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Relatos Ardientes

Arranquei dele a confissão de que mais tinha vergonha

4.1 (50)
Ilustração do conto erótico: Arranquei dele a confissão de que mais tinha vergonha

A garrafa de Malbec já estava pela metade quando Rodrigo começou a ficar filosófico. Isso sempre me avisava que vinha alguma coisa. Ele se recostou no sofá com aquela expressão turva que o álcool lhe dá, a que faz ele parecer dez anos mais novo e dez vezes mais vulnerável.

Eu o observava do sofá em frente. O mesmo ritual de sempre: ele falando demais, eu ouvindo mais do que ele imaginava.

— Natalia — disse, virando a cabeça para mim com um esforço visível—. Posso te contar uma coisa estranha?

— Define estranho.

— Estranho pra mim. — Fez uma pausa. Olhou para as próprias mãos como se buscasse as palavras entre os dedos —. Às vezes eu tenho… fantasias.

— Todo mundo tem fantasias, Rodrigo.

— Não como essas. — Engoliu em seco —. Às vezes eu imagino você transando com outra pessoa. E isso não me incomoda. Fico duro.

Houve um silêncio. Levantei-me do sofá devagar e fui me sentar ao lado dele. Não perto demais. O bastante para ele saber que eu estava levando a sério.

Cena 1 do conto: Arranquei dele a confissão de que mais tinha vergonha
La pregunta que cambió todo

— Com outro homem?

O pânico foi imediato. Ele se endireitou, balançando a cabeça de um lado para o outro, com os olhos de quem acabou de pisar em terra falsa.

— Não, não. Isso não. Quero dizer com uma mulher. Um trio. Sabe, o que qualquer homem quer, né? Ver você sendo comida por outra. Não tem nada de estranho. É a fantasia mais normal do mundo.

Ouvi as explicações dele sem interromper. Quando terminou, fiquei calada por um instante.

— Rodrigo.

— O quê?

— Mentira, não.

Ele se tensionou.

— Não estou mentindo. Com uma mulher, eu juro. Só com uma mulher.

Olhei fixamente para ele por alguns segundos. Depois me levantei.

— Tudo bem — disse —. Se é isso que você quer, é isso que você vai ter.

O alívio dele foi imediato e absoluto. Quase me deu pena. Ele ainda não entendia que tinha acabado de abrir uma porta que eu ia controlar inteiramente do outro lado.

***

Liguei para Valeria no dia seguinte, do corredor do trabalho, com o telefone colado à orelha e a voz baixa.

Valeria e eu nos conhecíamos havia quase dez anos. Era designer gráfica, tinha um humor negro que deixava as pessoas desconfortáveis nos jantares e uma capacidade de lidar com o caos que sempre me pareceu admirável. Não havia muitas pessoas na minha vida para as quais eu pudesse ligar com uma proposta como a minha.

Expliquei a situação em quatro frases. A última foi:

— Quero que você venha me foder na minha cama. E quero que ele veja depois.

Houve uma pausa breve.

— Ele vai estar olhando?

— Vai ver você me comer. Em vídeo. Cada detalhe.

Outra pausa. Depois uma risada baixa, genuína, de quem já tomou a decisão.

— Quando?

— Sexta-feira.

— Tô dentro. E vou levar o cinto mais grosso. Aquele que você adora.

Cena 2 do conto: Arranquei dele a confissão de que mais tinha vergonha
La llamada

— Que seja o mais grosso que você tiver.

***

Contei a Rodrigo na quinta à noite, sem drama, enquanto eu me ajeitava em frente ao espelho do corredor. Ele estava no sofá com o celular na mão, fingindo que olhava alguma coisa.

— Sexta-feira eu vou sair com a Valeria.

Ele não respondeu de imediato. Senti a densidade do silêncio mudar no quarto.

— Pra onde vocês vão? — perguntou por fim.

— Cumprir a sua fantasia, meu amor. Ela vai me comer na nossa cama. Na sua cama.

Vi ele corar pelo reflexo. Algo lhe travou na garganta.

— Natalia, sério, não precisa que...

— Já conversamos sobre isso. Não era isso que você queria? Saber que outra está me fodendo? Então aí está.

Ele não disse nada. Assenti uma vez, como se tivéssemos chegado a um acordo, e voltei para o quarto.

