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Relatos Ardientes

A dominatriz que terminou em sua própria jaula

A fazenda de Valeria estava havia semanas envolta numa quietude que deixava os nervos à flor da pele. Era uma calma artificial, densa e perturbadora, a mesma que se sente antes de uma tempestade elétrica: tudo em seu lugar, tudo quieto demais. As algemas de aço tinham desaparecido dos tornozelos de Diego e Clara havia dias. Valeria as havia retirado ela mesma, sem cerimônia.

Já não eram necessárias.

A verdadeira prisão não tinha tranca. Construía-se com gratidão e com medo do abandono, com esse tipo de dependência que se instala tão fundo que o prisioneiro deixa de notar que o é. Valeria a havia fabricado com paciência, com dor distribuída em doses precisas e com pequenos gestos de cuidado que chegavam sempre no momento exato para causar o maior dano possível.

Cada manhã era uma encenação. Valeria descia à sala com seu robe de seda escura flutuando atrás de si, o café moído na hora na mão, e os encontrava exatamente onde os havia deixado. Diego e Clara sobre o chão de pedra, de quatro, com os olhos fixos nas tigelas de plástico que os esperavam à frente. Imóveis. Sem dizer uma palavra.

Um estalo de dedos, e os dois mergulhavam o rosto na comida sem erguer o olhar do chão.

Valeria bebia seu café junto à janela e os observava com a atenção fria de alguém que avalia seus ativos. Calculava o estado da pele, o volume muscular, a postura. Cada detalhe tinha seu valor de mercado. Às vezes, para testar o nível de adestramento, abria o robe e deixava a boceta nua à vista, apoiada na moldura da janela com uma perna sobre uma cadeira. Estalava os dedos outra vez, e Clara abandonava a tigela de quatro e atravessava a sala sem erguer os olhos, enfiando a língua entre os lábios molhados dela. Valeria continuava bebendo o café enquanto a moça lambia sua boceta com devoção metódica, sem pressa, chupando o clitóris inchado até que ela decidia que já bastava. Um puxão no cabelo, e Clara se afastava com a boca brilhante, esperando o próximo estalo.

Clara tinha sido a mais difícil. Seus olhos verdes carregavam um desafio que parecia não ter fundo, e durante as primeiras semanas Valeria chegou a pensar que não conseguiria. Mas o desafio foi se apagando devagar, como uma vela à qual cortam o oxigênio, até que um dia Clara ergueu o olhar e o que havia naquele olhar já não era raiva, e sim uma súplica tão pura que era incômoda de sustentar. Agora buscava o contato visual com sua dona de maneira obsessiva, mendigando qualquer sinal de aprovação. O mundo exterior havia deixado de existir para ela.

Diego, por sua vez, havia cedido antes. Era um homem construído sobre a necessidade de impor sua vontade e, uma vez que essa vontade lhe foi arrancada, encontrou na rendição um alívio quase imediato. Seguía Valeria de um cômodo a outro com a fidelidade silenciosa de um animal bem treinado, vigiando até mesmo suas horas de descanso. O cinturão metálico que levava ajustado ao quadril brilhava sob a luz como uma extensão do próprio corpo. Debaixo daquele metal, o pau de Diego levava semanas sem conseguir ficar duro por completo; o cinto de castidade o mantinha comprimido, e toda vez que o sangue tentava enchê-lo, as bordas de aço lhe cravavam na pele até fazê-lo ofegar. Valeria adorava abrir o cadeado só para vê-lo inchar em questão de segundos, monstruosamente venoso, arroxeado de desespero, e voltar a fechá-lo antes que ele pudesse gozar.

Todas as noites, Valeria os guiava até a jaula de aço do quarto principal com um simples movimento de mão. E eles entravam sozinhos. Sempre sozinhos. Encolhiam-se juntos na penumbra, entrelaçando os membros para dividir o calor, e Valeria os observava de sua cama de lençóis de linho antes de fechar os olhos. Às vezes, antes de dormir, tirava os dois e os usava sobre o colchão como se fossem brinquedos. A Diego obrigava a lamber-lhe o cu enquanto Clara chupava sua boceta por baixo, as duas línguas trabalhando em paralelo, chocando-se de vez em quando, obedientes até a última contração. Quando terminava de gozar contra as bocas deles, dava uma palmada seca, e eles voltavam para a jaula sem que fosse preciso repetir.

