O trio que ninguém havia planejado naquela noite
Há pessoas que, à primeira vista, não se encaixam em nenhuma fantasia específica. Meu ex-marido era assim: reservado, pontual, daqueles que dobram a roupa antes de dormir e deixam as chaves sempre no mesmo gancho. Levou meses para me confessar o que queria. E quando finalmente o fez, numa noite de inverno com o aquecedor ligado e meia garrafa de vinho na cabeça, eu não me surpreendi tanto quanto ele se surpreendeu com a minha reação.
Ele queria me ver transando com outro homem. Queria estar presente, observar de perto como outra rola me abriria a buceta, fazer parte de algo que ele não podia controlar por completo. Era isso que empolgava Mateo: estar ali, sem se mexer, enquanto a mulher que ele amava se deixava comer por outro.
Eu já vinha pensando em Rodrigo fazia tempo. Era um amigo próximo, daqueles que você conhece desde sempre e com quem a conversa sempre acaba durando mais do que o planejado. Havia algo entre nós que nunca tínhamos nomeado, uma tensão que se dissolvia em gargalhadas toda vez que nos aproximávamos demais. Atraente sem ser óbvio, tranquilo sem parecer desinteressado. Daqueles que escutam quando você fala e não ficam olhando o celular.
Quando Mateo me contou sua fantasia, o primeiro em quem pensei foi nele.
Telefonei para ele numa terça de manhã. Com Rodrigo não dava para ficar de rodeio, então fui direta: expliquei o que Mateo queria, o que eu queria, e perguntei se ele toparia me foder na frente do meu marido.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
— Sim — disse, sem acrescentar mais nada.
Depois me confessou que tinha ficado nervoso a semana toda. Que na cabeça dele a dinâmica daquele tipo de acordo não encaixava direito, mas que a rola já tinha endurecido antes mesmo de a mente entender alguma coisa. Era a primeira vez que ele fazia algo assim. Por isso eu tinha pensado nele e em mais ninguém.
***
Escolhemos o fim de semana do feriado de outubro. Tínhamos acesso a uma casa no litoral, daquelas que pertencem à família de alguém e que cheiram a verão mesmo quando você chega no outono. Fachada branca, venezianas azul-claro, um terraço com vista direta para o mar e uma piscina pequena nos fundos. Dois andares e espaço de sobra.
Chegamos os três pouco depois das seis da tarde, com o sol já tocando o horizonte sobre a água. Mateo e Rodrigo se conheceram na garagem, enquanto tirávamos as bolsas do carro. Houve o aperto de mãos de quem não se conhece, mas já sabe que tem alguma coisa em comum. Nenhum dos dois mencionou o que estava prestes a acontecer. Também não precisava.
Jantamos no terraço. Vinho tinto, um pouco de queijo, frutos do mar. A conversa foi fácil, mais do que eu esperava. Falaram de trabalho, de viagens, de filmes. Eu os observava e pensava que ninguém que nos visse de fora poderia adivinhar que, dali a algumas horas, eu teria uma rola na boca e outra na buceta.
Mas toda vez que Rodrigo me olhava, havia algo naquele olhar que não tinha nada de amistoso. Era o olhar de um cara que já estava me despindo por baixo do vestido, calculando como ia abrir minhas pernas.
Por volta das nove e meia, subimos.
***
Ninguém disse nada quando entramos no quarto. Os dois me olhavam, e eu sabia que alguém tinha que quebrar o gelo, então fui eu. Aproximei-me de Rodrigo devagar, sem pressa, e apoiei uma mão na coxa dele. Ele não se mexeu. Passei os dedos pelo seu pescoço, roçando de leve, e senti a respiração dele mudar. Desci a mão e apertei o volume por cima do sunga. Já estava duro. Empalmado de me ouvir respirar, só isso.
Mateo se acomodou na poltrona do canto e acendeu um cigarro.
Rodrigo é daquelas pessoas que, uma vez que decidem fazer algo, não param no meio do caminho. Não demorou para responder. Ele me agarrou pela cintura, me colocou sentada em cima das pernas, de frente para ele, e começou a beijar meu pescoço, os ombros, a borda do decote. Puxou as alças do vestido para baixo e tirou meus peitos num movimento só. Quando fechou a boca em torno de um mamilo e começou a chupar, mordendo a carne dura com os dentes, puxando para cima até o mamilo escapar de seus lábios com um estalo úmido, eu já estava com a calcinha encharcada. Ele fazia aquilo com uma combinação de suavidade e força que eu não esperava: sabia exatamente quanta pressão aplicar e quando parar para deixar o desejo acumular. Passou para o outro seio, mordiscou, chupou com mais força, e uma mão desceu por baixo do vestido, afastando o tecido molhado da calcinha, encontrando o clitóris com dois dedos e esfregando-o em círculos lentos que me fizeram tremer em cima dele.