Antes de sair para o trabalho, tirei a câmera pequena da gaveta da escrivaninha e a deixei sobre a mesinha de cabeceira de Rodrigo, apontada para a cama. Luz verde piscando.

— Só pra você ter uma lembrança de como eu gozo com outra — disse ao passar pela sala.

Ele não levantou os olhos. Mas também não disse que não. E vi o volume marcando sob a calça.

***

Valeria me esperava na porta de um restaurante libanês que conhecíamos do bairro. Usava o sobretudo preto, o cabelo solto, aquela postura dela de quem chega sempre antes dos outros e não tem pressa nenhuma.

— Pronta? — perguntou.

— Quase. Tô com fome de verdade.

Sentamos e pedimos sem olhar muito o cardápio. Falafel, homus com azeite, pão sírio com alho assado. O alho vinha triturado na manteiga e podia ser sentido da mesa ao lado. Pedimos duas porções. Comemos devagar, conversamos sobre outras coisas, sobre um projeto que ela tinha em mãos, sobre uma série que nenhuma das duas tinha terminado de ver.

Era uma noite normal, quase.

O alho demorava a assentar. As duas sabíamos disso e nenhuma comentou.

Cena 3 do conto: Arranquei dele a confissão de que mais tinha vergonha
Cena y complicidad

Debaixo da mesa, Valeria pôs a mão na minha coxa no meio do jantar. Foi subindo devagar, até que com a ponta do polegar roçou o tecido da minha calcinha. Encontrou o inchaço do clitóris e apertou de leve.

— Você já tá molhada — disse, sem tirar os olhos do prato.

— Tô desde ontem à noite.

— Então vai ser uma noite longa, querida.

Voltamos para o apartamento depois das onze e meia. Rodrigo não estava na sala. A porta do escritório estava fechada. Fechamos a porta do quarto.

***

A câmera continuava ligada. Luz verde fixa.

Nos despimos sem pressa. Valeria fazia isso com aquela naturalidade de quem não precisa que nada seja mais do que é. Primeiro o casaco, depois a blusa, a calça, as meias. Quando ficou de sutiã e calcinha, veio até mim e me ajudou a me despir. Baixou meu vestido pelos ombros, deixou-o cair no chão. Abriu meu sutiã com os dentes apoiados no meu pescoço e o jogou para o lado. A calcinha ela arrancou com dois dedos, devagar, até sentir o tecido esticado contra a minha boceta encharcada.

— Olha só como isso tá pingando. — Passou dois dedos entre meus lábios molhados e os ergueu até a boca. Chupou um por um, me encarando fixamente —. Você tem gosto de festa.

O clima mudou no quarto sem que nenhuma de nós forçasse, como muda a temperatura quando alguém abre uma janela.

A cama de Rodrigo estava com os lençóis bem esticados. Ele tinha esse hábito de arrumá-los todas as manhãs, sem um amasso, com os cantos presos sob o colchão.

Nos deitamos em cima.

Valeria me beijou primeiro, devagar, com a mão firme na minha nuca. Abri a boca para ela e nos encontramos com fome contida, respiração acelerada, língua contra língua. Os dedos dela desceram pelas minhas costas, apertaram minha bunda e me puxaram para perto até que eu sentisse os seios pesados dela contra os meus, os mamilos duros se esfregando um no outro. Gostei do peso do corpo dela, da segurança com que se movia, como se soubesse exatamente quanto apertar e quando soltar.

Mordi o pescoço dela. Ela soltou uma risada baixa e me agarrou pelo cabelo, puxando só o bastante para expor minha garganta. Se inclinou e me lambeu da clavícula até o umbigo, devagar, deixando um rastro quente de saliva que me fez arquear as costas. Parou nos meus seios. Chupou meu mamilo esquerdo inteiro, sugando forte, enquanto com a outra mão apertava o direito até me fazer gemer.

— Que seios gostosos você tem — murmurou —. Vou comer todos eles.

Ela os mordeu. Um e depois o outro. Deixou marcas. Depois continuou descendo, lambendo o sulco entre os peitos, o umbigo, o monte de Vênus. Quando chegou à virilha, abriu minhas pernas com os joelhos e ficou olhando minha boceta por um segundo, de boca aberta.

— Você tá escorrendo, Natalia. Olha como tudo brilha.

— Come logo.

