Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

Cruzei a cidade inteira só para vê-lo uma vez

4.7(3)

Durante todo o trajeto, minha cabeça não parou de trabalhar contra mim. Eu repetia a mesma coisa de novo e de novo, como quem relê um contrato que sabe que não deveria assinar, mas assina mesmo assim: O que você acha que vai conseguir? Você realmente pensou que isso fazia algum sentido? Vinte e dois anos, último ano da universidade, e ali estava eu, atravessando bairros que não conhecia à noite, com o mesmo vestido que tinha vestido naquela manhã para ir às aulas e meia garrafa de vinho por cima.

O senhor Herrera era o pai de Valentina. Minha melhor amiga desde os quinze anos. Um homem de quarenta e quatro anos que falava pouco e ouvia muito, que tinha uma biblioteca inteira no escritório e o hábito de fazer café às dez da noite. Eu estava apaixonada por ele havia mais tempo do que me atrevia a admitir, e naquela noite, por razões que o vinho tinha tornado irrefutáveis, decidi que não podia continuar sem lhe dizer. Toda vez que eu pensava nele, meu sexo se apertava sob a calcinha, e fazia meses que eu me masturbava imaginando o pau dele entrando em mim sobre aquela mesa do escritório, com os livros tremendo nas estantes.

As bordas dos meus sapatos já tinham ferido meus calcanhares quando cheguei ao cruzamento da avenida principal. Eu sentia a pele aberta, a ardência se transformando em algo mais agudo a cada passo. Eu poderia ter parado. Poderia ter pedido um táxi, ou chamado alguém, ou simplesmente dado meia-volta. Mas tinha gravada na cabeça uma imagem concreta — o rosto dele, os olhos dele me olhando enquanto escutava — e essa imagem era suficiente para eu continuar.

O vinho tinha desacelerado minha percepção. Quando algo passava diante dos meus olhos, eu demorava um segundo a mais para processar. Levantei a mão para ver as horas no celular e a mão deixou um rastro atrás. Era mais de uma da manhã. Eu já caminhava havia mais de quarenta minutos e ainda me faltava outro tanto.

Ao longe, alguém assobiou de uma entrada escura. Depois outro assobio, mais perto. Apressei o passo com os olhos fixos na calçada, repetindo o nome dele em silêncio como se isso bastasse para me proteger de todo o resto em que eu preferia não pensar.

Quatro anos de sentimentos contidos e uma noite de vinho tinham convergido naquela decisão que não era razoável, mas também não era completamente irracional. Eu já tinha tentado antes — afastar tudo aquilo da minha cabeça, me convencer de que era uma fantasia que tinha sobrevivido mais do que devia — e não tinha funcionado. Naquela noite eu precisava de uma resposta da própria boca dele. Uma resposta real, não as que eu inventava sozinha nos momentos de insônia, com dois dedos metidos no sexo e o travesseiro mordido para que minha colega de apartamento não me ouvisse gozar pensando nele.

A guarita do condomínio tinha um segurança de meia-idade com cara de quem tinha visto coisas demais naquela semana. Ele me mediu dos pés à cabeça — o vestido amassado, os sapatos, a hora — com uma expressão que misturava desconfiança e algo que poderia ser pena.

—A quem você procura? — perguntou.

—O senhor Herrera. Rodrigo Herrera. Bloco D, apartamento dois.

—Tem autorização de entrada?

Abri a boca. Não tinha nada. Nenhuma desculpa preparada, nenhum nome que eu pudesse invocar para me deixarem entrar. O segurança pegou o rádio. Aproveitei o segundo de distração para me afastar da guarita antes que ele me impedisse.

Fiquei parada na calçada do outro lado, olhando a grade. Dois metros e meio de altura, talvez três. Mas na lateral havia um painel de madeira para trepadeiras, fixado à grade como uma escada acidental. Da rua não dava para ver direito. De perto, era quase um presente.

Tirei os sapatos. Enfiei-os na bolsa.

Comecei a subir.

Minhas mãos encontravam apoio entre as ripas enquanto meus pés buscavam firmeza. O vestido enroscou duas vezes; puxei sem cuidado e ouvi o tecido ceder em algum ponto da costura. Quando cheguei ao topo, vi a câmera de segurança apontada direto para a minha cara e, um segundo depois, ouvi a voz do segurança pelo alto-falante.

—Desça imediatamente!

Fechei os olhos.

Pulei.

Do outro lado havia um arbusto que de cima parecia macio. Não era. Caí de lado, os galhos arranharam meus braços e meu pescoço, e vários espinhos se cravaram na minha coxa direita com uma precisão que me arrancou um som entre gemido e praga. A pancada no cóccix foi a pior parte.

