Não sei se sou bissexual ou um degenerado submisso
Tenho enviado várias confissões para esta página. Algumas eram totalmente reais, outras vinham com um pouco de fantasia misturada para não me expor demais. Desta vez não há invenção que valha. Escrevo justamente para que vocês, que se deem ao trabalho de me ler, me deem o veredito: o que faço é próprio de um bissexual e ponto final, ou de alguém que virou um degenerado com gosto pelo perverso?
Me custa contar isso porque o sinto muito íntimo e jamais pensei em compartilhar. Mas o anonimato protege, e, a esta altura, preciso tirar isso de dentro de mim. Vou relatar parte do que vivo com Nadia e com Hugo, o terceiro que entra e sai do nosso arranjo conforme a época.
Com Nadia estou há quase vinte anos. Não moramos juntos. Cada um tem sua casa na mesma cidade e nos vemos quando o corpo pede. Entre nós não há afeto no que fazemos, e isso é importante: o nosso é puro jogo de papéis. Ela é a Dominante, a Ama. O terceiro de plantão faz o papel de Touro, de macho que manda, e eu sou o servo. O submisso. Só tenho permissão para usar as mãos, a língua e a boca para dar prazer aos dois.
Nesses anos passaram quatro Touros diferentes pela nossa cama, em períodos separados. Só uma vez dois coincidiram ao mesmo tempo. Aquilo foi outra coisa, um descontrole que ainda lembro com a boca seca.
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Hugo tem cinquenta e cinco anos. Não é um homem bonito, convém dizer isso logo de saída. É de constituição grossa, com uma barriga que começa a despontar e o peito coberto de pelos que descem pelo ventre até o sexo. Está quase careca, mede pouco mais de um metro e setenta e tem uns olhos cinzentos que, nos momentos sexuais, lhe dão um ar de crueldade que me faz tremer.
É casado há anos, tem dois filhos adolescentes e um cargo de certo peso numa repartição municipal. Na rua é um senhor simpático, de modos cuidadosos, daqueles que cumprimentam todo mundo. Na intimidade conosco se transforma: vulgar, brusco, exigente. Sente de verdade que tem poder sobre mim. E tem.
Às vezes ele e Nadia criam uma cumplicidade entre os dois, se olham, riem baixinho, e eu fico no meio como o instrumento que deve fazê-los gozar os dois. Essa gozação compartilhada, longe de me ofender, me afunda mais no papel.
Tudo o que pareceria uma desvantagem de seu físico desaparece quando ele fica nu, ou apenas de cueca boxer. Aí aparece uma rola descomunal, grossa de um jeito que não é normal, coroada por uma glande que se parece com uma ameixa madura. Sua capacidade de gozo também não é comum. O sêmen sai espesso, branco, com um gosto entre amargo e salgado que ficou gravado em mim.
Tem ainda pernas firmes e uma bunda redonda e dura, herança seguramente de algum esporte da juventude. Não é a beleza que me arrasta. É outra coisa.
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Nesta altura vocês já devem ter adivinhado em que consiste a minha parte. É sempre sexo oral, em todas as formas que possam imaginar. E aqui está o nó da minha confissão: nunca, jamais, homens me atraíram. Não me interessam como pessoas, não suporto que outro homem me beije ou me acaricie, e a simples ideia de ser penetrado me provoca uma rejeição profunda.
E, no entanto. Uma rola grossa, quente, que se curva um pouco quando endurece, me acende como nada mais. Não tenho o menor problema em pegá-la com a mão, descer o prepúcio, beijar e lamber a glande, enfiá-la inteira na boca e chupá-la até sentir que ejacula sobre a minha língua e me obriga a engolir. O que me excita não é o homem. É a autoridade dele. Que naquele instante mande, que me ordene servi-lo, que faça isso com grosserias e mão firme, que não reste dúvida de quem está no comando.
Sua rola ereta não deve passar dos dezoito centímetros, mas o grossor é o que a transforma num monstro. Eu a seguro com as duas mãos e sinto seu calor, sua dureza, seu cheiro. Recolho a pele para deixar a glande descoberta e me dedico a percorrê-la com a língua devagar, sem pressa, como quem venera algo. Gosto de aproximar o nariz e respirar seu aroma forte, quase de marisco meio passado. Em qualquer um daria nojo. Em mim me empurra até a beira.
