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Relatos Ardientes

O armário de onde minha amiga dominava os homens

Ilustração do conto erótico: O armário de onde minha amiga dominava os homens

Quando eu era pequena, nunca entendi por que aos homens doía tanto um golpe ali embaixo. Nos filmes, o herói e o vilão acabavam, mais cedo ou mais tarde, encolhidos no chão, com as mãos entre as pernas e o rosto retorcido. O mesmo acontecia no pátio da escola, quando algum menino levava uma bolada bem no lugar errado e ficava dez minutos sem ar. A mim já tinham dado cotoveladas, boladas, tombos, e eu nunca tinha me contorcido por tanto tempo. Levei anos para chegar à conclusão óbvia: era por causa daquelas duas coisinhas que pendiam entre as pernas deles, justamente o que supostamente os fazia homens.

Eu pensava nisso de forma abstrata, quase como uma curiosidade de bióloga amadora. Até que Daniela me convidou para uma de suas sessões.

Daniela era minha melhor amiga desde a universidade. Tinha uma daquelas contas nas redes com milhares de seguidores, fotos no limite do permitido, um sorriso que sabia exatamente quanto valia. O que quase ninguém sabia era de onde vinha a maior parte do seu dinheiro. Não das fotos. Dos homens que pagavam uma fortuna para se ajoelharem diante dela.

— Você vai pirar — me disse ela numa tarde, enquanto passava nos lábios um vermelho quase preto —. Mas você fica escondida. O cliente não pode saber que tem mais alguém aqui. Faz parte do combinado: discrição absoluta.

Foi assim que eu acabei dentro de um camarim amplo, com as portas entreabertas, sentada sobre um monte de cobertores, espiando pela fresta como uma intrusa na minha própria vida.

***

O primeiro homem chegou pontualmente. De dia, com certeza era um sujeito respeitável: terno, relógio caro, o ar de quem estava acostumado a dar ordens num escritório. Mas ali, diante de Daniela, ele se despiu sem que ela precisasse pedir duas vezes. Deixou que amarrassem seus pulsos a uma estrutura de metal, abriu as pernas e ficou exposto, oferecendo a parte mais vulnerável do corpo a uma mulher que o observava como se observa um inseto interessante.

— Começa o espetáculo — disse ela, e a voz tinha um corte que eu não conhecia.

Daniela caminhava devagar ao redor dele, batendo os saltos no chão de cimento. De vez em quando roçava nele, passava uma unha pela parte interna da coxa, e o homem tremia inteiro. Depois, sem aviso, ela desferia um golpe seco. O som me fez apertar as pernas no meu esconderijo. Já nele, escapava um gemido que não era exatamente de dor.

— Mais forte — pedia ele —. Por favor, mais forte.

Ela ria. Um riso baixo, satisfeito, de quem sabe que tem o controle absoluto. Golpe atrás de golpe, volta atrás de volta, até que o homem, sem que ninguém o tocasse onde ele queria, gozou com um espasmo que o deixou pendurado nas amarras. Eu fiquei olhando pela fresta, com a boca seca, sem conseguir acreditar no que acabara de ver.

— Eu disse que você ia pirar — sussurrou Daniela depois, enquanto lavava as mãos como se nada tivesse acontecido —. E esse era dos tranquilos.

***

Não foi a única sessão de que participei. Voltei. Voltei muitas vezes, e a cada vez entendia um pouco menos por que aquilo me excitava tanto e um pouco mais que eu já não conseguia evitar.

Vi homens lindos, de torso trabalhado e mãos grandes, se comportarem como cães enquanto Daniela os montava por trás com uma coleira presa à cintura.

— Vai, rasteja! — ela ordenava, rindo alto, e eles arrastavam os joelhos pelo chão, dóceis, agradecidos.

Vi homens que na rua jamais baixariam o olhar suplicarem permissão para tudo: para falar, para se mover, para respirar mais fundo. Daniela os desmontava peça por peça, e o que restava debaixo do terno e do relógio caro era sempre a mesma coisa: vontade de obedecer.

O meu preferido era o que pedia o extremo. Daniela tinha um banco baixo, quase como uma mesa de oficina, com duas placas de aço de um lado. O homem apoiava ali a parte mais sensível do corpo, ela ia fechando o mecanismo aos poucos, e ele gritava de uma dor que me alcançava até o esconderijo. Eu, escondida, me masturbava em silêncio, mordendo o lábio para não fazer barulho, fascinada por uma crueldade que ele mesmo pagava para receber.

— Mais, porra, aperta! — rugia, e quanto mais ela apertava, mais ele se endurecia.

O que vinha depois sempre me surpreendia pelo contraste. Daniela retirava as placas, aplicava gelo com uma delicadeza quase maternal, esperava ele recuperar o fôlego. Então o punha de quatro, acariciava suas costas e lhe dava o que ele tinha vindo realmente buscar. Ela o penetrava devagar, com um arnês que parecia pesar menos do que a própria autoridade dela, enquanto ele gemia com o rosto colado ao chão. Antes de terminar, o ameaçava: se gozasse sem permissão, ia se dar mal. E a ameaça, longe de acalmá-lo, o incendiava até fazê-lo explodir.

