não fosse nada.
— Pois eu também não teria problema com a Elisa.
Juntamos as mãos numa brincadeira idiota, como se tivéssemos assinado um pacto. Naquele momento, todos estávamos de pau duro com a ideia. Eu, mais que todos.
Naquela mesma noite, na cama, contei a Marina como se tivesse sido uma conversa meio de brincadeira. Ela escutou em silêncio, apoiada no meu peito.
— E eu ficaria com quem? — perguntou por fim.
— Com Darío, suponho.
Ela sorriu de um jeito que ainda hoje lembro bem demais.
— Não me surpreende que você tenha me colocado com ele.
Apertei um de seus peitos por cima da camiseta.
— Porque você quer que ele toque em você, não quer?
Ela riu, afastou minha mão e depois a guiou ela mesma até o meio das pernas.
— Não continue, senão vamos acabar transando.
Acabamos transando, é claro. Enfiei os dedos nela enquanto perguntava se preferia a mão de Darío ou a minha. Ela respondia entre gemidos, abrindo mais as pernas, pressionando a boceta contra minha palma.
— A sua agora — disse. — A dele na fantasia.
Abaixei sua calcinha, coloquei-a de costas e me ajoelhei entre suas coxas. Sua boceta estava molhada, aberta, pulsando. Passei a língua pelo clitóris lentamente, saboreando como ela ia amolecendo e depois se contraindo sob minha boca. Marina agarrou meu cabelo e começou a empurrar a pélvis para cima, pedindo mais sem dizer nada.
— Não brinque — disparou entre os dentes. — Chupe direito.
Enfiei a língua com mais firmeza, alternando entre o clitóris e a entrada de sua boceta. Depois enfiei dois dedos nela, curvando-os lá dentro enquanto continuava chupando-a. Ela gemia cada vez mais alto e, quando gozou, fechou as coxas contra meu rosto com uma força desesperada. Afastei-me apenas para abrir a calça.
— Quero que você enfie em mim agora.
Ergui uma de suas pernas sobre meu ombro e a penetrei com uma estocada profunda, dura, certeira. Ela soltou um gemido rouco e arqueou o corpo inteiro. Comecei devagar, para fazê-la sentir cada entrada, cada saída, o atrito completo do meu pau dentro dela, e depois acelerei até o colchão começar a bater na parede.
— É assim que você se imaginaria com ele, hein? — falei, respirando sobre sua boca.
— Não fale e me foda.
Obedeci. Fodi-a com força, segurando-a pelos quadris, vendo seus peitos tremerem a cada golpe. Desci uma mão até seu clitóris e a masturbei no ritmo das minhas estocadas. Ela gozou de novo, apertando-me por dentro, e pouco depois eu também gozei, tirando o pau a tempo de derramar no ventre dela. Marina olhou para o sêmen espalhado sobre a pele e sorriu com uma mistura de vergonha e excitação que me deixou duro outra vez.
Depois, quando já estávamos abraçados, contei a verdade: a conversa com eles tinha acontecido de verdade, não fora apenas uma fantasia improvisada.
— Você é um canalha — disse, virando as costas.
Eu a abracei por trás, encostando-me à sua bunda.
— Eu te amo.
Ela não disse mais nada, mas também não se afastou.
***
Continuamos falando do assunto durante semanas. Às vezes como brincadeira, às vezes a sério, às vezes enquanto masturbávamos um ao outro na cama. Até que, certa tarde, Marina me disse que tinha conversado com Elisa e que, se fôssemos fazer aquilo, organizariam tudo direito.
O plano ficou marcado para um sábado. Darío viria à minha casa com Marina. Eu iria à casa de Bruno e Elisa. Bruno passaria a noite com outra mulher do grupo, com quem também tinha combinado de se encontrar. Tudo ficava distribuído, limpo no papel, como se o desejo obedecesse a regras domésticas.
Quando ela me contou, a primeira coisa que senti não foi excitação. Foi medo. Medo de verdade. Até então tudo tinha sido uma fantasia útil para transarmos melhor. Agora outro homem ficaria sozinho com minha mulher na nossa casa. Na nossa cama. Tocando-a de verdade, enfiando o pau nela de verdade, ouvindo-a gemer sem que eu estivesse lá.
— Tem certeza de que quer continuar? — ela perguntou ao ver minha cara.
— Não sei — admiti. — Eu queria, até deixar de ser imaginário.
Marina acariciou meu pau por cima da calça, como se conhecesse o atalho para qualquer discussão.
— Vai ser só sexo. Você também vai transar com a Elisa. E depois vamos voltar juntos para casa.
Eu assentia, mas na minha cabeça não aparecia Elisa. Eu só via Darío tirando a roupa de Marina.
