O interrogatório que terminou ao contrário
Voltei a mim aos poucos, como quando alguém emerge de um sono profundo e o cérebro demora a se lembrar de quem é. A primeira coisa que notei foi a escuridão absoluta. A segunda, que eu não podia me mover: tinha os pulsos firmemente amarrados nas costas e os tornozelos imobilizados por algo que não cedia, por mais força que eu fizesse.
Tentei reconstruir o que me lembrava. Sou jornalista investigativo e, havia três meses, seguia a pista de um casal da alta sociedade: ele, empresário com contratos milionários do Estado; ela, rosto frequente nas páginas sociais e presidente de uma fundação beneficente. Um informante me entregara um envelope com documentos que os comprometiam numa rede de exploração sexual. A informação era suficiente para destruí-los.
Dias depois, uma garota morena me procurou por mensagem criptografada. Disse ser uma das vítimas. Disse ter provas adicionais que poderiam fechar o caso. Marcamos encontro numa brasserie no centro. Entramos num reservado privado, pedimos alguma coisa para beber, e aí minha memória se apagava.
Me drogaram. Não havia outra explicação.
Uma porta se abriu. A luz entrou como um golpe, e demorei alguns segundos para abrir bem os olhos. Quando consegui, vi os dois: o casal que eu vinha investigando havia meses, sorrindo da soleira como se tivessem acabado de fechar o melhor negócio das vidas deles.
—Ora, ora —disse ela—. O jornalista curioso finalmente acordou.
—Resolva isso rápido —disse ele, sem me olhar—. Tenho um voo hoje à noite.
—Fica tranquilo. Você sabe que eu sou eficiente.
O homem saiu. Ela avançou na minha direção com uma calma mais ameaçadora do que qualquer grito. Era loira, na casa dos quarenta, e havia em seus movimentos a segurança de quem sempre foi obedecida.
—Agora você vai me dizer onde estão esses documentos —disse.
Olhei a sala pela primeira vez com atenção. As paredes estavam equipadas com argolas metálicas em diferentes alturas. Um painel de madeira sustentava chicotes de vários tipos, chicotinhos, algemas, cordas e outros objetos que eu já tinha visto descritos em matérias, mas nunca de perto. Do teto pendia um gancho ligado a um mecanismo elétrico. Era evidente o uso daquele espaço, e era evidente que o usavam com frequência.
—Não sei de quais documentos a senhora está falando —respondi.
A morena se aproximou. Reconheci-a na hora: a garota que me armara a cilada no bar. Sem dizer nada, as duas me ergueram do chão e manipularam as cordas até prender meus pulsos ao gancho do teto. Fiquei em pé, com os braços erguidos, sem possibilidade de me mover.
—Temos tempo de sobra —disse a loira—. Meu marido volta daqui a uma semana. Podemos nos dedicar a isso com calma.
E me deu uma bofetada que me fez ver clarões brancos.
—Ainda está mudo? Quase prefiro assim. Eu me divirto mais antes de você falar.
Arrancaram minha camisa à força. A morena abriu meu cinto e abaixou minha calça. Fiquei pendurado de cueca enquanto as duas mulheres me examinavam com a mesma frieza com que se inspeciona uma aquisição recente.
—Não é nada mal —disse a loira, passando a palma sobre o volume na cueca e apertando sem nenhuma delicadeza—. Olha o que está escondido aqui.
—De jeito nenhum —confirmou a outra com um sorriso que não chegava aos olhos, enquanto se abaixava para me tocar também, avaliando o peso dos meus testículos por cima do tecido.
A loira se ajoelhou, segurou minha cintura por dentro da cueca com as duas mãos e puxou de uma vez para baixo. Meu pau ficou pendendo, ainda mole, exposto a um palmo do rosto dela. Ela o tomou entre o polegar e o indicador, como quem examina uma nota falsa, e o ergueu para ver melhor.
—Bastante decente para um jornalista —murmurou, e de repente abriu a boca e o enfiou inteiro, sem aviso, chupando com uma força deliberada que não tinha nada de prazer e tudo de deboche. O sangue subiu entre os lábios dela e meu pau endureceu contra a minha vontade, dentro da boca dela, enquanto ela me olhava de baixo, os olhos brilhando de diversão.
Quando tirou, deixou um fio de saliva pendendo da glande.
—Olha só como ele é bem-comportado —disse para Sofia—. Endurece sozinho quando eu dou atenção.
