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Relatos Ardientes

A noite em que o champanhe apagou todas as regras

3.8 (50)
Ilustração do conto erótico: A noite em que o champanhe apagou todas as regras

O champanhe me turvava a vista, mas não a memória. Cada instante daquela noite ficou gravado com uma precisão que ainda me surpreende, semanas depois, quando reviro aquilo sem querer antes de dormir, quase sempre com a mão enfiada entre as coxas. A festa de aniversário de Valentina era exatamente o que eu esperava dela: gente demais, música demais, uma piscina iluminada no centro do jardim que transformava os corpos em silhuetas douradas. Valentina, com seus trinta e oito anos muito bem vividos, se movia entre os convidados com aquela energia que sempre teve desde que a conheci, como se cada pessoa na sala existisse para alimentar algo nela.

Me aproximei para dar o abraço de aniversário. Ela cheirava a perfume caro e champanhe, e quando eu sussurrei que ela continuava sendo a melhor anfitriã que eu conhecia, ela riu daquele jeito dela — baixo, um pouco rouco — e apertou minha bunda com as duas mãos sem o menor disfarce, erguendo-a através do vestido.

—Você também não perdeu nada, Sofia — disse, e lambeu rápido o lóbulo da minha orelha antes de me soltar—. Você ainda tem a melhor buceta de toda a sala. E eu me lembro de como ela tem gosto.

Senti o calor subindo ao rosto e entre as pernas ao mesmo tempo. Marcos apareceu ao meu lado com uma taça gelada. Passou o braço pela minha cintura e deu dois beijos na bochecha de Valentina, sem perceber — ou fingindo não perceber — o que a amiga dela tinha acabado de me soltar ao ouvido. A noite começou assim, com música alta demais, o cheiro de cloro misturado aos perfumes de trinta pessoas que não se conheciam todas entre si, e minha calcinha já um pouco molhada.

***

Fazia uma hora disso quando Marcos me pegou pelo pulso, em silêncio, e me guiou para longe da varanda até o jardim dos fundos. A música chegava abafada lá de dentro. O jardim tinha sebes altas que separavam a área da piscina do resto da propriedade, e entre as sombras de uma dessas sebes, ele parou.

Não disse nada. Não precisava dizer.

Me virou contra o muro de pedra que fechava a propriedade nos fundos. Senti o frio da pedra nas palmas e o calor dele nas minhas costas ao mesmo tempo. Ele ergueu meu vestido até a cintura com uma urgência que eu conhecia bem, baixou minha calcinha pelos quadris até deixá-la na altura dos joelhos e passou a mão aberta entre minhas pernas. Senti os dedos dele escorregando na minha umidade.

—Porra, você já está encharcada —murmurou contra minha nuca—. A noite toda assim?

—A puta da noite toda —ofeguei.

Ele abriu meus lábios da buceta com dois dedos e se enfiou em mim com uma lentidão calculada que durou exatamente o necessário para me deixar louca antes de começar de verdade. Primeiro entrou um dedo, depois dois, afastando-os dentro de mim, procurando aquele ponto que ele conhecia melhor do que eu mesma. Quando encontrou, pressionou com a ponta do dedo e começou a movê-los num ritmo doentio, enquanto com o polegar desenhava círculos lentos sobre o clitóris.

—Assim, porra —murmurei, mordendo o lábio quando senti ele entrar e sair com aquela precisão suja que me deixava tremendo—. Não para.

Marcos apoiou uma mão no meu quadril e a outra continuou se afundando em mim, me fodendo com os dedos até sentir minha buceta apertar a mão dele em espasmos involuntários. Tive de morder o dorso do braço para não gritar quando gozei pela primeira vez nos dedos dele, com as pernas tremendo e a testa apoiada na pedra fria.

Ele tirou os dedos ensopados de mim e os pôs na minha boca. Chupei sem pensar, provando a mim mesma na pele dele, enquanto o ouvia abrir o zíper com a outra mão.

—Abre mais as pernas —disse, e a voz saiu rouca—. Mais.

Fiz o que ele pediu. Apoiei melhor as palmas na pedra, afastei os pés o máximo que o vestido erguido na cintura me permitia e arqueei a bunda para trás para oferecê-la a ele. Senti ele agarrar uma nádega, abri-la, e depois a cabeça larga e quente do pau encostando na entrada da minha buceta, ainda encharcada do que tinha vindo antes.

