Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

Como terminamos com um serviçal submisso em casa

Eu estava com a Valeria havia cinco anos e continuava me sentindo tão sortudo quanto no primeiro dia. Meu nome é Marcos, tenho trinta e quatro anos, trabalho como designer gráfico de casa e levo uma vida que, de fora, parece perfeitamente ordinária. O segredo é que Valeria e eu somos daquele tipo de casal que fala de tudo. Sem filtros, sem vergonha. Nós dois somos bissexuais, e isso abriu desde o começo um canal de honestidade que poucos casais se permitem.

Valeria é alta, tem o cabelo curto tingido de loiro platinado e um jeito de olhar que pode ser caloroso ou intimidador, dependendo do que ela decidir. É enfermeira, trabalha turnos longos e, quando chega em casa, muitas vezes não tem energia nem para conversar. Isso explica em parte o fato de que o apartamento já estivesse há semanas acumulando bagunça sem que nenhum de nós fizesse grande coisa a respeito.

A conversa começou num domingo à tarde. Eu estava no sofá com o notebook no colo, e ela chegou do plantão com uma sacola de comida tailandesa na mão e aquela expressão de quem tem algo a dizer, mas prefere comer primeiro.

— Marcos — disse, depois da primeira colherada —, a gente precisa contratar alguém para a casa.

— Uma faxineira — eu disse.

— Uma faxineira, sim. Duas vezes por semana, no mínimo.

Não discuti. Era óbvio. O pó nas prateleiras, a cozinha sem uma limpeza profunda havia semanas, o banheiro já começando a sofrer com o abandono. Tínhamos renda para bancar isso e não o fizemos por pura inércia.

— Eu procuro esta semana — disse.

Ela assentiu, comeu mais algumas colheradas e então me olhou com aquela expressão particular. A que indica que tem mais alguma coisa.

— Ou...? — eu disse.

— Eu estava pensando.

— Em quê?

Ela se recostou no sofá e cruzou os pés sobre a mesinha, como se fosse fazer um rodeio antes de chegar ao ponto.

— Em uma coisa que você me contou faz tempo. Sobre os submissos que você conhecia antes. Aqueles que tinham fantasias muito específicas, não só submissão de fim de semana.

Eu a encarei, acompanhando o raciocínio.

— Os que queriam ser serviçais? — eu disse.

— Exatamente. Serviçais de verdade. Com tarefas, com uniforme, com um papel fixo. Não como jogo ocasional, mas como algo mais contínuo.

Senti a ideia começar a tomar forma na conversa. Não era a primeira vez que falávamos disso em abstrato, mas era a primeira vez que ligávamos isso a algo concreto: a necessidade real de uma pessoa para limpar a casa.

— Existem comunidades para isso — eu disse —. Gente que busca exatamente essa dinâmica. Homens que querem estar a serviço de um casal, com tudo o que isso implica. As tarefas domésticas fazem parte do acordo, não são metáfora.

— E o resto do acordo? — ela perguntou, calma.

— Disponibilidade. Boca, cu, mãos, o que nos vier à cabeça pedir. Um serviçal que também seja um brinquedo. Sem limites frouxos.

Valeria bebeu um pouco de água. Me olhou fixamente, e vi o olhar dela escurecer daquele jeito que eu conheço tão bem.

— Vamos pôr um anúncio — disse.

***

Nos dias seguintes, a ideia foi crescendo nas nossas conversas. Não de forma obsessiva, mas daquele jeito em que projetos interessantes vão ganhando detalhes à medida que você pensa mais neles.

Uma noite, enquanto nos preparávamos para dormir, Valeria disse do banheiro:

— Ele tem que usar uniforme.

— Avental? — perguntei.

Ela saiu com a escova de dentes na mão e negou com a cabeça.

— Um vestido de criada. Preto, de renda, curto. Quero que, toda vez que ele se abaixar, a bunda fique inteira à mostra, e ele se lembre por que está ali.

Segui o raciocínio dela sem interrompê-la.

— E ele tem que ser bissexual — continuou —. Que deseje nós dois por igual. Que fique duro quando eu enfio os dedos e também quando você enfia a pica nele por trás. Não alguém que tolere a situação, mas alguém que queira isso de verdade.

Também falamos da gaiola de castidade. Era uma extensão da lógica de controle total: a excitação dele em nossas mãos, literalmente. Um lembrete físico permanente de que a pica dele tinha uma função que não incluía o próprio prazer imediato. Nem uma punheta sozinho, nem uma gozada sem permissão.