—Chupa tudo —ele me diz, e me chicoteia o rosto com ela—. Passa a língua em tudo, não deixa um pedaço sem língua.
Então a acolho na boca e sinto como pulsa entre os meus lábios enquanto tento engoli-la cada vez mais fundo. Sempre adivinho quando ele vai gozar. Em pé ou sentado, as pernas ficam tensas, ele me agarra o cabelo com força e empurra até o fundo. O sêmen quente me inunda e eu o deixo um instante sobre a língua para saboreá-lo antes de descer pela garganta.
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Há vezes em que ele ejacula tanto que eu não consigo conter, e um fio escapa pela comissura, corre pelo queixo e chega ao pescoço. Outras vezes ele tira a rola a tempo e goza no meu rosto, me marcando.
Quando isso acontece, vem o que ele mais gosta. Me leva ao banheiro, manda eu apoiar o queixo na borda da privada e urina sobre mim, como se lavasse o próprio sêmen com o mijo dele. Faz isso olhando nos meus olhos, sem pressa, gozando do poder.
—Você gosta, não é, submisso? —murmura enquanto sacode—. Sei que agora vai limpar pra mim.
E ele tem razão. Assim que termina, retiro o prepúcio e passo a língua pela cabeça para limpá-la. Sinto o gosto amargo da urina dele e, em vez de me afastar, uma corrente me atravessa por inteiro. Começo a chupá-la de novo. Se ficar dura outra vez, é o sinal de que quer a minha boca pela segunda vez.
Voltamos para a sala ou para o quarto. Ele se acomoda, eu me ajoelho entre as pernas dele e volto à tarefa. Às vezes, enquanto lambo as bolas, ele sobe os pés no sofá e deixa a bunda exposta. Já sei o que vem a seguir. Abro as nádegas dele com as mãos, percorro o sulco com a língua, paro no centro para beijar e lamber, e termino enfiando a ponta onde ele quer.
—Isso, isso, submisso do caralho —ele rosna, apertando meu rosto contra ele—. Enfia bem fundo enquanto me masturba. Faz eu gozar.
E eu obedeço, porque obedecer é a única coisa que sei fazer com ele.
***
Nadia, enquanto isso, não é uma espectadora passiva. Às vezes comanda de um canto, fumando, de pernas cruzadas, comentando meu desempenho como se avaliasse um funcionário. Outras se aproxima e exige a parte dela: que eu a atenda com a boca ao mesmo tempo em que mantenho Hugo no limite com a mão. Me repartir entre os dois é o momento em que mais sinto meu lugar neste mundo que montamos. Não há confusão nem dúvida enquanto dura. A dúvida vem depois, quando volto sozinho para minha casa.
Porque esse é justamente o meu problema. As mulheres me agradam, me atraem de verdade, me desestabilizam. E, ao mesmo tempo, busco isso. Não me atraem os homens por serem homens; me atrai, me acende, o sexo de um macho com atitude. Não qualquer um. O físico, em geral, tanto faz, mas ele precisa ser dono de uma rola grossa e potente, um cara já mais velho, decidido, daqueles que ordenam em vez de pedir. Que saiba desempenhar seu papel de macho no comando, enquanto eu sou o submisso que deve fazê-lo gozar com as mãos e com a boca quando ele determinar.
Isso me torna bissexual? Ou um degenerado que confunde desejo com submissão?
Já pensei nisso mil vezes. Tentei pôr em mim um rótulo que me deixasse tranquilo e não encontro nenhum que encaixe. Não quero um homem ao meu lado, não quero sua ternura nem sua companhia. Quero sua autoridade crua, sua rola e sua ordem. Quero me ajoelhar e desaparecer dentro do papel.
Por isso escrevo. Por isso me exponho, ainda que por trás de um nome falso. Preciso que alguém que leia isso me diga, sem piedade, o que sou. Se o que conto é só mais uma variante do desejo humano, ou se já saí dos limites faz tempo e simplesmente não quero ver.
Fico à espera do veredito de vocês.