— Bom menino — dizia ela então, e para mim aquelas duas palavras pareciam mais obscenas do que todo o resto.

***

O dinheiro que esses homens pagavam era absurdo. Depois de cada sessão, Daniela contava as notas com o mesmo sorriso com que pintava os lábios, sentava ao meu lado e conversávamos como duas amigas quaisquer até o próximo chegar.

— Dinheiro fácil — dizia, abanando-se com as notas —. E ainda me divirto.

Nem tudo era tão intenso. Havia clientes mais suaves, e por isso mais baratos. Alguns pagavam só para se despir diante dela e se tocar enquanto Daniela vestia uma fantasia que eles mesmos tinham escolhido e financiado. Tinham uma única tarefa: ajoelhar-se, olhá-la e gozar. Havia os que aguentavam só um minuto antes de se virem, trêmulos, envergonhados e felizes ao mesmo tempo.

— Tem uns que ficam mais tesudos só de eu ficar olhando do que com a cena em si — me confessou uma noite —. Por isso, às vezes eu te dou uma parte.

Porque sim, Daniela tinha começado a dividir comigo. Não só o dinheiro. Ela me incluía no mundo dela aos poucos, como quem deixa alguém entrar numa sala trancada a chave. E, certa noite, sem que eu pedisse, me convidou a sair do armário.

***

O cliente daquela noite tinha pedido algo específico: ser humilhado por duas mulheres em vez de uma. Daniela me emprestou uma máscara para cobrir o rosto e fez um gesto com a cabeça. Eu hesitei por um segundo, só um, antes de atravessar a porta do esconderijo e entrar no centro da cena, onde a luz era mais crua e o ar cheirava a suor e expectativa.

O homem se despiu devagar, como se quisesse prolongar a própria exposição. Quando ficou completamente nu diante de nós, Daniela e eu nos olhamos e rimos quase sem querer. Não foi um riso cruel e calculado; foi genuíno, e por isso o homem se iluminou antes de começar a se tocar.

— Com isso você mal vai poder se exibir, pequenino — disse Daniela, circulando ao redor dele.

Eu não sabia bem o que dizer. Nunca tinha falado em uma daquelas cenas. Mas algo se soltou dentro de mim e as palavras saíram sozinhas.

— Imagina que você está numa praia cheia de gente — eu disse, me aproximando —. Imagina que todo mundo está olhando para você agora, assim, sem você poder esconder nada.

O efeito foi imediato. O homem soltou um rosnado e gozou com uma força que quase me alcançou, enquanto Daniela aplaudia como se eu tivesse marcado um gol. Senti algo desconhecido subir pelo meu peito. Não era só excitação. Era poder. Era a certeza repentina de que, com uma única frase, eu podia governar alguém por completo.

***

A partir daquela noite, deixei de ser apenas a que observava. Daniela foi me ensinando seus truques, sua maneira de ler cada homem, de saber quando apertar e quando aliviar, quando uma palavra valia mais do que um golpe. Aprendi que a dominação não tinha a ver com força bruta, mas com algo mais sutil: fazer o outro desejar desesperadamente o que você tinha para lhe dar e, depois, decidir se daria ou não.

Eu me divertia especialmente com os detalhes ridículos que alguns pediam. Tinha um que colocava um brinquedo enorme, muito maior do que ele mesmo, e se penetrava com ele enquanto descrevia em voz alta o quanto era avantajado, o quanto se sentia grande, enquanto nós o observávamos em silêncio. O contraste entre o que ele dizia e o que víamos era tão absurdo que custava não rir, e essa risada contida fazia parte do castigo.

Mas um pedido em particular me mudou para sempre. Um cliente, amarrado e de joelhos, pediu que fosse eu quem o batesse onde mais lhe doía. Eu nunca tinha feito aquilo. Daniela me encorajou com o olhar. Tirei os sapatos, apoiei o pé no chão frio, tomei impulso e golpeei.

O homem ergueu-se do chão um palmo antes de desabar com um gemido longo e agradecido. E eu senti uma emoção difícil de explicar: a sola nua do meu pé tinha, por um instante, o controle absoluto da parte mais frágil de um desconhecido.

Endireitei-me devagar, ainda com a respiração acelerada, e olhei para Daniela. Ela sorria com orgulho, como uma professora vendo a aluna superar a lição.

— Bem-vinda — disse ela simplesmente.

Naquela noite, voltando para casa, pensei na garota que, quando pequena, se perguntava por que os homens sentiam tanta dor com um golpe ali embaixo. Finalmente eu tinha a resposta, e ela era muito mais interessante do que eu jamais teria imaginado. Senti-me poderosa, intocável, dona de algo que eles nunca teriam.

E tudo, no fundo, por não carregar entre as pernas aquelas duas coisinhas tão frágeis.

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