A iniciação que ela não esperava do seu novo amo
Elena havia cruzado o portão da villa quando o sol começava a se pôr atrás dos ciprestes que ladeavam a entrada. Não era o que ela tinha imaginado: esperava algo mais escuro, mais deliberadamente intimidador. A villa era grande e branca, com paredes caiadas e janelas de madeira clara, e cheirava a terra úmida e a lavanda.
Marcos a recebeu no umbral com a serenidade de quem tem tudo o que precisa exatamente onde quer. Estreitou a mão dela com firmeza. Nada de beijos, nada de frases de cortesia. Só aquele aperto que dizia mais do que qualquer boas-vindas.
—Vem, vou te mostrar a casa.
O tour durou quarenta minutos. A villa tinha três andares e um semiporão que Marcos chamou simplesmente de «a sala de trabalho». Desceram por uma escada estreita e Elena viu os ganchos na parede, os aros de aço parafusados no teto e, no canto mais afastado, uma marquesa coberta com uma capa de tecido grosso. Marcos não explicou nada do que ela viu. Não foi preciso.
Na cozinha do semiporão, que cheirava a tomilho e a caldo apurado, Elena conheceu Berta e Miriam, que preparavam o jantar com a eficiência silenciosa de quem está há anos no mesmo ofício. Depois subiram ao primeiro andar: três quartos de hóspedes, todos razoavelmente pequenos. Um pertencia a Valeria, a jovem que Elena tinha visto brevemente na sala quando chegou e que lhe devolvera um olhar tranquilo, completamente desprovido de curiosidade. Na garagem havia dois veículos e caixas empilhadas. No escritório, Sofia digitava diante de uma tela e assentiu com a cabeça sem interromper o trabalho quando entraram.
A última parada foi o quarto de Marcos.
Elena entrou esperando encontrá-lo vazio. Valeria estava sentada na beira da cama, com as mãos sobre as coxas e a coluna ereta. Não usava roupa. Os mamilos se marcavam duros sobre seios pequenos e firmes, e entre as coxas abertas se via a buceta depilada, os lábios rosados e brilhantes como se estivessem molhados há tempo, à espera. Não fez o menor gesto para se cobrir. Ergueu os olhos para Elena por um segundo e os baixou de novo, como se a presença de outra mulher naquele quarto fosse algo que há muito tempo deixara de surpreendê-la.
—Esperava outra coisa? — perguntou Marcos, que tinha percebido a expressão no rosto dela.
—Não — mentiu Elena.
Sobre a cômoda havia uma bandeja com sanduíches frios. Marcos se sentou na cadeira em frente à cama e cruzou os braços.
—Antes de começar, a gente conversa.
***
As regras eram quatro, e Marcos as expôs com a mesma precisão com que daria instruções técnicas para qualquer outra coisa.
A primeira era o protocolo de tratamento. Em privado ou na presença de pessoas que conhecessem a relação, ele seria «Amo». Diante de estranhos ou de gente cuja discrição Elena não pudesse confirmar com certeza, seria «Senhor». Não havia exceções nem margem para interpretação depois daquela noite.
A segunda era a mais importante e a mais concreta: o corpo de Elena pertencia a ele. Isso significava que nenhuma parte do corpo dela poderia ser usada com outra pessoa até que ele a tivesse reclamado primeiro. Reivindicar tinha uma definição precisa: ele ter gozado nela, através dela ou sobre ela. Cada parte do corpo era independente. Se ele tivesse enchido as bolas na boca dela, mas não tivesse gozado sobre as mãos dela, as mãos continuavam sendo dela no sentido de que ela não podia usá-las com mais ninguém.
—Esta noite — disse Marcos — vou foder tua buceta e enchê-la de porra para que você possa voltar com Rodrigo amanhã. Mas sua boca e suas mãos vão ficar pendentes. Você não vai bater punheta pra ele nem chupar o pau dele até eu gozar nelas primeiro.
