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Relatos Ardientes

A dominatrix presa em sua própria jaula de aço

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O mês que se seguiu ao rompimento definitivo de Elena e Rodrigo transcorreu sob uma calma que era mais perturbadora do que qualquer tempestade. Nadia decidiu retirar as algemas. Já não era preciso. A prisão real não era feita de aço nem de cordas; tinha se convertido em algo muito mais sólido: a dependência absoluta. As grades agora eram a gratidão, o medo do abandono, a incapacidade de imaginar um mundo sem ela.

Todas as manhãs, sob a luz dourada que entrava pelas janelas amplas da fazenda, Nadia executava um ritual que ela chamava de «cura». Com gazes úmidas e água morna, limpava as marcas que suas próprias mãos haviam deixado. Aplicava cremes de cheiro doce nas costas de Rodrigo e nas coxas de Elena com uma suavidade que beirava o insulto. Para eles, sentir as mãos da dona tratando as mesmas feridas que ela lhes havia causado era uma experiência que roçava o místico: Nadia se tornara a única fonte de dor, mas também a única fonte possível de alívio.

O ritual não terminava com os cremes. Nadia se sentava na beira do divã e separava com dois dedos os lábios do cu de Elena para inspecioná-la, conferindo se as marcas da noite anterior não haviam infeccionado. Elena gemia, abria mais as pernas por instinto, e seu cu umedecia ao primeiro toque. Nadia notava isso com uma careta divertida e, quase por costume, enfiava dois dedos até os nós, bem devagar, como quem testa a carne antes de comprar.

— Olha só você — murmurava. — Escorrendo por umas carícias. Você é uma cadela que só sabe uma coisa.

Elena arqueava as costas, ofegava, implorava com o olhar. Nadia fodia seu cu com os dedos por minutos intermináveis, entrando e saindo com um estalo molhado que enchia o quarto, até que o corpo de Elena começava a tremer à beira do orgasmo. Então tirava os dedos, levava-os à boca de Elena e enfiava-os até a garganta.

— Chupa. Aprende o gosto do teu próprio cu de puta.

Elena chupava com devoção, lambendo cada nó dos dedos, e essa negação do orgasmo se cravava entre suas pernas como mais uma corrente. Rodrigo, ajoelhado a um metro, observava com a rola lutando contra o aço da jaula de castidade, a pele avermelhada em volta do metal, um fio de líquido pré-semen escorrendo pelos ovos inchados. Nadia se virava para ele, agarrava o queixo e o obrigava a lamber os mesmos dedos ensopados que tinham acabado de estar dentro de Elena.

— Esse é o cheiro que você nunca mais vai tocar, meu amor. Cheire bem. Memorize.

A alimentação havia se convertido no espetáculo favorito de Nadia. Ela tomava seu café junto à janela da cozinha enquanto observava Elena e Rodrigo esperarem diante de suas tigelas de plástico no chão. Não lhes permitia usar as mãos. Mantinha-os em quatro apoios até autorizar com um estalar de dedos. Vê-los mergulhar o rosto na comida, lambendo as bordas dos pratos com uma eficiência que já não parecia forçada, lhe provocava uma satisfação tranquila, quase entediada.

Rodrigo circulava pela casa com a fidelidade instintiva de um cão de presa. Seguía Nadia de cômodo em cômodo, vigiava suas horas de sono. Carregava sua jaula de castidade de aço com a mesma naturalidade com que outro homem usaria um relógio. Para ele, a restrição já não era um castigo; era uma língua que ele entendia melhor do que qualquer outra. À noite, Nadia o obrigava a dormir aos pés da cama com a língua colada à planta do seu pé nu; se ela se movia, ele devia continuar lambendo sem protestar, chupando cada dedo, ensalivando o peito do pé, enquanto a rola enjaulada latejava com uma dor surda contra o metal frio.

