Fiz o currículo do meu ex e acabei com o apê inteiro
A ligação do Adrián me pegou completamente de surpresa.
Ele sabia perfeitamente que eu era casada com Martín, e fazia anos que não trocávamos nem uma mensagem. Havíamos sido muitas coisas um para o outro, mas, acima de tudo, tínhamos sido aquilo que ninguém ousa nomear em voz alta: dois amigos que, de vez em quando, acabavam na mesma cama e nunca pediam explicações.
Adrián era alguns anos mais velho do que eu, mas levava isso melhor do que qualquer vinte e poucos anos. Tinha passado metade da vida na academia, e isso dava para ver. Sem estudar, sempre tinha trabalhado como garçom, animador, o que quer que fosse preciso para chegar ao fim do mês com dignidade.
Pelo telefone, me contou que tinha surgido uma vaga num hotel novo na cidade e que queria se candidatar. O problema era que pediam para enviar o currículo por e-mail, com uma carta de apresentação incluída, e ele nem tinha computador. Sabia que eu me virava bem com tudo que era digital, então recorreu a mim.
Não menti para o meu marido, mas também não dei muitos detalhes. Disse que ia sair com alguém e pronto.
Me vesti com a roupa mais sem graça que encontrei no armário: uma legging preta, uma camiseta branca de alcinhas e, por cima, um suéter de lã grossa que cobria até os pulsos. Uma armadura antissedução, pensei enquanto me olhava no espelho. Por via das dúvidas.
Cheguei pontualmente ao prédio onde ele morava de aluguel e subi com o notebook na mochila até o quarto andar. Apertei a campainha e, para minha surpresa, não foi ele quem abriu.
—Adri, sua visita! —gritou para dentro um cara com cara de bom sujeito e corpo de revista.
—Já vou, já vou! —ouvi lá do fundo.
Adrián apareceu correndo e me tirou do chão num abraço que me deixou sem fôlego.
—Você está linda! Queria que a idade me caísse pelo menos pela metade tão bem quanto caiu em você.
—Para de modéstia —eu disse, dando um tapinha em sua barriga lisa—. Aposto que você continua passando mais tempo na academia do que em casa.
—Você me conhece demais. Entra, vai. Te apresento o Hugo, meu colega de apê.
O tal Hugo me deu dois beijos e voltou para a sala para nos deixar a sós. O apartamento era amplo e central, com três quartos; dois ocupados por eles e o terceiro convertido em depósito.
—Achei que você morasse com a sua namorada —soltei com cautela.
—Já não estou com a que você conheceu. E com a de agora prefiro não me arriscar a morar junto ainda. Não quero acabar com a magia por causa da rotina e das discussões por prato sujo.
—Te entendo melhor do que imagina.
—Porra, você fala muito bem. Foi por isso que te chamei. Se eu não me inscrever a tempo, vão passar na minha frente quatro garotos que sabem fazer currículos lindos, mas não fazem a menor ideia do que é servir uma mesa.
Entramos no quarto dele. O primeiro que me chamou atenção foi o quanto ele era nu: um guarda-roupa, uma cama de casal estreita e uma escrivaninha soterrada sob uma montanha de papéis.
—Desculpa a bagunça —disse, empurrando tudo para um lado e amontoando no chão—. Pronto.
—Arrumado não está. Você só mudou o problema de lugar.
Ele riu e arrastou uma segunda cadeira do corredor. Coloquei o notebook sobre a mesa e me abaixei para ligá-lo na tomada.
—Você não estará me olhando o bumbum, estará, Adrián?
—Eu? Sou um homem decente e regenerado. Além disso, não veria nada que eu já não tenha visto antes.
Joguei um olhar de advertência para ele e começamos a trabalhar. Baixei um modelo, abrimos um documento em branco e começamos a construir do zero um currículo em ordem cronológica inversa. Apesar de ser um caos — eu tinha que voltar a cada dois minutos para acrescentar um trabalho que ele tinha esquecido —, aos poucos foi tomando forma um documento sólido que deixava clara sua longa experiência em hotelaria.
Eu notava seus olhares de soslaio, mas estava preparada. Por isso eu tinha me vestido como uma freira.