Sofia riu uma risada curta e afiada, se aproximou por trás e agarrou minhas nádegas com as duas mãos, afastando-as. Senti um dedo dela, molhado com alguma coisa, percorrer a fenda de cima a baixo, pressionar o ânus e se retirar.
—Depois de tudo o que você vai contar, talvez eu volte por aqui —sussurrou no meu ouvido.
Fiquei completamente nu, suspenso no gancho, com o pau ereto apontando para a frente, sem absolutamente nada que eu pudesse fazer a respeito.
Pensei rápido. Se eu dissesse onde estavam os documentos, deixaria de ser útil e passaria a ser, exclusivamente, um problema. Minha única opção era resistir e esperar o momento certo.
***
Vou chamá-la de Valeria, embora esse não seja seu nome. Ela pegou um chicote de várias tiras e começou a trabalhar com uma precisão que sugeria prática. Os primeiros golpes vieram nas costas. Cada um me arrancava um som involuntário que parecia estimulá-la. Quando mudou o alvo e mirou na virilha, a dor foi de outra ordem: desorientadora, brutal, do tipo que apaga os pensamentos. As tiras cruzaram meu pau e meus testículos com um estalo úmido, e senti como se algo estivesse sendo arrancado de dentro de mim.
—Já se lembra de alguma coisa? —ela perguntava entre um golpe e outro.
Não respondi. Era a única coisa que eu podia controlar naquele momento.
A morena —a quem vou chamar de Sofia— mantinha minhas pernas afastadas com cordas presas a argolas no chão enquanto Valeria continuava. Entre um golpe e outro, Sofia se ajoelhou entre minhas coxas abertas e estava me chupando, alternando a dor com o prazer mais obsceno, sugando fundo, deixando a glande lá no fundo da garganta, enquanto a outra castigava minhas coxas e meu abdômen. A combinação era uma forma de tortura mais completa: toda vez que meu corpo tentava se refugiar no prazer, um golpe me trazia de volta à realidade; toda vez que a dor me fazia fechar os olhos, a língua de Sofia arrancava de mim um gemido que traía tudo. Perdi a conta dos golpes e das vezes em que estive prestes a gozar na boca dela sem poder evitar.
Em algum momento, entre a dor e o cansaço acumulado, me veio a ideia: fingir que perdia a consciência.
Deixei o corpo cair para a frente como um peso morto. Os golpes pararam e Sofia afastou a boca com um estalo úmido.
—Precisamos que ele continue acordado —disse Valeria—. Ainda não sabemos de nada. Baixem ele.
Notei que desamarravam as cordas dos meus tornozelos. O gancho desceu lentamente. Meus pés tocaram o chão.
E ali estava minha chance.
Abri os olhos. As duas mulheres estavam de costas, discutindo qual seria o próximo passo. Sem pensar mais, me ergui num salto e me soltei do gancho. Os pulsos ainda estavam amarrados um ao outro, mas eu estava livre do teto.
Me lancei sobre Valeria. Sofia viu o movimento e gritou, mas chegou tarde. Um golpe seco na nuca e Valeria caiu no chão. Sofia tentou me acertar com um chicotinho, mas desviei do golpe e enterrei o cotovelo no estômago dela. Ela ficou de joelhos, sem ar.
Peguei o imobilizador elétrico no bolso de Valeria.
—Isso é pela armadilha —disse a Sofia.
Eu pedi que ela desamarrasse meus pulsos. Ela o fez sem resistência. Recolhi minha calça do chão e a vesti sem tirar os olhos delas por um único instante.
Agora eu tinha a vantagem.
***
Poderia ter chamado a polícia naquele momento. Eu tinha decorado o número da caixa postal onde guardava os documentos originais, e uma ligação teria bastado. Mas tinham me pendurado num teto. Tinham me espancado durante horas. E diante de mim estava a sala inteira equipada com os próprios instrumentos delas.
Decidi que a justiça podia esperar um pouco.
Esperei Valeria se recompor. Quando levantou o olhar, seus olhos traziam três coisas ao mesmo tempo: surpresa, ódio e algo mais difícil de nomear. A combinação era interessante.
—Você não vai sair daqui —disse.
Mostrei o imobilizador sem responder.
—As duas contra a parede.
Sofia obedeceu de imediato. Valeria demorou até eu aproximar o aparelho do braço dela. Então se moveu.
—Tirem toda a roupa.
Elas se olharam. Trocaram alguma coisa em silêncio —uma negociação rápida entre as duas, suponho— e começaram a se despir devagar. Valeria vestia um conjunto de renda cor marfim que mal continha o que prometia. Sofia, mais jovem e de formas mais delgadas, usava algo preto e mínimo. As duas pararam de lingerie.