—E ele sabe...? — começou Elena.
—Não terminei.
Ela fechou a boca.
A terceira regra: se quisesse se masturbar, podia, mas precisava pedir com antecedência e esperar resposta. Toda vez que enfiar os dedos na buceta, teria de avisar. Não era humilhação, era estrutura. A quarta era a saída: a qualquer momento ela podia encerrar tudo simplesmente dizendo isso. Sem consequências, sem drama, sem explicações. A opção sempre estaria disponível.
Quando terminou, Marcos esperou.
Elena ergueu a mão.
—Rodrigo sabe que estou aqui?
—Sabe o que você tiver decidido contar a ele — respondeu Marcos. — Isso é problema seu.
—E se em algum momento eu quiser foder com ele?
—Você pede a mim primeiro. Eu decido quando e em que condições ele pode enfiar a rola em você.
Elena assentiu devagar. Valeria continuava na beira da cama sem se mexer havia vinte minutos, com a buceta exposta e um fio de umidade descendo pela parte interna da coxa.
—Mais alguma coisa? — perguntou Marcos.
—Não, Amo — respondeu ela.
A palavra demorou um segundo a mais. Ele percebeu. Elena soube que ele tinha percebido. Não disse nada a respeito.
—Bem. Agora, o problema óbvio é que você não faz a menor ideia do que está fazendo. Isso dá para ver. Então vamos começar do zero.
***
O que Elena imaginara que seria aquela noite não tinha muito a ver com o que aconteceu.
Ela tinha imaginado algo parecido com o que vira em telas: couro, ordens em voz baixa, corpos bem iluminados e uma ordem narrativa avançando para o clímax com precisão de roteiro. O que Marcos primeiro lhe pediu foi que se despisse e se ajoelhasse no chão. Não de forma elegante nem carregada de simbolismo. Elena tirou a roupa com os dedos desajeitados enquanto ele a observava sem dizer nada, e quando ficou nua ele inclinou a cabeça para examinar seus seios, os mamilos já duros sem que ela soubesse bem por quê, e o triângulo de pelos aparados entre as pernas. Depois apontou para o chão de madeira.
—Ali. De joelhos, com as palmas apoiadas. E abre as pernas. Quero ver essa buceta enquanto você se mexe.
—Vem até aqui sem levantar.
Elena avançou. A madeira estava fria e dura sob os joelhos. Sentiu o atrito antes de percorrer metade do caminho, e notou também como os lábios da buceta se marcavam a cada movimento, abrindo um pouco com a postura. Quando chegou diante de Marcos e ergueu o olhar, encontrou o dele sem expressão particular, nem satisfação nem crueldade. Só atenção. A parte da frente da calça estava estufada, um volume sólido que Elena não conseguiu evitar de olhar de relance.
—As meias — disse.
Valeria se inclinou da cama e, sem tirar os joelhos do colchão, segurou com os dentes a borda da meia de Marcos e puxou com suavidade. A meia caiu no chão com uma facilidade que deixava claro que não era a primeira vez que fazia aquilo. Valeria voltou à posição sem dizer nada, como se tivesse feito a coisa mais natural do mundo. Os seios balançaram por um segundo e voltaram a ficar imóveis.
—Agora você.
Elena demorou mais. Os dentes escorregaram duas vezes antes de conseguir prender bem o tecido. A segunda meia saiu um pouco mais fácil. Marcos esperou sem dar sinal de impaciência.
—Começa pelo peito do pé — ordenou. — Devagar. Você não está limpando, está chupando. Quero ouvir sua boca encharcando.