***
Uma hora depois terminamos o currículo e começamos a carta de apresentação.
—E isso serve para quê, diabos? Não basta o outro?
—Há empresas que usam isso como filtro, para ver como os candidatos se expressam.
—E se colocarmos uma foto? Talvez assim eu tenha mais chances —disse, erguendo a camiseta e deixando à mostra um abdômen perfeito.
—Se exibido. Hoje em dia até poderiam te denunciar por mandar isso. Embora eu reconheça que chamaria atenção.
—A que chama atenção é você. Por que está vestida como se fosse à missa?
—Está frio. Estou confortável.
—Se você estiver com frio, eu posso…
—Adrián! —interrompi, sabendo perfeitamente como aquela frase terminava.
—Tá, tá. Antes você não era tão pudica.
Suspirei. Antes eu era um monte de coisas que já não sou.
—Não é isso. Temos que terminar isso. Depois, se quiser, a gente conversa e ri um pouco.
Aquilo pareceu convencê-lo, embora eu não saiba se os dois entendíamos a mesma coisa por «conversar», porque, a partir desse momento, ele se comportou como um aluno exemplar.
—Pronto! —anunciei quando finalmente enviei o e-mail com tudo anexado. Ele teve que recuperar a senha da conta para conseguir entrar; era um desastre completo.
—Boa! —aplaudiu como uma criança e, antes que eu pudesse reagir, me pegou no colo e me girou no ar.
Deixou-se cair na cadeira e me sentou no colo.
—Adrián, já não somos mais esse tipo de amigos —eu disse com suavidade.
—Não somos amigos?
—Somos, mas não se faça de bobo. Você sabe do que estou falando. Eu sou casada.
—E eu tenho namorada.
—Então pronto. Vamos lá.
Fiz menção de me levantar, mas sua mão pousou em meu quadril e me reteve.
—Mesmo que você não queira que eu agradeça, um beijo eu mereço, não merece?
—Só um. E eu vou embora —disse, franzindo a testa.
Juntei meus lábios aos dele esperando só um selinho, mas sua língua abriu caminho na minha boca e me arrastou de uma vez para um lugar que eu achava fechado a sete chaves. Aquele homem ainda sabia exatamente como beijar. Apoiei a mão em seu peito e apertei, sentindo a dureza dos músculos sob a camiseta. Ele me segurava pela cintura e, sem que eu impedisse, suas mãos começaram a subir até me arrancar o suéter de um puxão.
—Porra, como você está gostosa —exclamou ao ver meu corpo e meus seios pequenos apertados contra o top de alcinhas.
—Olha quem fala —respondi, enfiando a mão sob sua camiseta e percorrendo o relevo firme do abdômen.
Passei uma perna por cima e me sentei de pernas abertas sobre ele. Voltamos a nos beijar e, quase sem pensar, comecei a me mover devagar, me esfregando contra o volume que crescia sob sua calça. Carla, o que você está fazendo? Você está perdida.
—Você tem uma bunda de matar —murmurou enquanto a amassava com as duas mãos.
Eu sorri, me virei e me sentei de costas contra ele, balançando para frente e para trás. Sem que eu percebesse, ele já tinha soltado meu sutiã; ergueu o top lentamente até que suas mãos cobrissem meus seios por completo. Suspirei quando ele roçou meus mamilos, e continuei me movendo com ainda mais vontade. Uma de suas mãos desceu entre as minhas pernas e me fez arquear as costas.
***
Ele se levantou, tirou toda a roupa e se sentou na beira da cama.
—Vem, como nos velhos tempos.
Tirei a legging e atravessei o quarto de quatro, só com uma calcinha rosa, até chegar a ele. Peguei-o com a mão e conferi de novo o que eu lembrava.
—Não lembrava do tamanho que você tinha.
—Vamos ver se você lembra quando estiver dentro.
Levei-o à boca o máximo que pude enquanto o acariciava com a outra mão. Ele soltou um rosnado e enredou os dedos no meu cabelo.
—Não goza ainda —avisei, me afastando por um segundo.