O anúncio que redigimos foi específico e direto. Procurávamos um homem, de vinte a trinta e cinco anos, bissexual, interessado numa dinâmica de serviço doméstico e sexual com um casal. Compensação financeira pelas horas de limpeza. Uniforme fornecido. Discrição total. Sem gravações de nenhum tipo.

As respostas chegaram em menos de quarenta e oito horas. Na primeira semana já tínhamos descartado a maioria sem sequer falar. Na segunda fizemos videochamadas com quatro pessoas. Dois não nos convenceram. Um terceiro parecia adequado até começar a fazer perguntas que revelavam que buscava algo completamente diferente.

O quarto era Adrián.

***

Adrián tinha vinte e sete anos, cabelo castanho-escuro, olhos daquele azul acinzentado que muda com a luz. Na videochamada falou pouco, mas com precisão. Há muito tempo estava procurando exatamente isso. Não queria uma encenação de uma tarde, mas um acordo real com pessoas reais. Quando perguntamos sobre limites, ele os enumerou sem hesitar, o que nos disse mais do que as próprias palavras: alguém que se conhece bem não improvisa essa lista. Engolia, deixava dar o cu sem camisinha se o casal fosse limpo, chupava buceta até mandarem parar.

Marcamos para uma terça-feira de manhã.

Ele chegou pontual. Tocou a campainha às dez em ponto. Quando abri a porta, usava jeans escuros, uma camiseta cinza lisa e tênis. Sem bolsa, sem celular, sem nada além da roupa que vestia, exatamente como havíamos combinado.

Levei-o para a sala. Valeria estava de pé ao lado da estante, de braços cruzados e com aquela expressão que eu conheço bem: a de quando observa antes de decidir.

— Obrigado por vir — eu disse —. Senta.

Ele se sentou na beirada do sofá. Tinha as mãos sobre os joelhos e as costas retas. Não estava exatamente com medo, mas muito consciente de cada detalhe da sala, de nós, do que estava prestes a começar.

Valeria se aproximou devagar e começou a andar em círculos ao redor dele, sem tocá-lo, sem dizer nada ainda. Adrián continuou olhando para a frente.

— Como combinado — disse ela por fim —, as horas de limpeza têm compensação financeira. O resto é um acordo entre pessoas que escolheram estar aqui voluntariamente. Se a qualquer momento quiser parar, você diz. Sem consequências.

— Eu entendo — disse Adrián —. E quero isso. Tenho certeza.

Valeria me olhou. Assenti.

Fui buscar o uniforme. Estava dobrado sobre a cadeira que havíamos preparado no corredor: o vestido preto de renda, as meias de nylon, a cinta-liga. Levei tudo para a sala e deixei sobre a mesa, diante dele.

— Esta é a sua roupa de trabalho — eu disse —. Você veste aqui, agora mesmo.

Adrián estendeu a mão e pegou o vestido. Segurou-o por um momento, olhando. Passou os dedos pelo tecido devagar.

— Tem uma coisa — disse, sem ainda se levantar.

— Diga — disse Valeria.

— A gaiola. Eu não posso usar.

Um breve silêncio tomou a sala. Eu o encarei.

— Explique.

Ele continuava olhando para o vestido entre as mãos. O tom era calmo, sem drama.

— Dói muito. E estando com vocês dois... eu não vou conseguir evitar que fique duro o tempo todo. A pressão física dentro da gaiola seria insuportável. Já tentei antes. Não funciona para mim.

Era uma admissão honesta. Não uma desculpa, não uma negociação tática. Ele disse isso olhando para o tecido preto entre os dedos, não para nós, como se estivesse confessando mais do que explicando. Valeria me olhou por cima da cabeça dele. Li a expressão dela em menos de um segundo.

— Sem gaiola — eu disse —. Mas o resto não muda. Sua pica é nossa, não sua. Você não se toca, não goza sem permissão. Se ficar duro enquanto lava o chão, fica duro até decidirmos o que fazer com isso. Aceita?

— Sim — disse ele, com uma firmeza que eu não esperava —. Todo o resto, sim.

— Então se veste.

Ele se levantou. Tirou a camiseta primeiro, dobrando-a com cuidado antes de deixá-la sobre o sofá. Depois o jeans e, por último, a cueca. Ficou em pé, nu no centro da sala, e ficou evidente de imediato que ele não havia exagerado ao falar do quanto lhe custaria o controle. Já estava com a pica meio dura, grossa, com a ponta rosada aparecendo sob o prepúcio retraído, pendendo entre as coxas com um peso que aumentava a cada segundo dos nossos olhares. Um rastro de brilho úmido aparecia na glande. Os testículos, apertados, subidos contra o corpo. Valeria não desviou o olhar. Eu também não. Ela se aproximou, estendeu a mão e envolveu a pica dele com os dedos, apertando uma única vez, avaliando o peso e a grossura como quem pesa uma fruta antes de comprar. Adrián soltou o ar pelo nariz. A pica dele pulou na mão dela e cresceu mais alguns centímetros.

