A confissão de uma secretária ingênua
Lucía levou anos para aceitar que seu pior talento tinha sido escolher mal. Não era falta de inteligência nem de caráter; era uma mistura perigosa de orgulho, desejo e aquela necessidade de provar que ninguém podia decidir por ela. Quando se lembrava dos primeiros meses longe de casa, já trabalhando como secretária de recursos humanos, sentia vontade de amassar uma folha e jogá-la contra a lixeira como se fosse a cabeça daquele homem.
O primeiro se chamava Darío. Ela o conheceu quando se mudou para a cidade para estudar administração, em um apartamento barato perto da faculdade. Lucía tinha vinte e um anos, era maior de idade, ingênua e teimosa. As amigas tinham dito que ela não devia ir morar com um homem que só conhecera por mensagens, mas ela insistiu que o preço era bom, o lugar ficava perto e ele parecia gentil.
—Os caras que oferecem quarto barato não fazem isso por caridade —disse uma amiga em um bar.
—Se ele tentar alguma coisa, eu digo não e pronto —respondeu Lucía, rindo como se tudo fosse simples.
Darío foi encantador nos primeiros dias. Ajudou com as caixas, preparou café para ela, perguntou sobre suas aulas e fingiu se interessar por tudo o que ela dizia. Quando Lucía contou que queria uma vida tranquila, um relacionamento estável e uma casa onde pudesse formar uma família, ele assentiu com uma seriedade tão perfeita que ela decidiu ignorar o pequeno alarme que se acendeu em seu peito.
Certa tarde, enquanto limpava o banheiro com luvas de borracha, ouviu-o gritar do quarto. Pensou que algo tivesse acontecido com ele e entrou sem bater. Darío estava diante do computador, furioso por causa de um jogo, e se virou para ela como se ela o tivesse insultado.
—Quem te deu permissão para entrar? —disparou.
Lucía pediu desculpas, saiu para caminhar e ligou para uma amiga. A amiga disse que ela devia ir embora dali. Lucía, é claro, não deu ouvidos. Voltou ao apartamento, bateu à porta do quarto de Darío e perguntou se ele já tinha se acalmado.
—Claro, preciosa. Entra.
Encontrou-o nu, sentado na cadeira, com o pau duro e a tela cheia de desenhos obscenos. Lucía ficou imóvel, vermelha até as orelhas. Ele não se cobriu. Pelo contrário, sorriu com uma segurança descarada, apontou para o próprio pau e perguntou:
—Você quer por cima ou por baixo?
Ela devia ter ido embora. Só soube disso depois. Naquele momento, o descaramento lhe pareceu desejo, e o desejo lhe pareceu uma prova de que era atraente. Fechou a porta com as mãos trêmulas. Darío se levantou, segurou-a pela cintura e empurrou-a para a cama. Lucía caiu de costas, rindo nervosamente, com o coração batendo na garganta.
—Assim, sem mais nem menos? —perguntou.
—Não vou perder tempo —disse ele, enquanto baixava a calça de algodão dela.
Ele a beijou mal, com língua demais e pressa demais. Lucía tentou acompanhar seu ritmo, mas ele já estava enfiando a mão entre suas pernas, procurando sua umidade com dedos desajeitados. Abriu-lhe as coxas, afastou sua calcinha e tocou sua boceta sem delicadeza. Ela estremeceu, não tanto de prazer quanto de surpresa, embora o corpo tivesse respondido antes da cabeça.
—Olha só como você está —murmurou Darío—. Fica se fazendo de boazinha, mas está molhada.
Lucía gemeu, envergonhada. Ele se inclinou apenas para lambê-la, mas fez isso com a mesma impaciência com que jogava e discutia. Passou a língua pelo clitóris dela, chupou por um segundo e voltou a se erguer, satisfeito como se já tivesse cumprido sua parte. Ela quis pedir mais, porque uma pontada de prazer lhe percorrera o ventre, mas não se atreveu.
Darío levantou suas pernas e se acomodou entre elas. Esfregou-se contra sua entrada, deslizando sobre a umidade de Lucía, e a penetrou de uma vez. Ela soltou um gemido agudo. Doeu no começo, mas também sentiu uma pressão intensa, nova, que a fez agarrar os lençóis. Darío começou a se mover depressa, com investidas curtas e bruscas, olhando para ela como se esperasse que agradecesse por cada golpe.