Sem avisar, ele me agarrou, me deitou de bruços e ergueu meus quadris. Afastou a calcinha para o lado e enterrou a cabeça entre minhas coxas. Sua língua encontrou meu clitóris e começou a trabalhá-lo com uma insistência que me fez gemer contra o travesseiro. No reflexo do espelho do armário eu podia ver tudo, e aquilo me deixou ainda mais acesa.
—Quer? —perguntou, se colocando atrás de mim.
—Para de perguntar besteira e faz logo.
Ele riu e começou a me empurrar, devagar no começo, sem entrar por completo, até que o ritmo ficou firme e constante. Eu mordia os lábios e empurrava para trás, procurando-o.
—Vamos pedir umas pizzas, vocês querem…? Porra, desculpa! —A voz de Hugo veio da porta aberta.
—Hugo, eu já te disse mil vezes para bater antes de entrar! —rugiu Adrián.
—Desculpa, desculpa. Ufa, você tinha razão no que dizia…
—O que eu dizia? —perguntei antes que o rapaz fugisse.
—Nada, que… eu tinha avisado que hoje vinha uma ex-namorada sua. Muito festeira, ele disse.
—Ex-namorada, nada —corrigiu Adrián.
Como ele não negou a outra parte, nós três caímos na risada. E senti, no arrepio da minha própria risada, que algo dentro de mim já tinha decidido como a tarde terminaria.
—Como você consegue não brochar com uma interrupção dessas? —perguntei a Adrián.
—Por causa do quanto ela é festeira —respondeu sem pudor, saindo e entrando uma vez.
Atrás de Hugo apareceram mais três caras, todos com o mesmo visual de academia, espiando pela porta com os olhos arregalados.
—Podemos olhar? —perguntou Hugo com uma educação que me deu vontade de rir.
—Não! Isso é só meu —rosnou Adrián.
—O resto está livre, isso sim —intervi, e vi a cara dele se desmontar.
***
Os quatro se entreolharam, tentando confirmar que tinham ouvido direito. Eu me levantei, empurrei Adrián de costas contra o colchão e subi nele como uma amazona. Depois fiz um gesto com o dedo para que se aproximassem.
—Estes são Iván, Marcos e Bruno —apresentou Hugo, apontando um por um.
—Prazer —disse com a voz mais grave que consegui, passando a língua pelos lábios.
Sem fazer charme, começaram a se despir diante de mim. Corpos esculpidos, todos, fruto de horas e horas de pesos. Me aproximei do primeiro e o peguei com a mão; depois do seguinte. Comecei a alternar entre um e outro, levando-os à boca em rodízio enquanto continuava cavalgando Adrián devagar.
—Então você disse para eles que eu era festeira, é? —cutuquei.
—É força de expressão…
—Pois não vou decepcioná-los.
Fui rodando entre os quatro até que cada um passou pela minha boca. Em certo momento eles me cercaram, e fiquei com quatro homens colados ao meu rosto enquanto eu decidia a quem atender. Bruno levou uma mão tímida a um dos meus seios, como quem testa até onde vai a permissão. Ao ver que nada acontecia, os outros o imitaram e logo senti mãos por toda parte, percorrendo minhas costas, meus quadris, minhas coxas.
Excitada como não me lembrava de estar há anos, comecei a quicar com mais força sobre Adrián, que tinha permanecido em silêncio, firme e atento. O prazer subiu de repente e soltei um gemido longo quando cheguei ao primeiro orgasmo, com os quadris tremendo fora de controle. Bruno me segurou pela cintura para que eu não perdesse o equilíbrio.
***
—Nós também queremos —protestou Iván.
—A parte da frente é minha —repetiu Adrián, teimoso, enquanto me ajudava a ficar de quatro com os cotovelos apoiados em dois travesseiros.
Ele se posicionou atrás e me penetrou sem cerimônia, segurando-me pelos quadris e me puxando para ele a cada investida. À minha frente apareceu uma fila de caras esperando sua vez, e fui atendendo um por um com as mãos enquanto Adrián marcava o compasso nas minhas costas.
—Isso é muito melhor que FIFA —soltou Marcos, e todos nós rimos.
—Como eu sentia falta disso —me disse Adrián ao ouvido.
—E eu —reconheci, porque era verdade.