— Bonita — murmurou Valeria —. Muito bonita. E já é muito nossa.

Ela o soltou. Adrián pegou as meias e começou a vesti-las com lentidão, puxando-as do pé até a coxa. Ajustou a cinta com cuidado. Depois tirou o vestido de renda e passou-o pela cabeça. O tecido preto caiu sobre o corpo dele e se ajustou de um jeito que não tínhamos calculado totalmente quando o escolhemos: marcava mais do que deveria, deixava adivinhar a linha dos quadris, e os mamilos se destacavam sob o tecido fino. A saia ficava no meio da coxa, justa. A pica, agora completamente dura, levantava a frente do vestido de forma obscena, desenhando um volume que nenhum tecido ia conseguir disfarçar.

Ele ficou em pé, com os braços ao lado do corpo e o olhar baixo, esperando.

— Assim — disse Valeria, em voz muito baixa —. Exatamente assim.

Ela se aproximou outra vez. Passou a mão por baixo da saia, subindo pelo nylon das meias, pela borda da cinta, até chegar à pica nua. Agarrou-a de novo, desta vez com firmeza, e começou a masturbá-lo devagar, com a palma bem sob a glande. Adrián apertou os lábios. Um fio de líquido pré-ejaculatório começou a escorrer entre os dedos dela.

— Ajoelha — ela disse.

Ele obedeceu. A saia do vestido se abriu sobre os joelhos. Valeria ergueu a própria saia até a cintura, puxou a calcinha de uma vez, sentou-se no braço do sofá com as pernas abertas e colocou a mão na nuca dele.

— Você vai chupar minha buceta até eu mandar parar. E, se gozar sem permissão, você nunca mais entra nesta casa.

— Sim, ama.

Adrián enterrou o rosto entre as coxas de Valeria. Eu me aproximei por trás. Vi ele trabalhar com a língua de cima: passadas longas e planas no clitóris, depois círculos lentos, depois sucção suave. Valeria jogou a cabeça para trás e soltou um gemido rouco. Agarrou o cabelo dele com as duas mãos e empurrou o rosto mais para dentro.

— Mais fundo. A língua toda. Isso, assim, mais forte.

Eu me ajoelhei atrás de Adrián. Ergui a saia do vestido até a cintura. A bunda dele estava inteira à mostra entre a barra das meias e o tecido preto erguido, branca, firme, a pica dura pendendo entre as pernas, já escorrendo sobre o tapete. Separei as nádegas com os polegares. O olho do cu estava limpo, rosado, apertado. Cuspi em cima. Cuspi de novo. Baixei o zíper, tirei a pica, passei nela a saliva e o pré-gozo que eu estava soltando e apoiei a ponta no buraco.

— Preparada, serviçal?

— Sim, senhor — disse ele, com a boca ainda colada na buceta de Valeria.

Empurrei. O cu dele se abriu devagar, com aquela resistência inicial que depois cede de uma vez, e engoliu a cabeça da pica. Adrián soltou um gemido abafado contra o sexo de Valeria, que reagiu apertando a cabeça dele com mais força. Empurrei mais, um dedo de cada vez, até entrar até a base. Adrián estava quente, apertado, tremendo inteiro sobre as meias esticadas. Dei uma palmada seca na bunda dele.

— Continua chupando. Não para.

Comecei a fodê-lo com estocadas longas, tirando quase tudo e voltando a entrar até o fundo. Cada empurrão meu fazia o rosto dele ir contra Valeria, e ela respondia retorcendo os quadris contra a boca dele. Nos sincronizamos sem falar. Eu entrava, ela suspirava; ela puxava, ele lambia; eu saía, ele respirava. A pica de Adrián balançava entre as coxas a cada investida, dura e pingando, sem que ninguém tocasse nela. Esse era o acordo.

— Vou gozar — disse Valeria de repente, com a voz apertada —. Vou gozar na boca dele, porra, vou gozar agora.

Ela cravou os calcanhares nas costas dele e apertou a cabeça dele contra o sexo com as duas mãos, e gozou com um espasmo longo que sacudiu as coxas. Adrián não separou a boca. Engoliu tudo. Quando Valeria finalmente o soltou, ele estava com o rosto encharcado, o queixo brilhando, o cabelo bagunçado.