Ele me meteu até o fundo com uma única investida. Lenta, brutal, total.

Soltei um gemido abafado. Ele me preencheu tanto que, por um segundo, nem consegui respirar. Senti-o duro, grosso, pulsando dentro de mim, me abrindo e esticando até os ossos. Ficou parado um instante, deixando eu senti-lo inteiro, até decidir começar a se mover.

Primeiro devagar, quase me tirando tudo e voltando a me cravar até o fundo em uma única investida lenta. Outra. Mais uma. Cada golpe arrancando de mim um gemido que escapava sem permissão. Depois foi aumentando o ritmo, mais fundo, mais firme, me cravando contra a pedra com golpes que faziam a pelve dele bater contra minhas nádegas. A música lá de dentro era alta o suficiente para cobrir qualquer som que eu não conseguisse controlar, mas mesmo assim mordi o lábio até sentir o gosto metálico da pele.

—Isso —disse ele, com a voz baixa junto ao meu ouvido—. Você gosta assim, com o pau até o fundo. Me diz o quanto gosta.

—Eu adoro —ofeguei—. Adoro seu pau. Mais forte, porra, não para.

Ele me fodía com uma mão no meu quadril para me cravar contra ele e a outra me rodeando por diante para esfregar o clitóris em círculos rápidos. Entrei as unhas na pedra e levantei mais os quadris para oferecê-lo melhor, sentindo-o bater exatamente no ponto que me desmontava. O impacto rítmico do corpo dele contra o meu ficou mais rápido, mais sujo. Os testículos dele batiam no meu clitóris a cada investida, e o pau me preenchia com aquela precisão brutal que só ele conseguia. Gozei pela segunda vez em menos de cinco minutos com um espasmo que me deixou a cabeça vazia e as pernas sem força, apertando tanto a buceta dele por dentro que o ouvi soltar um rosnado contra meu pescoço.

Marcos ainda continuou por alguns segundos, me fodendo mais rápido, mais errático, até que se retesou atrás de mim. Senti o pau dele inchar um instante antes de gozar dentro com um gemido abafado, se esvaziando em mim com sacudidas que me fizeram fechar o corpo ainda mais ao redor dele. Aguentei mais uns dois segundos com a testa contra a pedra, sentindo o que ele tinha acabado de derramar em mim começar a escorrer, quente e espesso, entre minhas coxas.

Quando ele tirou o pau com cuidado, senti um fio grosso do sêmen dele descendo pela parte interna da minha coxa. Ele procurou minha calcinha nos meus tornozelos e a subiu ele mesmo, encaixando-a contra a buceta inchada e ensopada para segurar o que estava escapando.

—Você volta pra festa assim —murmurou, mordendo o lóbulo da minha orelha—. A noite toda com o meu dentro de você.

Quando terminou, ficamos imóveis por alguns segundos. A respiração dele contra meu pescoço. A minha ainda entrecortada. Depois nos recompusemos sem falar: eu ajeitei o vestido, ele endireitou a roupa, e voltamos para a festa como se tivéssemos saído para pegar um ar fresco. Ninguém notou, ou ninguém quis notar. Essas coisas você decide.

***

À meia-noite, os convidados ocasionais começaram a ir embora. À uma, o grupo ficou reduzido ao círculo de sempre: Valentina, quatro amigos dela de toda a vida, Marcos, eu e os garçons que recolhiam as taças com aquela discrição eficiente de quem já trabalhou em muitas festas como aquela.

Entre a equipe de serviço havia uma garota jovem. Clara. Não devia ter mais de vinte anos. Miúda, de movimentos cuidadosos, com o cabelo preso num rabo que se desfazia um pouco nas têmporas. Cada vez que Marcos falava com ela, ela baixava o olhar antes de voltar a encará-lo com aquela mistura de timidez e curiosidade que é típica de quem ainda está aprendendo como o desejo funciona.

Cena 3 do conto: A noite em que o champanhe apagou todas as regras
La habitación del fondo

Eu vi desde o primeiro momento. E, desde o primeiro momento, minha buceta começou a pulsar de novo, ainda com a gozada de Marcos me aquecendo por dentro.