Elena pôs a língua para fora e passou a primeira lambida no peito do pé. A pele estava limpa, sem cheiro forte. Repetiu o movimento, mais devagar desta vez, e foi avançando até os dedos, até os espaços entre eles, até a sola. Enfiou o dedão na boca e chupou como se fosse bala, com saliva visível escorrendo pelo queixo, porque Marcos queria assim e porque ela começava a entender que meio-termo não servia. Havia algo na concentração exigida pelo exercício que esvaziava a cabeça de todo o resto. Não pensava em Rodrigo nem no que diria a ele no dia seguinte. Só na textura da pele sob a língua, na respiração de Marcos, que continuava regular mas já não totalmente neutra, e na própria buceta, que começara a inchar e a soltar uma umidade espessa que lhe descia pela parte interna da coxa.
Ficaram assim quase um quarto de hora.
Depois, Marcos se despiu. Fez isso sem teatro: tirou a camisa, baixou a calça e a roupa íntima, e Elena viu pela primeira vez a rola com a qual teria de aprender a lidar. Estava semiereta, grossa, com as veias marcadas ao longo do eixo, e, pendendo entre as coxas, as bolas pesadas balançavam com um peso evidente. Marcos não lhe deu tempo de olhar muito.
—De bruços — disse mais para si mesmo do que para ela, e se deitou na cama com o traseiro firme para cima.
—Valeria, mostra pra ela.
Valeria se reposicionou com a eficiência de quem não precisa pensar nos movimentos. Inclinou-se sobre as nádegas de Marcos, separou-as com as mãos com suavidade e passou a língua pelo sulco com uma lambida longa e deliberada, do períneo ao cu e de volta, sem pressa e sem qualquer gesto de repulsa. Depois concentrou a ponta da língua exatamente no buraco e começou a fazer pequenos círculos, pressionando até a abertura ceder e a língua entrar alguns centímetros. Marcos rosnou baixo. Valeria tirou a língua, cuspiu um fio de saliva sobre o orifício para lubrificá-lo e voltou a enfiá-la, desta vez fodendo-o devagar com a língua endurecida. Marcos estendeu um braço sem dizer nada.
—Chega. Volta.
Valeria se ergueu com os lábios brilhantes e ocupou seu lugar.
—Você já sabe como se faz — disse Marcos a Elena. — Agora você, até eu dizer para parar. E quero ouvir você chupando. Se eu não ouvir nada, você está fazendo errado.
Elena se aproximou. Houve um momento de resistência interna que precisou atravessar de forma consciente, porque o corpo demora mais que a decisão. Separou as nádegas de Marcos com as mãos, exatamente como vira Valeria fazer, e pôs a língua para fora. A pele estava limpa. O que ela temia que fosse insuportável não era, de jeito nenhum, ou pelo menos não da maneira que imaginara.
Os primeiros movimentos saíram pouco convictos, percorrendo o sulco de cima a baixo, até que ela se atreveu a apoiar a ponta da língua diretamente sobre o cu. Marcos não disse nada, mas não demorou a notar como a respiração dele mudava com certos movimentos. Ajustou o ritmo e a pressão conforme isso, tentando descobrir o que produzia reação e o que não produzia. Quando começou a fazer círculos com a ponta da língua e a apertar com mais força, a pélvis de Marcos se retesou e um som rouco subiu da garganta dele. Elena cuspiu saliva como vira Valeria fazer, sentiu o orifício se abrir um pouco sob a língua e empurrou a ponta para dentro. Descobriu que era menos diferente de outras coisas que já tinha feito do que admitiria antes de tentar.
—Mais forte. Enfia até o fundo — ordenou Marcos.
Elena obedeceu. Endureceu a língua e a enfiou o máximo que pôde, fodendo-o com ela, sentindo o sabor neutro e limpo do cu de um homem que se preparava exatamente para aquele momento. Sem se afastar, levou uma mão até as bolas de Marcos e as segurou, pesando-as, massageando-as com a palma enquanto continuava com a língua dentro. Quando sua língua tocou o centro por vários segundos seguidos e ele não fez qualquer gesto para afastá-la, quando o único som no quarto foi o próprio trabalho dela, os estalos úmidos da boca contra o cu, e a respiração dos três, algo mudou na forma como Elena ocupava aquele espaço. Percebeu que a própria buceta estava pingando sobre a madeira do chão. Não era a submissão de filme. Era algo mais concreto e mais difícil de ignorar.