Enfiou o rosto entre minhas pernas sem mais aviso. Língua firme, plana, me lambendo de baixo para cima, percorrendo os lábios molhados, parando no clitóris com pressão constante. Depois chupou. Chupou meu clitóris como se fosse um doce, sem soltar, enquanto dois dedos dela se enterravam dentro de mim, curvando para cima para tocar o ponto exato.

— Deus, que gosto bom você tem — disse, levantando o rosto com o queixo brilhando da minha umidade —. Vou fazer você gozar várias vezes antes de te meter a pica.

Ela voltou a se enfiar ali. Agarrei o cabelo dela e puxei para trás. Segurei a cabeça e marquei o ritmo, esfregando o rosto dela contra a minha boceta, fodendo a boca dela com o quadril. Ela gemia enquanto me chupava, o que me deixava ainda mais molhada. O primeiro orgasmo veio como uma descarga rápida, sem delicadeza, com as costas se enrijecendo e minhas pernas fechando na cabeça dela. Esmaguei o rosto dela entre minhas coxas e gozei na boca dela, soltando um gemido longo que bateu contra o teto do quarto de Rodrigo. Valeria não parou; continuou lambendo e bebendo meu gozo até minhas coxas tremerem e eu ter de empurrá-la suavemente para respirar.

— Um — disse ela, se lambendo —. Vamos pra próxima.

Então eu a virei.

Coloquei-a de barriga para cima e me ajeitei entre as pernas dela. Ela me olhava com aquela expressão de pura fome contida. Beijei seu pescoço, seus seios, mordi os mamilos até deixá-los vermelhos e duros, passei a língua pelo umbigo. Quando desci para a boceta, encontrei-a tão encharcada quanto a minha. Afastei os lábios dela com os dedos e me inclinei para chupar primeiro ao redor, sem tocar o clitóris, até ela suplicar.

— Não me faz esperar, sua puta — gemeu —. Come direito.

Cravei a língua de uma vez. Alternava língua e sucção, enfiando um, dois, três dedos dentro dela enquanto o resto da minha mão se apertava contra o quadril para mantê-la parada. Fodi-a com a boca com fúria, chupando seu clitóris como ela tinha feito comigo, sentindo a boceta dela se contrair ao redor dos meus dedos.

— Mais — disse, com a voz rouca —. Mais fundo, Natalia.

— Assim?

— Sim. Me fode assim. Enfia tudo até o fundo.

A frase me incendiou. Enfiei os três dedos até os nós, investindo nela, enquanto chupava o clitóris sem trégua. Acelerei o ritmo até as costas dela se arquearem e ela apertar minha cabeça contra o sexo, respirando curto, empurrando-se contra minha língua. Ela gozou gritando, sem se conter, com a boceta escorrendo na minha mão e no meu rosto. Tirei os dedos e os chupei na frente dela.

— Você também tem gosto de festa — disse.

O cheiro do gozo dela e o meu se misturou ao calor dos lençóis e ao suor que já escorria pelo peito e pelo pescoço. O cheiro tinha de tudo: boceta quente, saliva, suor, alho no hálito, o almíscar grudento do sexo de verdade. Um cheiro que ia se impregnando nos lençóis de Rodrigo como uma mancha.

Quando quis me erguer, Valeria me agarrou pelos pulsos e me virou outra vez. Fiquei de bruços, com a bunda levantada e as pernas abertas, enquanto ela se acomodava atrás de mim. Senti os dedos dela percorrendo minha entrada, me molhando ainda mais com minha própria umidade e a dela, e então a ponta do dedo entrando devagar, me abrindo, me provando antes de meter dois, depois três, até me fazer suspirar contra o travesseiro dele.

— Olha você — disse —. Assim, toda aberta pra mim. A cama inteira é nossa agora.

Ela me fodia com os dedos enquanto me beijava as costas e mordia meus ombros. Chupava minha nuca, beliscava meus mamilos por baixo, me falava sacanagem no ouvido.

— Essa cama vai cheirar a você gozando pra mim quando ele se deitar aqui amanhã. Tá percebendo?

— Tô.

— Repete.

— Essa cama vai cheirar ao meu gozo — falei, ofegante contra o lençol —. E ao seu.

— Boa menina.

Quando me deixou tremendo, foi buscar o cinto que tinha trazido na bolsa. Já tinha me mostrado antes, com aquele sorriso sujo de quem aproveita a antecipação. O pau era grosso, escuro, com relevo marcado. Ajustou com cuidado, umedeceu os lábios e o esfregou entre minhas nádegas, passando-o para cima e para baixo na minha boceta encharcada para lubrificá-lo bem antes de empurrar.