Foi Valentina quem rompeu a última pretensão de formalidade da noite. Ela se pôs de pé na beira da piscina, ergueu a taça e brindou aos seus anos com um discurso que ninguém ouviu inteiro porque, antes de terminar, ela já tinha tirado o vestido e se jogado na água de cabeça, completamente nua. Seu corpo de mulher confiante cortou a água entre gritos e aplausos. A tensão da noite se quebrou em gargalhadas.

Fiquei sentada na borda, com os pés dentro da água. Observando.

Rodrigo, um amigo de Valentina que eu conhecia há anos e com quem sempre mantive aquela paquera de fundo que nunca chegava a lugar nenhum, sentou-se ao meu lado e me envolveu com um braço.

—A noite está ficando interessante, Sofia.

—Na casa da Valentina sempre fica interessante —respondi.

Deixei ele falar. Deixei ele se aproximar um pouco, porque com ele era assim que funcionava e eu já sabia há anos exatamente quando parar. Mas minha atenção já não estava em Rodrigo. Estava na porta de vidro que dava para a sala, por onde Marcos e Clara tinham desaparecido alguns minutos antes.

Eu sabia exatamente para onde tinham ido.

Me afastei de Rodrigo com uma desculpa e entrei na casa.

***

O quarto do fundo tinha a porta entreaberta. Os sons que vinham de dentro eram claros o bastante para que não fosse preciso abrir mais. Um bate-bate rítmico de carne contra carne. Uma respiração quebrada, feminina, jovem, pedindo algo em ofegos curtos.

Espiei.

Clara estava sobre a cama, de joelhos, com os antebraços apoiados no colchão e a bunda empinada no ar. Estava nua. Tinha o corpo pequeno e firme de uma garota de vinte anos, os seios soltos balançando a cada empurrão, as coxas abertas e a buceta rosada completamente exposta. Marcos estava atrás, também nu, segurando a cintura dela com as duas mãos e entrando e saindo com aquela lentidão deliberada que ele usava quando queria que alguma coisa durasse. O pau dele afundava até o fundo e voltava brilhando, molhado dela.

Ela tinha os olhos fechados e a boca entreaberta, e o corpo respondia a cada investida com uma clareza que não deixava lugar para interpretações. Não havia medo no rosto dela. Havia concentração. Havia algo muito parecido com espanto.

Entrei sem fazer barulho.

Marcos me viu e assentiu, sem parar. Deu a Clara mais um empurrão fundo que a fez soltar um gemido sujo e, sem tirá-lo de dentro dela, inclinou a cabeça na minha direção. Clara abriu os olhos, me olhou, e a expressão dela passou pela surpresa antes de se acomodar em algo mais tranquilo.

Sentei na beira da cama e peguei a mão dela.

—Você está bem? —perguntei em voz baixa.

—Sim —disse ela, com a voz um pouco rouca dos gemidos—. Sim, estou bem. Muito bem.

—Quer que eu fique?

Ela assentiu. Atrás, Marcos continuava se movendo com investidas lentas que faziam Clara fechar os olhos de vez em quando.

Não foi preciso mais do que isso.

Tirei o vestido pela cabeça e o deixei cair no chão. A calcinha, ainda úmida, foi atrás. Fiquei nua na beira da cama, e Clara me olhou com aquela curiosidade atenta de quem está aprendendo alguma coisa nova. Acariciei sua bochecha, desci a mão pelo pescoço, contornei um seio e apertei o mamilo entre dois dedos. Ela mordeu o lábio e soltou um gemido que se misturou à próxima investida de Marcos.

—Você tem peitos lindos —disse baixinho—. E uma bunda que enlouquece qualquer um. Sabia?

Ela negou com a cabeça, quase tímida. Marcos cravou o pau nela até o fundo e ficou parado, nos observando.

Subi na cama e me deitei de costas contra os travesseiros, com as pernas abertas diante do rosto de Clara. Segurei sua nuca com uma mão e a guiei sem pressa.

—Você já comeu buceta antes? —perguntei.

—Não —disse, e as bochechas dela se acenderam.

—Calma. Eu te ensino.

Baixei a cabeça dela até sua boca ficar a centímetros da minha boceta, ainda inchada do que tinha acabado de acontecer lá fora. Senti a respiração dela primeiro, quente, antes da ponta da língua me tocar com cuidado. Ela começou por cima, hesitante, até eu indicar com a mão onde queria sentir. Clara lambeu meu clitóris primeiro por cima, com a língua plana, como se estivesse provando um gosto novo, e depois, quando viu que eu arqueava o pescoço em resposta, fechou os lábios ao redor dele e começou a chupá-lo devagar.