***
Marcos a interrompeu depois de vários minutos e a fez ajoelhar de novo ao lado de Valeria.
—Medíocre — disse, sem crueldade, mas sem suavizar. — Corrigível. O problema não é vontade, é inexperiência. Isso se resolve com tempo e prática. Levanta e abre a boca.
Elena obedeceu. Marcos se pôs de pé diante dela com a rola já completamente dura, grossa e vertical, e a aproximou dos lábios sem pedir permissão. Enfiou a ponta e agarrou a nuca dela com uma mão, não com violência, mas com autoridade.
—Chupa. Sem dentes. Devagar no começo.
Elena fechou os lábios em torno da glande e começou a chupar, com a língua se movendo embaixo. O gosto era quente, salgado, e a rola pesava mais na boca do que ela previra. Marcos não lhe deu tempo de se acomodar: empurrou o quadril para a frente e o pau entrou mais da metade. Elena engasgou, e ele recuou alguns centímetros, mas não se afastou.
—Respira pelo nariz. De novo.
Desta vez Elena relaxou. A rola voltou a afundar, chegou ao fundo da garganta e ficou ali por dois segundos antes de sair. Um fio longo de saliva pendia do queixo de Elena quando Marcos tirou o pau inteiro.
—As bolas também. Põe elas na boca.
Elena baixou a cabeça, beijou as bolas dele e colocou uma na boca, sugando com cuidado enquanto acariciava o eixo da rola com a mão. Depois a outra. Quando ergueu a cabeça de novo, Marcos voltou a enfiar o pau até a garganta e o manteve ali por vários segundos longos. Elena sentiu os olhos se encherem de lágrimas, não de dor, mas pela pressão física na traqueia, e viu Marcos observá-las com uma mistura de avaliação e satisfação.
—Quero continuar aprendendo, Amo — respondeu Elena quando ele a deixou respirar, rouca e com a voz baixa.
—Eu sei — disse ele. — Se não quisesse, já teria ido embora há muito tempo.
Virou-se para Valeria.
—Esta noite ela fica sob sua responsabilidade. O que ela aprender ou não nas próximas horas depende de você tanto quanto dela. Comece ensinando a chupar buceta. A dela fede a tesão.
—Sim, Amo — respondeu Valeria.
O que veio a seguir foi diferente no tom e no ritmo. Valeria não usava a humilhação por capricho, mas por função. Explicava antes de pedir. Corrigia sem insultar. Dizia quando algo estava certo com a mesma neutralidade com que apontava quando não estava. Deitou-se na cama com as pernas abertas e separou os lábios da buceta com dois dedos, mostrando a Elena a entrada brilhante, o clitóris eriçado, as dobras internas.
—Comece sempre por aqui — disse Valeria, apontando para o períneo. — Uma lambida longa até o clitóris. Sem tocá-lo ainda. Repete até eu mexer o quadril.
Elena obedeceu. Inclinou-se entre as pernas de Valeria e pôs a língua para fora. O sabor da buceta de outra mulher a surpreendeu: limpo, levemente metálico, intenso, mas não desagradável. Passou a língua por toda a fenda de baixo para cima, evitando o clitóris, e sentiu Valeria suspirar de leve. Repetiu o movimento cinco, seis vezes. Na sétima, quando Valeria moveu a pelve em direção à boca dela, Elena contornou o clitóris com os lábios e começou a chupá-lo suavemente enquanto movia a língua em círculos.
—Isso — murmurou Valeria. — Agora dois dedos dentro. Curva para cima. Você vai sentir uma área mais rugosa. Pressiona ali enquanto me chupa.
