A mãe da minha vizinha veio me cobrar furiosa
Achei que seria uma bronca de quinze minutos. Não contei com a bolsa que Bárbara trouxe, nem com a mulher em que aquela mãe furiosa se tornaria.
Achei que seria uma bronca de quinze minutos. Não contei com a bolsa que Bárbara trouxe, nem com a mulher em que aquela mãe furiosa se tornaria.
Ficava imóvel contra o espelho, respirando pelo nariz, deixando eu fazer em silêncio enquanto o resto do prédio subia sem perceber nada.
Eu achava que meu segredo estava seguro entre estas paredes, até ouvir a janela dele se fechar com força e saber que alguém tinha acabado de ver quem eu sou de verdade.
O elevador era velho e estreito, e ela ia bem na minha frente. Só precisei deslizar a mão por trás e rezar para o marido dela não tirar os olhos do celular.
Às quatro da manhã, sozinho na padaria, ele descobriu que o divórcio não tinha despertado só as ganas de sempre: tinha despertado outras, com nome de vizinho.
Eu me cruzava com ela no hall havia meses, desviando do olhar. Naquela tarde, trancados no elevador com o marido bêbado ao lado, parei de desviar.
Ela estava no sofá, com a saia levantada e a buceta molhada, e só precisava dizer uma frase para eu não ir embora e deixá-la assim, esperando o marido.
Ela bateu à minha porta desesperada: o marido tinha sido preso. Aceitei ir, mas com uma única condição, e ela não estava em posição de recusar nada.
A chave ainda aquecia meu bolso desde a noite anterior. Eu sabia que ela estaria acordada, me esperando, com o robe aberto e a cafeteira no fogo.
Estava há quarenta anos sonhando com uma manhã livre e vazia. O que não estava nos meus planos era começar essa segunda-feira vendo o vizinho pelado e sentir a respiração falhar.
Conheciam-no como o velho bonachão da esquina, o que cumprimentava todo mundo e nunca levantava a voz. Bastou uma tarde a portas fechadas para descobrir o homem que ele realmente era.
Eu a vi passar de menino tímido a mulher deslumbrante. Naquela tarde de calor, com a pizza esfriando na mesa, foi ela quem se inclinou para me beijar primeiro.
Três meses sozinha com a filha e a cama fria. Quando uma mensagem ofereceu um verão longe de tudo, ela não imaginou que duas a esperavam.
Eu a vi comandar a mudança com aquela voz rouca e soube que não conseguiria tirá-la da cabeça. O que eu não imaginava era tudo o que ela escondia sob o corset.
Subi ao patamar dele de jeans marcando tudo e o coração na garganta. Ninguém abriu. Quando desisti, as portas do elevador se abriram e lá estava ele.
«Desce às nove. Bem tomado banho, depilado e sem roupa íntima. Hoje a gente vai te usar nós dois.» Desliguei o telefone com as mãos tremendo e comecei a contar as horas.
Meus pais diziam que aquela vizinha não era confiável. Eu só sabia que, cada vez que a cruzava no elevador, eu tinha dificuldade para respirar e não entendia por quê.
Fazia semanas que eu não pisava no apartamento dela, mas naquela noite, com duas cervejas pela metade e a mão dela subindo pela minha coxa, soube que as férias começariam muito bem.
O caderninho do fiado não dava mais conta, meu marido ficava vendo TV e o dono do armazém me olhava do outro lado do balcão com aqueles olhos azuis que pareciam me despir.
Numa noite de tempestade, voltei encharcada e abri sem avisar a porta do quarto: o que vi sobre a nossa cama mudou minha cabeça mais do que qualquer briga poderia.