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Relatos Ardientes

Alívio proibido nas masmorras do castelo

As portas do Salão de Audiências se abriram com um gemido surdo de madeira velha. O ar que saiu era denso, quente, impregnado de uma mistura que Valeria havia aprendido a identificar em seus anos a serviço da Rainha Leonora: fumaça de pinho, suor acre, cobre de sangue e aquele cheiro doce e repugnante que só a carne viva produz quando foi tratada com ferro em brasa.

Valeria cruzou o umbral com passo firme. Atrás dela, sua aprendiz Nora carregava duas maletas de couro preto repletas de bandagens, frascos e instrumentos cirúrgicos. Era uma moça de dezenove anos com mãos firmes e estômago de pedra, duas qualidades que Valeria havia cultivado nela com esmero durante três anos de serviço na ala médica do castelo.

A cena que encontraram teria paralisado qualquer outra pessoa.

No centro da sala, sobre as lajes de granito, jazia Clara, ex-guardia da Rainha Leonora. Seu uniforme, rasgado até a cintura, deixava à mostra o flanco onde a marca real deixara sua assinatura: uma letra gravada a fogo na pele, o tecido queimado ainda soltando fumaça, a borda da cratera de um negro profundo que virava um vermelho furioso nas margens. Seu ombro esquerdo pendia em um ângulo que não correspondia a nenhuma articulação sã. Clara respirava. Isso era o único relevante no momento.

Mas não era Clara o que reteve o olhar de Valeria.

Ao fundo da sala, onde as tochas projetavam mais sombra do que luz, estava o Pilar. Chamavam-no assim desde há três reinados: uma coluna de pedra negra com argolas de ferro em diferentes alturas, destinada a prender prisioneiros na posição que fosse mais conveniente para a coroa. Nessa noite, a Rainha Leonora havia escolhido uma posição muito particular para o escravo Rodrigo.

Haviam-no acorrentado pelo pescoço à argola mais alta. A corrente estava calculada com precisão sádica: curta o suficiente para que apenas as pontas dos dedos descalços roçassem o chão, longa o suficiente para não morrer asfixiado nos primeiros minutos. Tinha os pulsos amarrados nas costas. De seus genitais pendia um dispositivo de madeira dura, um artefato desenhado para comprimir e puxar para baixo com o próprio peso. No interior do aparelho de aço que aprisionava seu membro, um cateter metálico estriado havia sido introduzido ao longo de todo o canal urinário.

Irene, a nova guarda favorita da Rainha, observava tudo da parede, com os braços cruzados e uma expressão de satisfação tranquila. Usava o uniforme de gala, a espada no cinto, e sorria da maneira como sorri alguém que acaba de executar um trabalho do qual se sente profundamente orgulhoso.

Valeria avaliou a situação em três segundos. Tomou sua decisão.

—Clara primeiro — disse, sem se dirigir a ninguém em particular. Era uma afirmação, não uma consulta—. Mesmo que tenha perdido o posto, é cidadã livre. O protocolo da corte estabelece prioridade sobre um escravo. E a Rainha vai querer exibir essa marca na face como advertência. Ela precisa sobreviver para isso. Nora, as maletas.

Trabalharam durante quarenta minutos em Clara. Valeria limpou a queimadura com álcool de ervas, ignorando os gemidos da mulher inconsciente. Com Nora segurando o braço, reduziu a luxação do ombro: um movimento rotatório calculado, um estalo úmido, e o osso voltou à cavidade articular. Imobilizaram o membro com talas de madeira e lã limpa. Valeria suturou as bordas do tecido queimado com fio de seda previamente embebido em tintura de papoula, tensionando a pele sã para fechar o perímetro da ferida. Administraram os elixires padrão da enfermaria real, e Clara caiu em um sono profundo e quimicamente assistido.

Enquanto isso, o tempo trabalhava sem descanso contra Rodrigo.