Esqueci Mateo por vários minutos. O tempo ficou impreciso.
Rodrigo usava um sunga de tecido fino, e a rola dura marcava inteira desde que eu me sentei em cima dele. Comecei a me mover sobre ele sem tirar a roupa, esfregando a buceta molhada contra o volume duro, sentindo o tecido da sunga umedecer com meus próprios fluidos. Cada atrito raspava meu clitóris inchado e arrancava de mim pequenos gemidos que escapavam sem controle. Rodrigo me segurou pela bunda com as duas mãos, apertou com força e começou a me mover ele mesmo, marcando o ritmo, esfregando-me contra a rola como se já estivesse me fodendo com a roupa posta. Isso foi suficiente para me fazer perder o fio de qualquer pensamento racional. Mateo fumava sem se mexer, os olhos fixos em nós, e a mão livre já havia aberto a calça.
— Vamos para a cama? — disse do canto. A voz dele estava rouca.
Os dois assentimos.
***
Na cama, Rodrigo ficou de pé ao lado da borda. Ajoelhei-me à frente dele e fui baixando a sunga devagar. A rola se soltou de uma vez, dura, apontando para cima, na altura do meu rosto, e naquele momento o corpo acelerou sem que eu desse nenhuma ordem consciente. Era maior e mais grossa que a de Mateo, não circuncidada, a cabeça coberta e brilhante, com uma gota espessa de líquido pré-ejaculatório aparecendo por baixo do prepúcio. Dois ovos lisos, depilados, pesados, que cabiam certinho na palma da minha mão.
Comecei pela base, com a língua. Uma lambida longa e plana, dos ovos até a ponta. Subi devagar, explorando, brincando com a pele que cobria a cabeça e que eu podia deslocar só com os lábios. Quando a glande ficou à mostra, brilhante e rosada, eu a beijei, chupei devagar, coloquei a língua para fora e lambi a gota de pré-gozo que tinha se acumulado. Salgado, denso. Engoli e desci de novo, desta vez levando-a toda à boca, o máximo que consegui, até sentir a ponta bater no fundo da garganta.
Rodrigo não fazia barulho no começo. Só respirava fundo, com os olhos semicerrados. Depois apoiou uma mão na minha nuca, suave, sem pressionar, e começou a marcar o ritmo para mim, empurrando minha cabeça para baixo, um pouco mais a cada vez, até eu sentir os pelos da base contra o nariz e meus olhos se encherem de água. Ele tirou a rola da minha boca com um fio de baba pendurado e a esfregou no meu rosto, nos meus lábios, nas minhas bochechas. Abri a boca de novo e ele a colocou outra vez, dessa vez fodendo minha boca devagar, agarrando meu cabelo com as duas mãos. Com uma mão livre, agarrei seus ovos, amassei-os, levei-os à boca um por um e os chupei enquanto continuava masturbando a rola com a outra mão, lambuzando-a com a minha saliva até deixá-la brilhando.
Mateo havia se recostado na cama, um pouco mais atrás, observando em silêncio. A rola de fora, dura, a mão se movendo devagar. Não dizia nada. Só olhava com aquela concentração que eu conhecia e que significava que ele estava completamente presente.
Rodrigo me deitou e começou a baixar meu vestido e minha calcinha até me deixar nua. Abriu minhas pernas, se acomodou entre elas e baixou a cabeça. Quando a língua tocou meu clitóris, eu estremeci. Ele começou devagar, lambendo da entrada da buceta até o clitóris com lambidas longas e planas, provando meu corpo inteiro. Depois fechou os lábios em torno do clitóris e começou a sugar, enfiando dois dedos ao mesmo tempo, curvando-os para cima, buscando aquele ponto que só se encontra quando quem está embaixo sabe o que está fazendo. Ele o encontrou em menos de um minuto.
Tive que me esforçar para não pedir que ele parasse. Não porque não estivesse bom, mas porque eu estava quente demais para aguentar muito mais. O clitóris inchado, pulsando, a buceta escorrendo sobre os lençóis, o corpo inteiro concentrado naquele ponto. Agarrei a cabeça dele com as duas mãos e pressionei o rosto contra minha buceta.
— Já — eu disse. — Mete. Me fode agora.