Elena havia transformado seu antigo fogo em algo que Nadia só conseguia descrever como adoração patológica. Seus olhos, antes carregados de um desafio que parecia inesgotável, agora buscavam de maneira compulsiva o contato visual com sua dona, implorando qualquer gesto de aprovação. A liberdade deixara de ser um sonho; era uma ameaça. O mundo exterior lhe parecia frio e sem sentido em comparação com o olhar de Nadia. Quando Nadia se sentava na poltrona com as pernas abertas e uma taça de vinho na mão, Elena se arrastava sem que ninguém mandasse, enterrava a cara entre as coxas da dona e comia buceta por horas, com a língua dura e disciplinada, sem se permitir engolir sem permissão. Nadia lia, respondia mensagens, falava ao telefone com clientes e, de vez em quando, agarrava seu cabelo e esfregava o rosto dela contra o clitóris até ela gozar com um suspiro curto, quase de fastídio, como quem apaga uma vela.

— Boa garota. Engole tudo.

Elena engolia, sorria e voltava a apoiar a bochecha na coxa da dona com o olhar perdido de uma devota.

Assim passaram as semanas. Sem chicotes, sem cordas, sem violência visível. Só o peso suave e onipresente de uma dependência que os dois jovens haviam aceitado como se fosse a ordem natural das coisas.

***

Mas por trás dessa fachada de cuidado, pulsava algo completamente diferente.

Nadia os observava como um curador olha uma tela restaurada: com satisfação profissional e sem vestígio de afeto real. As carícias ao aplicar o creme eram controles de qualidade. Os pratos de comida nutritiva eram investimentos para preservar o valor da mercadoria. Rodrigo e Elena, fisicamente impecáveis e psicologicamente reduzidos à dependência mais absoluta, eram uma raridade nos círculos que Nadia frequentava. Duas peças que haviam alcançado seu preço máximo de mercado.

Uma manhã, enquanto o café esfriava sobre a bancada de granito, ela pegou o telefone e discou o número que reservava para os assuntos que exigiam discrição absoluta.

Viktor atendeu no primeiro toque. Sua voz era densa, sem inflexões, como se as palavras lhe custassem um esforço que ele não queria desperdiçar.

— Manda um caminhão para a fazenda — disse Nadia. — Tenho mercadoria nova.

Silêncio do outro lado da linha. Depois Viktor informou, com a secura habitual, que o transporte chegaria em poucas horas. Acrescentou um detalhe que acelerou levemente o pulso de Nadia: ele viria pessoalmente. Tinha assuntos de maior porte para discutir.

— Te espero aqui — respondeu ela antes de desligar.

Deixou o telefone sobre a bancada e tomou um gole de café. Viktor não se deslocava por ninharias. O que significava que o negócio seria exatamente tão importante quanto ela havia calculado.

Meio milhão de dólares. Uma quantia que lhe permitiria expandir sua operação por anos.

***

Ela voltou ao quarto principal e encontrou Elena e Rodrigo ajoelhados no centro da jaula, em silêncio. Ao vê-la entrar, os corpos deles se tensionaram com a expectativa de quem aguarda uma ordem. Nadia decidiu se despedir do seu jeito. Sentou-se na beira da cama, ergueu a saia até a coxa e abriu as pernas.

— Vem aqui, cadela. A última vez.

Elena engatinhou com a língua já para fora. Enterrou-se entre as coxas de Nadia e começou a lamber com uma urgência desesperada, como se soubesse que sua vida ia embora a cada passada. Chupava o clitóris com os lábios, empurrava-o com a ponta da língua, descia até a entrada da buceta e metia a língua até o fundo, ensalivando tudo, engolindo o fluxo com a avidez de uma faminta.

— E você — Nadia olhou para Rodrigo, que tremia a um metro dali —, vem lamber meu cu enquanto ela come minha buceta. Quero que me despeçam direito.

Rodrigo se arrastou e enterrou o rosto entre as nádegas da dona. Nadia gozou três vezes sobre aquelas duas bocas: a primeira foi um tremor breve, a segunda arrancou dela um gemido longo, e a terceira a deixou com as pernas frouxas e um sorriso de tédio saciado. Ela os afastou com a ponta do pé, sem olhar, sem dizer obrigado.

