A confissão da minha esposa no voo para Buenos Aires
Quando voltei a vê-la no portão de embarque, minhas pernas amoleceram. Tinham se passado dois anos desde que fui embora sem olhar para trás, dois anos de raiva, álcool, noites dormindo como um cachorro numa costa distante para não pensar no vídeo em que minha esposa deixava outro homem fodê-la na minha própria casa. E, ainda assim, quando a vi ali, magra, pálida, com os olhos enormes de tanto chorar, a primeira coisa que senti não foi ódio. Foi uma pontada de amor doentio.
O diretor que me resgatara do desmoronamento deu um tapinha no meu ombro e falou comigo como se estivesse me mandando fechar mais um negócio.
— Você vai com a sua mulher. Conversem. Doze horas dão para muita coisa.
Ela não ousava olhar para mim. Caminhou ao meu lado com uma mala pequena e as costas encolhidas, como se esperasse que, a qualquer momento, eu mandasse que fosse sozinha para o outro lado do aeroporto. Não fiz isso. Nem quando ela tropeçou na escada rolante e precisei segurá-la pela cintura. Sob a roupa, senti os ossos, a fragilidade, uma fraqueza que me deu ainda mais raiva porque me lembrava que ela sofrera, sim, mas sem chegar nem perto do que tinha feito comigo.
Sentamos juntos no avião. Ela junto à janela, eu no corredor. O ronco dos motores preencheu o silêncio que nenhum dos dois sabia romper. Durante quase uma hora, ela não falou. Mantinha as mãos apertadas sobre o colo, os nós dos dedos brancos, o olhar fixo na escuridão lá fora.
Então disse, quase num fio de voz:
— Perdão.
Virei-me devagar para olhá-la. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Você devia ter dito isso antes que eu visse como abria as pernas para aquele filho da puta.
Ela estremeceu como se eu lhe tivesse dado um tapa. Mas não desviou o rosto. Aceitou.
— Eu sei — sussurrou. — Sei e não tenho defesa.
Falei baixo, para não chamar atenção, mas cada palavra saía envenenada.
— Você nunca queria beber comigo, nunca queria me tocar como eu queria, nunca queria me chupar porque sentia nojo, nunca se deixava foder como uma mulher com tesão. E naquele vídeo eu vi você fazendo tudo. Tudo. Com uma cara de puta feliz que ainda me acorda à noite.
Ela cobriu a boca com a mão para abafar um soluço. A senhora mais velha que estava do outro lado do corredor nos olhou por apenas um segundo e voltou ao livro. Minha esposa engoliu em seco várias vezes antes de continuar.
— Não sei o que aconteceu comigo naquele dia. Bebi demais. Ele ficou atrás de mim durante semanas. Dizia exatamente o que eu precisava ouvir. Que eu era linda, que estava adormecida, que precisava viver, que você era correto demais para despertar o pior de mim. E eu fui uma imbecil. Fiquei excitada. Deixei-me levar. Tornei-me alguém que nem eu mesma reconheci.
— Mas você gozou.
Ela ficou imóvel. Custou-lhe responder.
— Sim. E por isso me odiei ainda mais.
Ri sem humor.
— Que alívio para mim.
Ela baixou a cabeça. Os ombros tremiam.
— Não estou pedindo que me perdoe agora. Só que me escute. Se depois disso você quiser me mandar dormir em outro quarto, em outra casa ou em outro país, eu vou aceitar.
Deixei-a falar. Eu precisava ouvi-la, mesmo que isso me destruísse outra vez.
Ela me contou que, depois de transar com ele, passou dois dias dopada com ansiolíticos, álcool e vergonha. Que, quando voltou a ficar sóbria, eu já tinha visto a gravação. Que meu desaparecimento a afundara. Que tinham procurado por mim em toda parte. Que ela fora internada várias vezes. Que, ao me reconhecer transformado num fantasma barbudo junto ao túmulo dos meus pais, finalmente entendera o tamanho exato da ferida.
Eu queria me manter duro, mas havia algo em vê-la destruída diante de mim que me amolecia por dentro. O ódio continuava ali, inteiro. O desejo também. Era uma mistura nojenta.