A biomecânica de sua posição era um estudo em tortura contínua. Todo o peso do corpo recaía sobre as falanges dos dedos dos pés. Os músculos das panturrilhas levavam quase uma hora em contração máxima, e o ácido lático acumulado havia começado a produzir cãibras: sacudidas involuntárias que percorriam suas pernas da batata da perna à coxa. Toda vez que uma dessas cãibras o fazia fraquejar e os calcanhares buscavam desesperadamente o chão, a corrente se tensionava. O colar de punição se fechava. Os dentes de metal pressionavam a laringe e cortavam a passagem do ar, obrigando-o a recuperar o equilíbrio por puro terror de asfixia.

A essa tortura do equilíbrio somava-se o peso constante do dispositivo de madeira em seus genitais, que limitava o fluxo sanguíneo de forma progressiva. E, acima de tudo, o cateter metálico. Frio já, mas igualmente presente. Cada tremor de suas pernas, cada ofego que movia sua pelve, fazia com que as estrias do metal raspassem o tecido interno do canal urinário em carne viva. Não era uma dor explosiva. Era uma dor sem pausa, sem alívio, desenhada para erodir a resistência mental antes da física.

Rodrigo soluçava em silêncio. As lágrimas já não lhe corriam pelas faces; haviam secado. Restava apenas aquele tremor constante, os joelhos vibrando com esforço sobre-humano, e o olhar perdido em um ponto fixo do chão de pedra.

Valeria se levantou de Clara, enxugou as mãos num pano de linho e se virou para o fundo da sala. O que viu fez sua expressão clínica se tensar. A pele do escravo adquirira aquele tom acinzentado e translúcido que precede o síncope. Os lábios tinham tonalidade azulada. As pernas tremiam com uma violência tal que parecia que os músculos fossem rasgar a pele de dentro para fora. Ele estava à beira do colapso circulatório.

Ela caminhou até o Pilar.

—Nora, o iodo. E as correias da maleta secundária.

Irene se desprendeu da parede antes que Valeria chegasse à argola. Interpôs-se entre ela e a coluna de pedra, com uma mão sobre o punho da espada.

—A Rainha ordenou que ele ficasse pendurado na ponta dos pés — disse Irene—. Essa é a disposição da punição. Se você baixar essa corrente, estará contrariando uma ordem real direta, curandeira.

Valeria parou. Estudou a lâmina que surgia dois dedos para fora da bainha e os olhos de Irene, que não eram olhos de alguém fazendo um aviso, mas de alguém que pretendia cumpri-lo. Conhecia esse tipo de guarda. Aprendera havia muito que não se vence esse tipo pela força, e sim pela lógica.

—Guarde o aço, Irene — respondeu com uma voz que não subiu um único tom—. Não vou tocar nessa corrente. Mas ouça bem: se esse homem morrer asfixiado nos próximos vinte minutos, ou se for preciso amputar-lhe os testículos amanhã porque a isquemia foi longe demais, será você quem terá de explicar à Rainha por que seu novo brinquedo se tornou inútil antes de ela poder aproveitá-lo de verdade.

Um silêncio breve. Irene não respondeu, mas sua mão se afastou do punho da espada.

—A Rainha ordenou que ele ficasse pendurado na ponta dos pés — repetiu Irene, com bem menos convicção do que na primeira vez.

—E continuará pendurado na ponta dos pés — disse Valeria—. Não vou baixar a corrente do pescoço. Vou subir o chão.

Irene piscou. Não entendeu de imediato. Valeria não esperou que entendesse.

—Nora. Vá ao estrado. Traga todas as almofadas e cobertores que puder carregar.

A aprendiz atravessou a sala a passos rápidos e voltou carregada com uma pilha de almofadas de veludo e cobertores de lã grossa que habitualmente enfeitavam o estrado de onde a Rainha Leonora presidia suas audiências. Valeria foi empilhando tudo com cuidado diretamente sob os pés de Rodrigo: uma camada, duas, três, ajustando a altura com a precisão de quem estudou a mecânica do corpo humano durante duas décadas.

Os pés do escravo roçaram o tecido. Depois o pressionaram. Seus calcanhares encontraram apoio.

E, no mesmo instante em que suas pernas cederam o peso acumulado e a corrente do pescoço se tensionou, Rodrigo começou a se asfixiar de verdade.

—As correias — disse Valeria sem elevar a voz.