—Não mandei parar.
Valeria abriu a boca. Eu a silenciei me aproximando um passo com o imobilizador na mão. Ela desabotoou o sutiã. Os seios eram generosos e firmes, com os mamilos rosados e já endurecidos pelo ar frio ou por outra coisa que ela não admitiria. Sofia libertou os seus: redondos, menores, com os mamilos escuros e salientes. As duas abaixaram as calcinhas e ficaram nuas, tentando cobrir a xana com as mãos.
—As mãos nas costas. E abram as pernas, quero ver tudo.
Obedeceram a contragosto. A xana de Valeria estava completamente depilada, com os lábios grossos e levemente entreabertos. A de Sofia, coberta apenas por uma faixa estreita de pelos negros, era menor e mais compacta. Coloquei nelas as algemas que tinham usado comigo. Fiz com que se virassem para ver as costas e levei Sofia para um canto, onde a amarrei a uma argola na parede, com as nádegas expostas para a sala.
—Agora você e eu —disse a Valeria.
***
Levei-a até o gancho central e a fiz sentar no chão. Com a mesma barra separadora que haviam usado nos meus tornozelos, amarrei os dela, mantendo as pernas abertas. Enganchei o centro da barra no elevador. Acionei o controle.
As pernas de Valeria começaram a subir enquanto ela se debatia e xingava baixinho. Parei quando restava apenas o ombro esquerdo apoiado no chão. Segurei a cabeça dela. Um pouco mais de elevação, e ela ficou completamente suspensa de cabeça para baixo, com as pernas abertas para o teto e a cabeça a um palmo do chão.
Olhei-a nos olhos. As bochechas estavam vermelhas. Nessa posição, os seios dela pendiam invertidos em direção ao rosto, e a xana ficava completamente exposta, aberta de par em par, sem possibilidade de se esconder. O anel rosado ficava logo acima, oferecido na altura do meu rosto.
Peguei o chicote de tiras que ela mesma tinha usado comigo.
Um jato de urina brotou dela antes mesmo que eu erguesse o braço. O corpo tomou a decisão antes da mente. O xixi escorreu pelo ventre até cair sobre os próprios seios e o rosto.
—Calma —disse eu—. Temos muito tempo.
Os primeiros golpes atingiram o abdômen. Ela gritava com uma intensidade que ecoava por toda a sala. Quando mudei o alvo e acertei um dos seios que pendiam invertidos, o grito subiu de tom. Os mamilos endureceram como pedra.
—Por favor… não aí…
—Prefere que eu mude de lugar?
Ela fechou os olhos. Sabia o que isso implicava.
O golpe seguinte atingiu diretamente a xana aberta entre as pernas dela. O berro durou vários segundos e reverberou nas paredes. Troquei para o chicote de tira única. Medi a distância. O golpe seguinte foi mais preciso: a tira se curvou para dentro e, ao ricochetear, roçou o clitóris inchado. O som que ela emitiu dessa vez era mais complicado que a dor pura: havia nele uma nota grave, gutural, que não vinha da garganta, mas de mais abaixo.
Soltei o chicote. Ajoelhei-me diante daquela xana pendurada e passei dois dedos entre os lábios dela. Estava molhada. Encharcada. Tirei-os brilhando e os pus diante dos olhos dela.
—Olha como você está. E ainda me diz que não gosta?
Ela não respondeu. Enterrei os dois dedos fundo, com força, e comecei a movê-los dentro com um ritmo constante. No quarto ou quinto movimento, os quadris dela passaram a acompanhar, contra a vontade, buscando atrito. Com o polegar pressionei o clitóris, girando, enquanto continuava a metê-los nela.
—Não… não me faça… —ela arfava.
Acrescentei um terceiro dedo. A xana se fechou em torno deles com um tremor úmido. Senti um jorro morno banhando minha mão e antebraço: ela tinha gozado, pendurada de cabeça para baixo, com lágrimas de raiva e humilhação se misturando ao xixi no rosto. O orgasmo sacudiu o corpo inteiro dela, até as correntes.
—Muito bem —disse eu—. Agora continuamos.
Baixei a calça. Meu pau já estava duro havia tempo e eu não ia desperdiçá-lo. O rosto dela ficava exatamente na altura da minha rola. Agarrei o cabelo dela com uma mão, apertei as bochechas com a outra até forçar a boca a abrir, e enfiei tudo de uma vez até a garganta.
—Chupa.