Não havia tempo. Os passos do segurança se aproximavam pela esquerda. Levantei como pude, com a coxa pulsando de dor, e corri. Cruzei um jardim interno, desviei por pouco de uma fonte de pedra, tropecei num meio-fio e caí de joelhos sobre os paralelepípedos. Levantei. Continuei. As luzes com sensor de movimento acendiam à minha passagem como um desfile involuntário. Da janela do segundo andar, alguém gritou alguma coisa que eu não entendi.

Quando finalmente encontrei a porta do bloco D e o número dois gravado em latão, apertei a campainha sem parar. Uma vez. Duas. Cinco. Dez. Enquanto esperava, eu suplicava em silêncio a alguma versão da sorte que restasse no mundo para que ele abrisse antes que me pegassem.

A mão do segurança se fechou em torno do meu antebraço como uma armadilha.

—Venha comigo agora mesmo!

—Um momento —suplei—. Só um momento, por favor.

Puxei. Ele puxou mais forte. Meus pés descalços arrastavam nos paralelepípedos enquanto eu resistia com o peso de todo o meu corpo, os olhos cravados naquela porta que não terminava de abrir.

E então a porta se abriu.

Mas não era ele.

Uma mulher de uns quarenta anos — linda, com o cabelo escuro solto e um vestido de alças — me olhou do batente. Sua expressão passou da surpresa para algo que eu reconheci imediatamente como repulsa. Olhei o número acima da porta. Dois. Bloco D. O endereço estava certo.

Deixei de resistir.

***

Dois policiais esperavam na entrada do condomínio quando o segurança me levou para fora. Me colocaram no banco de trás da viatura. Lá fora, vários vizinhos de pijama observavam da calçada. Uma senhora idosa sussurrava alguma coisa para o marido enquanto apontavam na minha direção. O vidro da janela me devolvia uma imagem que eu não queria reconhecer como minha: o vestido rasgado em dois lugares, sangue escuro nas pernas, os olhos vermelhos.

O condomínio inteiro estava acordado por minha culpa. Luzes acesas nas janelas, portas entreabertas, sombras atrás das cortinas. Minha entrada tinha sido, por assim dizer, notável.

Eu o vi no meio das pessoas. Vinha a passos rápidos, abrindo caminho entre os vizinhos com aquele jeito de se mover que sempre me pareceu dividir o espaço antes mesmo de ele chegar. Ele falou com os policiais. Um dos agentes abriu a porta do carro e se abaixou na minha direção com cara fechada.

—Você conhece esse senhor?

Assenti.

—Veio visitá-lo?

Assenti de novo.

O agente segurou meu olhar por alguns segundos. Do lado de fora, Rodrigo dizia alguma coisa que eu não conseguia ouvir através do vidro.

—Desça —disse o policial por fim—. E agradeça.

Rodrigo Herrera pôs uma mão na minha nuca — firme, sem palavras — e me guiou de volta entre os vizinhos que ainda não tinham terminado de nos encarar. Caminhei com a cabeça baixa, olhando o chão de paralelepípedos que meus pés descalços já conheciam de memória.

***

Quando chegamos ao apartamento, a mulher do vestido de alças estava recolhendo a bolsa do sofá.

—Rodrigo, isso já é demais — disse sem olhar para mim.

—Ela é amiga da Valentina — respondeu ele com a mesma calma de sempre.

—Não me importa quem ela é. Hoje à noite era para…

—Eu sei.

—Então manda ela embora. Liga para os pais dela. Isso não é problema seu.

—A situação familiar dela é complicada — disse ele—. Não posso fazer isso.

Rebeca me olhou por cima do ombro com uma expressão que não precisava de palavras. Depois pegou o casaco na cadeira e foi até a porta.

—Como quiser — disse.

O bater da porta ecoou por todo o apartamento.

Rodrigo não se mexeu por alguns segundos. Depois soltou o ar devagar e foi até o armário do corredor. Ouvi ele abrir e fechar uma gaveta. Quando voltou, trazia o kit de primeiros socorros e já segurava as luvas de látex na mão.

—Tire as meias —disse—. E sente-se.

***

Ele vestiu as luvas com a eficiência mecânica de quem está acostumado a resolver problemas sem dramatizar. Pegou minha perna direita com as duas mãos e começou a examiná-la desde o tornozelo, subindo com calma. Ele franzia a testa sempre que encontrava algo de que não gostava. Não falou durante vários minutos. Apenas trabalhou.