Da maleta secundária extraiu uns arreios de couro largo, os mesmos que utilizava na ala psiquiátrica para conter os pacientes mais agitados durante intervenções sem anestesia. Ela e Nora trabalharam com sincronização perfeita: passaram as correias por baixo das axilas do escravo, cruzaram-nas por suas costas, levaram-nas até a argola superior do Pilar, a mesma de onde pendia a corrente do pescoço. Puxaram com força. Ajustaram as fivelas de ferro com golpes secos.

O arreio improvisado redistribuiu o peso do corpo dele.

Agora, Rodrigo estava suspenso pelo torso, não pelo pescoço. A corrente permanecia exatamente na mesma posição em que Irene a dispusera. Os pés do escravo repousavam planos sobre a pilha de cobertores. O colar continuava em torno de sua garganta, ameaçador, porém passivo. Seus pulmões encontraram espaço para se expandir.

Rodrigo exalou. Um som longo, quebrado, que era ao mesmo tempo gemido de exaustão absoluta e alívio involuntário. A cabeça caiu para frente, o queixo apoiado no peito, exausto para além de qualquer compreensão.

—Continua pendurado — disse Valeria, olhando diretamente nos olhos de Irene—. E continua preso. Mas agora vai sobreviver a esta noite. Tem alguma objeção técnica que possa formular sem parecer alguém que prefere ver o brinquedo da Rainha estragado?

Irene bufou. Guardou a espada com um movimento seco. Não tinha objeção alguma que pudesse articular nesses termos.

Valeria se ajoelhou diante do escravo.

—Segure as coxas, Irene — ordenou—. Se os espasmos moverem a pelve enquanto trabalho, o dano será pior. E se a infecção se instalar, o cheiro da sepse vai encher este salão antes do amanhecer.

Irene praguejou em voz baixa, mas se aproximou e agarrou as coxas de Rodrigo com ambas as mãos, imobilizando sua pelve contra o Pilar de pedra.

A primeira coisa que Valeria fez foi retirar o dispositivo de madeira. Quando os blocos se separaram, o sangue voltou em golpe aos tecidos que haviam sido comprimidos por tempo demais. Rodrigo se contorceu. O retorno do fluxo sanguíneo a tecido isquêmico é mais doloroso que a própria compressão: milhares de agulhas em brasa cravando-se na carne sensível. Mas, sem essa liberação, a necrose seria questão de horas, e sem funcionalidade genital a Rainha perderia o interesse em seu novo escravo antes do previsto.

Nora aproximou uma taça com uma infusão espessa e fumegante: raiz de valeriana, casca de salgueiro, flor de papoula silvestre. Valeria ergueu a cabeça de Rodrigo pelo queixo e vertiu o líquido amargo entre seus dentes. O escravo engoliu por instinto. O sedativo levaria alguns minutos para fazer efeito completo, mas o gosto amargo o ancorava ao presente de um jeito que os gritos já não conseguiam fazer.

—Isso vai doer mais do que tudo o que veio antes — disse Valeria.

Não era crueldade. Era informação. Valeria nunca mentia aos pacientes sobre a dor que os aguardava. Era o único presente que podia oferecer com honestidade.

Extraiu da maleta uma seringa de cristal grosso com cânula longa e romba, desenhada para irrigações internas, não para punções. Preencheu-a com uma solução de iodo concentrado misturado com extrato adstringente de casca de carvalho: um desinfetante de primeira geração, brutal e definitivo, que eliminava qualquer bactéria ao contato direto e produzia uma ardência que o tecido nervoso registra como queimadura química pura.

O cateter metálico estivera horas dentro do canal urinário de Rodrigo, sem esterilização, introduzido sobre tecido já lesionado. Cada micro-movimento criara novas lacerações ao longo de todo o percurso. Sem desbridamento e desinfecção imediata, a sepse urinária chegaria à bexiga em menos de quarenta e oito horas, e aos rins antes do fim de semana. Um homem são podia morrer disso em três dias. Um homem já debilitado, em menos.

Valeria introduziu a ponta da cânula no espaço mínimo que restava entre a carne e o cateter metálico. Rodrigo, sob os primeiros efeitos da valeriana, mal reagiu à invasão.

Ela pressionou o êmbolo.

