A noite em que minha mulher realizou sua fantasia proibida
Ana é uma mulher que sabe o que quer. Sempre foi assim. Desde os primeiros meses de casamento, deixou claro que, na cama, não havia lugar para rodeios: ela gosta de brinquedos, lingerie de renda, de vestir meias numa quarta-feira sem motivo especial. Gosta que eu lamba a boceta dela como se tivéssemos todo o tempo do mundo, que eu a beije com calma e, depois, não tenha tanta calma assim, que eu enfie meu pau até o fundo e fale putaria no ouvido dela enquanto a fodo. Viajo a trabalho com frequência, semanas inteiras fora de casa, e ela se vira sem complexo nenhum: tem uma gaveta inteira de vibradores, consoladores de todos os tamanhos e um harness que comprou sem me pedir opinião.
Estávamos casados havia dez anos quando aconteceu.
***
Voltei de uma viagem de nove dias e a encontrei diferente. Não diferente de um jeito preocupante, mas diferente do jeito de quem está tempo demais segurando alguma coisa. Ansiosa. Agitada. Me disse que tinha ovulado na minha ausência, que seus brinquedos tinham sido insuficientes, que precisava sair de casa. Sem as crianças, sem telefone, sem pendências.
— Um motel — me disse —. Hoje à noite.
Não me fiz de rogado. Deixamos os meninos avisados, parei numa loja no caminho, comprei cervejas e uma garrafa de tequila reposado que ela sabe que solta os ombros dela da melhor maneira. Chegamos ao motel por volta das dez.
Entrei para tomar banho enquanto ela ligava a televisão. Quando saí, enrolado na toalha, ela estava sentada na beira da cama com os olhos fixos na tela. Um daqueles canais que passam nos motéis: uma mulher de quadris largos, pele clara, e um homem negro enorme que a tinha curvada sobre a cama, comendo ela por trás com um pau escuro e grosso que entrava e saía brilhante de seus fluidos. Os gemidos enchiam o quarto, misturados ao som úmido da carne se chocando contra a carne.
Ana tinha o vestido levantado acima dos joelhos e a mão apoiada entre as coxas. Sob a renda da calcinha, seus dedos se moviam, lentos, calculados, e uma mancha escura crescia no tecido. Ela não percebeu que eu já tinha saído do banheiro até eu sentar ao lado dela e lhe entregar uma cerveja.
— Está gostando? — perguntei.
Ela me olhou de lado. Havia alguma coisa naquele olhar, uma mistura de excitação e vergonha, que me disse que estávamos entrando em território novo.
— Sim — disse em voz baixa.
— O que você mais gosta?
Ela demorou a responder. Não tirou os olhos da tela.
— O tamanho dele. Como ela recebe tudo.
Enfiei a mão entre as pernas dela por cima da renda e senti a calcinha encharcada. Afastei de lado com dois dedos e toquei o clitóris. Ela estava tão molhada que os dedos entraram sozinhos, dois, depois três, com um barulho úmido que arrancou dela um gemido. Desabotoei o vestido, puxei o sutiã de uma vez e passei a língua pelos mamilos duros, primeiro um, depois o outro, mordendo de leve. Em nenhum momento ela desviou o olhar da tela. Isso me excitou mais do que eu teria imaginado. Continuei enfiando os dedos nela, curvando-os para cima, e ela começou a girar os quadris contra a minha mão sem parar de olhar como o negro partia a boceta da outra.
— Você gostaria de ser ela? — perguntei no ouvido dela —. Gostaria de ter esse pau preto dentro de você? De te preencher a boceta assim, como ela?
Ela se virou para me olhar. Hesitou. Engoliu em seco.
— Sim — disse.
Soltei a toalha, peguei a mão dela e a levei até o meu membro. Ela o segurou, começou a me masturbar devagar enquanto eu continuava tocando a boceta dela. Depois desceu para o chão sem que eu pedisse, ajoelhou-se entre minhas pernas e o colocou na boca. Chupou-o devagar, com a língua girando na ponta, engolindo saliva, afundando até a base e tirando-o com fios de baba pendurados nos lábios. Com uma mão, acariciava meus ovos; com a outra, continuava se tocando. Os olhos, entre uma chupada e outra, voltavam para a tela.