Ele se ergueu, segurou a rola com a mão, passou-a pela fenda da minha buceta de cima a baixo, lambuzando a cabeça com meus fluidos, e a apoiou na entrada. Empurrou de uma vez, até o fundo. Suspirei quando ele entrou. Foi aquele tipo de suspiro que não se controla, que sai sozinho de algum lugar que não é exatamente o peito, um gemido longo e grave que ecoou pelas paredes do quarto. Cada estocada chegava mais fundo do que eu estava acostumada, a rola grossa me abrindo por dentro, batendo no fundo, e o corpo respondia com aquela mistura de dor e prazer que é difícil distinguir e que a gente aprende a procurar.
— Que gostosa você tá, filho da puta — eu disse em algum momento. Não pensei. Saiu sozinho.
— Toda para você — respondeu ele, apertando meus peitos com as duas mãos, me fodendo mais forte, fazendo seus ovos baterem na minha bunda a cada investida.
Da cama, ouvi Mateo se mexer. Virei o rosto por um segundo e o vi: empalado, olhando, com a rola na mão e os olhos abertos de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Ele se masturbava devagar, sem pressa, como se quisesse aguentar. Aquela expressão valeu por si só.
Rodrigo colocou minhas pernas para o alto, os joelhos quase na altura das orelhas, as solas dos pés apontando para o teto. Dessa posição, a penetração era diferente. Mais direta, mais profunda, sem margem para ignorar nenhum centímetro de rola entrando em mim. Cada investida fazia um som molhado, com aquele estalo inconfundível da buceta encharcada engolindo uma rola dura. Agarrei os lençóis até meus nós dos dedos ficarem brancos.
— Não para — foi o único que consegui dizer. — Não para, não para, não para.
Ele não parou. Me fodeu assim até eu sentir o primeiro orgasmo subir dos pés. Gozei gritando, apertando a rola com a buceta em espasmos, e ele continuou empurrando sem mudar o ritmo, prolongando meu prazer até o limite.
***
Depois me virei. Fiquei de quatro, com o rosto enterrado no travesseiro e a bunda empinada, oferecida. Rodrigo me segurou pelas coxas e me enfiou de novo por trás, dessa vez mais forte, mais rápido, me dando palmadas na bunda que soavam como chicotadas no quarto. Dessa posição eu o sentia entrar até um lugar diferente, e cada golpe arrancava de mim um rosnado que eu não conseguia conter. Ele cuspiu na minha bunda e passou o polegar no meu cu, pressionando sem chegar a entrar, brincando com a ideia. Em um momento levantei a cabeça e vi Mateo deitado ao meu lado, a centímetros do meu rosto, com a rola na mão, empalado e pingando.
Inclinei-me para ele. Tomei a rola com a boca, engoli inteira, saboreando o gosto familiar, aquele que tantas vezes eu já tinha provado. Enquanto Rodrigo continuava me comendo por trás, encontrei o ritmo dos dois ao mesmo tempo, um equilíbrio que ninguém tinha calculado, mas que funcionava de maneira quase instintiva. Quando Rodrigo empurrava, a rola de Mateo descia até o fundo da minha garganta. Quando Rodrigo recuava, eu subia pela rola de Mateo, chupando com força, deixando um fio de baba pendurado nos lábios. Os dois movimentos. Os dois homens. Duas rolas me usando ao mesmo tempo. Tudo acontecendo simultaneamente.
— Ainda não — eu disse a Mateo quando senti que estava chegando, tirando-a da boca por um segundo. — Espera.
— Para quê? — perguntou ele, com a voz cortada.
Não respondi. Só a coloquei de novo na boca e continuei.
***
Virei-me. Mateo ficou por baixo, eu por cima, montada de costas para ele, com a rola dele cravada na buceta até a base. Comecei a me mover, subindo e descendo, sentindo como ele me penetrava daquele ângulo diferente. Rodrigo ficou de pé ao lado da cama, olhando para nós, a rola molhada de meus fluidos brilhando na mão. Em algum momento, sem ter pensado realmente nisso antes de dizer, falei em voz alta.
— Rodrigo. Você também. Mete em mim também.
Os dois ficaram imóveis.
— As duas? Ao mesmo tempo? — disse Mateo, incrédulo, com a voz trêmula sob mim.
— Não sei se cabem — respondi, ofegante. — Mas vamos tentar. Quero as duas.