—Assim, porra —ofeguei—. Isso, não para.

Marcos, enquanto isso, segurava os quadris de Clara com as duas mãos e começou a fodê-la de novo. Cada empurrão a lançava para a frente contra o meu corpo, e a língua dela me batia com mais força, mais fundo, a cada investida que ele dava. O que a garota não sabia fazer por experiência ele ensinava com cada golpe de quadril.

Olhei por cima dos meus seios. Ela estava com os olhos fechados, o rosto enterrado na minha buceta, as bochechas já brilhando da minha umidade. Marcos sorriu por cima do ombro enquanto a penetrava com golpes mais firmes, me encarando nos olhos.

—Enfia dois dedos nela —disse a Clara, sem parar de socá-la—. Ela gosta assim, cheia por todos os lados.

Clara obedeceu. Senti os dedos pequenos tateando de forma desajeitada, até encontrarem a entrada e se enterrarem em mim os dois de uma vez. Ela começou a movê-los no ritmo dos empurrões de Marcos contra ela, e a velocidade era marcada por ele. Eu me retorci por baixo, agarrando os lençóis, gemendo coisas que já não lembro. A língua, os dedos, a imagem dos dois juntos —ele fodendo ela enquanto ela me fodia— me levaram ao limite muito antes do que eu achei que fosse aguentar.

Gozei sobre a boca dela com um grito que já nem tentei conter. Acomodei o rosto dela contra minha boceta com as duas mãos, sentindo-a continuar sugando meu clitóris a cada espasmo, os dedos enterrados em mim, enquanto Marcos por trás aumentava o ritmo até ficar brutal, batendo nela tão forte que a cabeceira batia contra a parede.

Clara começou a tremer entre nós dois. Soltou a língua e se agarrou às minhas coxas com as mãos, gemendo com a boca colada na minha boceta, até gozar com um berro abafado, o corpo inteiro sacudindo, e arrastou Marcos com ela. Ele se inclinou sobre as costas dela, mordeu o ombro e se esvaziou dentro com um rosnado baixo, socando-a mais algumas vezes enquanto se descarregava.

Nós três formávamos um circuito fechado em que tudo o que um fazia se multiplicava nos outros dois. Clara era inexperiente, mas honesta no desejo, e isso valia mais do que qualquer técnica aprendida.

Quando Marcos finalmente tirou o pau escorregadio dela, um fio de sêmen desceu pela parte interna da coxa de Clara. Ela ficou um momento de joelhos, ofegando, com a cabeça apoiada no meu ventre. Mas nenhum de nós tinha terminado de verdade. Marcos virou Clara de barriga para cima, abriu as pernas dela de novo e enfiou o rosto entre as coxas, disposto a limpá-la com a língua e fazê-la gozar uma segunda vez. Eu me ergui um pouco para olhá-lo, ainda pulsando, e acariciei o cabelo de Clara enquanto ele a lambia.

Em algum momento, sem saber exatamente quando, me deitei de lado e fechei os olhos. O cansaço tinha se instalado nos meus ossos de repente. Os sons dos dois —o atrito do lençol, os gemidos cada vez mais soltos de Clara, os estalos da língua de Marcos contra a buceta dela— me embalaram até eu pegar no sono.

***

Fui despertada por uma sensação que levei um segundo para identificar.

Abri os olhos. O quarto estava em penumbra, com apenas a luz da rua entrando pela fresta da persiana. Clara estava inclinada sobre mim, a boca sobre meu ventre, explorando mais embaixo com uma lentidão nova. Marcos a penetrava por trás com movimentos lentos, e toda vez que ele avançava, ela soltava um som abafado que vibrava contra minha pele.

Acordei de vez quando a língua de Clara encontrou meu clitóris.

Ela já não era a garota desajeitada de antes. Tinha aprendido nas poucas horas em que havíamos dormido — ou talvez Marcos a tivesse acordado antes e estado a treinando — porque agora me chupava com uma segurança que eu não tinha visto no começo. Fechou os lábios ao redor do clitóris, sugou de leve e, ao mesmo tempo, enfiou dois dedos na minha buceta com um movimento curvo que me fez arquear as costas.