Eu continuei fodendo-o. Segurei os quadris dele com as duas mãos e acelerei. O som das minhas coxas batendo contra a bunda dele encheu a sala. Adrián começou a gemer sem controle, com a testa apoiada na coxa de Valeria, e a pica dele, dura e abandonada, escorria num fio constante sobre o tapete sem que ele a tocasse.

— Por favor — ele ofegou —. Por favor, senhor, eu não aguento...

— Você não goza — eu disse —. Nem uma gota.

— Não, senhor.

Empurrei mais forte, três, quatro vezes, e me esvaziei dentro dele com um grunhido rouco. Senti cada pulsação da gozada bombeando no cu dele. Adrián se contraiu, me apertando, ordenhando-me sem perceber. Quando tirei a pica, um fio branco de sêmen escorreu pela parte interna da coxa dele e manchou a borda da meia preta.

Valeria se abaixou. Passou o dedo pelo rastro, recolheu e levou o dedo à boca de Adrián.

— Chupa. Engole.

Ele chupou. Engoliu. A pica dele continuava dura, vermelha, pulsando entre as coxas, sem ter gozado. As pernas dele tremiam.

— Agora você vai para a cozinha — eu disse, enquanto guardava a pica e subia o zíper —. E limpa. Com essa pica dura, com minha gozada escorrendo pelo seu cu, e sem se tocar nem uma vez. Quando terminar, avisa.

— Sim, senhor.

Ele se levantou devagar. O vestido voltou a cair no meio da coxa. Arrumou a saia com as mãos, respirou fundo e esperou ordens.

***

Eu lhe apontei a cozinha.

— Por aí você começa. Pia, bancada, fogão. Quero tudo brilhando.

— E uma regra — acrescentou Valeria —: cada cômodo que você entrar para limpar, abaixa a persiana. Queremos privacidade.

— Sim, ama.

Ele disse isso sem ênfase especial, como se a palavra lhe fosse completamente natural. Virou-se e caminhou para a cozinha. A cada passo, a saia do vestido se movia o bastante para mostrar a borda superior da cinta preta contra o nylon brilhante das meias, e também o brilho úmido do sêmen escorrendo pela parte interna da coxa. Ele parou no umbral, puxou a cordinha da persiana, e o tecido desceu com um sussurro suave. Um instante depois, ouvimos a torneira.

Valeria se aproximou de mim sem pressa. Pôs uma mão no meu peito e me olhou. Ainda tinha a buceta brilhante sob a saia meio erguida.

— O que você acha?

— Que vai funcionar — eu disse.

Sentamos no sofá. Da cozinha vinham os sons dos pratos sendo lavados, o esfregar da esponja na bancada, a água caindo. Sons totalmente domésticos que, naquele momento, carregavam um peso diferente. Sabíamos o que havia do outro lado daquela porta: um homem de vinte e sete anos, vestido de renda preta, com a pica dura sem descanso e a bunda cheia do meu sêmen, limpando a nossa casa porque escolheu isso. Porque era exatamente o que queria.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, só ouvindo. Valeria enfiou a mão na minha calça sem me olhar e começou a me acariciar, distraída, como quem brinca com algo que lhe pertence. Em poucos minutos, minha pica endureceu outra vez.

— Quando ele entra? — perguntou Valeria.

— Quando terminar a cozinha.

Ela assentiu. Se recostou no sofá e fechou os olhos por um momento. Não dormia. Escutava. A mão continuava na minha pica, subindo e descendo com preguiça.

O barulho da água cessou quarenta minutos depois. Houve uma pausa e, em seguida, passos se aproximando. Adrián abriu a porta da sala com cuidado e ficou no umbral. A frente do vestido ainda estava levantada pela ereção dele, e o tecido preto tinha uma mancha escura no ponto onde a glande tinha ficado pingando sem parar durante toda a limpeza.

— A cozinha está pronta — disse ele.

Valeria abriu os olhos.

— Mostre para nós.

Fomos atrás dele até lá. A bancada brilhava sob a luz do teto. A pia estava vazia e seca, sem uma única mancha no aço. Os azulejos sobre o fogão, reluzentes.

— Muito bem feito — disse Valeria.

Adrián baixou levemente a cabeça.

— Obrigado, ama.

Valeria o empurrou de costas contra a bancada recém-lavada. Ergueu a saia do vestido num puxão. A pica dele saltou, dura, vermelha, com a glande encharcada, pulsando visivelmente. Ela se abaixou sem dizer nada, colocou-a na boca até o fundo e agarrou os testículos dele com a outra mão. Adrián soltou um gemido agudo e se agarrou à borda da bancada. Valeria o chupou devagar, com calma, tirando tudo e engolindo de novo até a base. Adrián começou a tremer. A respiração dele falhou.