O iodo concentrado entrou sob pressão no canal. Frio, denso, quimicamente agressivo. Encharcou cada milímetro de tecido lacerado, penetrou nas feridas abertas, reagiu com o sangue acumulado e com as bactérias que já haviam começado a colonizar o tecido interno.

O grito de Rodrigo não foi humano. Foi um som vindo de um lugar anterior à linguagem, anterior até mesmo ao pensamento.

Seu corpo inteiro arqueou para frente com força titânica. As algemas cravaram-se nos pulsos. As correias de couro rangeram sob suas axilas. Seus pés escorregaram sobre as almofadas de veludo. Irene precisou usar todo o peso do corpo para que a pelve não se soltasse de seu agarre. O grito se partiu em um estertor gorgolejante, as cordas vocais cedendo ante a violência do esforço, e um segundo depois os olhos de Rodrigo se reviraram e seu corpo amoleceu por completo.

O cérebro havia cortado a conexão. O único mecanismo de defesa que lhe restava.

Valeria retirou a seringa vazia. Um líquido amarronzado, mistura de iodo e plasma, começou a pingar lentamente da abertura do dispositivo de aço, caindo sobre os cobertores aristocráticos que agora serviam de plataforma ao escravo inconsciente.

—Pronto — disse Valeria, guardando a seringa na maleta com a mesma frieza clínica com que trabalhara na última hora—. O tecido está esterilizado. O iodo vai queimar durante horas, mesmo inconsciente, mas salvou a vida dele. E garantiu que ele preserve toda a funcionalidade para quando a Rainha decidir fazer uso disso.

Ergueu-se. Enxugou as mãos em um pano limpo. Observou o resultado do trabalho com a expressão neutra de quem fez o que precisava ser feito.

Rodrigo pendia inerte no arreio de couro, o queixo cravado no peito, a respiração superficial, porém regular.

E, naquele momento, quando Valeria já recolhia a maleta para partir, as portas do Salão de Audiências se abriram pela segunda vez naquela noite.

A Rainha Leonora entrou sozinha. Usava uma longa bata de seda negra, ajustada à cintura por um cordão de ouro, e nada mais. Os seios brancos se marcavam contra o tecido escuro, os mamilos já rijos, as tetas pesadas movendo-se a cada passo de seus pés descalços sobre o granito. Vinha da cama, ou a caminho dela, e o cheiro de sua pele enchia o salão: óleo de nardo, vinho tinto, buceta quente de mulher que não havia terminado a noite.

—Majestade — Irene se pôs em posição de sentido na mesma hora.

Leonora nem a olhou. Caminhou direto até o Pilar, avaliou o arreio, os cobertores, o corpo pendente do escravo. Depois cravou os olhos em Valeria.

—Você o salvou — disse. Não era uma pergunta.

—Ele está funcional, majestade. Como a senhora queria.

A Rainha assentiu muito lentamente. Contornou o escravo. Passou uma mão pelo flanco do torso, pelas costelas marcadas, pelo ventre plano e suado. Desceu até o dispositivo de aço, ainda pingando iodo e plasma, e o golpeou de leve com um dedo. Rodrigo, inconsciente, estremeceu no arreio.

—Tirem isso — ordenou—. O cateter, a gaiola, tudo. Quero ver a rola dele.

Valeria trocou um olhar com Nora. Ajoelhou-se de novo. Com mãos rápidas, liberou os fechos do dispositivo de aço e extraiu o cateter metálico estriado com um puxão firme e contínuo. O canal urinário, já esterilizado, sangrou um pouco, um fio rosado que escorreu pela carne e pingou no chão. A rola de Rodrigo, livre pela primeira vez em horas, pendia flácida e machucada, com marcas roxas onde o dispositivo a estrangulara.

—Acordem-no — disse Leonora.

—Majestade, ele acabou de perder a consciência por choque. Se o despertarmos agora, o coração poderia…

—Acordem-no — repetiu a Rainha, sem elevar o tom. Não precisava.

Nora rompeu um pequeno frasco de sais sob o nariz do escravo. Rodrigo tossiu, engasgou, gemeu. Os olhos se abriram desorbitados, sem compreender onde estava. Depois viu a Rainha e todo o corpo se contraiu num tremor de terror puro.