—Deite-se de costas.

Deitei no sofá. Ele se sentou aos meus pés e começou a limpar cada ferida com uma gaze úmida, cobrindo-a depois com um curativo. Eu mantinha o vestido apertado entre as coxas, os olhos no teto, controlando a respiração, porque toda vez que os dedos enluvados dele subiam mais um centímetro pela minha coxa, meu sexo ficava mais molhado e eu sentia a calcinha encharcando contra o couro do sofá.

—Agora vai me dizer o que estava pensando? — perguntou sem tirar os olhos do trabalho.

Não respondi.

—Vire-se.

Virei de bruços. As feridas na parte de trás das coxas eram mais profundas. As mãos dele subiam centímetro por centímetro, meticulosas. A posição era ridícula — eu de bruços no sofá dele, ele limpando algo que eu tinha arranjado com todo o esforço — e ainda assim eu não queria que aquilo terminasse. Eu sentia o vestido subido até a metade da bunda, e sabia que ele via minha calcinha, sabia que via que estava molhada, e essa certeza apertava meu estômago com algo que já não era vergonha.

—Tem mais alguma coisa lá em cima? — perguntou quando chegou ao limite do que a decência permitia.

—Não sei —menti, embora sentisse claramente a pontada na nádega direita.

—Toque e me diga se dói.

Obedeci. Doía. Mas minha boca não conseguiu dizer isso.

—Deixa eu ver.

Ele levantou a barra do vestido com a mesma naturalidade com que se lida com qualquer coisa prática. Soltou uma exclamação curta.

—Sim, ainda tem um espinho aí. E você está com um hematoma sério na parte de baixo das costas. —Pausa—. O que você bebeu?

—Vinho.

—Quanto?

—Demais.

Ele terminou de me cuidar em silêncio. Quando se levantou para se desfazer das luvas usadas, eu me sentei no sofá com o vestido no lugar e os olhos no assoalho de madeira. Ouvi a água da torneira, os passos dele voltando. Ele se sentou na poltrona em frente a mim. Cruzou os braços.

—Fale.

***

Eu devia ter inventado alguma coisa. Uma briga com minha colega de apartamento. Uma crise razoável. Qualquer coisa que soasse melhor do que a verdade às três da manhã. Mas a noite, o vinho e tudo o que eu tinha feito para chegar até ali tinham desfeito qualquer capacidade de construir uma mentira apresentável.

—Eu precisava te ver —disse.

—Isso eu já sei. Por quê?

—Porque, se eu esperasse até o dia seguinte, não faria isso.

Rodrigo ficou em silêncio.

—E o que era que você precisava fazer?

Ergui os olhos. Era a primeira vez que eu o encarava diretamente desde que tínhamos entrado no apartamento. Ele tinha olheiras. O cabelo um pouco desalinhado. O mesmo rosto que eu havia revisado mentalmente centenas de vezes, que conhecia de cor desde anos antes de entender por que me importava tanto.

—Dizer que faz tempo que me sinto atraída por você —disse—. E que já não sei como lidar com isso sozinha.

O silêncio que se seguiu durou o suficiente para eu me arrepender por completo.

—Escute —disse ele por fim, com um tom cuidadoso—. Às vezes a mente…

—Não me diga que estou confusa.

Ele parou.

—Não me diga isso porque não é verdade —continuei—. E você sabe disso.

—O que é que eu sei? — perguntou devagar.

—Que eu não sou a única nisso. Eu percebi coisas. As vezes em que fiquei para jantar e você me procurava com os olhos quando a Valentina não estava olhando. A tarde do trabalho da universidade, quando passamos três horas no seu escritório falando sobre algo que deixou de ser o que era e virou outra coisa completamente diferente. Eu sei o que senti nessas vezes. Só quero saber se eu me enganei.

Rodrigo se levantou. Foi até a janela e ficou olhando as luzes do condomínio com as mãos nos bolsos da calça. Passei um minuto inteiro observando as costas dele, sabendo que qualquer coisa que ele dissesse depois poderia me destruir ou me salvar, e já me dava mais ou menos na mesma qual das duas seria.

—Você não se enganou —disse ele sem se virar.

Soltei o ar que vinha segurando havia um bom tempo.

—Mas isso não muda o que existe entre nós —continuou—. A diferença de idade. A questão da Valentina. Tudo o que acabou de acontecer esta noite.

—E o que foi que acabou de acontecer esta noite? — perguntei.

Ele se virou para mim. No rosto dele havia algo que não era exatamente tristeza, mas parecia muito.