— Vamos — murmurou, enquanto ajeitava a saia. — Tem um passeio esperando vocês.

Nadia introduziu a chave no fecho, pegou as correias de couro preto e as engatou com um clique metálico às coleiras. Um leve puxão foi suficiente. Os dois se puseram em quatro patas e a seguiram pela casa sem um único gesto de resistência.

O caminho até o estábulo, que meses antes tinha sido um trajeto de terror, eles percorreram com uma obediência quase hipnótica.

O interior do estábulo cheirava a madeira velha e metal. No centro, duas jaulas de aço reforçado esperavam abertas: estruturas pequenas, calculadas para eliminar qualquer possibilidade de movimento confortável.

— Os dois para dentro — ordenou Nadia.

Entraram sem hesitar.

Ela trabalhou primeiro com Rodrigo. Com uma eficiência cirúrgica, engatou sua coleira na base da jaula, forçando-o a manter a cabeça a poucos centímetros do chão. Colocou seus pulsos nas costas e os uniu com uma corrente curta aos barrotes traseiros. Um tubo de metal entre os cotovelos e a coluna eliminou qualquer margem de movimento. Depois esticou suas pernas para os lados e as prendeu com correias de náilon. Rodrigo nem sequer tensionou os músculos. Abriu a boca voluntariamente quando viu a mordaça se aproximar.

Antes de fechar a jaula, Nadia abriu a castidade dele e tirou a rola para fora. Estava inchada, arroxeada, pulsando depois de semanas enclausurada. Ela passou a unha pela glande com uma lentidão calculada, e Rodrigo gemeu atrás da mordaça como se o estivessem matando de prazer. Ela agarrou a rola com a mão inteira e lhe deu três punhetas lentas, até que um jato grosso de sêmen disparou, caindo sobre o próprio peito e o chão da jaula. Rodrigo chorava enquanto gozava, sacudindo os ombros contra as correntes.

— Último gozo — sussurrou Nadia, limpando a mão no cabelo dele. — Guarda bem na memória, porque tua rola já não é tua. Vou vendê-la para outro dono.

Enquanto o metal e o couro se fechavam sobre seu corpo, Rodrigo fechou os olhos. A dor da posição forçada não lhe causava repulsa; ela o ancorava. Em sua mente fragmentada, aquele estado de restrição absoluta era o mais próximo da paz que ele conhecera em meses. Já não precisava carregar o peso das próprias decisões. Isso, paradoxalmente, o enchia de uma calma que ele não sabia explicar.

Nadia se virou para Elena e repetiu o processo com a mesma frieza metódica. Pescoço colado ao chão, braços bloqueados, mordaça ajustada. Abriu-lhe as nádegas com as duas mãos, cuspiu no buraco franzido e empurrou para dentro um plugue grosso de aço, girando-o com paciência até a base ficar colada à pele. Elena gritou contra a mordaça, com os olhos fechados e as lágrimas correndo até o queixo. Nadia passou dois dedos pela buceta dela, encontrou-a escorrendo e sorriu.

— Olha isso. Você chora e mesmo assim fica molhada. Você é perfeita para o que vem aí.

Acoplou ao clitóris um pequeno dispositivo com tiras de couro que o mantinham preso, um vibrador de controle remoto que deixou montado e ligado no mínimo. Elena começou a ofegar na hora, com os quadris empurrando contra o ar, procurando atrito, incapaz de consegui-lo. Fechou a tampa superior da primeira jaula e depois da segunda. O impacto metálico ecoou pelo estábulo.

Do interior, Elena e Rodrigo a fitavam com olhos dilatados. As mentes fragmentadas tentavam processar o que estava acontecendo. Perguntavam a si mesmos se haviam cometido algum erro, se tinham falhado de alguma maneira. É um castigo?, pensava Elena. O que eu fiz de errado?