—Porra, como você aprende rápido —murmurei, agarrando o cabelo dela.

Marcos sorriu atrás dela e deu uma palmada seca em uma das nádegas dela.

—Come ela direito —disse—. Sem parar.

Clara obedeceu. Continuei guiando-a com a mão no cabelo, marcando o ritmo, afastando mais as pernas para me oferecer por inteiro. Marcos continuava a penetrá-la por trás, devagar, com investidas longas, e cada empurrão a fazia afundar um pouco mais contra minha boceta. A língua de Clara trabalhava meu clitóris com a mesma cadência com que o pau de Marcos entrava nela, os dois formando um único movimento cujo extremo final era eu.

Em algum momento, Marcos tirou o pau da buceta de Clara e contornou a cama. Aproximou-se da minha cabeça, ajoelhou-se contra os travesseiros e me trouxe o pau molhado dela aos lábios. Abri a boca sem pensar e engoli inteiro, saboreando Clara nele, salgado e doce ao mesmo tempo. Marcos agarrou meu cabelo e começou a se mover contra minha boca devagar, enquanto Clara continuava me comendo a boceta com a dedicação de uma aluna aplicada.

—Aprende —disse Marcos, olhando para ela por cima do meu ventre—. Olha como ela me chupa.

Clara ergueu a cabeça por um segundo, com os lábios brilhando de mim, e ficou olhando enquanto eu engolia o pau dele. Depois voltou a descer, mas dessa vez com mais urgência, mais rápido, lambendo e mordendo minhas coxas e voltando ao clitóris até me fazer tremer inteira.

Marcos tirou o pau da minha boca antes que a coisa fosse mais longe. Pôs-se atrás de Clara de novo, agarrou-lhe os quadris e afundou até o fundo com uma pancada que a fez gemer contra meu ventre.

—Continua —ordenou—. Come direito.

Dessa vez ele a foi fodendo com investidas profundas, sem pressa, sem compaixão, enquanto a usava para que ela me lambesse a boceta. Eu tentava aguentar, mas já estava na beira, com as coxas tremendo e os mamilos tão duros que doíam. Agarrei o rosto de Clara com as duas mãos e a pressionei contra mim, esfregando-me contra sua boca, até que o orgasmo me partiu ao meio e gozei sobre a língua dela com um grito longo que acordou metade da casa.

Enquanto eu ainda me sacudia, Marcos mudou o ritmo. Começou a socar Clara mais rápido, mais sujo, agarrando-a pelo cabelo, puxando-a para trás para que ela erguesse a face de entre minhas pernas e deixasse ver a boca cheia da minha umidade. Virou-a sem tirá-lo de dentro e a deixou deitada de barriga para cima ao meu lado, com as pernas abertas e a buceta pingando.

—Olha pra mim —disse, cravando-se até o fundo de novo—. Olha pra mim quando eu gozar dentro.

Eu peguei os seios de Clara com as duas mãos e apertei, e ela me agarrou a mão e levou dois dedos à boca, chupando-os como se fossem outro pau. Marcos gozou dentro dela com um rosnado que se apagou no travesseiro, socando-a com sacudidas cada vez mais curtas até se esvaziar por completo.

Quando tudo acabou, nós três ficamos deitados em silêncio sobre a cama revirada. Clara dormiu quase de imediato, de barriga para cima, com a respiração ritmada e um fio de sêmen escorrendo entre as coxas. Marcos demorou um pouco mais. Eu, menos.

Eu precisava de um banho.

***

Levantei com cuidado, peguei um lençol do chão, enrolei-o ao redor do corpo e saí silenciosamente para o corredor.

Rodrigo estava ali.

Apoiado na parede do corredor, com a gravata desfeita e os olhos turvos de álcool. Quando me viu, endireitou-se devagar.

—Eu estava te esperando —disse.

—Rodrigo, está tarde. Chama um táxi.

Ele me pegou pelo braço antes que eu pudesse escapar. O aperto era mais forte do que eu esperava.

—Você me deixou na mão a noite toda. —O tom dele tinha mudado. Já não era a paquera habitual, era outra coisa—. Vamos terminar o que você começou.

—Me solta.

—Sofia —

—Me solta agora.

Ele me empurrou contra a parede. O corpo dele bloqueava o corredor. Com um puxão, arrancou o lençol de mim.

Gritei.

Não calculei nada. Simplesmente gritei com toda a força que pude.