Perfeitos.

Durante aquele último mês, suspendera os castigos físicos e substituíra o chicote por cremes de aroma doce. Banho-los com água morna, aplicava unguento sobre as marcas que restavam nas costas de Diego, massageava os tecidos com uma suavidade calculada que não tinha nada de compaixão. Para eles, aquelas mãos curativas eram as mesmas que os haviam quebrado, e essa contradição era o vínculo mais resistente que existia. Muito mais do que qualquer corrente de ferro.

Mas, por trás desse cuidado quase maternal, Valeria fazia cálculos.

Um par de escravos com aquelas características não aparecia duas vezes no mercado. Jovens, fisicamente em bom estado, psicologicamente moldados a ponto de o confinamento lhes parecer mais reconfortante do que a liberdade. Cada prato de comida nutritiva era um investimento. Cada carícia, um controle de qualidade que aumentava o preço final.

—Que pena que eles vão embora —murmurou para si mesma certa manhã, com a melancolia superficial de quem se desfaz de uma peça única da coleção porque o mercado marca o momento.

Deixou a xícara sobre a bancada e subiu para se trocar.

***

Nessa última manhã, Valeria se levantou antes de haver luz. Vestiu-se devagar com a lingerie branca que guardava para as ocasiões importantes e cobriu tudo com o robe negro de seda que flutuava atrás dela como uma sombra líquida. Pegou o telefone e discou o número que usava poucas vezes por ano, o que não tinha nome na agenda.

No segundo toque, a voz de Rodrigo encheu o viva-voz. Era uma voz sem inflexões, sem calor, uma vibração que soava como um quarto vazio no inverno.

—Tenho a mercadoria pronta —disse ela—. Venha à fazenda.

Houve um breve silêncio antes que a resposta viesse com sua secura habitual. Ele chegaria em algumas horas. E acrescentou algo num tom completamente neutro que a Valeria pareceu normal: iria pessoalmente. Tinha assuntos adicionais a tratar.

—Te espero aqui —respondeu ela, e desligou.

Deixou o telefone sobre a bancada de mármore e saboreou o café em silêncio. Rodrigo não se deslocava por ninharias. Sua presença confirmava o peso do negócio. Meio milhão de dólares era o valor que ela havia calculado durante semanas, e o valor que receberia.

Ao terminar, voltou para o quarto. Clara e Diego já estavam acordados, ajoelhados no centro da jaula, olhos baixos e mãos apoiadas sobre as coxas. Valeria abriu o ferrolho e engatou as coleiras negras aos colares com um clique metálico limpo. Antes de tirá-los dali, sentou-se na beira da cama, abriu as pernas e fez um gesto para eles. Diego se aproximou primeiro, com a língua já para fora, e começou a lamber-lhe a boceta por baixo, empurrando o nariz contra o clitóris como lhe haviam ensinado. Clara se ajeitou atrás, chupando-lhe os mamilos com a boca aberta, os olhos cravados para cima em busca daquela aprovação que era sua droga. Valeria deixou que a esvaziassem assim, com as duas línguas sobre a pele, até sentir um orgasmo longo e limpo percorrer-lhe o ventre. Mal o tremor passou, puxou as coleiras e os colocou de pé.

—Vamos —murmurou.

Um puxão suave, e os dois começaram a se mover, engatinhando pelo corredor de pedra até o celeiro, com a boca ainda brilhante da boceta da dona.

O celeiro cheirava a ferro e a madeira úmida. No centro, duas jaulas de aço reforçado esperavam abertas. Pequenas. Restritivas.

—Os dois, para dentro —ordenou Valeria.