Nadia se pôs diante das jaulas e os observou de cima com a calma de quem confere um trabalho concluído.

— Foi divertido — disse por fim, com uma voz quase carinhosa. — Ver você passar de achar que era intocável a não conseguir imaginar um dia sem as minhas ordens. — Olhou para Rodrigo, depois para Elena. — E você, querida, foi um prazer te quebrar. De verdade.

Elena tentou devolver um sorriso por trás da mordaça. Em seu delírio, pensou que “o lugar dela” era aquele, junto de Nadia, para sempre.

As palavras seguintes caíram como um golpe frio.

— Agora que vocês estão perfeitamente treinados, serão vendidos. Um comprador vem buscá-los esta manhã. — Nadia fez uma breve pausa, deixando o silêncio absorver o impacto. — Quase meio milhão de dólares pelos dois. Nunca imaginei que fosse tão simples.

O efeito foi imediato. Elena e Rodrigo começaram a se debater dentro das jaulas com uma desesperação que o aço mal conseguia conter. Não era medo do comprador desconhecido. Era o terror absoluto de serem separados da única pessoa que dava sentido à existência deles. Os corpos lutavam contra as correias, contra os barrotes, numa tentativa inútil de implorar que os deixassem ficar.

***

O rugido de um motor veio de fora antes que a poeira tivesse tempo de assentar. Uma picape preta de vidros escuros parou em frente ao estábulo. Três homens desceram vestidos com ternos de corte impecável, ignorando os gemidos abafados que vinham de dentro.

Viktor foi o último a descer.

Era um homem de presença imediata: um metro e noventa, compleição sólida, terno preto com a camisa aberta no botão de cima. A barba escura e cerrada emoldurava uma mandíbula que parecia talhada em pedra. Mas o que mais perturbava era o olhar dele: olhos negros que avaliavam sem calor, como quem calcula o preço de um objeto antes de decidir se leva ou deixa.

Estendeu a mão para Nadia com uma calma calculada.

— Vejo que você trabalhou bem — disse, olhando para as jaulas.

— Eu sempre trabalho — respondeu ela.

Os homens de Viktor começaram a carregar as jaulas na traseira da picape. Rodrigo foi o primeiro a ser içado. Se debatia com uma desesperação que já não servia para nada, buscando Nadia com o olhar até o último momento. Elena chorava sem controle, o corpo sacudindo em espasmos, gritando atrás da mordaça com uma dor que não tinha nada a ver com o cativeiro físico.

— Eles fazem muito barulho — comentou Viktor com uma voz profunda e quase entediada.

Nadia tirou o controle do bolso e apertou um botão. Duas descargas elétricas estalaram nos pescoços de ambos os escravos. Seus corpos se arquearam e colapsaram em silêncio, ofegantes.

— Com isso você mantém os dois sob controle — disse Nadia, entregando os comandos a ele. — Eles são seus.

Viktor pegou os controles sem sequer olhar. Guardou-os no bolso interno do paletó e depois apontou para a maleta de couro que um dos homens segurava.

— Bem. O pagamento — declarou.

Nadia sentiu um calor de antecipação no peito. Meio milhão de dólares. Ela vinha calculando esse número durante semanas, saboreando-o à noite.

Viktor abriu a maleta.

Lá dentro não havia dinheiro. Havia uma coleira de couro preto com uma placa de metal reluzente, idêntica à que Rodrigo e Elena usavam.

Nadia demorou um segundo para processar o que via.

— Que tipo de brincadeira é essa? — disse, dando um passo para trás.

A resposta veio de seus flancos. Dois dos homens de Viktor a seguraram pelos braços antes que pudesse reagir. Nadia gritou, se debateu, tentou se soltar com uma força nascida do pânico puro.

— Soltem-me! — berrou. — Vocês não sabem com quem estão lidando! Eu sou sócia da mesa, isso vocês vão pagar!