Rodrigo era maior, então pedi que ele se deitasse e subi primeiro em cima dele, me enfiando em sua rola devagar, para que ela não escapasse com o movimento. Inclinei-me para a frente até apoiar o peito no dele, deixando a bunda bem exposta para cima. Mateo se ajoelhou atrás. Cuspiu, passou a saliva na rola e me passou o polegar pela buceta, deixando-a bem molhada. Eles levaram o tempo deles. Senti a ponta da segunda rola se apoiar na entrada da minha buceta, junto à de Rodrigo, procurando espaço. Empurrou devagar. A resistência era brutal no começo, a carne esticando, ardendo, lutando para abrir lugar. Prendi a respiração.
— Devagar — eu disse entre os dentes. — Muito devagar.
Mateo empurrou mais um pouco. A ponta entrou. Depois mais um centímetro. Mais um. Os dois entraram pela metade, ajustando o ângulo, enquanto eu respirava fundo, me obrigando a relaxar. Foi estranho. Foi incômodo nos primeiros segundos, a sensação de estar completamente cheia, mais do que o possível, com duas rolas duras dividindo o mesmo espaço, roçando por dentro através da fina parede que as separava. E então, em algum ponto que eu não soube identificar com precisão, deixou de ser incômodo e se transformou em algo completamente diferente.
Começaram a se mover alternando, um entrando quando o outro saía, depois os dois ao mesmo tempo. Uma pressão que vinha de todos os lados ao mesmo tempo, sem chance de ignorar qualquer parte do que estava acontecendo. Eu sentia cada veia, cada pulsação, as duas rolas se esfregando dentro de mim, o clitóris esmagado contra o osso de Rodrigo a cada empurrão. O corpo respondeu de uma maneira que eu nunca tinha experimentado antes: um orgasmo que não vinha de um único ponto, mas de toda a buceta ao mesmo tempo, uma descarga que me atravessou inteira e me fez apertar as duas rolas ao mesmo tempo com contrações que eu não conseguia controlar.
Eu não sabia que isso era possível, pensei em algum momento, gemendo contra o ombro de Rodrigo. E então parei de pensar.
Não duramos muito naquela posição. Cinco minutos, talvez menos. Mas foram suficientes para que os três terminássemos em uma sequência que nenhum de nós havia planejado. Rodrigo foi o primeiro: senti a rola dele inchar dentro de mim e descarregar, jatos quentes me enchendo por dentro, ele gemendo apertado contra meu pescoço. A sensação do sêmen escorrendo dentro de mim me fez gozar de novo, o segundo orgasmo em cima do primeiro, gritando sem pudor. E Mateo, com as contrações apertando sua rola e o sêmen de Rodrigo escorrendo pela glande, aguentou mais três ou quatro investidas antes de gozar também, afundando até o fundo, misturando sua porra com a do outro dentro de mim. Uma sequência que funcionou como se tivéssemos ensaiado por semanas.
Quando saíram, primeiro um e depois o outro, senti um fio espesso e quente escorrer pela parte interna das coxas. Não me incomodei em limpar.
***
Depois ficamos os três em silêncio por um bom tempo. A brisa do mar entrava pela janela que tínhamos deixado aberta. Rodrigo olhava para o teto, com os braços cruzados sobre o peito. Mateo mantinha os olhos fechados. Eu estava entre os dois, com o corpo completamente exausto, a buceta ainda pulsando, o sêmen dos dois secando entre as pernas, e a cabeça mais limpa do que em semanas.
— Você está bem? — perguntou Mateo.
— Muito bem — respondi, e era verdade.
Rodrigo riu. Uma risada curta, quase surpreendida consigo mesma.
— Não esperava que terminasse assim — disse.
— Ninguém esperava — respondi.
— Isso é o melhor — disse Mateo.
Ficamos em silêncio por mais um tempo. O barulho do mar enchia o quarto.
***
Isso foi há vários anos. O casamento com Mateo terminou por outros motivos, sem nenhuma relação com aquela noite. Ele guarda essa lembrança como um dos momentos em que fomos completamente honestos um com o outro, e acho que ele tem razão nisso.
Não fiz algo parecido de novo. Não porque eu não queira, mas porque esse tipo de coisa pede uma combinação específica de pessoas, confiança e circunstâncias que não se repete com facilidade. Aconteceu naquela noite, naquela casa de frente para o mar, daquele jeito exato, e foi suficiente por si só.
Rodrigo e eu continuamos amigos. Nos vemos de vez em quando, tomamos um café, conversamos por horas. Nunca mencionamos aquilo diretamente. Não precisa. Está ali, entre nós dois, como algo que não precisa de palavras para continuar existindo.