—Aqui estou — disse Leonora com doçura obscena, segurando-lhe o queixo—. Aqui estou, meu brinquedo novo. Você sobreviveu. Muito bem. Agora vamos ver para que serve.

Afrouxou o cordão da bata. A seda negra se abriu e caiu dos ombros até os cotovelos, deixando à mostra os peitos grandes e firmes, a cintura estreita, o triângulo escuro entre as coxas. A Rainha não se deu ao trabalho de tirá-la por completo. Tomou a mão de Irene e a colocou sobre um seio.

—Tire leite do mamilo enquanto eu olho — disse—. E você, curandeira, não vá embora. Talvez eu precise de você outra vez.

Irene obedeceu na mesma hora. Começou a amassar a teta da Rainha com a palma aberta, beliscando o mamilo entre dois dedos, torcendo-o com a prática de quem já fez aquilo muitas noites. Leonora soltou um suspiro rouco e desceu a outra mão até sua própria buceta, afastando os lábios com dois dedos, mostrando o rosa molhado à luz das tochas.

—Olhe, escravo — disse, aproximando-se do rosto de Rodrigo—. Olhe para quem vai usá-lo esta noite.

Rodrigo olhava porque não podia fazer outra coisa. Sua rola, mesmo machucada, começou a inchar contra a vontade. O sangue voltava aos tecidos liberados e o pênis se enchia apesar da dor, apesar do iodo queimando por dentro, apesar do terror. Ele se odiou por isso. Os olhos se encheram de lágrimas outra vez.

Leonora sorriu ao vê-lo endurecer.

—Bom garoto. O corpo sabe a quem pertence antes da cabeça.

Aproximou-se mais. Tomou a rola de Rodrigo em seu punho e a apertou, sem nenhum cuidado com os hematomas. Rodrigo gemeu, um gemido quebrado que era metade dor e metade excitação forçada. A Rainha o masturbou com movimentos secos, cuspindo na palma para lubrificar, arrancando a pele dolorida para cima e para baixo até a pica ficar dura por completo, vermelha, inchada, pulsando em sua mão.

—Curandeira — disse Leonora sem se virar—. Aguenta uma trepada?

Valeria deu um passo à frente, profissional até o osso.

—O tecido interno acaba de ser esterilizado, majestade. Se ele gozar, a ardência será extrema. Mas não vai morrer.

—Perfeito.

A Rainha soltou a rola, virou-se e se apoiou de costas contra o peito do escravo pendurado. A seda negra deslizou por completo e caiu ao chão. Nua contra Rodrigo, esfregou o cu contra o ventre dele, buscando a vara endurecida entre as nádegas. Ficou na ponta dos pés, ergueu uma perna e, com a mão, guiou a ponta até a entrada de sua buceta.

—Irene, me sustente a coxa.

Irene se abaixou e lhe segurou a coxa direita no alto, abrindo-lhe a buceta para o escravo pendurado. Leonora baixou a pélvis de uma vez. A rola de Rodrigo se enterrou inteira dentro dela num só golpe.

O grito que saiu da garganta do escravo foi de puro suplício: a carne interna, em carne viva pelo iodo, entrou em contato com o calor apertado e molhado da buceta real e a mistura de prazer e queimadura lhe nublou a vista. Leonora, por outro lado, atirou a cabeça para trás e gemeu longo, rouco, satisfeito.

—Aí está — ofegou—. Aí está a rola que você me devia, escravo.

Começou a se mover. Não como uma amante: como uma rainha. Empalou-se sozinha, para cima e para baixo, usando o arreio que sustentava Rodrigo como ponto de apoio, cavalgando-o pendurado no Pilar. O cu branco lhe quicava contra o ventre do homem. As tetas sacudiam. Irene, ajoelhada ao lado, continuava apertando-lhe o mamilo com uma mão e com a outra esfregava o clitóris da Rainha, em círculos rápidos, experientes.

—Mais forte, Irene, mais forte no clitóris… —ofegava Leonora—. E você, escravo, nem pense em gozar ainda. Se gozar antes de mim, eu juro que amanhã Valeria enfia de novo esse cateter em você e o deixa uma semana inteira.

