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Relatos Ardientes

A dominante que acabou virando mercadoria

O mês seguinte ao rompimento definitivo de Clara e Diego transcorreu sob uma calma estranha, densa como neblina de madrugada. Nadia retirou os grilhões. Já não eram necessários.

A verdadeira prisão não se constrói com aço nem com nós. Ela é erguida devagar, com paciência e com dor, até que as grades sejam a gratidão e o medo do abandono. Nadia sabia disso desde o começo. Tinha planejado assim.

A cada manhã, sob a luz oblíqua que entrava pelas janelas da vila, Nadia iniciava seu ritual. Sentava os dois sobre almofadões de linho e, com gazes úmidas e água morna, limpava as marcas que ela mesma havia deixado. Passava cremes nas costas de Diego e nas coxas de Clara com uma suavidade que beirava o obsceno. Massageava sem pressa, sentindo os músculos cederem sob seus dedos, observando como os corpos que havia dobrado se entregavam de novo ao único contato que conheciam.

Às vezes o ritual não terminava com os cremes. Nadia enfiava os dedos entre as nádegas de Clara para verificar se o plug continuava bem encaixado, e Clara gemia sem conseguir evitar, abrindo mais as pernas, oferecendo a boceta úmida e depilada ao olhar avaliador de sua dona. Nadia beliscava seus mamilos até ficarem duros como pedras, depois enfiava dois dedos na boceta encharcada e os retirava brilhando.

— Olha como você escorre, cadela — murmurava, aproximando os dedos da boca dela—. Chupa.

Clara chupava os dedos com devoção, saboreando o próprio suco, enquanto Diego observava do canto com a jaula de castidade apertando sua rola inchada, que queria crescer e não podia. Um fio de líquido pré-seminal caía do pequeno orifício da jaula no chão de mármore. Nadia via aquilo e sorria.

Para eles, sentir as mãos dela curando as mesmas feridas que ela própria lhes havia provocado era algo que não conseguiam nomear. Só sabiam que a queriam mais por isso.

A alimentação se tornou o espetáculo favorito da manhã. Nadia tomava seu café de pé junto ao balcão de mármore enquanto Diego e Clara esperavam no chão da cozinha, de joelhos, as mãos sobre as coxas, os olhos baixos. Ela não deixava os dois usarem talheres. Um estalar de dedos era o sinal. Vê-los curvar a cabeça sobre as tigelas de plástico, comer com uma eficiência animal e uma obediência sem mais fissuras lhe produzia uma satisfação difícil de descrever.

Agora circulavam pela casa sem roupa e sem vergonha. Os colares de couro preto — um com fivela prateada para Clara, um com fivela dourada para Diego — eram usados por eles como se sempre tivessem sido seus. Diego a seguia de um cômodo a outro, silencioso como um cão de guarda, a jaula de castidade incorporada à rotina como se o aprisionamento permanente de seu corpo fosse a condição mais natural do mundo.

Clara era diferente. Seu caráter tinha ardido com força nos primeiros meses — aqueles olhos verdes carregados de desafio, aquele vocabulário de insultos que ela usava como arma — e agora só restavam as brasas: uma adoração que beirava o doentio. Procurava o olhar de Nadia em cada canto da casa. Ajoelhava-se diante dela com uma precisão técnica e uma entrega que já não precisava de ordens. A liberdade lhe parecia uma ameaça. O mundo exterior, um vazio onde ninguém a olhava como sua dona a olhava.

À noite, Nadia se deitava nua sobre os lençóis negros de seda e abria as pernas sem dizer palavra. Clara vinha engatinhando, se acomodava entre as coxas da dona e enfiava a língua na boceta perfumada com a mesma reverência com que se reza. Começava devagar, lambendo os lábios externos, chupando o clitóris com a boca inteira, penetrando-a com a língua rígida enquanto Nadia agarrava seu cabelo e a esfregava contra o próprio sexo.

— Mais fundo, puta. Enfia mais fundo.