De cabeça para baixo, a garganta dela se abria em linha reta e meu pau entrava inteiro, sem resistência. Comecei a fodê-la na boca com investidas longas, segurando-a pelo cabelo, vendo o pescoço dela inchar a cada impulso. Ela engolia a saliva que se acumulava, tossia, engasgava, e eu não parava. Em uma das investidas, ele escapou e um fio longo de baba caiu sobre os olhos dela.
—Abre mais —ordenei, e o enfiei de novo até sentir os dentes dela roçarem a base.
Quando ela já estava lubrificada o suficiente pela própria baba, eu o retirei. Andei ao redor do corpo suspenso, até ficar de pé entre as pernas abertas para o teto. Peguei as nádegas dela com as duas mãos, afastando-as, e apoiei a glande na xana encharcada. Empurrei de uma vez, entrando até o fundo. Ela soltou um gemido longo, agudo, que já não tinha nada de resistência.
Fodi-a assim, com ela pendurada, as pernas abertas para cima e eu de pé, metendo por baixo. Cada investida fazia os seios invertidos dela baterem contra o rosto. Eu afundava o pau até as bolas, tirava inteiro, e voltava a enfiá-lo com o som úmido da xana chacoalhando de tão molhada que estava. Com o polegar da mão direita comecei a pressionar o anel de cima, entrando aos poucos, até enfiá-lo inteiro.
—Ah… ah… filho da puta… —gemia ela—. Mais devagar…
—Não.
Acelerei. Meu quadril batia no dela com um som seco. Senti que ela ia gozar pela segunda vez quando a xana se apertou de repente. Um tremor percorreu as pernas dela e todo o interior se fechou em torno de mim com uma sucção rítmica. Deixei que ela chegasse lá e tirei o pau um segundo antes de gozar, acabando no rosto e nos seios dela, jatos grossos que se misturaram à baba e às lágrimas.
Continuei por alguns minutos antes de ir buscar um plug anal no painel. Introduzi-o com paciência, sem pressa, usando a mistura do meu sêmen com a própria lubrificação dela como único lubrificante. O plug entrou vencendo cada anel de resistência. O gemido longo e tenso de Valeria ao recebê-lo por completo foi uma satisfação particular. A base negra ficou encaixada entre as nádegas dela, brilhando.
Baixei-a. Deitada no chão, com o rosto sujo e o plug cravado, amarrei os pulsos e tornozelos dela a argolas com corrente e cadeado. Ela não iria a lugar nenhum.
***
Me aproximei de Sofia. Ela tinha visto tudo do canto onde estava e agora tinha as coxas claramente úmidas, embora o rosto tentasse manter o mesmo pânico de antes.
—Por favor —disse assim que me teve perto—. Eu só seguia ordens.
—Eu sei —respondi—. Por isso tenho algo especial reservado para você.
Passei um dedo pela xana dela e o tirei molhado. Mostrei sem dizer nada. Ela baixou os olhos.
No canto havia uma estrutura que reconheci por tê-la descrito em algum artigo: uma armação com uma tábua em forma de cunha, horizontal, apoiada entre dois suportes. Fiz Sofia colocar uma perna de cada lado. Tirei as algemas, mas amarrei seus pulsos juntos a uma argola no teto, mantendo-a em pé com os braços erguidos.
—Agora senta.
Ela vacilou. Foi baixando o corpo devagar até a cunha tocar sua xana. Ainda sustentava o próprio peso nos pés.
Amarrei o pé esquerdo com uma corda curta. Levantei o direito. O gemido foi imediato: sem os dois pés no chão, todo o peso dela se transferia para a cunha entre as pernas. Amarrei também esse pé e me ergui para observar o resultado. Os lábios estavam claramente separados, um de cada lado da lâmina de madeira, com o clitóris esmagado contra a ponta, e no rosto dela se lia o esforço de suportar aquela pressão contínua. Um fio de umidade já começava a escorrer pela madeira para baixo.
Vi que ela tentava se jogar ligeiramente para trás, a fim de aliviar a região mais sensível. Fui buscar duas pinças pequenas no painel. Coloquei-as nos mamilos sem dificuldade. Passei uma corda por uma argola na frente da armação e puxei com suavidade.
O grito de Sofia encheu a sala.
Agora ela tinha duas opções igualmente ruins: inclinar-se para a frente, o que aumentava a pressão da cunha sobre o clitóris, ou se jogar para trás, o que fazia as pinças puxarem seus mamilos com a mesma crueldade. Não havia posição confortável. Não havia alívio possível.