— Ainda amo você — disse enfim, olhando para mim de frente pela primeira vez. — E sei que não mereço isso.
Não respondi. Ela avançou um pouco a mão sobre o apoio de braço. Hesitou. Retirou-a. Tentou de novo.
— Não me toque — murmurei.
Ela assentiu, obediente, e ficou imóvel. Passaram-se mais alguns minutos. Então, muito devagar, apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos. Continuava chorando em silêncio.
Ainda amo essa mulher.
Ainda odeio essa mulher.
As duas coisas eram verdade.
***
Horas depois, quando as luzes da cabine diminuíram e a maioria dormia, acordei sentindo pressão no ombro. Ela tinha adormecido sobre mim, exausta, com a bochecha encostada no meu braço. Não a afastei. Limitei-me a observar de perto seu rosto. Estava consumida, mas continuava sendo a mulher com quem eu imaginara envelhecer.
Ela acordou ao notar que eu me mexera. Piscou, desorientada.
— Perdão — repetiu outra vez, quase por reflexo.
— Você já disse isso.
— Vou continuar dizendo quantas vezes forem necessárias.
A comissária passou oferecendo água. Ela tomou um gole e depois umedeceu os lábios com a língua. Um gesto mínimo. Estúpido. Mas me deixou duro quase na mesma hora. Odiei-me por isso. Fazia tempo demais que eu não tocava numa mulher, tempo demais que me castigava, e o simples movimento da boca dela disparou lembranças, raiva, fome.
Ela percebeu. Olhou para o meu colo. Depois voltou os olhos para os meus.
— Não zombe de mim — falei.
— Nunca mais faria isso.
A voz dela havia mudado. Continuava triste, mas agora tinha uma firmeza nova. Uma decisão. Inclinou-se um pouco na minha direção.
— Também sei que você me deseja.
— Desejar você não significa perdoá-la.
— Não. Mas é um começo.
Senti um calor incômodo subir pelo peito. Ela não me tocou. Apenas ficou perto, respirando devagar.
— Se eu deixar você se aproximar — falei —, vai ser do meu jeito.
— Como você quiser.
— E não venha com frescuras, nem com esse papo de que voltou a ser uma santa.
Ela sustentou meu olhar.
— Não. Essa mentira acabou.
Isso me atingiu mais do que eu esperava. Porque durante anos eu me adaptara ao pudor dela, aos limites dela, ao jeito correto e estreito de entender o sexo. E, no fim, descobrira que toda aquela contenção não era inocência, mas uma represa mal construída que outro homem arrebentara numa tarde.
— Levante-se — ordenei.
Ela arregalou os olhos.
— O quê?
— Vá ao banheiro. Espere-me lá.
Ela ficou imóvel por um segundo, respirando depressa. Depois assentiu e se levantou. Caminhou pelo corredor com passos desajeitados, sem olhar para ninguém. Esperei um minuto que me pareceu eterno e fui atrás.
Entrei no banheiro e tranquei a porta. Era uma cabine ridícula, estreita, com o zumbido do avião se infiltrando em tudo. Ela estava encostada na pia, pálida, tremendo. Quis falar. Não deixei.
Segurei-a pela nuca e a beijei com uma brutalidade que surpreendeu até a mim. Ela soltou um gemido abafado e respondeu na mesma hora, abrindo a boca, buscando minha língua como se estivesse faminta havia anos. Não era um beijo carinhoso. Era raiva, fome e contas pendentes.
— Era isso que você queria? — perguntei contra a boca dela.
— Sim.
— Que eu tratasse você como a vagabunda que foi?
Ela fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, lágrimas e desejo se misturavam.
— Sim. Se é disso que você precisa de mim, sim.
Baixei a mão até o peito dela e apertei uma de suas tetas por cima da blusa. Ela arqueou as costas. Mordi seu pescoço, cravando apenas de leve os dentes, e abri sua calça com dificuldade por causa do pouco espaço. Enfiei a mão dentro da calcinha. Ela estava quente. Muito. Uma boceta úmida, aberta, reagindo a mim sem pedir licença.
— Olhe só para você — murmurei. — Nem preciso me esforçar e você já está molhada.