Forçaram-na a se ajoelhar sobre a brita. A postura que ela sempre havia imposto aos outros se fechou agora sobre o próprio corpo com um peso que não era apenas físico.

Viktor se ajoelhou diante dela com uma calma que era mais aterradora do que qualquer ameaça explícita.

— Você já não é ninguém, Nadia — disse enquanto colocava a coleira em seu pescoço. — Sua operação chamou atenção demais. A polícia está farejando. E aquela mulher que você capturou, Elena, tem gente procurando por ela. Gente com recursos. Você trouxe um problema para todos nós.

O clique do cadeado fechando em sua garganta foi o som mais definitivo que ela ouvira na vida.

— A sociedade pensava em te eliminar — continuou Viktor, levantando-se. — Mas seria um desperdício. Que castigo melhor do que vender a grande dominatrix no mesmo mercado que ela mesma alimentou por anos?

Nadia entrou em choque. As palavras saíam de sua boca numa mistura de ameaças e súplicas que ela mesma mal reconhecia como suas. Eles a despiram com uma violência sistemática, arrancando-lhe a blusa botão por botão, baixando-lhe a saia de um puxão, cortando o sutiã com uma lâmina pequena que um dos homens trazia à mão. Seus peitos ficaram expostos, tremendo de raiva e de frio, os mamilos duros contra a própria vontade. Viktor se abaixou e beliscou um deles com dois dedos, girando-o com a calma de quem examina fruta.

— Belos peitos. Firmes. Vão pagar bem por eles — comentou, sem se dirigir a ninguém em particular.

Empurraram-na de barriga para baixo sobre a brita. Um dos homens abriu suas nádegas com as duas mãos enquanto outro cuspia no seu cu e enfiava três dedos de uma vez, sem lubrificante, girando-os para abrir passagem. Nadia gritou contra a pedra, com a boca cheia de poeira e a humilhação queimando até a nuca. Viktor tirou de uma bolsa de lona um plugue enorme de aço, quase o dobro do que ela havia colocado em Elena, e o empurrou para dentro com uma paciência inflexível enquanto ela se contorcia e uivava. O aço avançava centímetro por centímetro, e quando a base finalmente ficou colada à pele, Nadia estava ofegante, tremendo, com os olhos cheios de lágrimas de raiva.

— Estica a buceta dela também — ordenou Viktor.

Um dos homens se colocou entre as pernas abertas de Nadia, abriu a calça e sacou uma rola grossa, já dura. Cuspiu na mão, esfregou-a na glande e a penetrou num único golpe, afundando até os ovos. Nadia soltou um gemido rouco, involuntário, enquanto sua buceta se alongava em torno daquela rola alheia. O homem a fodia com investidas duras, secas, mecânicas, apertando os quadris dela contra a brita a cada empurrão. A rola entrava e saía fazendo um som molhado que Nadia ouvia com horror crescente, porque sabia perfeitamente o que significava: seu próprio corpo estava se molhando. Sua buceta se abria, escorregava, o aceitava. Traía-a diante de todos.

— Olha isso — riu Viktor. — A grande domina escorrendo como qualquer puta. Você nasceu pra isso e nem tinha percebido.

O homem a fodeu até gozar dentro com um rosnado curto, esvaziando-se por completo. Ele se retirou e uma segunda rola ocupou o lugar sem pausa. Nadia recebeu três gozos seguidos na buceta, um atrás do outro, com o plugue de aço cravado no cu, esticando-a por dentro a cada investida. Quando o terceiro homem terminou, um rio de sêmen misturado escorria de entre suas pernas até os joelhos, branco e espesso sobre a pele avermelhada.

Levantaram-na aos arrastos. Enfiaram-na à força numa terceira jaula, gêmea das de seus escravos, que os homens de Viktor haviam descarregado da picape sem que ela notasse.