— Me pede — disse.

— Me enfia.

— Mais educada.

— Por favor, me fode com essa pica.

— Isso.

O primeiro empurrão foi lento. Senti entrar, firme, preenchendo o vazio com uma pressão espessa que me arrancou um gemido grave. Ela me abria à sua passagem, centímetro por centímetro, até o quadril dela bater na minha bunda. Ficou inteira dentro, me preenchendo, me deixando respirar por um segundo naquela linha entre desconforto e prazer.

— Toda. Enfiei inteira. Olha como entra bem.

Depois saiu quase toda e empurrou de novo. Mais forte. E outra vez. Começou a marcar o ritmo, agarrada às minhas coxas, me dando com uma cadência profunda que fazia o colchão ranger. Cada investida movia meu corpo inteiro, me fazia deslizar sobre os lençóis, atingia o ponto exato por dentro até me deixar sem ar. A pelve dela batia nas minhas nádegas com um som seco, molhado, obsceno.

— Assim, Natalia — murmurou —. É assim que eu te quero. Comida na cama do seu marido.

— Sim — gemi —. Mais forte.

— Pede direito.

— Me fode mais forte, por favor.

Agarrei-me ao travesseiro de Rodrigo e me deixei comer com força, com a bunda quicando contra o quadril dela, os seios esmagados contra o colchão e a pele ardendo de tanto atrito. Valeria me enfiava a pica mais e mais fundo, alternando investidas lentas com outras mais secas e sujas que me arrancavam sons que eu nem sabia que conseguia fazer. Ela deu uma palmada na minha bunda. Depois outra. A mão dela ficou marcada em vermelho na minha nádega.

— É isso que ele queria ver, não é? — disse, sem diminuir o ritmo —. Que outra te abrisse. Que outra te enchesse.

— É.

— Então diz pra câmera que você tá gostando.

Virei a cabeça para a luz verde, com a boca aberta e babando.

— É a Valeria que tá me comendo — ofeguei —. Melhor do que você, Rodrigo. Muito melhor.

— De novo.

— Ela tá me enchendo inteira. Olha pra mim. Olha eu gozando com a pica dela.

O quarto se encheu dos nossos ruídos: pele contra pele, respiração quebrada, a cama batendo na parede, um gemido meu toda vez que ela encontrava aquele ângulo brutal que me deixava sem pensamento. O cheiro da cama também mudou: suor, boceta molhada, látex, saliva, lubrificante e a umidade espessa do sexo de verdade. Um cheiro denso, particular, inconfundivelmente nosso.

Ela agarrou minhas coxas com as duas mãos e me investiu com mais força até eu sentir o abdômen se fechar e o orgasmo explodir em ondas curtas, uma atrás da outra, me fazendo apertar as pernas e soltar um gemido abafado contra o travesseiro. Gozei sobre a pica, sobre os lençóis, molhando tudo, com a boceta pulsando descontrolada ao redor do pau postiço dela. Valeria continuou se movendo até eu me esvaziar por completo, tremendo, com a boceta ainda se contraindo ao redor de nada quando ela o tirou devagar.

— Dois — disse, ofegante também.

Então me virou de novo, me deixou de barriga para cima e se ajoelhou entre minhas pernas. Abriu-me com os dedos, se inclinou e começou a lamber o resto do meu gozo e da minha umidade como se quisesse me deixar limpa e mais suja ao mesmo tempo. Chupou até o último fio. Depois se acomodou por cima, ainda com o cinto, e deslizou a pica de novo, desta vez de frente, enquanto me beijava com a boca cheia do gosto da minha própria boceta.

— Prova de você mesma — disse, enfiando a língua fundo na minha boca.

Retribui o favor, enfiando a mão entre as pernas dela por baixo do cinto, esfregando o clitóris até um gemido longo escapar e ela me agarrar com força pelo braço. Fiz ela gozar assim, montada em cima de mim, enquanto eu ainda a sentia cravada por dentro e as duas bocetas se confundiam numa só.

Ficamos assim por bastante tempo ainda, mudando de posição, de ritmo, de intensidade, chupando, esfregando, nos enredando na cama de Rodrigo com uma paciência quase cruel. Valeria tirou o cinto e o colocou em mim. Me virou. Montei nela por trás, agarrando-a pelas coxas, investindo sem piedade enquanto beliscava seus mamilos caídos. A cama rangia. A cabeceira batia na parede com um ritmo escandaloso. Valeria gritou quando gozou de novo sobre a pica, empurrando a bunda contra mim, pedindo mais.