— É por você — ofegou. — Sempre foi por você, embora eu fosse uma idiota.
Enfiei dois dedos de uma vez. Ela precisou cobrir a boca para não gemer alto. Vi-a se contorcer contra a minha mão, as pernas fraquejando. Fodi-a com os dedos com força, sem ternura, observando a culpa e o prazer deformarem seu rosto.
— Foi assim que ele também tocou você, não foi?
— Não diga o nome dele.
— Responda.
— Sim... mas não assim.
— Não assim como?
— Ele não me conhecia. Não sabia como você me destrói por dentro.
A resposta atravessou-me como uma descarga. Tirei os dedos e enfiei-os na boca dela. Ela os chupou sem desviar o olhar, lambendo a própria umidade com uma obediência feroz que jamais me mostrara no passado.
— Ajoelhe-se.
Não havia espaço suficiente, mas ela fez o possível. Segurou-se na lateral da pia e se abaixou. Abriu minha calça e tirou meu pau com mãos desajeitadas, quase reverentes. Ele estava completamente duro, pesado, pulsando. Ela o olhou como se ele também estivesse pedindo perdão.
— Neguei isso a você por tempo demais — sussurrou.
— Então compense.
Ela me lambeu primeiro devagar, de baixo para cima, com a língua aberta. Depois contornou a cabeça, chupando com uma delicadeza que me fez cerrar os dentes. Quando o colocou na boca, senti um golpe seco no estômago. Dois anos sem gozar com ninguém. Dois anos sem que ninguém me chupasse. E ela, a mesma mulher que dizia sentir nojo daquilo, estava ajoelhada engolindo meu pau como se tivesse nascido para isso.
Segurei seu cabelo e marquei o ritmo. No começo não a forcei. Quis vê-la trabalhar. Quis que me demonstrasse até onde estava disposta a ir. E ela fez isso. Subia e descia com fome, com saliva escorrendo pelo canto da boca, masturbando a base enquanto me engolia. Gemia em volta da minha pica cada vez que eu a empurrava um pouco mais para dentro.
— Assim — falei. — Agora sim. Sem mentiras.
Ela soltou meu pau por apenas um segundo para respirar.
— Quero que você me use.
— Você teria adorado me dizer isso antes.
— Eu sei.
Empurrei a cabeça dela outra vez. Dessa vez, mais fundo. Sentindo a resistência da garganta, o espasmo, as lágrimas novas em seus olhos, a vibração dos gemidos. O banheiro era pequeno, desconfortável, quase obsceno de tão apertados que estávamos, e talvez por isso mesmo a cena me excitasse ainda mais. Não era uma reconciliação limpa. Era uma rendição suja.
Quando notei que ia gozar, puxei-a para cima. Ela ficou ofegante, com a boca vermelha e úmida.
— Aqui não.
— Eu engoliria tudo — disse, sem hesitar.
— Eu sei. E é por isso que não vai ser aqui.
Voltamos aos assentos em silêncio. Ela caminhava devagar, com as pernas tensas. Eu continuava tão duro que chegava a doer. Sentamo-nos. Ela se cobriu com o cobertor. Poucos minutos depois, senti sua mão roçar minha coxa, esperando permissão. Não dei com palavras. Apenas abri um pouco as pernas.
Sob o cobertor, ela me acariciou por cima da calça, muito devagar, como se estivesse memorizando meu corpo outra vez. Inclinei-me para ela e sussurrei em seu ouvido:
— Quando chegarmos em casa, você não vai dormir.
Ela fechou os olhos e apertou os lábios para conter outro gemido.
— Não quero dormir. Quero que você me foda até apagar da minha pele tudo o que não seja você.
***
A casa nos arredores de Buenos Aires era grande demais para duas pessoas destruídas. O motorista nos deixou na porta ao entardecer. Assim que entramos, ela ficou parada no hall, olhando para a sala, as janelas enormes, a cozinha impecável, a escada. Parecia não saber se estava chegando a um lar ou a um julgamento.
— Vou tomar banho — disse.
Olhei-a de cima a baixo.
— Eu também.
