A última hora do meu contrato de submissão
Com os olhos vendados e as pinças puxando meus seios, deixei de ser a diretora que não se ajoelha diante de ninguém. Lá em cima, eu era só um número entregue às suas mãos.
Com os olhos vendados e as pinças puxando meus seios, deixei de ser a diretora que não se ajoelha diante de ninguém. Lá em cima, eu era só um número entregue às suas mãos.
Abri os olhos e não reconheci o quarto: só o peso de umas mãos sobre minha pele e a certeza de que aquela manhã pertencia a outros.
Ela me escreveu que queria gozar sobre meus lábios antes mesmo de nos vermos. Aquilo me fisgou, mas o que veio depois, à beira-mar, superou qualquer mensagem.
Fazíamos apenas duas semanas de casados quando descobri do que era capaz o gênio dela, e o primeiro tapa foi só o começo daquela tarde.
Ela a chamou de “gatinha” com a mesma voz de vinte anos atrás, e Helena soube que o cheque da demissão jamais sairia daquela gaveta. A dívida seria cobrada com seu corpo.
Sempre fui a garota que seguia as regras, até ele me mandar ajoelhar e eu entender que meu corpo esperava havia anos que alguém lhe desse permissão.
Ela me mandou esperá-la no compartimento, nua e com a régua sobre o colo. Eu sabia que ela viria; o que não sabia era quanto tempo levaria para me fazer sofrer.
Ela usava a máscara e tinha ordem de não se mover. Sabia que, desta vez, não haveria ternura — só a lição que ela mesma havia pedido por dias.
“Tira a roupa”, ela disse sem elevar a voz. E ele, depois de quinze anos juntos, soube que o fim de semana inteiro pertencia a ela.
Todas as noites desço às masmorras com pão e água. Ontem à noite, a mulher acorrentada à coluna me esperava nua e com uma ordem nos lábios que eu não podia desobedecer.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Três dias aguentando seus caprichos foram suficientes: desta vez Renata não pretendia deixar passar nem mais uma, e Daniela estava prestes a descobrir até onde ia sua paciência.
Ninguém me toca há anos. Só minhas mãos repetem o que ele me ensinou: o beliscão, a chibatada, a ordem silenciosa de não gozar até implorar.
Cada tarde ela levava o jantar ao anexo e se sentava com as pernas entreabertas, sussurrando como seu antigo Amo a havia treinado. Moldava-o sem que ele percebesse.
Cheguei cheirando a outro e nem o cumprimentei. No dia seguinte ele entrou no meu quarto, trancou a porta e tirou o cinto sem dizer uma palavra.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.
Entrei em casa sem fazer barulho para buscar um papel e encontrei minha mulher com o chinelo na mão e a amiga sobre o colo, esperando o castigo.
Ela tinha todas as provas sobre a mesa. Podia me destruir com uma única ligação. Em vez disso, trancou a porta e mandou que eu me ajoelhasse.
Fico vermelha só de pensar que vocês vão ler isto, mas ele me ordenou: devo contar, sem esconder nada, como aprendi a me ajoelhar e agradecer.
Subi de robe, descalça e furiosa, disposta a gritar com ele. Ele abriu a porta, me olhou de cima a baixo e eu soube que era eu quem estava encrencada.