Tentei me sentar, mas ele não deixou: me colocou de costas sobre o colo e apoiei as mãos em seus joelhos para cavalgar nele de novo. O som dos nossos corpos se chocando enchia o quarto.
—Dá com força, vai ver se depois sobra pra nós —brincou Hugo.
—Não! —Adrián voltou a negar.
—Olha, eu não sou de ninguém —cortei—. Eu decido com quem fico e com quem não fico, ficou claro?
—Mas é que…
—Prefere que eu vá embora? Não vem com ciúme agora.
—Eu não sabia que você era assim. Eu adoro.
Depois disso, Adrián moveu os quadris como um possesso. Sem aviso prévio, senti uma sacudida profunda dentro de mim; seu rosnado rouco anunciou o fim pouco antes de ele se esvaziar por completo, cravando-se até o fundo.
—Porra, eu já nem lembrava como era isso com você —suspirou—. Vou me limpar, já volto.
***
Assim que ele saiu, me deitei de barriga para cima e fiz um sinal com o dedo para eles. Eles se atiraram sobre mim como se estivessem se contendo havia uma eternidade.
Hugo me segurou pelas coxas, me ergueu um pouco da cama e se enterrou em mim de uma vez. Os outros se colocaram de cada lado e comecei a atendê-los com as mãos enquanto ele marcava um ritmo que fazia o estrado ranger.
—Isso, assim, todos ao mesmo tempo —pedi, perdida na minha própria ousadia.
—Deixa comigo —disse Bruno, afastando Hugo com delicadeza.
Voltei para a posição de quatro. A diferença de tamanho me arrancou um gemido fundo assim que ele entrou. As investidas dele não eram tão rápidas, mas chegavam mais fundo. Segurei os dois membros que estavam na altura do meu rosto e fui alternando-os na boca enquanto arqueava as costas.
—Sai, antes que Adrián volte e nos expulse —pediu Iván.
Não disse nada; me deixei cair de novo de barriga para cima, exausta e feliz. Iván entrou devagar, quase com delicadeza, e aproveitei para aproximar os outros dois da boca.
—Saí um minuto e olha o que vocês fazem —gritou Adrián ao voltar. Os três ficaram imóveis, intimidados—. Eu disse para parar? Continuem, porra. A esse nem liguem, que ele já teve a parte dele.
Para minha surpresa, ele subiu na cama, sentou-se sobre meu peito e juntou meus seios com as mãos para deslizar entre eles. Aquilo reanimou o resto, que acelerou o ritmo.
Um atrás do outro foram chegando ao limite. Adrián foi o primeiro, gozando entre meus seios com um jato que alcançou meu queixo. Marcos e Bruno se aproximaram do meu rosto e, gemendo como se estivessem levantando duzentos quilos na academia, terminaram quase ao mesmo tempo. Fiquei feita um quadro, sem conseguir abrir os olhos direito.
Só Iván continuava aguentando, bombeando com uma paciência infinita.
—Que resistência o seu amigo tem —comentei.
—É, ele se gabava disso, e agora vejo que era verdade. Vai ter que fazer ele gozar.
—Desafio aceito.
Limparam meu rosto com uma toalha, pedi a Iván que se sentasse contra a cabeceira e subi em cima dele. Colei meu corpo ao dele e comecei a me mover com o que ainda me restava. A cama protestava sob nós, eu estava sem ar, mas não parei. Mexi os quadris como se minha vida dependesse disso enquanto ele lambia meus seios.
—Isso, aí, não para! —gritou por fim.
Ele gozou com uma intensidade que me deixou tremendo, derramando-se inteiro dentro de mim.
—Mas, cara, o que você tomou? —eu disse ofegante.
—Devem ser os shakes de proteína —brincou Hugo da beira da cama.
Quando me levantei, um fio imparável começou a escorrer pela minha coxa. Olhei para o quarto, cheio de homens satisfeitos e de pizzas que ninguém tinha chegado a pedir, e comecei a rir.
—Alguém quer extra de queijo na sua? —soltei.
E, enquanto procurava minha roupa entre a bagunça, pensei que aquele currículo tinha ficado perfeito. O meu, pelo menos, acabava de acrescentar uma experiência inesquecível.