Começou por Diego. Com uma eficiência cirúrgica, engatou o colar à base da jaula, obrigando-o a manter a cabeça a poucos centímetros do chão. Imobilizou-lhe os pulsos nas costas com uma corrente curta presa às grades traseiras. Introduziu um tubo rígido entre as costas e os cotovelos para bloquear qualquer movimento do tronco. Abriu-lhe as pernas e as amarrou aos extremos laterais com tiras de nylon. Diego abriu a boca antes que Valeria trouxesse a mordaça. Fechou os olhos quando sentiu a borracha preencher a cavidade bucal. Para a etapa final, ela lubrificou um dildo grosso, preto, do tamanho da espessura de um punho, e o empurrou pelo cu dele devagar, girando-o, obrigando-o a engoli-lo até a base. Diego gemeu atrás da mordaça e as pernas lhe tremeram dentro das tiras. Valeria lhe deu dois tapinhas nas nádegas e fixou o dildo com um arreio de couro que passava entre as pernas e pela cintura, impossível de expulsar. O pau, ainda preso no cinto de castidade, deixou escapar um fio de líquido claro contra o aço.

Diego fechou os olhos e deixou uma paz estranha cobri-lo. O peso das restrições sobre o corpo lhe era familiar, quase reconfortante, como um idioma que ele havia aprendido a falar melhor do que o de antes. Lembrou com uma clareza distorcida o dia em que tudo começou, o momento exato em que seu mundo anterior desabou. O que então foi terror, agora brilhava em sua memória como o instante mais afortunado de sua vida. Um sorriso fraco surgiu em seus lábios atrás da mordaça.

Com Clara, o processo foi idêntico, salvo por um detalhe deliberado que Valeria deixou para o comprador. Abriu-lhe a boceta com dois dedos, conferiu que já estava molhada por puro reflexo, e introduziu um dildo ainda maior que o de Diego, um com reentrâncias que lhe cravavam nas paredes internas toda vez que respirava. A moça soltou um gemido abafado e arqueou os quadris contra o chão da jaula. Valeria beliscou um mamilo até fazê-lo ficar vermelho e o torceu devagar.

—Este aqui não se toca —murmurou, referindo-se ao cu intacto de Clara—. Esse é extra e pago à parte.

Fechou as tampas superiores das duas jaulas com um baque metálico.

Clara e Diego a fitavam de baixo, com os olhos dilatados por uma confusão que não encontrava forma. Em suas mentes fragmentadas, buscavam o erro que justificasse aquele tratamento. Clara pensou que havia falhado em sua devoção, que não fora atenta o bastante, que algo nela decepcionara Valeria. Essa angústia lhe era mais insuportável do que qualquer dor física.

Valeria plantou-se diante das duas jaulas e os observou de cima.

—Foi um prazer absoluto quebrar vocês —disse, com uma calma que não admitia réplica—. Diego, você passou de se achar invencível a não conseguir imaginar um dia sem minhas ordens. Clara, você demorou mais do que eu esperava, mas no fim entendeu. Os dois valem uma fortuna, e alguém está prestes a pagar por isso.

Clara demorou um segundo inteiro para entender. Quando entendeu, se agitou contra as grades com uma desesperação que não tinha nada a ver com medo do comprador desconhecido. Era o terror de ficar fora do único universo que ainda lhe restava, o único onde havia regras claras e alguém para impô-las.

Valeria lhes deu as costas e saiu para o sol.

***

A caminhonete preta com vidros escurecidos chegou pontual. Parou em frente ao celeiro levantando uma nuvem de poeira. Dele desceram três homens de ternos escuros que se moviam com a eficiência mecânica de quem já fez aquele trabalho vezes demais. Atrás deles, Rodrigo.

Era alto, com mais de um metro e noventa, com a estrutura física de alguém que nunca precisou demonstrar sua periculosidade em voz alta. Vestia-se de preto da cabeça aos pés, com a camisa aberta no colarinho revelando uma pele escura e uma mandíbula emoldurada por uma barba cerrada. Seus olhos, negros e completamente vazios, se cravaram em Valeria desde o instante em que pisou no chão. Não havia calor naquele olhar. Também não havia desprezo. Era o olhar neutro de alguém que avalia sem se envolver.

Estendeu a mão. Valeria a apertou.

Os homens entraram no celeiro sem que ninguém precisasse ordenar. Valeria os seguiu, observando enquanto retiravam as jaulas uma a uma e as carregavam para a parte de trás do veículo. Diego se debatia contra as grades com uma desesperação que seus gemidos abafados transformavam em ruído sem forma. Clara chorava, sacudida por convulsões, com os olhos cravados em Valeria numa súplica sem saída possível.