—Você está no meu sofá, ferida, às três da manhã, porque atravessou metade da cidade para me dizer algo que eu vinha tentando não pensar havia meses —disse—. Isso foi o que aconteceu esta noite.

Nos olhamos dos dois extremos da sala. Nenhum de nós falou por um momento que durou demais.

Eu me levantei do sofá. Os curativos puxavam a pele, mas eu não liguei. Caminhei até ele descalça, com o vestido rasgado pendendo do ombro por uma das costuras que tinham cedido no salto. Quando fiquei a um passo, pus a mão em seu peito. Senti a batida rápida sob a camisa, a respiração que falhou por um instante.

—Então não me mande para o quarto da Valentina —disse.

Ele baixou o olhar para mim. Ficou assim por três segundos, talvez quatro, e nesses segundos eu vi terminar de ruir a última batalha que ainda lhe restava travar. Ele me segurou o rosto com as duas mãos e me beijou como se estivesse se contendo havia meses para fazer aquilo, que era exatamente o que tinha acontecido. A língua dele entrou na minha boca sem pedir permissão, procurando a minha, e eu a chupei com fome, me apertando contra ele, sentindo pela primeira vez o formato do pau duro dele contra meu ventre através do tecido da calça.

—Meu Deus —murmurou contra minha boca—. Eu sabia que isso ia acontecer. Eu sabia desde que você abriu aquela maldita porta.

—Cala a boca —eu disse—. E me fode.

Ele me ergueu do chão segurando minhas coxas, com cuidado para não tocar nas feridas enfaixadas, e me levou até o sofá. Me deitou de costas e se lançou sobre mim. Eu arranquei os botões da camisa dele um por um enquanto ele me levantava o vestido até a cintura. Quando viu minha calcinha encharcada, soltou um rosnado que me atravessou por completo.

—Você está pingando —disse, passando dois dedos por cima do tecido—. Olha só para você. Você está uma safada.

—Por você —eu arfei—. Só por você.

Ele arrancou minha calcinha de um puxão. Ajoelhou-se no chão, entre minhas pernas abertas, e enterrou o rosto no meu sexo sem preâmbulos. A língua dele encontrou o clitóris de imediato e começou a lambê-lo em círculos lentos, quentes, enquanto me enfiava dois dedos até o fundo. Gritei tão alto que ele tampou minha boca com a mão livre.

—Os vizinhos já chamaram a polícia uma vez esta noite —sussurrou—. Não faça isso acontecer de novo.

Assenti desesperada, mordendo a palma dele enquanto ele continuava me comendo com uma devoção que estava me deixando louca. Ele chupava meus lábios, metia a língua inteira, enrolava-a no clitóris e a puxava para fora para voltar a afundá-la. Os dedos dele me fodiam com um ritmo firme, curvando-se contra um ponto que me fez arquear as costas no sofá.

—Vou gozar —gemia contra a mão dele—. Vou gozar, não para, não para, por favor.

Ele acelerou. A língua dele se cravou no meu clitóris, os dedos me atacaram com mais força, e eu senti o orgasmo me cair em cima, me sacudindo dos pés à cabeça. Meu sexo se contraiu ao redor dos dedos dele, minhas coxas ficaram tensas, e eu soltei um grito abafado contra a palma da mão dele enquanto gozava na boca dele em espasmos que não terminavam.

Quando abri os olhos, ele me olhava de entre minhas pernas, com o queixo brilhando da minha umidade. Sorriu pela primeira vez na noite inteira.

—Quatro anos pensando nisso —disse—. E eu não imaginava que você soubesse assim.

Me sentei como pude, com as pernas ainda tremendo, e desabotoei o cinto dele. Baixei a calça e a cueca de uma só vez e o pau dele saltou duro, grosso, curvado para cima, com a ponta já úmida de fluido. Fiquei olhando para ele por um segundo inteiro. Era maior do que eu tinha imaginado em qualquer fantasia minha, e eu tinha imaginado bastante.

Segurei-o com a mão. Levei-o à boca e o enfiei inteiro de uma vez, até a ponta tocar o fundo da garganta e eu ter que respirar pelo nariz para não engasgar. Rodrigo jogou a cabeça para trás e soltou um gemido rouco.

—Porra —disse—. Porra, assim.

Comecei a chupar o pau dele com fome real, puxando-o até a ponta e enfiando-o de novo até o fundo, deixando a boca se encher de saliva e escorrer para os testículos dele. Lambi o comprimento inteiro, chupei a ponta com os lábios apertados, mamei os ovos um por um enquanto o masturbava com a mão. Ele me segurava pelo cabelo, guiando-me, empurrando o quadril contra o meu rosto com investidas curtas que me faziam engasgar.