O dia chegou rápido demais. De manhã, vi Marina trocar os lençóis e senti um nó ridículo no estômago.
— Por que está colocando lençóis limpos? — perguntei.
— Porque não vou colocar ninguém numa cama bagunçada.
— Ninguém? Você vai colocar ele.
Ela me olhou com paciência, embora já estivesse cansada do meu pânico tardio.
— Você quis isso mais do que todos.
Ela tinha razão, e isso me irritava ainda mais.
Quando chegou a hora de sair, tentei desistir.
— Não consigo fazer isso.
Ela segurou meu rosto e me deu um beijo breve e firme.
— Consegue, sim. E, se não for transar com a Elisa, pelo menos não estrague a minha noite.
Abriu a porta e praticamente me empurrou para fora.
— Vá. Darío vai chegar a qualquer momento.
Saí de casa com uma mistura absurda de ciúme, raiva e vergonha.
***
Elisa abriu a porta para mim com uma cara nada amigável. Usava uma blusa folgada e um short, nada provocante, mas ainda assim reparei imediatamente em suas pernas.
— A Marina me ligou — disse assim que entrei. — Falou que você estava entrando em pânico.
— Sinto muito.
— Então já somos duas pessoas lidando com consequências alheias. Bruno saiu há meia hora e não pretendo passar a noite me sentindo deixada na mão por causa do seu nervosismo. Entre.
Obedeci. Ela me deu uma cerveja e começamos a preparar alguma coisa para jantar. A situação era estranha, mas o simples fato de estarmos sozinhos na casa dela já carregava o ar. Eu já a desejara em silêncio; agora ela estava ali, cortando pão ao meu lado, com o pescoço exposto e uma tensão evidente sob sua calma aparente.
Jantamos, tomamos uma taça de vinho e assistimos à televisão por um tempo sem prestar muita atenção. Depois ela me indicou o quarto de hóspedes. Sentei-me na cama e fiquei olhando para o celular como um idiota, imaginando Marina com Darío naquela mesma hora. Pensei nele abaixando a calcinha dela, nela se deixando tocar, na minha cama rangendo. O ciúme me deixou mais excitado do que a ternura, e isso me obrigou a reconhecer uma verdade incômoda: uma parte de mim sempre quis aquilo.
Escrevi para Marina uma mensagem curta, dizendo que pararia de me comportar como um idiota. Depois me levantei e fui até o quarto de Elisa. Bati à porta.
— Sim?
— Sou eu. Posso entrar?
— Entre.
Ela estava na cama, com a luz fraca e o lençol cobrindo seu corpo até a cintura. Seus ombros nus deixavam claro que não usava sutiã. Olhou para mim sem sorrir.
— O que você quer exatamente?
Engoli em seco.
— Transar com você. Se ainda quiser.
— Quero — disse ela. — Mas não me faça perder mais tempo com dúvidas.
Fiquei nu até estar apenas de cueca e me deitei ao lado dela. Havia uma pequena distância entre nós, morna e carregada. Pedi um abraço quase como um adolescente nervoso. Ela soltou uma risada baixa.
— Venha.
Quando meu peito tocou sua pele, meu corpo reagiu sozinho. Fiquei duríssimo no mesmo instante. Elisa baixou a mão, apertou meu pau por cima da cueca e sussurrou perto da minha boca:
— Olha só, afinal você estava mesmo com vontade.
Beijei-a. Primeiro devagar, depois com fome. Ela correspondeu abrindo meus lábios com a língua, segurando minha nuca, colando-se inteira a mim. Subi a mão por sua lateral e encontrei um peito cheio e macio, o mamilo já duro sob meus dedos. Esfreguei-o, apertei-o, dei uma leve beliscada.
— Assim está bom — murmurou. — Não seja delicado.
Abaixei sua calcinha. Era uma tanga fina, molhada entre as pernas. Ela tirou minha cueca entre risadinhas curtas, desajeitadas pela pressa. Ficamos nus e, por um segundo, olhei para ela inteira. Quadris largos, ventre macio, peitos redondos e brancos, um triângulo escuro de pelos bem aparados. Era um corpo real, adulto, desejável de um jeito que me atingiu em cheio.
— Você tem um corpo lindo — falei.
— Eu sei — respondeu, sem falsa modéstia. — Venha comprovar.
Voltei a beijá-la enquanto segurava sua bunda. Senti sua boceta quente roçando no meu pau. Ela o pegou com a mão e começou a passá-lo entre os lábios, para cima e para baixo, esfregando a cabeça contra o clitóris. Gemeu ao senti-lo.
— Passei horas pensando nisso — disse. — Enfia em mim.