Clara obedecia. O queixo ficava encharcado de fluido, o nariz achatado contra o púbis, respirando o cheiro da dona como se fosse o único ar possível. Diego observava aos pés da cama, ajoelhado, a rola enjaulada latejando dolorosamente. Às vezes Nadia o obrigava a se aproximar e limpar com a língua as nádegas de Clara enquanto Clara comia a boceta dela, formando uma cadeia obscena de bocas e corpos que existiam apenas para servi-la. Nadia gozava assim, com as pernas apertadas ao redor da cabeça de Clara, o clitóris pulsando sob a língua treinada, deixando o orgasmo sacudi-la devagar enquanto olhava para o teto e pensava em cifras.

— Boa cadela — sussurrava depois, batendo de leve na bochecha de Clara encharcada de gozo—. Engole tudo. Tudo o que sua dona soltar é seu.

Clara lambia até a última gota. Depois se enroscava aos pés da cama, ao lado de Diego, e dormia como dorme um animal saciado.

***

Apesar de tudo, Nadia não se enganava.

O afeto que demonstrava a eles — os cremes, a dieta equilibrada, os cuidados quase médicos com os quais havia apagado quase todas as cicatrizes — era um investimento. Ela estava restaurando os dois como se restaura uma peça de valor antes do leilão. Cada carícia era um controle de qualidade. Cada prato de comida, uma aposta no preço final.

Jovens, fisicamente impecáveis, psicologicamente esvaziados a ponto de agradecer a quem lhes colocasse uma nova corrente no pescoço. Essa combinação era rara até nos círculos mais obscuros. Nadia sabia disso. E vinha calculando a cifra havia semanas.

— Que pena vê-los partir — murmurou para si mesma, diante da jaula onde dormiam enroscados um no outro.

Ela sorriu. Era um sorriso sem calor.

— Mas neste mundo há pessoas que pagam fortunas exatamente por isso.

***

O amanhecer a encontrou sentada na beira da cama, com o robe de seda negra sobre os ombros e o celular na mão. Disou o número sem hesitar. Era um número que só existia para assuntos que não admitiam testemunhas.

Ao primeiro toque, a voz de Rubén encheu o aparelho. Profunda e seca, sem nuances, com o peso de alguém que há tempo demais vivia à margem de tudo. Nadia sentiu o arrepio familiar na nuca que aquela voz sempre lhe provocava: não de medo, mas de reconhecimento. Rubén era perigoso de um jeito que ela respeitava.

— Tenho mercadoria nova — disse Nadia, enquanto o aroma do café começava a subir da cozinha—. Duas peças. Um par. Em perfeitas condições.

Houve um breve silêncio. Depois Rubén respondeu com sua secura habitual: o transporte chegaria em duas horas. Mas, antes de desligar, acrescentou algo que fez Nadia apertar o celular com mais força: ele iria pessoalmente. Tinha assuntos de maior vulto para discutir.

— Te espero aqui — respondeu ela, e desligou.

Ela deixou o telefone sobre o balcão e bebeu o café devagar. Rubén não se deslocava por ninharias. Vir pessoalmente significava dinheiro de verdade, cifras que não se tratavam por telefone. Meio milhão. Era isso que ela pedia. E Rubén pagaria.

***

Nadia voltou para o quarto quando a luz do amanhecer ainda era cinza. Clara e Diego já estavam acordados, de joelhos dentro da jaula, em silêncio. Olharam-na entrar com aquela concentração absoluta que haviam desenvolvido ao longo dos meses: cada movimento dela era informação, sinal, instrução.

Nadia abriu o cadeado com lentidão. Pegou as correias de couro preto e as prendeu aos colares com um estalo metálico. Puxou de leve. Os dois desceram para o chão sem que fosse preciso dizer nada e engatinharam atrás dela pelo corredor, saindo da vila em direção à estrada de terra que levava ao galpão.

Percorreram o trajeto em silêncio. Antes, aquele caminho era terror. Agora era rotina.

***

No galpão, duas jaulas de aço reforçado esperavam abertas no centro do espaço. Pequenas. Restritivas. Feitas para imobilizar, não para conter.

— Os dois pra dentro — ordenou Nadia, com voz neutra.

Entraram sem hesitar.