Do quarto veio o barulho de alguém se levantando de repente. A porta se abriu. Marcos apareceu no corredor, sem camisa, completamente acordado apesar de um minuto antes estar dormindo. Viu a cena e não fez perguntas.

Agarrou Rodrigo pelo ombro, afastou-o de mim com uma força que o fez cambalear e aplicou uma chave de braço que o obrigou a se curvar e soltar um gemido de dor.

—Fora —disse, com uma calma que era mais intimidadora do que qualquer grito.

Levou-o até um quarto no fundo, empurrou-o para dentro e fechou a porta com trinco. Depois voltou para mim.

—Você está bem?

Assenti. Não era totalmente verdade, mas a alternativa era sentar no chão do corredor, e eu não queria fazer isso.

***

A porta do quarto principal se abriu naquele momento. Valentina apareceu no batente, envolta em um robe de seda creme que não fazia o menor esforço para se fechar. Os seios despontavam na abertura, os mamilos marcados contra a seda. Tinha o cabelo desalinhado e os olhos claros de quem dormiu o suficiente.

Ela olhou para Marcos. Me olhou. Avaliou a situação em um segundo.

Contei a ela sobre Rodrigo em poucas palavras. A expressão dela passou do humor para algo mais sério e depois para uma resolução tranquila.

—Amanhã eu mesma o acompanho até a porta —disse—. Com a conta dos danos incluída.

Depois os olhos dela voltaram para Marcos. Um olhar diferente. Um que eu reconhecia porque se parecia muito com o que eu lançava a ele quando queria alguma coisa.

—Olha —disse, deixando o robe abrir mais um pouco—. Acho que você me deve um presente de aniversário que ainda não me deu.

Marcos me olhou. Sustentei o olhar por um segundo, sabendo exatamente o que ela estava pedindo — que ele a fodesse, ali, sem rodeios — e sabendo exatamente que eu ia dizer sim.

—Vou tomar banho —disse—. Leve o tempo que precisar.

Tranquei-me no banheiro.

***

Debaixo da água quente, o cansaço do corpo caiu sobre mim de uma vez. Fiquei parada por muito tempo, em pé sob o jato, deixando o vapor preencher o espaço e o calor desfazer meus músculos um por um.

Ouvi os gemidos de Valentina através da parede. Diferentes dos de Clara. Mais graves, mais roucos, mais seguros, mais diretos. Os gemidos de uma mulher que sabe exatamente o que quer e não precisa que ninguém lhe ensine. Ouvi a voz dela pedir coisas concretas a Marcos — «assim, porra, até o fundo», «me come a bunda, presente de aniversário, vamos» — e ouvi a cabeceira bater ritmicamente contra a parede do banheiro, a mesma cabeceira que pouco antes tinha batido comigo dormindo no quarto ao lado.

Sentei no chão do box, deixei a água cair sobre meus ombros e me permiti estar exausta sem pensar em mais nada. Sem pensar em por que minha buceta começava a pulsar de novo ao ouvir meu marido fodendo outra mulher do outro lado da parede.

Quando saí, enrolada numa toalha, a casa estava em silêncio.

Clara já não estava mais lá. O quarto do fundo tinha os lençóis revirados, mas estava vazio. Ela tinha deixado o avental dobrado sobre a cadeira ao lado da porta, com uma ordem cuidadosa que me disse mais sobre ela do que qualquer coisa que tivesse dito a noite inteira. Perguntei-me se ela estaria bem enquanto voltava para casa sozinha naquela manhã nascente. Disse a mim mesma que sim.

Marcos me esperava no corredor, já vestido, com minha bolsa na mão.

—Valentina pegou no sono —disse—. Ela nos deixa a casa.

Saímos sem fazer barulho.

Lá fora, a cidade tinha aquele tom azul-acinzentado que precede o sol. O ar cheirava a terra úmida e asfalto frio. Caminhamos até o carro sem falar. Não havia nada a explicar nem nada a justificar. Havíamos atravessado aquela noite juntos, da sebe do jardim ao corredor iluminado onde tudo saiu do eixo e depois voltou a se compor. E agora voltávamos para casa, os dois, como sempre voltávamos.

No banco do passageiro, me recostei no ombro dele. Ele apertou minha mão sem dizer nada e arrancou.

Adormeci antes de chegarmos.

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