Entrei devagar no começo, observando-a se abrir para me receber. Ela estava encharcada, tão molhada que a penetração foi um deslizamento quente, perfeito. Quando entrei todo, ficamos imóveis por um segundo, olhando-nos de perto, sentindo o peso exato daquele momento.
— Caralho — soltou ela. — Sim. Assim.
Comecei a me mover lentamente, roçando cada parede de sua boceta, saindo quase até a ponta e voltando a entrar fundo. Elisa se agarrou às minhas costas e começou a erguer a pélvis para me encontrar. Os beijos se misturavam aos gemidos e a pequenos “mais” ditos em voz baixa.
Enfiei a mão entre nossos corpos e procurei seu clitóris enquanto continuava penetrando-a. Assim que o toquei no ritmo certo, ela tremeu.
— Não pare. Nem pense em parar.
Continuei. Meu pau entrava e saía deslizando na umidade dela, enquanto meus dedos esfregavam com firmeza aquele ponto sensível que a fazia se contorcer. Ela gozou com um gemido abafado contra meu pescoço, apertando-me por dentro de tal maneira que senti o espasmo em todo o pau. Diminui o ritmo por apenas alguns segundos, mas foi ela quem voltou a me empurrar.
— De novo — pediu. — Quero gozar outra vez com você dentro de mim.
Coloquei-a completamente de costas, afastei bem suas pernas e me ajoelhei entre elas para contemplar sua boceta aberta, brilhante, inchada de excitação. Passei dois dedos por seus lábios e depois os enfiei na boca dela. Ela os chupou sem tirar os olhos de mim. Então abaixei a cabeça e comi sua boceta de verdade.
Abri seus lábios com os polegares e afundei a língua, primeiro lambendo devagar da entrada até o clitóris, depois chupando-o com vontade. Elisa era do tipo que não disfarçava. Gemia, xingava, empurrava minha cabeça para baixo.
— Caralho, sim... assim... come minha boceta direito.
Enfiei dois dedos nela e comecei a fodê-la com a mão enquanto a chupava. A cama rangia com seus movimentos. Quando gozou dessa vez, molhou meus dedos e apertou meu rosto entre as coxas. Ergui-me com a boca brilhando e ela me olhou como se já não houvesse dúvida alguma entre nós.
— Agora me foda de verdade.
Penetrei-a com mais força do que antes. Já não havia hesitação nem prudência. Segurei suas coxas e comecei a estocá-la num ritmo mais duro, ouvindo o estalo molhado de nossos corpos. Seus peitos pulavam a cada golpe e eu não conseguia parar de olhá-los. Passei uma mão por um deles, apertando-o enquanto a fodia.
— Você gosta assim?
— Mais forte.
Dei isso a ela. Mais forte, mais rápido, mais fundo. Ela abriu mais as pernas e me recebeu inteiro, cravando as unhas nos meus braços. O suor começava a nos grudar. A excitação de imaginar Marina com Darío naquele mesmo momento me atravessou de repente e, em vez de me fazer parar, fez com que eu a fodesse com mais raiva.
— Vou gozar — avisei.
— Não tire.
Ela segurou minha bunda para impedir qualquer recuo. Continuei bombeando por mais algum tempo e gozei dentro dela, sentindo-a me ordenhar com a boceta em pequenos espasmos enquanto eu despejava todo o gozo. Gemi sem elegância, com o rosto enterrado em seu pescoço.
Ficamos abraçados por um tempo, respirando com força. Depois me lembrei do celular. Pedi permissão para tirarmos uma foto sob o lençol, nada explícito, apenas o suficiente para sugerir a nudez. Elisa riu.
— Mande para Marina, se isso deixar você mais tranquilo. Eu mando para Bruno.
A resposta chegou pouco depois: uma foto parecida de Marina com Darío. Os dois com os ombros nus, abraçados, confortáveis demais um com o outro. Senti uma pontada, sim, mas também um calor escuro entre as pernas que não esperava depois de ter gozado tão forte.
Dormimos grudados.
***
Acordei de madrugada porque Elisa estava me masturbando. Ela tinha a cabeça apoiada no meu ombro e a mão se movia devagar sobre meu pau, que já estava duro outra vez.
— Oi, linda — murmurei.
— Não conseguia dormir sem tocar em você de novo.
Beijei um de seus peitos e depois o mamilo. Lambi-o, chupei-o e dei uma mordida breve.
— Mais — disse, com a respiração entrecortada. — Um pouco mais forte.
Obedeci. Alternei mordidas suaves com lambidas molhadas até seu corpo começar a se contorcer. Desci beijando sua barriga, o umbigo, a parte interna das coxas. Quando afundei o rosto entre suas pernas, ela já estava aberta para mim.