Nadia começou por Diego. Com a eficiência de quem repetiu o procedimento muitas vezes, prendeu o colar à base inferior da jaula, obrigando-o a manter a cabeça a poucos centímetros do chão. Colocou as algemas, uniu-as com uma corrente curta aos grades traseiras, introduziu um tubo de aço entre as costas e os cotovelos que eliminava qualquer possibilidade de movimento. Amarrou as pernas com correias de nylon nas extremidades laterais. Diego não opôs resistência. Abriu a boca por vontade própria quando viu a mordaça.

Nadia a introduziu e ajustou as correias. Depois, antes de instalar o dildo anal, ajoelhou-se atrás dele e abriu suas nádegas com as duas mãos. Cuspiu no cu apertado e espalhou a saliva com o polegar, empurrando um pouco para dentro para lubrificar. Diego gemeu por trás da mordaça, a rola enjaulada tentando inutilmente inchar contra as grades de silicone médico. Nadia sacou o dildo preto, grosso, com nervuras por toda a extensão, e o besuntou com lubrificante frio. Encostou-o no ânus e o empurrou com firmeza, sem pausa, até a base tocar a pele. O corpo de Diego se retesou por inteiro. Depois, ela o prendeu com um arnês de correias que passavam pela virilha e pela cintura, impossibilitando que o brinquedo saísse mesmo que ele se contorcesse.

— É assim que vão te testar quando chegarem, pra ver se esse cu aguenta — ela disse ao ouvido dele, com uma ternura obscena—. Você já não é meu, mas eu te deixo bem preparado.

Diego fechou os olhos. O peso do metal frio contra o corpo não lhe causava rejeição. Era o único estado em que ele já sabia quem era.

Nadia se virou para Clara e repetiu o processo com a mesma frieza técnica: pescoço colado ao chão, braços travados, mordaça, pernas abertas e amarradas às grades. A posição deixava a boceta de Clara completamente exposta, os lábios cor-de-rosa brilhando de umidade porque até no terror o corpo aprendera a responder às mãos de sua dona. Nadia passou dois dedos pela fenda, deslizou-os entre as pregas e os afundou até os nós dos dedos na boceta apertada. Clara gemeu atrás da mordaça, arqueando as costas no pouco que as amarras permitiam.

— Escorrendo como sempre — sussurrou Nadia—. O comprador vai adorar.

Ela retirou os dedos brilhantes e os limpou nos mamilos eriçados de Clara. Depois pegou outro dildo, um pouco menor que o de Diego, lubrificou-o e o empurrou pelo ânus de Clara com a mesma lentidão. Os músculos cederam com uma obediência treinada durante meses. Nadia o prendeu com o arnês. Deixou a boceta intacta, virgem para as mãos que pagariam. Para o comprador.

Fechou as tampas superiores com um golpe metálico que ecoou pelas paredes do galpão.

Os dois a olhavam de dentro, os olhos dilatados pela confusão. O que eu fiz de errado?, pensava Clara. É um castigo? Não fui suficiente? As mentes fragmentadas buscavam um erro próprio que explicasse o que estava acontecendo.

Nadia se colocou diante das jaulas e os observou de cima.

— Foi divertido, Diego — disse, com a mesma calma com que poderia falar do tempo—. Ver você passar de arrogante a completamente obediente. Ver como deixou de ser você para virar isso. E você, Clara... quebrar você foi mais fácil do que eu esperava. Ainda bem que eu me dei ao trabalho.

Clara tentou sorrir por trás da mordaça. Em seu delírio, ainda achava que “o seu lugar” era estar ali, ao lado dela, para sempre.

— Agora que estão prontos, eu vendo vocês. Os dois. Vão me dar meio milhão de dólares por vocês.

O choque foi imediato. Clara e Diego começaram a se agitar dentro das jaulas com uma desesperação animal. Não era medo do comprador que os movia: era o terror absoluto de serem separados da única pessoa que lhes dava sentido. Seus corpos, antes tão dóceis, lutavam contra o aço como se pudessem implorar com a própria pele, já que a mordaça impedia as palavras.

***

O rugido de um motor rompeu o silêncio do galpão. Uma camionete preta de vidros escurecidos parou do lado de fora, levantando uma nuvem de poeira. Desceram três homens de ternos escuros e movimentos mecânicos, ignorando os gemidos abafados que saíam das jaulas.

Rubén desceu por último.

