O desconhecido que me ensinou a obedecer
Ela sempre foi a forte, a que cuidava de todos. Numa tarde chuvosa, um desconhecido mandou que ela entrasse no carro — e ela obedeceu.
Ela sempre foi a forte, a que cuidava de todos. Numa tarde chuvosa, um desconhecido mandou que ela entrasse no carro — e ela obedeceu.
Achei que ia implorar para ela guardar o segredo. Não imaginei que, quando ela voltasse para a sala, estaria com um chicote na mão e botas de salto.
Esta manhã, enquanto esperava o café, voltei a me ver de joelhos sobre o piso recém-encerado, com as pernas dormentes e o olhar baixo, aguardando uma única ordem dele.
Me arrastaram para a sala de exame por não respeitar as regras. Não sabiam que era justamente o que eu queria: que alguém enfim decidisse por mim.
Me corri três vezes sobre o banco do vestiário antes de entender que minha promoção já não dependia dos meus gols, mas de quanto eu aguentava de joelhos.
Ela desceu do carro com a jaqueta entreaberta e eu soube que naquela noite não ia me conter. Ela tinha dito que não devíamos; eu já tinha decidido o contrário.
Há anos ela limpava casas alheias com um sorriso gentil, mas naquela tarde, de joelhos sobre o mármore, descobriu o quanto precisava ser tratada como um objeto.
Me deram a escolher entre três anos de cadeia ou me tornar o cachorro submisso da minha mulher. Escolhi errado, e naquela noite no O Reservado eu entendi tudo.
Com os olhos vendados e as pinças puxando meus seios, deixei de ser a diretora que não se ajoelha diante de ninguém. Lá em cima, eu era só um número entregue às mãos dele.
Abri os olhos e não reconheci o quarto: só o peso de umas mãos sobre minha pele e a certeza de que aquela manhã pertencia a outros.
Ela me escreveu que queria gozar sobre meus lábios antes mesmo de nos vermos. Aquilo me fisgou, mas o que veio depois, à beira-mar, superou qualquer mensagem.
Fazíamos apenas duas semanas de casados quando descobri do que era capaz o gênio dela, e o primeiro tapa foi só o começo daquela tarde.
Ela a chamou de “gatinha” com a mesma voz de vinte anos atrás, e Helena soube que o cheque da demissão jamais sairia daquela gaveta. A dívida seria cobrada com seu corpo.
Sempre fui a garota que seguia as regras, até ele me mandar ajoelhar e eu entender que meu corpo esperava havia anos que alguém lhe desse permissão.
Ela mandou eu esperá-la no compartimento, nua e com a régua no colo. Eu sabia que ela viria; o que eu não sabia era quanto demoraria para me fazer sofrer.
Ela usava a máscara e tinha ordem de não se mover. Sabia que, desta vez, não haveria ternura — só a lição que ela mesma havia pedido por dias.
“Tira a roupa”, ela disse sem elevar a voz. E ele, depois de quinze anos juntos, soube que o fim de semana inteiro pertencia a ela.
Todas as noites desço às masmorras com pão e água. Ontem à noite, a mulher acorrentada à coluna me esperava nua e com uma ordem nos lábios que eu não podia desobedecer.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Três dias aguentando seus caprichos foram suficientes: desta vez Renata não pretendia deixar passar nem mais uma, e Daniela estava prestes a descobrir até onde ia sua paciência.