— Por favor, por favor, por favor — repetia, como se rezasse.

Valeria tirou a pica dele da boca com um som úmido e apertou a base com dois dedos.

— Não.

Ela deu um beijo pequeno e zombeteiro na ponta. Levantou-se, limpou os lábios com o dorso da mão e se virou para mim.

— O banheiro agora — eu disse —. Depois o corredor. Quando terminar tudo, você bate na porta da sala e espera do lado de fora até a gente chamar.

— Sim — disse Adrián, com a voz ainda trêmula.

Ele voltou para o corredor com a pica intacta, dura a ponto de doer, empurrando a renda para cima. Ouvimos a persiana do banheiro descer com aquele som característico, e depois o jato do chuveiro e o esfregar da escova nos azulejos. Valeria e eu voltamos para o sofá.

Nessa tarde, enquanto Adrián limpava o apartamento de cima a baixo, o tempo passou de um jeito que eu não sei descrever direito. Lento, mas não desconfortável. Tínhamos consciência de cada ruído que ele fazia, de quando se movia de um cômodo a outro, de quando baixava uma persiana e quando a recolhia ao terminar. Às vezes nós dois nos calávamos quando o ouvíamos se aproximar, sem que nenhum tivesse dado sinal ao outro. Em algum momento Valeria montou em mim, sem tirar a roupa, e cavalgaram em mim devagar, com a boca colada ao meu ouvido, sussurrando o que faríamos na próxima visita: como iríamos amarrá-lo de bruços sobre a mesa de jantar, como ele ia chupar a pica dela enquanto eu o fodia, como íamos fazê-lo beber a própria gozada de um copo depois de dias guardando-a. Gozamos assim, em silêncio, mordendo os ombros um do outro para não fazer barulho, enquanto do outro lado da parede Adrián esfregava azulejos com a pica dura e a bunda encharcada. O apartamento tinha um cheiro diferente no fim da tarde: de limpo, de sabão, de suor, de sêmen, de alguma coisa indefinida que mesmo assim estava ali.

Quando ele bateu na porta da sala, eram duas e quinze.

— Entre — disse Valeria.

Ele entrou. Ainda estava com o vestido, as meias, a cinta-liga, tudo exatamente no lugar. Tinha uma pequena mancha de umidade no ombro direito, do spray de limpeza do banheiro, suponho. A frente do vestido estava visivelmente encharcada. Olhou para nós dois, alternando o olhar entre Valeria e eu. A pica dele não tinha baixado nem uma vez.

— Terminei o banheiro e o corredor — disse —. A sala deixo para quando mandarem.

— A sala pode esperar até quinta-feira — eu disse.

Uma pequena pausa.

— Quinta-feira? — repetiu.

— Às dez — disse Valeria —. Como hoje.

— Estarei aqui.

— Mais uma coisa — disse Valeria, e se aproximou dele. Agarrou a pica dele por cima do vestido, apertando-a através da renda encharcada —. Isso continua sendo nosso. Até quinta-feira, você não se toca. Nem no chuveiro, nem na cama, nem quando pensar no que acabou de acontecer. Entendeu?

— Entendi, ama.

— E na quinta você entra pela porta com isso exatamente tão duro e guardado quanto está agora. E, se você gozar na roupa antes de chegar, também não entra. Entendido?

— Entendido.

Mandamos que ele se trocasse. Ele tirou o vestido com a mesma calma com que o tinha vestido, dobrou tudo com cuidado sobre a cadeira e colocou a roupa de rua. A pica, ainda dura, marcava-se obscenamente contra o jeans enquanto ele fechava o zíper com dificuldade. Quando foi embora, fechou a porta do apartamento sem fazer barulho.

Naquela noite, Valeria e eu ficamos um tempo na sala sem ligar a televisão. Não havia necessidade de falar sobre o que tinha acontecido porque não havia nada que precisasse ser explicado entre nós. Estava tudo ali, no cheiro do chão recém-lavado, no silêncio da cozinha limpa, na lembrança dos passos dele quando caminhava para a porta com a saia se movendo junto ao corpo, na mancha ainda úmida da minha gozada no tapete que nenhum de nós se deu ao trabalho de limpar.

Há fantasias que funcionam melhor no território da imaginação porque a realidade sempre as deforma de algum modo. Esta não foi assim. Esta, quando se tornou real, foi exatamente o que havíamos imaginado. E a quinta-feira ainda estava por vir.

Ver todos os contos de Confissões

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.