Rodrigo soluçava enquanto a rainha o fodia. Cada descida da pélvis de Leonora arrancava-lhe um espasmo de dor pura pelo iodo queimando o canal e, ao mesmo tempo, lhe arrancava uma onda de prazer que ele não podia controlar. As paredes da buceta real o apertavam, o ordenhavam, o esmagavam contra o fundo molhado. O suor escorria por seu peito, misturava-se ao suor das costas da Rainha, e as correias de couro rangiam a cada estocada.

Valeria observava a dois passos de distância com a mesma expressão neutra com que havia suturado Clara. Nora, ao seu lado, permanecera muito quieta, muito pálida, agarrando a maleta com as duas mãos. A curandeira pousou uma mão em seu ombro sem desviar os olhos da cena.

—Respire pela boca — disse baixo—. E olhe. Isso também faz parte do ofício.

Leonora acelerou. O som úmido da buceta sendo enfiada na rola do escravo enchia todo o salão, misturado ao gotejar do iodo, aos ofegos guturais da Rainha, aos soluços de Rodrigo. Irene esfregava-lhe o clitóris cada vez mais rápido. Leonora começou a tremer. As coxas começaram a falhar. Agarrou-se com uma mão ao colar de aço do escravo, puxando-o para baixo, cortando-lhe de novo a passagem do ar enquanto gozava.

—Agora — rosnou—. Goze agora, escravo, goze dentro de mim, encha minha buceta, AGORA!

Rodrigo gozou porque não lhe restou outra saída. O orgasmo explodiu desde a base da rola, subiu pelo canal urinário destruído e o iodo transformou cada contração em uma descarga de fogo branco. Jorrou dentro da Rainha entre gritos de agonia e prazer misturados, a garganta fechada pelo colar, os olhos outra vez em branco. Leonora gozou ao mesmo tempo, apertando-se contra ele, as paredes da buceta espremendo a vara até a última gota de sêmen.

Ficou assim por alguns segundos, atravessada, respirando forte, a testa apoiada no peito suado do escravo. Depois se ergueu devagar, deixando a rola de Rodrigo sair dela com um estalo úmido. Um fio espesso de sêmen misturado com fluido escorreu pela parte interna da coxa até o joelho.

Irene, sem precisar receber ordem, ajoelhou-se entre as pernas da Rainha e lambeu a buceta limpa, engolindo o sêmen do escravo diretamente dali. Leonora suspirou satisfeita e acariciou a cabeça de sua guarda como se acaricia um cão bem treinado.

—Boa garota — disse—. E você, curandeira, obrigada pelo trabalho. Amanhã quero que volte e o examine de novo. Vou usá-lo todas as noites esta semana. Preciso que ele aguente.

—Sim, majestade.

Leonora se abaixou, recolheu a bata de seda negra e a jogou sobre o corpo sem se preocupar em fechar. Aproximou-se uma última vez do ouvido de Rodrigo, que pendia semi-inconsciente, com a rola escorrendo sêmen e sangue sobre os cobertores.

—Agora você já sabe — sussurrou—. Bem-vindo ao seu trabalho.

E saiu do salão com Irene atrás, deixando o eco de seus pés descalços sobre o granito.

Valeria esperou a porta se fechar. Depois se aproximou do escravo, limpou-lhe a rola com um pano úmido, conferiu o canal urinário e a temperatura da pele. Ajustou o arreio para que pudesse dormir sem se sufocar. Reorganizou os cobertores sob seus pés.

—Não gosto de como isso ficou — murmurou Nora na penumbra.

—Não precisa nos agradar — respondeu Valeria, recolhendo suas maletas—. Só precisa sobreviver. E sobreviver foi o que tornamos possível nesta noite.

Recolheu as coisas, fez um sinal para Nora, e ambas caminharam até a porta sem olhar para trás. O som de seus passos sobre as lajes foi se apagando até se perder do outro lado das portas de carvalho.

No Salão de Audiências, sob a luz das tochas que começavam a se consumir, Rodrigo pendia em seu arreio improvisado. Vivo, semi-inconsciente, com o fogo do iodo percorrendo-lhe as entranhas em silêncio e o sêmen ainda escorrendo de sua rola. O amanhecer traria a Rainha outra vez. E com a Rainha, viria tudo o mais.

Por ora, respirava.

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