Ergui-a do chão, coloquei-a de costas em cima de mim, olhando para a televisão, e cravei meu pau com uma estocada. Ela soltou um gemido longo. Ficamos assim por um bom tempo: ela se mexendo sobre mim, cavalgando, os olhos fixos na tela, reagindo mais ao que via do que aos meus movimentos. Eu segurava seus seios, apertava, beliscava os mamilos. Falava no ouvido dela: dizia para imaginar que era ela na tela, que era ela quem tinha aquele pau negro lhe rasgando. Ela respondia se movendo mais rápido, apertando a boceta a cada descida, ofegando cada vez mais alto. Quando estava prestes a gozar, eu a desci, coloquei-a de quatro na cama e entrei nela de uma vez. Fodi-a forte, agarrando-a pelos quadris, vendo meu pau entrar e sair de sua boceta encharcada, e gozei dentro com um rosnado, apertando-a contra mim, com o som da televisão ao fundo e os gemidos da atriz enchendo o quarto.
Depois, enquanto ela continuava assistindo ao filme com uma calma que não era sono, mas outra coisa, com meu sêmen escorrendo pelas coxas, perguntei:
— O que você faria se esse homem estivesse aqui?
— Quer mesmo saber?
— Quero.
— Eu chupava ele do começo ao fim — disse sem tirar os olhos da tela —. Chupava o pau dele até ele ficar duro de verdade e, depois, ia até o fim até não aguentar mais. Até ele encher minha boceta de leite.
Não sei exatamente o que senti naquele momento. Excitação, sim. Também algo parecido com ciúme, mas de um tipo estranho, que em vez de fechar meu estômago, o abria. A ideia de vê-la assim, com a boca cheia de outro pau, completamente entregue a algo que eu não podia lhe dar, me acendeu de um jeito que eu não esperava de mim mesmo.
***
Nos dias seguintes, Ana não mencionou nada. Agiu normalmente, até com certa distância, como se tivesse vergonha de ter dito em voz alta o que disse. Esperei até ficarmos sozinhos em casa, numa tarde de meio de semana, para tocar no assunto.
— Aquela noite no motel — comecei —. O que você me disse.
Ela não respondeu.
— Era sério?
Demorou. Depois ergueu os olhos.
— Sim. Mas sei que você nunca aceitaria.
Levantei, fui até ela e a beijei. Longo, com calma. Quando me afastei, disse que aceitaria, sim. Mais do que isso: que eu mesmo organizaria. Que, se fôssemos fazer, faríamos direito, com alguém de confiança, longe da nossa cidade, com as condições dela e as minhas.
Ela me olhou como se esperasse que eu recuasse. Não recuei.
— Sério? — perguntou.
— Sim.
***
Levei duas semanas para encontrar a pessoa certa. Procurei com cuidado, li referências, fiz perguntas. No fim encontrei alguém que correspondia ao que Ana havia descrito naquela noite: um homem chamado Darius, morador de Dallas, discreto, com experiência nesse tipo de encontro. Falei com ele por telefone, expliquei a situação, combinamos as condições. Ele nos mandou fotos. Uma em particular, de perfil, sem roupa, deixava muito claro por que as referências eram as que eram. Ana as olhou em silêncio por quase um minuto. Ficou corada.
— Está bom — foi tudo o que disse.
Marcamos a data para um fim de semana, quase um mês depois. Reservei um hotel decente em Dallas, a quatro horas de casa de carro. Duas noites: sexta e sábado.
Na sexta à noite, eu não deixei que ela se tocasse. Pedi que me chupasse o pau e que depois ficasse na vontade. Ela se ajoelhou entre minhas pernas e o chupou por vinte minutos longos, enfiando-o até as lágrimas lhe encherem os olhos, engolindo o que eu soltei sem derrubar uma gota. Quando terminou, ergui seu queixo, passei o polegar pelos lábios brilhantes e disse que aquela noite não era dela. Protestou com meio sorriso, mas obedeceu. Jantamos fora, caminhamos pelo centro, voltamos ao hotel. Dormiu inquieta, trocando de posição várias vezes, cruzando e descruzando as coxas. Eu também.
O sábado foi um dia de espera sustentada. Ela foi ao spa do hotel de manhã. Depois me arrastou a um shopping: um vestido numa loja, lingerie em outra. Escolhemos juntos o conjunto: renda preta, bojo aberto, meias até a coxa. Ela experimentou e saiu do provador com um sorriso diferente do de sempre. Já não era nervosismo. Era expectativa.