—Eles fazem barulho demais —comentou Rodrigo, sem particular interesse.

Valeria enfiou a mão no bolso do robe e tirou o controle remoto. Apertou o botão preto. Duas descargas elétricas estalaram nos colares de seus escravos, e o silêncio caiu sobre o celeiro de uma vez.

—Com isso você os controla —disse, estendendo os controles para ele—. São seus.

Rodrigo os pegou e os guardou sem olhar.

—Ótimo —disse—. O pagamento.

Um de seus homens trouxe a maleta de couro. Rodrigo a colocou sobre uma caixa de madeira e a abriu diante dela.

Valeria baixou os olhos.

Lá dentro não havia dinheiro. Havia uma coleira de couro negro com uma caixa metálica integrada, idêntica à que Diego e Clara usavam.

Levou três segundos para processar o que via. Nesses três segundos, algo frio e muito antigo desceu por sua coluna vertebral.

—O que isso significa? —perguntou, dando um passo atrás.

A resposta não foi verbal. Os dois homens aos seus lados a seguraram pelos braços antes que terminasse de falar. Valeria se debateu com uma força que nem sabia que tinha, mas os braços que a prendiam eram mais fortes que qualquer coisa que ela tivesse enfrentado antes.

—Soltem-me! —gritou—. Vocês sabem perfeitamente quem eu sou! Eu faço parte da rede, tenho contatos, vocês vão pagar por isso!

Forçaram-na a se ajoelhar na brita do celeiro. O impacto nos joelhos foi brusco e real. Ela sempre havia imposto essa postura aos outros. Sentir aquilo no próprio corpo era algo para o qual não tinha qualquer referência.

Rodrigo se inclinou para ela com a coleira nas mãos.

—Você conduziu esse assunto com visibilidade demais —disse, com a mesma calma com que comentaria o tempo—. Há organizações rastreando Clara há meses. A polícia está fazendo perguntas nos arredores. Você chamou atenção sobre toda a rede.

O clique do cadeado fechando-se em torno de sua garganta foi o som mais pequeno que ela já ouvira na vida. E o mais definitivo.

—A sociedade ia se desfazer de você de forma permanente —continuou Rodrigo, ignorando os sons que Valeria emitia—, mas não somos de desperdiçar o que funciona. Uma dominatrix com a sua reputação tem valor no mercado, até como produto. Especialmente como produto.

Tentou falar. Ameaçar. Negociar. Mas a mordaça que lhe enfiaram bloqueou tudo isso antes que pudesse articular qualquer coisa útil. Um dos homens arrancou-lhe o robe de seda com um puxão, e outro rasgou a lingerie branca com uma faca, deixando cair os retalhos sobre a brita. Valeria ficou nua sob a luz crua do celeiro, com as mamas à mostra e a boceta depilada exposta aos olhares neutros dos quatro homens. Um deles abriu-lhe as coxas com as mãos, verificando a elasticidade com a mesma indiferença com que se apalpa uma fruta antes de comprar. Outro lhe beliscou os mamilos e os esticou para fora até fazê-la rosnar atrás da mordaça.

Colocaram-na numa jaula do mesmo tamanho que as de seus escravos.

Rodrigo trabalhou com a mesma meticulosidade que ela tantas vezes havia aplicado. Engatou a coleira à base da jaula, obrigando-a a manter a cabeça baixa. Levou-lhe os pulsos para trás e os fechou com algemas metálicas presas às grades traseiras. Abriu-lhe as pernas de par em par, puxando os tornozelos até que os joelhos ficassem abertos para os lados, e amarrou-os com tiras de nylon aos extremos laterais. Com a boceta e o cu completamente expostos, Rodrigo tirou dois dildos pretos de uma maleta plástica e os mostrou diante dos olhos de Valeria antes de usá-los. Um mais grosso. Outro mais comprido.

—Os mesmos que você põe nos seus —disse, sem levantar a voz.