Lambi sua boceta com fome, sem pressa de verdade, mas sem fazer cerimônia. Primeiro a língua plana, depois a ponta insistindo no clitóris, depois chupadas profundas. No começo ela gozava de um jeito bonito e, depois, de um jeito sujo, tremendo e me dizendo obscenidades que me fizeram rir contra sua pele.
— Quero que você goze na minha boca — disse quando subi novamente. — Ou nos meus peitos, se preferir olhar.
— Na boca.
Ela se enfiou debaixo do lençol e engoliu meu pau inteiro com uma decisão que me deixou sem ar. Não chupava com delicadeza, mas com vontade, usando a língua, a mão na base, sugando com força. Segurei seus cabelos e os afastei do rosto para vê-la trabalhar. Ela estava me levando ao limite rápido demais.
— Caralho, Elisa... assim eu não aguento nada.
Ela respondeu tirando o pau da boca por apenas um segundo.
— Essa é a ideia.
Enfiou-o novamente e, dessa vez, foi mais fundo. Senti o reflexo de náusea quando ela apertou demais, mas não se afastou. Pelo contrário, deixou a cabeça do pau bater no fundo de sua garganta e continuou chupando. Aquilo me lançou ao limite. Gozei violentamente em sua boca, empurrando os quadris para a frente num impulso bruto, e então me obriguei a me conter para não sufocá-la. Ela engoliu o que pôde e tirou o restante com um sorriso cansado e satisfeito.
— Desculpa, me empolguei.
— Não peça desculpas — disse, limpando o canto dos lábios. — Eu gostei.
Voltamos a dormir abraçados e, ao amanhecer, foi ela outra vez quem me acordou, esfregando minha ereção contra sua vulva. Virou-se e me ofereceu a bunda sem dizer nada.
— Enfia de novo — disse por fim. — Aproveite enquanto estou aqui.
Ela se colocou de bruços, com um travesseiro sob os quadris. Fiquei atrás dela e guiei o pau até sua entrada. Entrei de uma vez, devagar e profundamente. Nessa posição, sua boceta parecia mais apertada, mais estreita, e o som dos meus quadris contra sua bunda encheu o quarto desde as primeiras estocadas.
— Que pau gostoso você tem — murmurou contra o travesseiro. — Não diminua o ritmo.
Segurei sua cintura e comecei a fodê-la num ritmo crescente. Suas costas arqueavam, seus gemidos ficavam mais graves. Desci uma mão para acariciar seu clitóris por baixo enquanto continuava entrando e saindo. Foi isso que a fez desmoronar. Ela gozou com um tremor forte, quase violento, apertando as pernas e gemendo sem se conter. O orgasmo dela me arrastou junto e gozei logo depois, tirando o pau a tempo de derramar entre suas nádegas e na parte inferior de suas costas.
Fiquei alguns segundos olhando para o gozo, ofegante, antes de limpá-la com cuidado e voltar a me deitar ao lado dela.
— Quem diria que você seria o que quase arregou — disse, ainda sem recuperar completamente o fôlego.
— Quem diria que você me deixaria sem forças.
Ela riu e me deu um beijo lento, mais íntimo do que sexual.
— Gostei muito de ficar com você. Sem enganar ninguém, eu repetiria.
— Eu também.
Ficamos algum tempo acariciando-nos como se fôssemos um casal havia muito tempo. Depois tomamos banho, nos vestimos e, pouco antes de eu ir embora, ela me abraçou à porta com uma calma que me desarmou mais do que tudo o que acontecera antes.
***
Quando voltei para casa, Marina estava me esperando com café, torradas e um único copo de água sobre a mesa. Vi aquele detalhe e senti algo parecido com voltar por inteiro. Abracei-a com força. Ela retribuiu o abraço com a mesma intensidade.
No quarto, vi outra vez os lençóis limpos. Não perguntei. Não era necessário. Mais tarde contaríamos coisas um ao outro, à nossa maneira, dosando o que doesse e explorando o que excitasse. Eu queria saber tudo e, ao mesmo tempo, tinha medo de ouvir: como Darío a beijara, quanto tempo ficara dentro dela, se a fizera gozar, se ela o deixara gozar em sua boca, se o comparara em silêncio.
Mas eu também sabia outra coisa. A fantasia já não era uma fantasia. Tinha deixado de ser uma história útil para escapar da rotina e se transformado em memória, em material novo para nos excitar, provocar ciúme e talvez voltar a cruzar limites.
Sentei-me diante de Marina, bebemos os dois do mesmo copo e nos olhamos como se tivéssemos acabado de abrir uma porta que já não podia ser totalmente fechada.