Um metro e noventa, terno preto de corte impecável, camisa branca com o botão de cima aberto. Mandíbula marcada, barba espessa, cabelo penteado para trás. Seus olhos eram escuros e completamente vazios, o olhar de alguém que há tempo demais avaliava coisas que não deveriam ter preço. Caminhou até Nadia e estendeu a mão com uma lentidão que não era cortesia, mas cálculo.

Enquanto seus homens começavam a carregar as jaulas para a traseira da camionete, Nadia observava. Diego foi o primeiro a ser içado. Debatia-se com uma desesperação que beirava a histeria, os olhos cravados em Nadia, buscando um sinal, um gesto, algo que lhe dissesse que aquilo não era real. Ela o ignorou sem desviar o olhar.

Depois foi a vez de Clara. Chorava de um jeito que não tinha nada a ver com dor física. Era o choro de quem perde o único centro que ainda lhe resta.

— Eles são barulhentos demais — comentou Rubén, sem inflexão.

Nadia tirou o controle remoto do bolso e apertou o botão preto. Dois choques elétricos simultâneos. Os corpos se arquearam e caíram em silêncio. Restaram apenas os ofegos.

— Com isso você vai mantê-los sob controle — disse Nadia, entregando-lhe os comandos—. São seus.

Rubén pegou os controles. Guardou-os no bolso interno do paletó. Depois aproximou uma maleta de couro pesada e a abriu diante dela.

Lá dentro não havia dinheiro.

Havia uma coleira elétrica de couro preto e metal reluzente. Idêntica às que Clara e Diego usavam.

— Que tipo de brincadeira é essa? — disse Nadia, dando um passo atrás.

A resposta veio na forma de mãos. Os homens de Rubén a agarraram pelos braços antes que ela pudesse reagir. Forçaram-na a se ajoelhar sobre a brita do chão do galpão, na mesma postura que ela havia imposto a tantos outros.

— Soltem-me! — gritou Nadia, debatendo-se com uma força nascida do pânico puro—. Vocês sabem quem eu sou! Eu faço parte da mesa, isso vocês vão pagar com a vida!

Rubén se inclinou para ela, segurando a coleira com uma calma mais aterradora que qualquer ameaça.

— Nadia. Você não é mais ninguém — disse em voz baixa—. Esse assunto chamou atenção demais. A organização não está contente. A garota que você capturou tem conexões poderosas, gente procurando por ela, gente que não para. Você trouxe barulho sobre todos nós.

O clique do cadeado se fechando ao redor de sua garganta foi o som mais nítido que ela já ouvira na vida.

— A organização pensou em te eliminar — continuou Rubén, de pé, olhando-a de cima—. Mas você sabe que eles não gostam de desperdiçar recursos. Que castigo melhor do que vender a grande dominante no mesmo mercado onde ela vendia os outros?

Nadia tentou falar. As palavras saíram carregadas de veneno, mas um dos homens de Rubén lhe deu um soco no estômago que cortou seu ar e a dobrou sobre a terra. Despiram-na com uma violência sistemática, rasgando o robe de seda negra com um puxão seco, arrancando a roupa de baixo em tiras. Os seios de Nadia ficaram à mostra, os mamilos eriçados pelo frio do galpão, a boceta depilada exposta aos olhares dos homens que a seguravam.

Rubén a examinou dos pés à cabeça com a mesma indiferença com que se avalia uma cabeça de gado.

— Sim, boa mercadoria — decretou—. Bem cuidada. Vai render um bom preço também.

Enfiaram-na à força numa terceira jaula, idêntica às outras duas. Obrigaram-na a se ajoelhar com o rosto colado ao chão e a bunda erguida. Rubén trabalhou sem pressa: coleira presa à base, algemas apertadas até o metal marcar a pele, mordaça longa até roçar a garganta. Depois ele vestiu luvas de látex pretas com uma lentidão teatral, sacou um frasco de lubrificante e o derramou sem cerimônia sobre o ânus de Nadia. O líquido frio escorreu pelo sulco até encharcar a boceta.

— Vamos ver o quanto você aguenta — disse Rubén, apoiando dois dedos contra o ânus fechado e empurrando até afundá-los por completo.