—Você vai me fazer gozar na sua boca —arfa ele—. E eu não quero. Ainda não.

Ele me afastou com firmeza, com o pau brilhando da minha saliva. Me deitou de novo de costas no sofá, abriu minhas pernas e se colocou entre elas. Me olhou nos olhos enquanto passava a cabeça do pau pelos lábios do meu sexo, para cima e para baixo, encharcando-se da minha umidade, esfregando-se contra meu clitóris até eu gemer pedindo que ele enfiara logo.

—Diga —ordenou—. Diga o que você quer.

—Quero que você me foda —arfei—. Quero seu pau dentro. Mete em mim.

Ele empurrou devagar, me deixando sentir cada centímetro. Meu sexo se abriu ao redor dele com uma ardência quente que me fez cravar as unhas nas costas dele. Quando entrou todo, ficou quieto por alguns segundos, respirando contra meu pescoço.

—Como você aperta —sussurrou—. Meu Deus, como você aperta.

Ele começou a me foder com investidas longas, profundas, puxando-o quase inteiro para fora e voltando a enterrá-lo até o fundo. Cada batida dos quadris dele contra os meus me arrancava um gemido que ele abafava com a boca, me beijando, mordendo meus lábios, chupando meu pescoço. O sofá rangia sob nós. Eu enrolei as pernas na cintura dele e pedi que fosse mais forte, mais rápido, que me fodesse como ele queria fazer havia anos.

Ele me deu isso. Começou a me atacar sem piedade, com o ritmo brutal de quem vinha se segurando havia meses, e eu me arqueava contra ele a cada golpe, sentindo o pau dele me tocar num lugar que me fazia ver luzes. Os curativos nas minhas coxas estavam se soltando, o sangue voltava a sair por algumas feridas, mas nada me importava menos.

—Vira-se —arfa ele, saindo de mim de repente.

Fiquei de quatro no sofá, com a bunda para ele. Senti as mãos dele abrindo minhas nádegas, a ponta dele se posicionando contra meu sexo encharcado, e então ele me penetrou com um empurrão que me fez cair sobre os cotovelos com um grito abafado. Nessa posição eu o sentia ainda mais fundo, tocando um fundo que estava me matando.

Ele me fodia segurando minhas ancas, puxando-me contra ele a cada investida, fazendo um som úmido e obsceno toda vez que nossos corpos se chocavam. Ele me deu uma palmada na bunda. Depois outra. A pele queimou e meu sexo se apertou mais ao redor dele.

—Putinha —rosnou—. Minha putinha. A amiga da minha filha virou minha putinha.

—Sim —eu arfava—. Sua. Toda sua.

Ele me agarrou pelo cabelo, puxando minha cabeça para trás sem parar de me atacar, e passou uma mão por baixo para esfregar meu clitóris com dois dedos enquanto me fodia por trás. Eu gozei outra vez quase de imediato, me contraindo ao redor do pau dele em espasmos que arrancaram dele um gemido rouco.

—Vou gozar —arfa ele—. Onde. Diga onde.

—Dentro —suplei—. Dentro, goze dentro de mim.

Ele me penetrou mais três, quatro vezes com toda a força, e eu senti como ele afundava até o fundo e ficava ali, tremendo, enquanto gozava dentro de mim com um gemido longo e rouco. Senti os jatos quentes me enchendo, um atrás do outro, enquanto ele segurava minhas ancas contra as dele para não perder uma gota sequer.

Ficamos assim por alguns segundos, ofegantes, com ele ainda dentro. Depois ele saiu devagar e me virou para me olhar. Tinha o cabelo colado na testa pelo suor. Ele se abaixou e me beijou na boca, longo, sem pressa, com uma ternura que não existira em nada do que veio antes.

Senti o sêmen dele começando a escorrer pelas minhas coxas, se misturando ao sangue das feridas. Não me importei.

—Você ainda vai ter que dormir aqui —murmurou contra meus lábios—. Mas não no quarto da Valentina.

—Não —disse—. No seu.

Ele me ergueu outra vez nos braços e me levou até o quarto dele. Me deitou na cama, se deitou ao meu lado e me puxou contra o peito. Fiquei ali quieta por um bom tempo, ouvindo o coração dele desacelerar, sentindo o sêmen entre as pernas e a ardência doce dos espinhos ainda cravados em algum ponto da coxa.

Pensei que talvez tudo aquilo valesse cada espinho.

Ver todos os contos de Confissões

Avalie este conto

4.7(3)

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.