Besuntou o primeiro com lubrificante e o empurrou pela boceta com um movimento seco, brutal, até o fundo. Valeria arqueou as costas contra o metal e as correntes tilintaram. O segundo foi introduzido pelo cu, devagar mas sem pausa, forçando a resistência do esfíncter até também ficar engolido por completo. Os dois dildos ficaram presos com um arreio de couro que passava entre as nádegas e pela cintura, impossível de expulsar. Quando Valeria começou a resistir com força, se sacudindo contra as amarras com toda a raiva que lhe restava, uma descarga da coleira a deixou sem ar por vários segundos, dobrada sobre si mesma. O corpo foi para a frente e os dildos se moveram dentro, arrancando-lhe um gemido abafado que ela não soube dizer se era de dor ou de outra coisa.

—Quanto antes você entender sua posição, melhor para você —disse Rodrigo, de pé diante da jaula.

A dor da descarga não foi o mais devastador. O mais devastador foi o momento em que o pânico desceu um nível e sua mente, ainda funcionando com uma lucidez que lhe era insuportável, começou a fazer as contas. Ela havia subestimado os contatos de Clara. Operara com exposição demais. Acreditara estar protegida pela sua posição na rede, e essa arrogância lhe custara exatamente o que correspondia, segundo a lógica do mesmo sistema que ela mesma ajudara a aperfeiçoar.

Cravou os olhos em Rodrigo com uma raiva que não tinha saída. Tentou sustentar o olhar dele com o pouco de dignidade que lhe restava.

Ele ergueu o segundo controle remoto com uma pausa calculada.

Apertou-o.

Os dildos vibraram dentro dela com uma violência que ela não esperava. Os dois motores dispararam ao mesmo tempo, um cutucando a boceta e outro deformando o cu por dentro, empurrando contra as paredes internas com um zumbido grosso, mecânico, implacável. Seu corpo se arqueou contra o metal frio das grades e as correntes dos pulsos lhe cravaram na pele. Sentiu o clitóris inchar contra a base do dildo, pulsando fora de seu controle, e uma umidade quente começou a escorrer pelas coxas, pingando pela borda do arreio. A dor e a humilhação eram reais, mas o que sua mente recusava reconhecer era que seu corpo respondia de qualquer forma, sem consultá-la, com uma honestidade que nenhuma corrente teria conseguido arrancar dela. Atrás da mordaça, seus gritos de raiva se tornaram gemidos que ela não queria emitir. Rodrigo subiu a intensidade mais um nível. Valeria sentiu o orgasmo se formar contra a vontade, subindo dos calcanhares, tensionando cada músculo, e quando finalmente explodiu entre as pernas foi com um uivo abafado que ecoou dentro da mordaça. A boceta se contraiu violentamente ao redor do dildo e uma descarga de líquido claro respingou no chão da jaula, escorrendo pelas grades até a brita.

Rodrigo observou por um momento e soltou o botão. As vibrações cederam de repente, deixando Valeria ofegante no vazio, com o peito sacudido, os mamilos rígidos e a boceta ainda se apertando em torno do intruso.

—Agora você sabe —disse simplesmente—. Agora você sabe exatamente a que sabor isso tem.

Fechou a porta da caminhonete sem acrescentar mais nada.

Na escuridão que cheirava a metal e couro, Valeria levou um instante para distinguir os olhos de Diego e Clara através das grades de suas respectivas jaulas. Diego a olhava com a mesma adoração cega de sempre, incapaz de separar a deusa da prisioneira que tinha à frente. Clara a olhava com algo completamente diferente: uma paz retorcida, a calma de quem compreende que o inferno, ao menos, ela não atravessará sozinha.

O motor arrancou.

A caminhonete pegou a estrada de terra que contornava a fazenda e desapareceu no horizonte, levantando uma trilha de poeira que se desfez no ar quente. Dentro daquela escuridão em movimento, três pessoas que tinham chegado ali por caminhos completamente diferentes agora se encontravam no mesmo lugar, presas em jaulas idênticas, com destinos que nenhuma das três conhecia.

Diego, que havia buscado o controle e encontrado a servidão.

Clara, que havia caído naquele mundo por circunstâncias que nunca escolheu por completo.

E Valeria, que havia construído sua rede sobre a dor dos outros e descoberto, tarde demais, que essas redes também têm pontas voltadas para dentro.

O veículo seguiu seu caminho.

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