Nadia se sacudiu contra as grades, um grito abafado atrás da mordaça. Rubén moveu os dedos dentro dela com brutalidade clínica, abrindo-a, medindo-a. Retirou os dedos e pegou um dildo preto enorme, mais grosso que os que ela mesma havia usado com Diego, e o encostou no ânus gotejante.

— Esse vai doer. Mas é melhor você se acostumar.

Ele o empurrou de uma só investida até a base. O corpo de Nadia se arqueou por inteiro, lágrimas jorrando de repente, a mordaça encharcando-se de saliva. Rubén o prendeu com um arnês apertado até a crueldade. Depois pegou um segundo dispositivo, menor, em forma de ovo e com um fio ligado a um controle externo, e o introduziu na boceta de Nadia com a mesma frieza. Outro arnês de couro cruzou sua virilha, prendendo os dois brinquedos no lugar, impossíveis de expelir.

Quando Nadia começou a se agitar, Rubén acionou o controle. Uma descarga a deixou sem forças sobre o metal frio.

— Cala a boca — disse ele—. Agora você é mais uma escrava. Quanto antes entender isso, melhor para você.

A descarga não foi só física. Foi a demolição de algo que Nadia havia construído durante anos: a certeza de que sua posição a protegia, de que a organização era escudo suficiente, de que sua inteligência a colocava acima de qualquer consequência. Tudo isso se estilhaçou no chão de terra do mesmo galpão onde ela havia submetido tantos outros.

Ela se amaldiçoou. Não pela dor. Pela arrogância. Por não ter investigado a fundo quem havia capturado.

Ergueu a cabeça e encontrou os olhos de Clara do outro lado das grades. Clara chorava, mas em seus olhos verdes havia algo que não era apenas dor: uma satisfação retorcida e sombria. Ver sua antiga dona reduzida ao mesmo estado que ela lhe devolvia algo que não conseguia nomear. Se iam para o mesmo inferno, ao menos iriam juntas.

Diego a olhava com a mesma adoração cega de sempre, incapaz de compreender que a deidade a quem servia acabara de cair.

***

Antes de fechar a camionete, Rubén tirou um segundo controle. Acionou-o sem aviso. Os dispositivos que Nadia carregava por dentro começaram a vibrar com uma intensidade frenética. O ovo dentro da sua boceta zumbia contra as paredes hipersensíveis, o dildo anal transmitia a vibração por todo o reto, e Nadia se arqueou contra o metal frio, incapaz de conter o tremor que a percorria. No começo foi só dor e raiva. Depois, com uma humilhação que sua mente rejeitava e seu corpo traía, a boceta começou a escorrer ao redor do ovo vibratório, o fluido descendo pelas coxas até o chão da jaula. Os mamilos ficaram duros como pedras, a respiração se partiu em arfadas agudas que a mordaça transformava em gemidos animalescos.

Rubén a viu gozar contra os brinquedos com a boca cerrada, o rosto vermelho de vergonha, os olhos negando aceitar o que seu corpo fazia sem permissão. Um orgasmo longo, feroz, arrancado à força, sacudiu seus quadris contra as amarras. Depois veio outro, e outro, até Nadia perder a conta e restar apenas uma humilhação líquida escorrendo de sua carne.

Rubén baixou o botão antes do ponto de ruptura. Deixou-a ofegando no vazio, suspensa entre a fúria e uma excitação que ela não tinha pedido.

Inclinou-se até a jaula uma última vez.

— Agora você sabe exatamente a que gosto — disse, com uma frieza que gelou o ar—. Como era que você dizia mesmo? Ah, sim. Agora você sabe o que é a escravidão.

Fechou a porta. A escuridão foi total.

***

O veículo entrou em movimento. No interior escuro, três jaulas rangiam no compasso da estrada. Três corpos acorrentados ao mesmo destino desconhecido. Diego, que buscou controlar os outros e terminou sem controle sobre si mesmo. Clara, que seguiu alguém por lealdade até cair num abismo do qual já não queria sair. E Nadia, que passou anos construindo um sistema de submissão e acabou devorada por ele.

A camionete desapareceu no horizonte, levantando poeira na estrada de terra.

A vila ficou vazia. Silenciosa. Como se nada nunca tivesse acontecido.

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