Elena enfiou dois dedos na buceta dela e os curvou. Encontrou a área, pressionou, e Valeria gemeu pela primeira vez com um volume maior. Sua buceta começou a se contrair em torno dos dedos de Elena. Elena continuava chupando o clitóris com a boca cheia do gosto dela, e sentiu Valeria se molhar mais, até que um pequeno tremor lhe percorreu as pernas e escapou um gemido mais longo. Não foi um orgasmo grande, mas foi um orgasmo, e Elena o tinha provocado.
Marcos as observou da cadeira por um tempo, com a rola na mão, batendo uma punheta lenta sem gozar. Depois se ergueu e se deitou na cama.
—Vem — disse a Elena.
Ela se aproximou com o queixo ainda brilhante da buceta de Valeria. Ele foi a posicionando com instruções curtas: os braços estendidos primeiro, depois a posição do tronco. Colocou-a de barriga para cima, abriu-lhe as pernas e subiu sobre ela. Os joelhos dele ficaram sobre os antebraços dela e o peso do corpo imobilizou os braços dela contra o colchão. Não era violência. Era arquitetura. Um controle construído de modo que a resistência dela trabalhasse contra ela sem que ele precisasse fazer esforço especial. A rola de Marcos ficou suspensa sobre o rosto de Elena, as bolas roçando seu queixo.
—Abre.
Elena abriu a boca. Marcos baixou os quadris e enfiou a verga até o fundo da garganta dela. Não com violência, mas sem negociação. Ficou ali, bloqueando-lhe o ar, por uma dúzia de segundos longos.
Elena percebeu a mudança na própria respiração: ficou mais curta, mais vigilante. Não era exatamente medo, embora tivesse alguns dos mesmos componentes. Era a consciência repentina de que dependia dele para regulá-la, e de que ele sabia disso, e de que esse era exatamente o ponto.
Marcos se inclinou sobre ela, deixou o peso bloquear o acesso ao ar por mais alguns segundos e então retirou a rola.
—Respira.
Elena puxou o ar com uma inspiração longa e forçada, com um fio de saliva escorrendo do canto da boca até a têmpora.
—De novo.
A segunda vez durou mais. Marcos fodou sua garganta com cinco ou seis estocadas seguidas antes de afundar até o fundo e voltar a ficar imóvel. Elena aprendera, nos últimos segundos, que o pânico vinha antes de o corpo realmente precisar dele, e que podia distinguir os dois. Quando Marcos tirou a verga de novo e a deixou respirar, ela o fez sem o desespero da primeira vez. Com os pulmões cheios, mas sem o nó no peito que esperava sentir. Enquanto isso Valeria tinha escorregado entre as pernas de Elena e colocado a boca em sua buceta, comendo-a com a mesma técnica que acabara de lhe ensinar.
—Bom — disse Marcos. Era a primeira vez na noite que usava aquele tom específico.
Marcos se moveu, tirou os joelhos dos antebraços de Elena e a fez se virar de quatro. Agarrou-lhe os quadris com as duas mãos, abriu-lhe as nádegas com os polegares e olhou para a buceta exposta e ensopada por um momento antes de guiar a rola com uma só mão. A ponta escorregou entre os lábios molhados e afundou de uma enfiada firme até o fundo. Elena soltou um gemido grave assim que sentiu a grossura abri-la por inteiro.
Os movimentos dele eram lentos no começo, construindo tensão onde o corpo dela ainda processava a mistura de adrenalina e controle cedido. Ele a fodia com estocadas longas, tirando quase toda a rola antes de afundá-la outra vez, e Elena podia ouvir os estalos úmidos da própria buceta cada vez que ele entrava até o fundo. Marcos indicou a Valeria como se posicionar com um gesto e ela obedeceu sem perguntar: deitou-se de barriga para cima debaixo de Elena, com a cabeça entre suas coxas, e começou a chupar-lhe o clitóris enquanto Marcos a penetrava. A cada investida de Marcos, a buceta de Elena roçava a boca de Valeria, que lambia ambos, pau e buceta, sem distinguir.