—Assim, está vendo? —ofegou ele—. Era isso que você queria.
Lucía não sabia o que queria. O prazer surgia em rajadas, misturado ao desconforto e à emoção boba de estar fazendo algo proibido na cama de um homem que mal conhecia. Ele apertou suas coxas, abriu-as mais e acelerou. A cama bateu contra a parede. Ela gemeu, primeiro baixo, depois mais alto, porque a fricção começou a incendiar seu corpo apesar da falta de jeito dele.
Darío virou-a de repente e colocou-a de quatro. Lucía obedeceu por reflexo. Ele deu um tapa em sua bunda, posicionou-se atrás dela e voltou a enfiá-la em sua boceta, dessa vez em um ângulo que a fez arfar contra o travesseiro. Suas mãos seguravam os quadris dela com força. Cada investida a empurrava para a frente. Ela fechou os olhos, confusa com o calor que subia de sua pélvis e com a vergonha de ouvir os próprios gemidos.
—Da próxima vez, vai ser na bunda —disse ele.
—Não —respondeu Lucía, virando a cabeça—. Por ali, não.
Darío riu. Continuou fodendo-a por mais alguns segundos, depois saiu de sua boceta e pressionou a ponta contra seu ânus. Lucía se retesou imediatamente.
—Eu disse que não.
Ele empurrou de leve, o suficiente para machucá-la. Lucía gritou, afastou-se num salto e olhou para ele nua, respirando com raiva e medo.
—Qual é o seu problema? —disse ela—. Eu disse que não.
—Não seja estraga-prazeres. A gente estava bem.
Lucía saiu do quarto tremendo, recolheu as roupas como pôde e se trancou no seu. Darío chamou-a de exagerada, frígida e outras coisas piores do corredor. Ela se vestiu, desceu para a rua e caminhou até que o ar frio acalmasse seu rosto em chamas. Quando ligou para a amiga, tentou justificá-lo.
—Ele ficou excitado demais —disse Lucía—. Talvez não soubesse parar.
—Não tente consertar isso na sua cabeça —respondeu a amiga—. Esse cara é um canalha.
Lucía voltou mesmo assim. Durante uma semana, viveu com Darío em uma montanha-russa de desculpas, insultos, risadas, sexo e silêncios. Ele era gentil quando queria alguma coisa e cruel quando ela hesitava. Certa noite, depois de assistir a uma partida na sala, disse que daquela vez ela teria de chupar seu pau. Lucía aceitou porque queria experimentar, porque queria sentir que estava decidindo alguma coisa, porque ainda confundia experiência com entrega.
Ajoelhou-se diante dele na cama. Darío acariciou sua cabeça como se estivesse treinando alguém. Lucía segurou o pau dele com a mão, olhou-o de perto e sentiu uma mistura de curiosidade, nervosismo e um leve nojo que teve vergonha de reconhecer. Lambeu-o da base até a glande. Ele soltou um gemido satisfeito.
—Mete mais —ordenou.
Lucía abriu a boca e o recebeu devagar. O gosto era salgado, a textura, quente, e o peso do pau sobre sua língua fez seus olhos lacrimejarem quando ele empurrou os quadris. Ela se afastou, tossindo.
—Não tão forte.
—Você precisa aprender —disse Darío, segurando-a pelos cabelos.
Enfiou-o nela outra vez. Lucía moveu a boca com cuidado, usando a mão para cobrir o que não conseguia engolir. Ele ditava o ritmo com os dedos enterrados em seus cabelos. Ela ouvia seus grunhidos, sentia a saliva se acumulando no canto dos lábios e tentava respirar pelo nariz. Algo em vê-la ajoelhada parecia excitá-lo mais do que o sexo anterior.
—Isso, assim. Boa garota.
A frase lhe deu raiva e, ao mesmo tempo, provocou uma descarga sombria de vergonha. Lucía tocou-se entre as pernas sem pensar. Estava molhada outra vez, e essa contradição a deixou atordoada. Darío viu e sorriu.
—Você adora que eu use você.
Ela não respondeu. Continuou chupando-o, mais rápido, querendo acabar com aquilo e querendo também provar que conseguia fazer direito. Darío ofegou, apertou sua nuca e gozou em sua boca sem avisar. Lucía engasgou, engoliu uma parte e deixou outra escorrer pelo queixo. Ele se recostou, satisfeito, enquanto ela se limpava com as costas da mão.