Depois ela me montou de frente, sentada sobre mim com o cinto já jogado no chão, a boceta dela esmagada contra a minha. Esfregou os dois sexos juntos, deslizando, molhando as duas com nossos gozos misturados. Tribadismo lento, sujo, viscoso. Os seios dela quicavam a cada descida. Chupei um dos mamilos dela até deixá-lo duro e depois a fiz gozar outra vez com a mão entre as pernas, enfiando dois dedos enquanto ela se arqueava e me apertava o rosto contra o peito.

— Três — ofegou.

— Quatro pra mim.

— Tô contando.

A última vez foi mais lenta. Mais profunda. As duas já ofegando, suadas, o cabelo colado na testa, as pernas cansadas e o ar do quarto virado num caldo espesso de corpos usados e desejo satisfeito. Eu estava de costas, ela por cima, os dedos dela afundados na minha boceta enquanto os meus afundavam na dela, rosto com rosto, língua com língua, as duas bocetas borbulhando a cada movimento de punho. Gozei quase ao mesmo tempo, gemendo na boca uma da outra, os corpos sacudidos pelas últimas ondas. Valeria se largou sobre mim, suada, pegajosa, com as coxas cheias da minha umidade seca e da dela.

Ela se inclinou, me beijou com a boca salgada e sussurrou no meu ouvido:

— O seu homem não vai conseguir olhar pra isso sem se quebrar.

E não foi preciso responder.

Fizemos durar quase duas horas.

Quando terminamos, a cama de Rodrigo era outra. Os lençóis amassados, manchados de vários tipos de umidade, o travesseiro dele achatado sob minha nuca e com uma mancha redonda onde minha baba tinha escapado. O edredom embolado aos pés da cama, sujo. Alguns fios pretos de Valeria sobre o lençol de baixo. E aquele cheiro suspenso no ar, denso, sem saída, mistura de boceta e látex e suor e alho e o almíscar definitivo de duas mulheres que acabaram de se foder até o fim.

Fiquei de costas olhando o teto. Valeria encostou a testa no meu ombro.

— Você vai destruir esse homem — disse.

— Essa é a ideia.

***

Rodrigo estava sentado no sofá quando saí do quarto. A televisão estava ligada sem som. Sentei ao lado dele sem dizer nada e tirei o celular.

— Gravei tudo — disse —. Pra você.

Ele pegou o telefone. As mãos dele estavam quietas. Apertou play.

Nos primeiros minutos, a cara dele era o que eu esperava: fixidez, tensão, os olhos sem piscar. Ele nos via as duas na cama dele, no espaço dele. A fantasia tomando forma exatamente no lugar onde ele dormia. Me via aberta, gemendo, fodida pela pica grossa de Valeria. Me ouvia dizer o nome dele para a câmera enquanto outra me fazia gozar.

Depois a expressão mudou. Não de uma vez. Em camadas.

Viu os lençóis. Viu como tínhamos ocupado cada centímetro sem cuidado. Viu o travesseiro dele sob a minha cabeça, o edredom dele sob nossos corpos. Viu a expressão de Valeria quando se inclinou sobre mim e enfiou a pica até o fundo. Viu como eu gozava uma e outra vez sobre os lençóis que ele esticava todas as manhãs. E viu o momento em que as duas juntamos as bocetas e as esfregamos até nos esvaziar.

Vi a virilha dele se tensionar sob a calça. Estava duro e envergonhado ao mesmo tempo. As duas coisas ao mesmo tempo.

Ele desligou o vídeo. Estava pálido.

— O que… o que tem esse cheiro? — sussurrou.

— O cheiro do que aconteceu — disse —. O cheiro de duas bocetas molhadas e dois gozos na sua cama. O cheiro de quando ela me meteu até o fundo onde você dorme.

Ele se levantou. Pensei que fosse embora, mas ficou parado no centro da sala com o celular na mão e o pau marcando a calça.

Segurei seu braço com suavidade e o levei até o quarto.

O cheiro o fez parar na soleira. Fechou os olhos por um segundo e respirou fundo, sem querer. Vi o volume inchar ainda mais.

— Eu não quero entrar.