As instruções de Marcos vinham em voz baixa, precisas, e Elena as seguia sem pensar muito, o que, ela compreendeu, era exatamente o esperado dela. «Arqueia mais as costas.» «Empina a bunda.» «Pede.»
—Pede pra eu te foder mais forte — ordenou.
—Mais forte, Amo — ofegou Elena. — Fode mais forte.
Marcos agarrou o cabelo dela com a mão esquerda, puxou a cabeça para trás e começou a investir com um ritmo mais duro, tirando e enfiando a rola com o som úmido e obsceno de uma buceta encharcada. As bolas de Marcos batiam no clitóris dela a cada investida, alternando com a língua de Valeria, que continuava trabalhando entre as pernas de ambos. Elena começou a sentir que algo se acumulava muito dentro, uma pressão que não sentia com tanta clareza havia anos.
Quando Marcos gozou, fez isso de forma deliberada. Tirou a rola, segurou-a na mão e a enfiou de volta até o fundo mais duas vezes, devagar, olhando-a nos olhos sem desviar o olhar enquanto esvaziava os jatos de leite dentro da buceta dela. Elena os sentiu: jatos quentes, espessos, um atrás do outro, enchendo-a por completo. Valeria, por baixo, recolheu com a língua o que escapava quando Marcos finalmente retirou a verga, e limpou com a boca a buceta transbordando de Elena até deixá-la brilhante de saliva e leite.
Elena percebeu que também gozava, quase sem ter buscado isso, no mesmo momento em que ele se retirava. As contrações lhe sacudiram o ventre e ela soltou um gemido longo e rouco que não tinha planejado. Não disse nada depois. Ele também não.
—Você já pode voltar com Rodrigo amanhã — disse Marcos, levantando-se, como quem encerra um item de uma lista. — Meu sêmen já está dentro. A buceta é minha e já está marcada. O resto, não.
***
Jantaram tarde, os três, no quarto. Elena continuava nua, com as coxas pegajosas e um fio de leite ainda escorrendo quando mudava de posição. Os sanduíches frios da bandeja, uma garrafa de água compartilhada. Marcos fez perguntas sobre Rodrigo, sobre o trabalho de Elena, sobre o que ela esperava dos meses seguintes. Ela respondeu com mais honestidade do que usaria em qualquer outra conversa daquela semana. Valeria comia em silêncio e, quando Marcos lhe perguntava algo, respondia sem rodeios e sem artifícios.
Elena os observava enquanto comia e entendia que o que via não era pose nem atuação. Era a rotina de algo que funcionava havia muito antes de ela chegar e que continuaria funcionando muito depois de ela ir embora, se é que iria.
Quando a luz foi apagada, Elena ficou no lado esquerdo da cama. Valeria à direita. Marcos no centro. Em algum momento, no escuro, ela percebeu a mão de Valeria deslizando sobre o ventre de Marcos e descendo até a rola, acariciando-a com uma lentidão rotineira, e como Marcos virava a cabeça para ela e enfiava dois dedos na sua buceta sem dizer uma palavra. Elena ouviu a respiração dos dois mudar, o ritmo silencioso de um sexo que não a incluía e que também não a excluía. Fechou os olhos sem se mexer, com a própria buceta voltando a se umedecer contra a vontade.
Elena demorou a dormir. Olhava para o teto e escutava a respiração pausada dos outros dois.
Amanhã você vai falar com Rodrigo e não vai saber exatamente o que dizer a ele. Pensou sem angústia. E depois de amanhã vai voltar aqui de qualquer jeito.
Não era amor. Era algo mais difícil de nomear: algo que ela buscava havia tempo nos lugares errados e que naquela noite, pela primeira vez, encontrara exatamente onde menos teria imaginado.
Fechou os olhos.
Lá fora, o vento movia os ciprestes com um som longo e contínuo, como o de páginas de um livro sendo viradas bem devagar.