Subimos sem dizer mais nada. No banheiro principal, ela começou a se despir de costas. Seus dedos tremiam ao baixar o zíper da calça. Tirei a roupa sem desviar os olhos. Quando ela se virou nua, ternura e desejo voltaram a se misturar dentro de mim. Estava magra demais, sim, mas continuava sendo ela. Seios pequenos e firmes, cintura estreita, uma boceta que eu conhecia de cor e da qual sentira falta até nos meus piores dias.
Entramos no chuveiro. A água quente caiu sobre nós e o vapor começou a cobrir o vidro. Ela se aproximou primeiro. Passou as mãos pelo meu peito, abdômen, cintura. Não estava tentando me excitar. Estava me reconhecendo. Como se precisasse confirmar que eu era real.
— Obrigada por me deixar ficar aqui — disse.
— Não se confunda. Eu não perdoei você.
— Eu sei. Mesmo assim, obrigada.
Beijei-a outra vez, menos violentamente que no avião, mas não menos profundamente. Ela respondeu com uma urgência animal. Suas mãos desceram pelas minhas costas até a bunda e me apertaram com força. Senti meu pau endurecer imediatamente contra sua barriga molhada.
— Olhe para mim — ordenei.
Ela obedeceu.
— Se você mentir para mim mais uma vez, eu desapareço para sempre.
— Isso nunca mais vai acontecer.
— É bom mesmo.
Então ela se ajoelhou diretamente sob o chuveiro. A água escorria por seu rosto e pelos cabelos colados ao pescoço. Abriu a boca e me tomou inteiro com uma ansiedade que quase me fez perder o equilíbrio. Dessa vez não havia timidez nem aprendizado. Havia decisão. Língua, lábios, garganta. Uma chupada profunda, molhada, franca, na qual dava para perceber que ela queria me dar prazer e também expiar uma culpa enorme.
Segurei seus cabelos molhados com uma mão e apoiei a outra na parede de vidro. Ela me chupava com tanta entrega que eu mal conseguia pensar. Engolia-me repetidas vezes, soltando meu pau apenas para lambê-lo dos ovos até a cabeça e voltar a colocá-lo na boca. Às vezes olhava para mim lá de baixo, com lágrimas misturadas à água, e aquela imagem me desarmava porque era obscena e triste ao mesmo tempo.
— Porra... — escapou-me. — Onde estava essa mulher quando eu pedia que você me chupasse?
Ela o soltou apenas por um instante.
— Escondida atrás da vergonha. Morrendo de medo. Ela não está mais aqui.
E voltou a me chupar com ainda mais vontade. Senti o orgasmo subir numa velocidade brutal. Levantei-a antes de gozar. Ela protestou com um gemido.
— Não. Hoje você vai gozar onde eu mandar.
Encostei-a no azulejo molhado e abri suas pernas com o joelho. Passei a mão entre suas coxas e a encontrei encharcada. Esfreguei seu clitóris em círculos firmes enquanto chupava seu pescoço. Ela se agarrou aos meus ombros.
— Desejo você tanto que chega a doer — ofegou.
— A outra coisa doeu mais em mim.
— Eu sei. Por isso não vou mais me esconder.
Enfiei três dedos e ela arqueou o corpo com um grito abafado. A água corria entre nossas pernas, misturada à umidade dela. Trabalhei-a assim por um bom tempo, entrando e saindo, esfregando-a por dentro, sentindo a boceta me apertar cada vez mais. Ela começou a tremer, a morder meu ombro, a repetir meu nome como uma súplica.
— Goze — falei em seu ouvido. — Goze na minha mão.
Ela gozou. O orgasmo sacudiu suas pernas e precisei segurá-la pela cintura para que não caísse. Ela apertou meu braço com força enquanto gemia contra meu pescoço, longa e desordenadamente, sem pudor. Quando terminou, respirava aos trancos.
— Leve-me para a cama — sussurrou. — Quero sentir você dentro de mim.
***
Deitei-a sobre os lençóis, ainda molhada do banho. Fui buscar uma toalha, mas ela me deteve segurando meu pulso.
— Não perca tempo.
— Você manda menos do que imagina.
— Então me dê ordens.