— Quer, sim. Olha a sua pica, Rodrigo. Já tá duro.

— Natalia…

— Rodrigo. — Pus a mão no peito dele, devagar, e desci até apertar por cima da calça. Senti-o duro, pulsando —. Isso é exatamente o que você pediu. Não com essas palavras, mas pediu. Você queria que o seu espaço fosse invadido. Queria que o que é seu deixasse de ser seu por um momento. Queria se sentir do lado de fora. E agora está.

— Não foi isso que eu disse.

— Não? — falei sem elevar a voz, apertando-o outra vez —. Então me diz por que você tá assim, duro pra caralho. Por que não foi pro sofá.

Ele não respondeu.

Empurrei-o suavemente para dentro.

O edredom dele estava bagunçado aos pés da cama, com uma mancha úmida no centro. O travesseiro tinha a marca da minha cabeça e cheirava ao meu cabelo e ao dela. O ar do quarto estava espesso, quente, carregado de alho, suor e bocetas recém-fodidas.

— Senta — disse.

Ele se sentou na beira da cama. Sobre os lençóis que tínhamos usado. Sobre a mancha. Vi ele tremer um pouco quando o cheiro entrou direto pelo nariz, vindo do tecido.

— Você não precisa mais fingir que era uma fantasia limpa — disse, ficando de pé na frente dele —. Sempre foi isso: você quer ser humilhado. Quer que eu deixe meu gozo no que é seu. Quer ser deixado de fora do que acontece na sua própria cama. É isso que você pediu.

Ele tinha os olhos brilhando. Não dizia nada. O volume na calça denunciava a vergonha dele.

— Não estou te julgando, Rodrigo. Estou te dando o que você precisava.

Aproximei-me, coloquei a mão em sua mandíbula e o obriguei a erguer o rosto. Com a outra mão pressionei o volume e senti-o pulsar.

— Fica aqui esta noite — disse —. Nesses lençóis. Com esse cheiro. E se precisar bater uma para conseguir dormir, bate. Mete a mão na calça, esfrega o rosto no travesseiro onde ficou o suor de outra, cheira tudo o que ela deixou, e goza pensando em como ela me comeu melhor do que você. Não vou ficar vigiando. Mas quero que da próxima vez que você dormir aqui saiba exatamente o que aconteceu.

Fui para o banheiro.

Abri o registro do chuveiro no máximo. Entrei debaixo da água quente e fiquei ali, sem pensar muito, deixando o vapor encher o espaço. A água ainda carregava restos de Valeria pelas minhas coxas, pelo cabelo, por baixo das unhas. Limpei-me devagar, quase com carinho pelo meu próprio corpo fodido.

Do outro lado da parede, não ouvi nada por um bom tempo. Depois, muito devagar, ouvi o rangido do colchão. E então, quase imperceptível, uma respiração acelerada e o roçar inconfundível de uma mão se movendo rápido sob o tecido.

Sorri.

Fiquei sob o jato d’água até ele esfriar.

***

No dia seguinte, Rodrigo já estava acordado quando saí do banheiro. Tinha feito café e estava sentado à mesa da cozinha com as duas xícaras servidas, olhando o vapor subir da sua.

Não falamos sobre o assunto de imediato. Tomamos café da manhã. Ele tinha aquele aspecto de alguém que não dormiu muito bem, mas que também não estava mal por completo.

Quando terminei o café, perguntei:

— Como você tá?

Ele demorou um instante.

— Não sei — disse.

— É uma resposta honesta.

— Não sei o que eu supostamente devo sentir depois de algo assim.

— Não é suposto nada. Você sente o que sentir.

Ele me olhou.

— E você? — perguntou —. Pra você, foi…?

— Pra mim foi exatamente o que eu planejei que fosse. E eu gozei quatro vezes, caso o dado te interesse.

As orelhas dele ficaram vermelhas. Assentiu devagar. Não perguntou mais nada.

Juntei as xícaras, levei-as à pia e me apoiei na bancada, olhando para ele de frente.

— Rodrigo. Da próxima vez que quiser me contar alguma coisa, conta sóbrio. É mais justo para nós dois.

Algo atravessou a cara dele. Reconhecimento, não exatamente vergonha. O gesto de alguém que acabou de entender as regras de um jogo que já vinha jogando havia tempo sem saber.

— Tudo bem — disse.

— Ótimo.

Peguei minha bolsa e fui para o trabalho.

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