Fiquei atrás dela. Passei a mão entre as nádegas e desci, deslizando pela borda da cunha até encontrar a entrada da xana por trás. Ela estava encharcada. Enterrei dois dedos por trás e comecei a movê-los enquanto a cunha continuava castigando o clitóris. Com a outra mão apertei o seio dela por baixo de uma das pinças.
—Você também está molhada, olha só —disse eu ao ouvido dela—. Igual à sua chefe.
Ela arfava, incapaz de se mover em qualquer direção sem se punir ainda mais. Continuei trabalhando sua xana com os dedos, entrando e saindo num ritmo tranquilo, enquanto a ponta da cunha pressionava o clitóris toda vez que os quadris dela, involuntariamente, buscavam mais. Em poucos minutos, o ventre inteiro dela começou a tremer. O orgasmo a tomou sem aviso: ela gozou nos meus dedos e na madeira, com um gemido abafado que não conseguiu engolir. A cunha ficou brilhando de umidade.
—Muito bem —disse eu, e coloquei uma mordaça nela. Em Valeria eu não tinha colocado, porque os gemidos dela me pareciam parte justa do ambiente.
***
Sentei na única cadeira da sala e observei as duas. Valeria deitada no chão, acorrentada, com o plug alojado dentro e meu sêmen ainda secando nos seios. Sofia na armação, em silêncio forçado, com os olhos úmidos do esforço contínuo e as coxas brilhando com sua própria gozada.
A dor no meu próprio corpo tinha recuado. O que eu sentia agora era outra coisa: uma calma fria e algo prazeroso que não tinha nome exato, mas que não era desagradável. Meu pau começava a endurecer de novo.
Levantei. Aproximei-me de Valeria. Sua xana estava avermelhada e sensível dos golpes e do uso. Passei os dedos pela vulva com calma. Ela protestou, mas o cadeado nas argolas não lhe dava margem. Afastei os lábios dela com dois dedos e a penetrei brevemente, sem pressa, apenas para que entendesse o recado.
—Como se vê deste lado? —perguntei.
Os olhos dela estavam fixos no chão, sem responder.
Retirei o plug devagar. O orifício ficou dilatado e aberto, formando um círculo escuro que demorou vários segundos para começar a se fechar. Contemplei aquilo por um instante antes de enfiar dois dedos dentro, sem pedir permissão, testando até onde ela tinha cedido. O gemido que soltou foi rouco, exausto, e já sem qualquer possibilidade de negociação. Tirei os dedos e os limpei na própria coxa dela.
Fui até onde estava Sofia. Tirei a mordaça e depois, uma a uma, as pinças. Os mamilos estavam avermelhados e a primeira lufada de ar livre lhe arrancou um soluço curto, quase involuntário, quando o sangue voltou a preenchê-los.
—Viu? —disse eu—. Algo especial, como prometi.
Soltei-a da armação e a amarrei no chão do outro lado da sala, de barriga para cima, com as pernas ligeiramente abertas. Deixei dois recipientes com água ao alcance das duas. Eu precisava que estivessem em boas condições: ainda tinham de responder perante a justiça por tudo o que haviam feito durante anos.
***
Antes de sair, percorri a sala com calma. Encontrei uma câmera de gravação numa prateleira alta. Peguei-a. Se o hábito delas era filmar as sessões, o cartão de memória era um presente inesperado para o promotor: material produzido por elas mesmas, na própria sala, com as próprias vítimas.
Encontrei também meu celular no bolso da jaqueta de Valeria, intacto e com bateria suficiente.
Liguei-o. Disquei um número que eu tinha decorado havia semanas.
—Sou Marcos Vidal —disse quando atenderam—. Jornalista. Preciso falar com alguém da promotoria anticorrupção. Tenho duas pessoas detidas, documentos comprometedores e uma câmera com material que vocês vão querer ver antes que a imprensa chegue.
Enquanto esperava a resposta, olhei uma última vez para as duas mulheres no chão.
Valeria ergueu o olhar para mim. Havia algo em seus olhos que eu não esperava encontrar: não era só ódio. Era também, em alguma medida difícil de precisar, algo parecido com o respeito involuntário que se tem por alguém que provou ser mais difícil de quebrar do que o previsto. E, por baixo disso, algo pior para ela: a lembrança clara do orgasmo que eu lhe arrancara pendurada no teto.
Não lhe disse nada. Não era necessário.
O primeiro dia tinha sido intenso. Mas eu sobrevivi, tinha a câmera, tinha os documentos e tinha a sala inteira como prova. A semana mal começava, e desta vez quem estava no comando era eu.