—Viu? Não foi tão difícil —disse.
Lucía permaneceu sentada no chão, com a garganta irritada e uma sensação estranha de ter atravessado uma porta que não sabia se queria abrir outra vez. Naquela noite, tomou banho por um longo tempo. No dia seguinte, Darío voltou a sorrir para ela como se nada tivesse acontecido.
Com o tempo, ela aceitou outras coisas. Algumas lhe agradaram; outras, tolerou por medo de perder a versão gentil dele. Comprou lubrificante e um brinquedo pequeno para se preparar sozinha, convencida de que, se fizesse tudo “direito”, seria menos humilhante. Quando finalmente contou a ele, Darío riu tanto que a fez se sentir ridícula.
—As mais santinhas sempre acabam sendo as maiores putas —disse.
Lucía estava de quatro, vermelha de vergonha, com o corpo preparado e a dignidade no chão. Darío tirou o brinquedo, zombou dela por não saber o suficiente e acomodou-a como queria. Ela pediu lubrificante. Ele disse que não era necessário. Ela insistiu. Ele a calou com um tapa.
A penetração anal foi áspera desde a primeira investida. Lucía cerrou os dentes, sentindo seu corpo resistir enquanto Darío avançava com impaciência. Não era como ela tinha imaginado. Não era lento nem cuidadoso. Era pressão, ardor e uma vergonha quente que lhe subia pelas costas. Quando ele encontrou um ritmo, ela se agarrou ao lençol e tentou respirar.
—Mais devagar —pediu.
Darío diminuiu apenas um pouco o ritmo, não por causa dela, mas porque assim podia durar mais. Lucía percebeu que a dor começava a se misturar a uma sensação intensa, suja, difícil de nomear. Tocou o clitóris com dois dedos, procurando algo que a tirasse do desconforto, e conseguiu arrancar de si um prazer breve, quase furioso. Gemeu contra o travesseiro e odiou que ele a ouvisse.
—Está vendo? —ofegou Darío—. Você gosta.
Não era tão simples. Nada era. Ela sentiu prazer, sim, mas também raiva, cansaço e uma tristeza que não sabia onde colocar. Darío investiu com mais força até gozar dentro dela, com um grunhido satisfeito. Quando saiu, Lucía sentiu alívio antes de qualquer outra coisa. Ele se limpou com papel, foi para a sala e disse que ela devia tomar banho.
Um mês depois, enquanto ele estava em um bar com os amigos, Lucía fez uma mala. Não planejou discurso nem cena. Guardou roupas, documentos, algum dinheiro e as anotações da faculdade. Pegou o metrô até a casa dos pais e disse que a convivência tinha dado errado. Não contou tudo. Ainda não conseguia.
Perdeu a independência, sim. Voltou a suportar perguntas, horários e conselhos que não tinha pedido. Mas, certa noite, olhando para o teto do antigo quarto, entendeu algo com uma clareza brutal: naquele apartamento, ela também não tinha sido livre. Apenas havia trocado a voz que lhe dizia o que fazer.
Depois vieram outros homens, outros erros, outras versões do mesmo padrão. Lucía ficou mais dura, mais desconfiada e mais cruel ao julgar qualquer pessoa que lhe parecesse fraca. Trocou de curso, entrou para a área de recursos humanos e aprendeu a detectar mentiras em entrevistas, gestos falsos em reuniões e sorrisos que escondiam desprezo. Às vezes acertava. Às vezes via fantasmas.
Anos mais tarde, conheceu Esteban, um homem sereno que não tentou comprá-la com elogios nem destruí-la com desprezo. Ele não apagou o que tinha acontecido, porque ninguém apaga essas coisas. Mas mostrou a ela que o desejo não precisava vir misturado ao medo, e que a ternura não era falta de caráter.
Quando Lucía se lembrava de Darío, já não pensava em sua primeira vez como uma aventura desajeitada nem como uma queda romântica. Pensava em uma advertência escrita sobre a própria pele. E, sempre que uma mulher jovem entrava em seu escritório com um sorriso confiante demais e um namorado que falava por ela, Lucía sentia que voltava a ter vinte e um anos. Então respirava fundo, cuidava das palavras e fazia o que ninguém tinha conseguido fazer por ela a tempo: acender um alarme antes que fosse tarde.