A frase me acendeu imediatamente. Ela se deitou de costas, aberta para mim, sem o menor vestígio da antiga rigidez que marcara nosso casamento. Fiquei de pé por um segundo, olhando para ela. Ela sustentou meu olhar, respirando depressa, com as coxas afastadas e a boceta inchada, brilhante, convidando-me sem rodeios.
— Vire-se.
Ela obedeceu. Ficou de quatro sobre a cama, soltando um gemido. Acariciei suas costas, a curva da bunda, a parte interna das coxas. Depois dei-lhe um tapa seco na bunda. Não forte, mas alto o suficiente para deixar clara a intenção. Ela estremeceu.
— Isso você gosta, não é?
— Gosto de tudo se for você.
Afastei os lábios da boceta dela com os dedos e vi como se abria, úmida, pulsando. Passei a cabeça do pau entre suas dobras, para cima e para baixo, deixando-o ainda mais molhado, torturando nós dois.
— Diga o que quer.
— Que você me foda.
— Mais claro.
— Que enfie seu pau em mim e me faça sua outra vez.
Não a fiz esperar mais. Entrei de uma só vez. Até o fundo.
O grito que ela soltou foi puro alívio. Eu também fechei os olhos por um segundo. Sua boceta me agarrou com uma força desesperada, quente, molhada, perfeita. Era como voltar para casa e, ao mesmo tempo, vingar-me dentro dela. Comecei devagar, saindo quase inteiro e voltando a cravar-me fundo, ouvindo o choque de nossos quadris preencher o quarto.
— Porra, sim... — ela gemia. — Assim... assim...
Segurei sua cintura com as duas mãos e aumentei o ritmo. A cama começou a bater contra a parede. Ela enterrou o rosto no travesseiro para abafar os gemidos, mas não parou de empurrar a bunda para trás, procurando-me, pedindo mais fundo, mais força.
— Isso ele também dava a você? — perguntei, investindo com força.
— Não — ofegou. — Não como você. Nunca como você.
— Não minta para mim na cama também.
Ela virou a cabeça, suada e despenteada, olhando para mim por cima do ombro.
— Ele me fodeu, sim. Mas você me destrói. Você me faz perder a cabeça.
Dei-lhe outro tapa na bunda e continuei fodendo-a. Agora com mais força, mais rápido. Eu a ouvia soluçar e gemer ao mesmo tempo. Enfiei uma mão na frente e encontrei seu clitóris. Assim que comecei a esfregá-la, ela enlouqueceu. Suas pernas tremeram. A boceta começou a me apertar em ondas.
— Não pare — disse quase gritando. — Por favor, não pare.
— Você vai gozar assim, aberta, empalada e implorando.
— Sim. Sim. Faça isso.
Ela gozou numa convulsão brutal, jogando o corpo para trás e apertando-me tanto que quase arrancou meu orgasmo junto com o dela. Ainda tremia quando a tirei daquela posição e virei-a de costas. Levantei suas pernas até apoiá-las nos meus ombros e voltei a penetrá-la. Aquela posição permitia que eu entrasse ainda mais fundo. Ela abriu a boca num gemido longo, cravando as unhas nos lençóis.
— Olhe para mim enquanto eu fodo você — ordenei.
Ela olhou. Sem esconder o prazer, sem bancar a esposa correta, sem fingir pudor. Continuei penetrando-a assim, observando seu rosto se deformar de prazer cada vez que meu pau a golpeava por dentro. Senti-me enorme, vivo, recuperando algo que acreditava estar enterrado no fundo do mar.
Ela levou uma mão entre nossos corpos e se tocou enquanto eu continuava bombeando.
— Quero gozar outra vez com você dentro de mim — disse. — Quero sentir que é você, só você.
— Faça isso.
Acelerei. As estocadas ficaram curtas e profundas, cada uma arrancando-lhe um gemido mais agudo que o anterior. Sua mão se movia freneticamente no clitóris. A minha segurava sua perna com força. Quando gozou de novo, gritou meu nome sem vergonha, arqueando as costas, e esse foi o empurrão final para mim.
Saí no último segundo e gozei sobre sua barriga e seus seios, com uma descarga espessa, longa e violenta. Dois anos acumulados explodindo enfim. Ela observou o esperma cair sobre sua pele e, em vez de se afastar, passou dois dedos por uma gota branca e levou-a à boca.