Por volta das oito da noite, servi a ela uma dose de conhaque com gelo.
— Você tem certeza? — perguntei.
— Não me faça essa pergunta — disse —. Se fizer, vou ficar realmente nervosa. Tenho certeza desde aquela noite no motel. Estou pensando nisso há semanas. Me toco pensando nisso.
***
Às oito e cinquenta e dez, Darius me escreveu do lobby.
Desci sozinho. Encontrei-o na entrada do bar: um metro e oitenta e poucos, terno escuro, mãos grandes. Pedimos uma bebida e conversamos por vinte minutos. Lembrei-lhe as condições: preservativo o tempo todo, sexo anal só se ela pedisse, eu ficaria no quarto durante todo o encontro. Ele assentiu sem impaciência. Era alguém que fazia aquilo com seriedade.
Quando recebi a mensagem de Ana, subimos juntos no elevador.
— É sua primeira vez com isso? — ele me perguntou.
— Sim.
— Vai dar certo — disse.
Bati na porta antes de abrir com o cartão. Ana estava de pé no centro do quarto: o vestido preto abotoado até o decote, os saltos nos pés, o cabelo solto. Estava mais bonita do que eu a tinha visto em meses. E visivelmente nervosa, embora tentasse disfarçar.
As apresentações foram breves. Servi três copos. Conversamos sobre nada durante dez minutos, o suficiente para o nervosismo baixar de temperatura. Depois Darius deixou o copo na mesinha.
— Acho que já está na hora — disse.
Aproximei-me de Ana e peguei sua mão. Coloquei-a na frente dele. Darius a percorreu devagar com os olhos.
— Vira para ele — me disse.
Fiz ela girar. Ele colocou as mãos nos quadris dela por um momento, depois me olhou.
— Tira a roupa dela.
Desabotoei devagar. Quando o vestido caiu, apareceu o conjunto de renda, as meias, os saltos. Darius se levantou e se aproximou. Começou a tocá-la com calma, sem pressa: percorreu os quadris dela, levantou ligeiramente seu queixo com um dedo, passou o polegar pelos lábios, enfiou-o na boca dela. Ela o chupou sem deixar de olhar para ele.
— Abre as pernas — disse.
Ela obedeceu. Ele puxou a calcinha para o lado, deslizou dois dedos na boceta e a olhou nos olhos enquanto os colocava e tirava com uma lentidão quase cruel. Tirou-os brilhando, passou-os nos lábios dela.
— Faz tempo que ela está esperando por isso — murmurou, quase para si mesmo —. Essa boceta está pedindo isso há tempo.
***
O que veio depois eu vi tudo da poltrona do canto. Fiquei ali, sem me mover, sem interferir, com o pau duro sob a calça.
Darius a colocou de joelhos na frente dele, e Ana, sem precisar de mais instruções, soltou o cinto dele e abaixou a calça. Quando tirou o pau, escapou-lhe um pequeno som: ela o segurava na mão, grosso e escuro, ainda meio ereto, e já custava a abranger com os dedos. Virou a cabeça na minha direção por um instante com um sorriso que não era de surpresa, mas de confirmação: era exatamente o que ela tinha imaginado. Colocou-o na boca com cuidado primeiro, só a ponta, girando a língua ao redor da glande. Depois com mais confiança: engoliu-o até a metade, engasgou um pouco, respirou e desceu de novo. Fez um boquete longo e caprichado, com aquela dedicação que eu tinha visto poucas vezes, enquanto ele lhe apoiava a palma aberta na cabeça sem empurrar, deixando-a marcar o ritmo. A boca dela se encheu de saliva, que escorria pelo queixo, molhando os seios. Quando ela tirou para respirar, ele passou o pau pelo rosto, pelos lábios, e ela fechava os olhos e mostrava a língua como se estivessem lhe dando comida.
Depois a levou para a cama. Colocou-a de quatro, com a bunda levantada, e levou a boca até a boceta. Passou a língua inteira de baixo para cima, parou no clitóris, chupou, mordeu de leve os lábios. Enfiou dois dedos e continuou comendo, com uma lentidão que a fez tremer inteira. Abriu as nádegas dela com as mãos e lambeu também o outro buraco, e Ana deu um sobressalto e soltou um gemido agudo que eu nunca tinha ouvido dela. Em menos de cinco minutos, ouvi ela gozar contra a boca dele, agarrada aos lençóis com as duas mãos, com a bunda trêmula e a boceta jorrando.