Viktor trabalhou com a mesma eficiência que ela havia usado horas antes. Engatou a coleira na base da jaula, algemou suas mãos para trás, ajustou uma mordaça que lhe encheu a boca até o fundo. Colocou dois dispositivos vibratórios, um preso ao clitóris com tiras de couro, outro amarrado sobre a base do plugue para que a vibração fosse transmitida ao aço cravado no cu, e os fixou com arreios que tornavam impossível expulsá-los. Quando Nadia começou a se debater com uma desesperação animal, ele acionou o controle. Uma descarga elétrica a fez colapsar em silêncio.

— Cala a boca — disse ele. — Agora você é mais uma escrava. Quanto antes entender isso, melhor.

***

A dor da descarga não foi só física. Enquanto os espasmos percorriam seu corpo, Nadia sentiu toda a estrutura da própria identidade desmoronar em pedaços. Ela era intocável. Tinha posição, contatos, poder. A mesa a protegia. Ou era o que havia acreditado. Agora entendia, com um horror sem nome, que sua importância tinha sido sempre uma ilusão que ela mesma construíra e que os outros toleravam enquanto lhes convinha.

Amaldiçoou-se por não ter investigado com mais cuidado. Por ter presumido que Elena era ninguém. Por tê-la subestimado.

Incapaz de aceitar o que acontecia, tentou se soltar. A resposta foi uma segunda descarga, mais longa que a primeira, que lhe turvou a visão e deixou os músculos sem resposta. Quando ergueu a cabeça, encontrou o olhar de Viktor. Ele segurava o controle remoto diante de seus olhos com um gesto tranquilo, sem pressa.

Nadia o encarou com um ódio concentrado e puro. Não havia medo ainda, só fúria. Mas a fúria não movia os barrotes.

Antes de fechar a porta traseira da picape, Viktor tirou um segundo controle e o acionou. Os dispositivos que Nadia trazia no corpo começaram a vibrar com uma violência que lhe arrancou um gemido involuntário. O vibrador do clitóris zumbia com uma intensidade brutal, enquanto o plugue transmitia a vibração por dentro do cu, tocando pontos que ela nunca havia se permitido explorar. Sua mente os rejeitava a cada pensamento disponível, mas seu corpo respondia com uma traição mais humilhante do que qualquer outra coisa que Viktor pudesse fazer. Sentiu o orgasmo se formar na barriga contra a própria vontade, subindo pela espinha, fechando-lhe a garganta. Ela gozou com um uivo abafado na mordaça, tremendo inteira, com a buceta escorrendo em torno de nada, apertando no vazio. E Viktor não soltou o botão. Fez-a gozar uma segunda vez, e uma terceira, com as lágrimas correndo pelo rosto e o sêmen dos três homens ainda escorrendo entre as coxas.

Das jaulas adjacentes, Elena e Rodrigo a observavam através das grades. Elena chorava, mas em seus olhos brilhava algo novo: uma alegria torta e quase incrédula. Ver sua antiga dona reduzida exatamente ao mesmo estado de degradação lhe devolvia uma paz doente. Não importava o destino desconhecido que os aguardava. Agora iam juntos.

Rodrigo a olhava com a mesma adoração cega de sempre, incapaz de processar que a deusa a quem servia acabara de cair do pedestal.

Viktor soltou o botão. As vibrações cessaram de golpe, deixando Nadia num vazio ofegante, com a buceta pulsando e o cu apertado ao redor do aço imóvel. Ele se inclinou até ela uma última vez.

— Agora você sabe exatamente qual é o gosto — disse em voz baixa.

Fechou a porta.

A escuridão foi total. O motor deu partida e a picape começou a se mover sobre a brita, afastando-se da fazenda rumo a um destino que nenhum dos três conhecia. Lá dentro, três corpos se agitavam em suas jaulas: Rodrigo, que buscara o poder e encontrara a escravidão; Elena, que caíra no abismo por lealdade; e Nadia, a predadora que acabou devorada pelo mesmo sistema que aperfeiçoara durante anos.

O caçador havia se tornado a presa. E a viagem mal estava começando.

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