O que aconteceu no afterwork não estava nos planos
Marina tinha vinte e sete anos e exalava uma sensualidade que não fazia questão de provocar. Media um metro e sessenta e oito, com um corpo curvilíneo e firme de tanto yoga e caminhadas por Valência. A pele olivácea sempre cheirava a um leve rastro de baunilha e jasmim que ficava pairando quando ela saía de um cômodo. Tinha maçãs do rosto altas, lábios carnudos que pintava de vermelho discreto e olhos cor de mel que misturavam malícia com algo parecido com inocência.
O cabelo preto caía em ondas até os ombros, roçando um pescoço longo e delicado. Seus seios eram generosos e firmes, com mamilos que endureciam ao menor estímulo. A cintura fina se abria em quadris largos e uma bunda redonda e empinada que balançava sozinha ao andar. Naquela noite, escolheu um vestido preto justo até a metade da coxa, decote fundo, sem sutiã, e por baixo apenas uma tanga de renda.
Adrián e Rubén eram seus colegas do estúdio de design havia quatro anos. Os três se declaravam héteros sem rodeios: Adrián acabara de terminar com a namorada, Rubén emendava encontros com mulheres e Marina arrastava um par de relacionamentos sérios com homens. As piadas safadas faziam parte da paisagem do escritório, mas nunca tinham cruzado a linha. Todos flertavam, sim, sempre no terreno confortável do “se fôssemos solteiros…”.
Quando Adrián propôs o jantar no apartamento dele — “só nós três, comida boa, vinho e uma descontraída sem chefes” —, os três pensaram a mesma coisa sem dizer em voz alta. Aquilo podia terminar num ménage. Adrián e Rubén se escreveram em privado, eufóricos: enfim dividiriam Marina, a fantasia silenciosa do estúdio. Ela, por sua vez, se acendeu com a ideia de ser o centro das atenções de dois homens lindos.
Adrián, trinta anos, era alto e magro, mas definido, de pele morena, cabelo curto e olhos verdes intensos. Tinha o maxilar marcado e um sorriso maroto que usava demais. Era o mais tradicional dos três; mais de uma vez tinha soltado algo como “eu não encosto em outro cara nem bêbado”.
Rubén, trinta e três, era o grandalhão: um metro e oitenta e cinco, ombros largos, torso peludo e uma linha escura descendo até o púbis. Cabelo castanho, barba por fazer, voz grave. Tinha a mente mais aberta; alguma vez brincara dizendo que “em orgia vale tudo”, com uma curiosidade latente que nunca tinha chegado a tocar.
O jantar começou inocente. Adrián cozinhou macarrão com camarões, salada e abriu um tinto excelente. Velas, música baixa, risadas. Marina se sentou entre eles e o vestido subia toda vez que cruzava as pernas. O vinho afrouxou as línguas e as mãos: roçadas “sem querer”, olhares que demoravam tempo demais.
***
Depois da sobremesa, foram para o sofá. Luzes apagadas, Marina no meio. Adrián beijou seu pescoço, Rubén o ombro. Ela suspirou e fechou os olhos. Revezavam-se em sua boca enquanto as mãos subiam por suas coxas e erguiam seu vestido.
A tanga estava encharcada. Adrián afastou o tecido e enfiou dois dedos devagar. Rubén baixou o decote e levou um mamilo à boca, mordiscando-o. Marina os tocava por cima da roupa, sentindo um já duro e o outro pesado sob o tecido.
— Vamos para a cama — propôs Rubén, com a voz rouca.
Foram largando roupa pelo corredor. Marina ficou de tanga, eles em cuecas boxer justas. Na cama grande, ela nua no centro, uma mão em cada um. Rubén lambeu a boceta dela primeiro, a língua certeira no clitóris, enquanto Adrián devorava seus seios. Ela gozou rápido, arqueando as costas.
Depois Adrián a penetrou de frente, lento e fundo, enquanto Rubén lhe oferecia a boca. Em seguida, Rubén a pegou por trás, investidas fortes que a faziam gritar enquanto Adrián recebia uma mamada. Tudo ia conforme o roteiro: Marina no centro, os dois entregues só a ela.
***
Até que, numa mudança de posição, