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Relatos Ardientes

O chat que terminou com duas motos e um trio

Tudo começou numa terça-feira de fevereiro, com o celular na mão e a chuva batendo no vidro da sacada.

Eu estava casado com Elena havia três anos, e a rotina tinha se instalado entre nós com aquela eficiência silenciosa das coisas que ninguém escolhe, mas ninguém impede. Eu não era um homem infeliz. Era, antes, um homem previsível. E, aos trinta e quatro anos, meu corpo pedia outra coisa.

Abri um perfil num aplicativo de encontros. Coloquei três fotos — as que me faziam parecer mais direto do que eu sou — e publiquei um anúncio sem rodeios: buscava encontros sem compromisso, discrição absoluta, sem interferir na vida de ninguém. Eu me oferecia como o que era: um homem casado com tanto a perder quanto qualquer mulher na mesma situação.

A lógica era simples. As mulheres que procuram algo fora precisam saber duas coisas: que o outro não vai virar um problema e que ninguém vai descobrir. Ser casado não era uma desvantagem. Era a melhor garantia que eu podia oferecer.

As mensagens começaram a chegar dois dias depois.

***

Entre todos os contatos, um se destacou desde o primeiro momento. Chamava-se Valeria.

O perfil dela não tinha foto do rosto — só uma imagem do corpo, uma cintura estreita e uns quadris que faziam tudo o que tinham que fazer —. As primeiras palavras não foram de apresentação nem de cortesia. Foram diretas: “Me interessa o que você diz. Falamos por e-mail?”

Mudamos para o Gmail ainda naquela tarde.

Ela morava a duzentos quilômetros. Distante o suficiente para garantir o anonimato, perto o bastante para o encontro ser possível. Contou que era de Zaragoza, mas tinha preferido não indicar isso no anúncio: não queria trombar com ninguém conhecido. Eu entendi perfeitamente.

Os primeiros e-mails foram cautelosos. No terceiro, ela deixou de ser.

“Não busco carícias delicadas”, ela me escreveu numa noite. “Busco sentir o peso de uma mão que não hesite. Me fascina a pressão no ventre, esse afundamento que me obriga a soltar o ar e a me render ao que quer que eu esteja sentindo. Quero que me coloquem os dedos até o fundo da boceta enquanto essa mão me esmaga a barriga por fora, e que sintam como eu me fecho ao redor sem conseguir evitar.”

Pedi que ela me explicasse melhor.

Ela me explicou durante quatro e-mails seguidos, com uma precisão que me deixou sem palavras. Descrevia como a pressão externa sobre o abdômen provoca uma reação muscular involuntária, como isso intensifica tudo o que estiver dentro, como um dildo ou um pau parecem o dobro do grossos quando alguém empurra seu ventre por cima. Ela me mandou fotos sob a luz quente de uma luminária de cabeceira: a barriga, a linha do umbigo, um brinquedo de silicone aplicando exatamente a força que descrevia, e, no último e-mail, uma foto aberta de pernas em que se via a ponta do falso enfiada entre os lábios brilhantes de tesão. Eu as olhava na garagem, com a Honda desligada às minhas costas, a rola dura contra o zíper do jeans e o pulso ganhando da quietude do bairro.

Eu mandei fotos das minhas mãos. Marcadas, trabalhadas pelos quilômetros de moto e pelas luvas de couro. “Essas mãos não sabem de sutileza”, eu escrevi. “Sabem domar máquinas e sabem onde apertar para fazer alguma coisa rugir. Imagine uma abrindo suas pernas e a outra esmagando sua barriga enquanto eu te fodo com três dedos até você gozar na cama.”

A resposta dela chegou à meia-noite: uma imagem deitada, o falo de silicone apoiado exatamente onde eu havia descrito, a outra mão abrindo a boceta com dois dedos para que tudo ficasse visível. E uma única linha de texto: “Quando você vem enfiar de verdade?”

Levei dois dias para responder. Não porque eu estivesse em dúvida, mas porque precisava pensar direito.

***

A solução veio embrulhada em couro e numa mentira necessária.

Disse a Elena que no sábado eu sairia para rodar com Miguel, um amigo de toda a vida que sabia exatamente a que tipo de saída eu estava me referindo. Contei tudo sem rodeios — sempre fomos assim, havia anos — e ele nem hesitou meio segundo em se oferecer para me acompanhar.

O plano era simples: Miguel me seguiria até Alicante na moto dele, ficaria rodando pelo centro enquanto eu tinha o encontro com Valeria e depois voltaríamos juntos antes de anoitecer. Elena engoliu a história sem problemas; tinha os próprios afazeres naquele sábado e saber que eu iria acompanhado acabou de dissipar qualquer dúvida.

O sábado amanheceu frio e limpo. Enquanto ajustava as malas da Honda, sentia aquela mistura de adrenalina e vertigem de quem sabe que está prestes a cruzar uma linha sem volta. Miguel apareceu pontual na moto dele, cumprimentou Elena com a naturalidade de quem não esconde nada, e nos jogamos na rodovia antes que minha mulher terminasse de dizer “vão com cuidado”.

Duzentos quilômetros de asfalto, os intercomunicadores abertos, e eu contando a Miguel a história inteira: o aplicativo, os e-mails, as fotos, a explicação sobre a pressão, o vídeo que ela me mandara na noite anterior em que se enfiava com dois dedos e me pedia por escrito que eu destruísse a boceta dela.

— Cara — dizia ele entre risadas —, essa é a viagem com mais recompensa que você já fez na vida. Olha, se a Valeria tiver alguma amiga com as mesmas ideias, você já pode ir me apresentando.

Rimos, mas, a cada quilômetro que encurtava a distância, meu pulso subia mais um grau.

***

O GPS nos levou até o prédio de quatro andares num bairro novo da cidade. Desligamos os motores. Liguei para o número que eu trazia anotado no bolso da jaqueta.

— Oi — disse uma voz suave, mais jovem do que eu imaginava.

— Estou embaixo, com um amigo de moto.

— Desço já.

A porta do prédio se abriu alguns segundos depois. Cabelo castanho, cortado na altura da mandíbula, um sorriso que eu reconheci na hora porque era exatamente o que nunca tinha aparecido em nenhuma foto dela. Valeria nunca tinha me mostrado o rosto. E, naquele momento, eu entendi por quê: o que ela tinha não era o tipo de cara que se manda por e-mail. Era o tipo de cara que precisa ser visto ao vivo para machucar.

Fiquei imóvel por um momento. Miguel também não disse nada.

— Rubén? — perguntou ela, cravando os olhos nos meus.

Tirei o capacete.

— Sim, sou eu.

Ela se aproximou e me deu dois beijos. Depois olhou para Miguel com a mesma naturalidade, se apresentou e, antes que qualquer um de nós dissesse algo, nos convidou a subir para beber alguma coisa. Miguel ia recusar, mas ela insistiu com uma hospitalidade que me desconcertou: não combinava com a mulher dos e-mails, com a que descrevia seus desejos sem filtro. No entanto, ali estava ela, oferecendo uma cerveja gelada como se fôssemos vizinhos de toda a vida.

Subimos os três no elevador. Era pequeno e estreito, e mal cabíamos com os capacetes e as jaquetas. Valeria ficou bem na minha frente. Quando as portas se fecharam, encostou a bunda no meu volume com uma lentidão calculada que não deixava dúvida nenhuma. Um movimento lento, quase só insinuado, roçando de cima a baixo com Miguel a trinta centímetros olhando o painel de botões. Senti a rola inchar dentro da calça e ela percebeu também: virou um pouco o rosto e me lançou um sorriso de lado, mordendo o lábio. Ela me deixou com o sangue em outra parte durante o resto do trajeto.

***

A sala era pequena e acolhedora. Ela nos acomodou no sofá, trouxe três cervejas e sentou entre nós dois com uma naturalidade que já começava a me parecer indistinguível da ousadia. Brindamos. Eu não conseguia parar de olhá-la.

Em cinco minutos, ela baixou os olhos para a minha calça e soltou uma gargalhada que quase a fez engasgar com a bebida.

— Rubén? — disse, apontando sem nenhum pudor para o volume que marcava claríssimo sob o tecido —. O que é isso?

Miguel demorou um segundo para entender do que ela falava. Quando entendeu, ficou vermelho até a orelha.

— Seu amigo — explicou Valeria para Miguel, com os olhos brilhando —, parece que não desligou a moto. Está “ligado”.

— Acho que vou beber minha cerveja rápido e deixar vocês sozinhos — murmurou meu amigo, olhando para o lado.

— Fica tranquilo, não vai se engasgar — disse ela —. Aqui cabe todo mundo.

Olhei fixamente para ela e decidi ir direto ao ponto.

— Valeria, pessoalmente você está muito melhor do que eu esperava. As fotos são uma coisa, mas te ver aqui é outra completamente diferente.

Ela deixou o rubor subir devagar pelo pescoço.

— Você não sabe como eu estou por dentro. Estou tremendo até nos dedos. Estar aqui com dois desconhecidos, sabendo o que vocês vieram fazer... deixou minha boceta uma bagunça desde o elevador.

Passei um braço por seus ombros e a puxei para mim.

— Quer se divertir? Sem rodeios. Me diz o que você quer e você marca onde a gente para.

Valeria sustentou meu olhar por três segundos longos.

— Quero me deixar levar — disse ela. — Quero ser a Valeria que se deixa foder sem pensar, a que não se permite ser isso fora destas quatro paredes.

Virei-me para Miguel.

— Na estrada você me perguntou se a Valeria teria alguma amiga com as mesmas ideias, não perguntou?

Ele arregalou os olhos.

— Ela não tem amiga — continuei —, mas, se você quiser me ajudar a dar uma boa tarde para essa mulher, está convidado. Você decide.

Miguel passou a mão no rosto e soltou todo o ar de uma vez.

— Os dois com ela?

— Os dois com ela. Se ela quiser, claro.

Valeria nos olhava do centro do sofá, com as mãos quietas sobre os joelhos e a respiração um pouco mais acelerada do que o normal. Assentiu devagar, sem hesitar.

— Os dois. Eu quero os dois.

***

Eu a coloquei de pé num puxão. Tirei a camiseta dela com um único movimento e desabotoei o sutiã antes que ela pudesse respirar. Dois seios pequenos e firmes, com os mamilos já duros e escuros. Cravei os dedos neles e apertei até senti-los endurecer ainda mais sob as minhas pontas. Ela cerrou os lábios, segurando o que queria soltar, mas um gemido escapou mesmo assim.

— Chupa eles — eu disse a Miguel, apontando com o queixo —. Para de olhar e começa a trabalhar.

Miguel se abaixou e abocanhou um mamilo enquanto eu continuava trabalhando o outro com os dedos. Ela respondia com aquele som curto e seco que o corpo faz quando dor e prazer se encontram exatamente no mesmo ponto. Agarrou o cabelo de Miguel para não soltá-lo e arqueou as costas na minha direção.

Desabotoei o jeans dela e o puxei de uma vez, junto com a calcinha. Deixamos ela nua no meio da sala, com as pernas tremendo, um triângulo de pelos aparado sobre o púbis e os lábios da boceta inchados e brilhantes. Era exatamente o mapa que ela havia descrito nos e-mails, e eu estava lendo aquilo ao vivo pela primeira vez.

Empurrei-a contra a parede, abri suas pernas com o joelho e enterrei a mão entre as coxas dela. Estava encharcada, tão molhada que dois dedos entraram inteiros sem encontrar a menor resistência.

— Porra — murmurou Miguel, colado ao pescoço dela —. Está como uma fonte.

Enfiei um terceiro dedo e apliquei a pressão que ela me pedira nos e-mails: a palma livre achatada sobre o ventre, empurrando com firmeza para baixo enquanto os dedos da outra mão trabalhavam por dentro, entrando e saindo com um ritmo cada vez mais rápido, mais fundo, até eu ouvi-los chapinhando. Senti exatamente o que ela havia descrito com tanta precisão: aquele fechamento muscular involuntário, aquele abraço interno que deixa tudo mais apertado, aquele ponto rugoso na parede frontal que comecei a acariciar com a ponta do dedo enquanto a esmagava por fora. Fechei os olhos por um momento e entendi por que vinha falando disso havia meses.

— Vai me dizer que não gosta, sua vadia? — eu disse ao ouvido dela —. Vai me dizer que não gosta que eu te foda com a mão e esmague sua barriga ao mesmo tempo?

— Sim — ela ofegou, com a cabeça jogada para trás e os olhos apertados —. Não para, por favor, não para...

Miguel tinha descido a mão até o clitóris e o esfregava em círculos com dois dedos enquanto mordia o pescoço dela. Valeria começou a tremer entre nós dois, com os joelhos cedendo, e de repente se fechou ao redor dos meus dedos com uma força brutal e soltou um grito rouco, nascido do fundo da barriga. Ela gozou de pé, contra a parede, encharcando meu pulso com um jato morno que desceu até o cotovelo.

— Porra, Rubén — murmurou Miguel —. Ela gozou com a mão.

— E isso é só o aperitivo — eu disse, tirando os dedos da boceta e levando-os à boca para chupá-los na frente dela —. Para o quarto.

***

Levamos ela quase no ar até a cama. Deitamos-na na beirada e, antes de qualquer coisa, deixei claro o que era para fazer enquanto Miguel e eu tirávamos as calças.

— Você vai chupar nós dois. Começa pelo Miguel.

Ela obedeceu sem reclamar. Ajoelhou-se na beirada do colchão e começou a cuidar da rola do meu amigo com uma entrega que não tinha nada de fingido. A primeira lambida foi longa, dos ovos até a glande, e depois engoliu até o fundo, engasgando um pouco no começo e recuperando o ritmo logo em seguida. Eu a segurava pelo cabelo por trás, marcando o ritmo, enfiando o rosto dela na rola de Miguel para que sentisse até a garganta, enquanto ele apoiava os dedos na cabeceira da cama com os nós brancos e gemia baixinho, incapaz de dizer uma palavra.

— Assim, engole tudo — eu dizia —. Faz as lágrimas saírem, deixa a baba escorrer.

Os olhos dela se encheram de lágrimas e a saliva lhe escorria em fios brilhantes do queixo até os seios. Eu a tirei à força e pus na cara de Miguel para que ela pudesse se limpar, e, sem lhe dar tempo, a virei para mim. Quando chegou a minha vez, senti como a boca dela mudava de velocidade, buscando o ponto exato que me fazia perder o controle: envolvia a glande com a língua, chupava com as bochechas fundas, subia e descia com uma sucção que me lançava os quadris para a frente sem eu querer. Agarrei sua cabeça com as duas mãos e fodi a boca dela até o fundo, duas, três, quatro investidas seguidas até a garganta.

— Para — eu disse, puxando para trás pelo cabelo —. Ainda não, não quero gozar na sua boca.

Deitei-a de costas no colchão e abri suas pernas com as duas mãos. Miguel se colocou de um lado e se abaixou para chupar um seio enquanto eu descia com a boca pelo ventre dela. Passei a língua por cima do umbigo, continuei descendo e me enterrei de vez na boceta. Chupei sem dó, com a boca toda aberta, prendendo o clitóris entre os lábios e trabalhando-o com a ponta da língua ao mesmo tempo em que enfiava dois dedos de novo e apertava o ventre com a mão livre. Ela se contorcia, agarrava os lençóis, gritava meu nome e o de Miguel misturados sem perceber.

— Vou gozar outra vez — gemeu —. Outra vez, porra, outra vez...

Chupei mais forte, apertei os dedos contra aquele ponto rugoso, empurrei a barriga para baixo, e ela se rompeu pela segunda vez no colchão, arqueada, com os calcanhares cravados nas minhas costas e um jato quente que me encharcou o queixo.

***

Virei-a e a coloquei de quatro. Agarrei seus quadris e enfiei a rola com uma investida até o fundo. Ela soltou um grito abafado contra o travesseiro.

— Porra, Valeria, como você está apertada — ofeguei, segurando-a pela cintura e começando a fodê-la com ritmo —. Que boceta gostosa, porra...

Miguel se colocou na frente dela e aproximou a rola da boca. Valeria abriu sem dizer nada e o engoliu ao mesmo tempo em que eu a socava por trás. Os dois entrávamos e saíamos ao mesmo tempo, em ritmos que se buscavam, e ela se deixava usar dos dois lados como se não tivesse esperado outra coisa na vida toda. Agarrei seu cabelo por trás e puxei para cima para que arqueasse mais, para eu conseguir enfiar mais fundo; as nádegas dela tremiam a cada investida e o som molhado dos meus ovos contra a boceta preenchia o quarto.

— Olha pra ela — murmurou Miguel —. Olha como ela aguenta.

Tirei-a por um instante e a deitei de barriga para cima na cama.

— Agora por cima de mim. Quero ver sua cara enquanto você goza outra vez.

Valeria montou em mim de frente, descendo devagar até que minha rola a atravessasse inteira de novo. Quando nos conectamos, ela soltou um som que não era um gemido, mas algo mais fundo, mais primitivo, um rosnado animal que saiu do fundo do ventre. Começou a se mover, apoiando as mãos no meu peito, subindo e descendo com os quadris, e eu via minha rola entrar e sair dela brilhante de tesão, via o clitóris inchar a cada descida.

Agarrei o brinquedo que ela mesma tinha trazido da mesa de cabeceira — um cilindro pesado de silicone preto — e o apoiei sobre o abdômen dela, logo abaixo do umbigo, empurrando para baixo com firmeza enquanto meus quadris subiam ao encontro dos dela. Senti exatamente o que ela havia descrito com tanto detalhe nos e-mails: a boceta se fechou de repente ao redor da minha rola, um abraço interno que a deixou duas vezes mais apertada, como se lá dentro tivesse surgido de repente outro corpo empurrando de cima. Agora eu a entendia nos dois sentidos ao mesmo tempo.

— Meu Deus — ofegou ela, com os olhos virando —. Meu Deus, assim, assim, não solta...

Miguel se colocou atrás com calma. Passou lubrificante nos dedos, abriu as nádegas dela com as duas mãos e enfiou um dedo devagar até a junta. Valeria parou de se mover por um segundo, fechou os olhos e respirou fundo. Miguel esperou, meteu um segundo dedo, moveu-os em tesoura para ir abrindo. Quando a viu pronta, passou lubrificante na rola e foi encostando-a no olho do cu.

— Devagar — sussurrou Valeria —. Devagar, por favor.

Miguel empurrou milímetro por milímetro. A cabeça da rola desapareceu dentro com um pequeno gemido dela, e depois o resto, aos poucos, até ficar enterrado até a base. Quando nós dois estivemos dentro, ela ficou completamente imóvel por alguns segundos, processando tudo o que estávamos lhe dando ao mesmo tempo. Senti-a tremer, respirar em ofegos curtos, se adaptando ao dobro de volume. Depois ela começou a se mover, e nós três encontramos um ritmo que transformou o quarto em algo completamente diferente de qualquer outra noite.

Ela apertava, se contraía, gemia naquele tom baixo que têm os orgasmos que não podem ser fingidos. Os músculos das costas dela se retesavam a cada investida de Miguel; eu sentia o impulso do meu amigo através da parede interna que nos separava, um atrito que fazia minha rola parecer ainda mais grossa para ela, e ela o sentia também mais grosso pela pressão da minha. Cada investida de um era uma investida dos dois. Agarrei o quadril dela com uma mão e, com a outra, continuei apertando o brinquedo sobre seu ventre, sem soltá-lo um segundo, olhando nos olhos dela.

— Você está cheia até a borda, Valeria — eu disse —. Duas rolas e ainda isso aqui. Do jeito que você gosta.

— Do jeito que eu gosto — repetiu ela com a voz quebrada —. Vocês me fodendo os dois, me fodendo por inteiro, não parem, não parem...

Miguel aguentou até não poder mais e descarregou com um rosnado longo, apertando os quadris dela com os dedos até deixar marcas, se esvaziando dentro do cu com espasmos que Valeria contava em gemidos curtos. Eu aguentei um pouco mais, fodendo-a por baixo com investidas cada vez mais profundas enquanto apertava o ventre dela, até que Valeria se fechou sobre mim em convulsões curtas e rítmicas, gritando sem freio, gozando pela terceira vez com as duas rolas dentro; então eu também me rendi e me esvaziei na boceta dela, jato após jato, sentindo o sêmen se acumular lá dentro a cada empurrão.

Miguel saiu devagar e caiu ao lado. Valeria desabou sobre meu peito, e quando minha rola deslizou para fora senti o rastro quente de sêmen e gozo escorrendo pela coxa dela até encharcar meu quadril. Era um peso quente e úmido. Abracei-a sem pensar, sentindo a respiração irregular dela no meu pescoço e os pequenos espasmos que ainda percorriam suas coxas e sua boceta.

— Foi incrível — conseguiu dizer, com a voz quebrada —. Nunca tinham me enchido assim ao mesmo tempo. Nunca tinha gozado três vezes seguidas com ninguém.

Miguel olhava para o teto, com os braços em cruz.

— Que tarde de sábado, cara — murmurou —. Que tarde de sábado.

***

Pedimos pizza.

Enquanto esperávamos, Valeria se enrolou num robe, sentou-se entre nós dois no sofá e, com as bochechas ainda rosadas e as pernas cruzadas e apertadas, nos olhou com uma honestidade que me desarmou.

— Posso perguntar uma coisa?

— Claro — eu disse.

— Como vocês se sentiram com tudo isso? Com eu ter cedido tão rápido, com eu ter sido tão... direta desde o início.

— Você não cedeu — eu a interrompi —. Você escolheu. Há uma diferença enorme entre as duas coisas.

Ela assentiu, mas ainda girava em torno do mesmo pensamento.

— No meu dia a dia eu não sou assim. Ninguém que me conhece esperaria isso de mim.

— Exatamente por isso você pôde ser assim nesta tarde — eu disse —. Aqui ninguém te conhece. Não há julgamento, não há reputação para proteger. Só o que você decidiu ser.

Miguel entrou com a voz tranquila de sempre.

— Tem uma coisa que eu não entendo direito, Valeria. Sabendo que o Rubén é casado, como você topou tudo isso?

Ela cruzou as pernas e nos olhou sem hesitar.

— Justamente porque ele é casado. Isso me garante que ele não vai aparecer na minha porta pedindo explicações nem querendo mais do que isso. Ele tem tanto a perder quanto eu: isso me dá uma segurança que um solteiro obcecado jamais me daria. — Fez uma pausa. — E além disso ele mora a duzentos quilômetros. Não vamos nos cruzar na rua.

Miguel assentiu devagar.

— Faz todo o sentido do mundo.

O entregador chegou. Valeria foi abrir bem coberta pelo robe, voltou com duas caixas grandes e as deixou na mesa da sala. Comemos os três no sofá, falando de qualquer coisa — de rotas de moto, de música, de lugares para comer bem na cidade — com aquela estranha normalidade que os momentos irrepetíveis têm quando já aconteceram.

***

Antes de irmos embora, pedi permissão para tomar banho. Ela me deixou uma toalha limpa e esperou no corredor.

Quando saí, ela estava ali, com o robe vestido e o cabelo um pouco úmido, olhando para o chão. Aproximei-me sem dizer nada.

— Foi a coisa mais intensa que fiz em muito tempo — eu disse —. Obrigado.

Ela se jogou nos meus braços de repente, apertando com uma força que me surpreendeu. Sussurrou no meu ouvido com uma voz que misturava alívio com algo parecido com medo.

— Rubén, eu não sou assim. Não quero que você leve essa imagem de mim.

Eu a afastei com cuidado, segurando seus braços para que ela não pudesse desviar o olhar.

— Você é assim, sim — eu disse com total convicção —. E é exatamente isso que faz tudo isso fazer sentido. Não peço que você seja diferente. Peço que você seja exatamente o que é, porque você é fantástica.

Fiz uma pequena pausa, deixando minhas palavras assentarem.

— Não sei aonde isso vai nos levar, nem se vamos nos ver de novo algum dia — continuei —, mas te garanto que levo comigo a lembrança mais forte da minha vida inteira.

Ela me olhou por um instante. Depois assentiu em silêncio, com os olhos brilhando.

Miguel saiu do banheiro já vestido e fresco, quebrou o momento com um tapinha no meu ombro e disse a Valeria que ela tinha sido uma anfitriã nota dez. Ela nos acompanhou até a porta. O ar da noite estava frio e limpo depois do calor do apartamento. Demos um beijo em sua bochecha, um cada um, e descemos as escadas sem dizer nada.

Ao chegar às motos, enquanto ajustávamos os capacetes, Miguel me olhou.

— Isso fica entre nós — eu disse antes que ele abrisse a boca.

— Nem duvida — respondeu ele. — É pra isso que servem os amigos.

Liguei a Honda. O rugido do motor vibrou entre minhas pernas, um eco distante de tudo o que tinha acontecido poucas horas antes. Os postes da cidade ficaram para trás no retrovisor enquanto tomávamos a rodovia de volta.

Duzentos quilômetros de retorno, o vento na jaqueta, e na minha cabeça já não havia telas nem pixels nem e-mails. Só o toque da pele dela, o peso do corpo dela sobre o meu, e aquele olhar no corredor que me dizia, sem palavras, que ela também não voltaria a ser exatamente a mesma.

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