Darius se levantou, colocou o preservativo com calma diante dela, para que visse, e ficou atrás.
— Está pronta? — perguntou.
— Sim. Mas devagar.
Ele foi devagar. Colocou a ponta na entrada, esfregou de cima a baixo, encharcando-se com os fluidos dela, e começou a empurrar aos poucos. Ana estava de olhos virados quando ele terminou de entrar. A primeira estocada foi inteira, até o fundo, e ela deixou escapar um grito abafado. Depois ele começou a se mover, num ritmo lento primeiro, cadenciado, e ela emitiu um som que eu nunca tinha ouvido antes: algo mais visceral do que qualquer coisa dos dez anos anteriores. Meu peito e meu estômago se apertaram ao mesmo tempo, e eu fiquei ali, sem saber exatamente o que fazer com o que sentia. Desabotoei a calça e peguei meu pau sem parar de olhá-los.
Mudaram de posição várias vezes. Primeiro de quatro, com ele segurando os quadris dela, dando estocadas cada vez mais fortes que sacudiam o corpo inteiro dela. O som da carne se chocando enchia o quarto, misturado aos gemidos dela, cada vez mais animais. Depois de costas, com ele por cima, empurrando as pernas dela contra o peito, fodendo-a fundo enquanto a olhava no rosto. Ela cravava as unhas nas costas dele, procurava a boca dele. Depois ele a sentou em cima, e Ana se moveu sobre ele subindo e descendo, com os seios quicando, os olhos semicerrados. Em cada posição, Ana às vezes virava a cabeça para mim com uma expressão difícil de decifrar: o instinto de se certificar de que eu ainda estava ali, o prazer de saber que eu a via, as duas coisas misturadas. Ela gozou mais duas vezes, a segunda com um tremor longo que durou quase um minuto inteiro, apertando o pau dele com a boceta enquanto ofegava de boca aberta.
Quando Darius chegou ao limite, deitou-a de costas, abriu suas pernas de par em par e a penetrou com força nas últimas investidas. Agarrou-a pelos quadris e terminou com um som grave, enterrado até o fundo, imóvel, tremendo também. Ana tremia embaixo dele, com as pernas ainda abertas, respirando pela boca.
Houve um silêncio longo.
Darius foi ao banheiro. Ana ficou deitada, respirando devagar, com a boceta avermelhada e as marcas dos dedos dele nos quadris. Levantei-me da poltrona e sentei ao lado dela. Passei a mão no cabelo.
— Tudo bem? — perguntei.
— Muito bem — disse.
Quando Darius voltou, Ana se incorporou na cama e o chamou. Ele se aproximou. Ela terminou o que tinha começado antes, já sem o preservativo, com uma dedicação tranquila que me custou ver sem me mexer do lugar. Levou-o inteiro à boca, acariciou os ovos dele, chupou-o devagar até ele avisar com um rosnado. Não tirou. Engoliu tudo, de olhos fechados, e passou a língua na ponta quando já estava vazio. Depois ele lhe disse algo no ouvido que a fez sorrir, se vestiu, apertou a mão dos dois e foi embora.
***
O quarto ficou em silêncio.
Sirvi mais uma dose para ela. Ela a bebeu devagar, enrolada no lençol, com aquela calma que vem depois de algo intenso. Quando deixou o copo, soltou o lençol, deitou de costas com as pernas abertas e me estendeu a mão. Vi sua boceta, ainda inchada, ainda brilhante. Subi sobre ela, enfiei de uma vez e senti que ela estava mais larga, mais quente, mais aberta do que nunca. Empurrei duas, três vezes, e gozei dentro quase de imediato, com a boca colada no pescoço dela e ela rindo baixinho, satisfeita, me apertando contra si.
No domingo, voltamos para casa. Paramos num posto de gasolina no meio do caminho e comemos alguma coisa sentados numa mesa de plástico, quase sem falar. Não porque houvesse tensão, mas porque não havia nada urgente a dizer. Tudo tinha acontecido exatamente como tínhamos combinado.
Algumas noites depois, na cama, enquanto eu a fodia devagar e chupava seus mamilos, Ana me disse no ouvido que queria repetir. Que na próxima vez seria sem camisinha. Que queria sentir o leite de Darius dentro dela.
Não respondi nada. Não foi preciso.