— Não faça isso de novo se não quiser me matar — falei, ainda sem fôlego.
Ela sorriu pela primeira vez de verdade.
— Então não me faça esperar tanto.
***
Dormimos por algum tempo abraçados. Acordei primeiro. Durante alguns segundos não soube onde estava. Então senti o corpo dela contra o meu, a perna entrelaçada à minha, sua respiração morna no meu peito, e entendi que nada estava resolvido, mas algo havia começado.
Quando abriu os olhos, ela não falou imediatamente. Olhou para mim como se temesse que tudo tivesse sido um sonho.
— Ainda estou aqui — falei.
Ela assentiu, e seus olhos se encheram de lágrimas outra vez.
— Não chore agora.
— É que pensei que nunca mais teria você assim.
Afastei uma mecha de sua testa. Não era perdão. Ainda não. Mas eu já não podia continuar negando o óbvio: queria tê-la comigo, desejava-a comigo, e uma parte de mim precisava reconstruir o que nós dois havíamos destruído.
— Escute bem — falei. — Se continuarmos, não vamos voltar ao que era antes.
— Não quero voltar ao que era antes.
— Nem santinha, nem esposa morta na cama. Nada de silêncios. Nada de mentiras. Se quiser alguma coisa, diga. Se ficar excitada, diga. Se ficar com medo, diga. E, se algum dia olhar para outro homem como olhava para ele naquele vídeo, tudo acaba.
Ela se ergueu um pouco e segurou meu rosto entre as mãos.
— Nunca mais. Eu juro.
Beijei-a devagar. Um beijo diferente, sem castigo. Ela respondeu com uma suavidade que me lembrou os melhores dias antes do desastre.
— Estou com fome — falei, afastando-me.
Ela riu entre lágrimas.
— Isso é um bom sinal.
Levantamo-nos. Enquanto eu improvisava alguma coisa na cozinha com o que tinham deixado na geladeira, ela vestiu uma camiseta minha, enorme nela, e sentou-se sobre a bancada para me observar. Não tirava os olhos de mim, como se quisesse me reaprender em cada gesto banal.
— O quê? — perguntei.
— Nada. Só gosto de ver você aqui.
Servi um prato para ela e a obriguei a comer tudo. Ela reclamou um pouco, sorrindo. Depois, quando fui levar os talheres à pia, notei que ela se aproximava por trás. Abraçou minha cintura e apoiou a bochecha entre minhas omoplatas.
— Vou recuperar o peso — disse. — Vou ficar forte. Vou trabalhar com você, se me deixar. Vou lhe dar paz, se descobrir como. E também vou lhe dar tudo o que guardei por anos na cama. Tudo. Mas quero deixar uma coisa bem clara.
Virei-me para olhá-la.
— O quê?
— Não faço isso por culpa. Faço porque sempre fui sua e finalmente quero viver isso sem medo.
Beijei-a outra vez, encostando-a na bancada. Dessa vez, o beijo terminou com a mão dela na minha virilha e a minha entrando sob a camiseta para apertar sua bunda nua.
— Muito bem — murmurei. — Então hoje à noite continuamos conversando.
Ela sorriu com um atrevimento novo, belo e perigoso.
— E fodendo.
Não consegui evitar uma risada. Fazia anos que uma risada limpa não me escapava.
— Sim. E fodendo.
Naquela noite, levei-a novamente para a cama. E, pela primeira vez desde que tudo se quebrara, não senti que a estava recuperando pela metade, mas que estávamos começando algo diferente: mais sujo, mais honesto, mais adulto. Ainda restavam cicatrizes. Restavam discussões, lembranças, dias ruins. Mas entre suas pernas abertas, em sua boca me engolindo sem nojo, em seu jeito de olhar para mim depois do orgasmo como se eu ainda fosse o homem dela, encontrei algo que acreditava ter perdido.
Não justiça. Isso já era impossível.
Mas uma verdade crua, nua, malditamente viva: continuávamos desejando um ao outro com um desespero capaz de nos salvar ou de nos afundar outra vez. E, dessa vez, decidimos usá-lo para nos reconstruir.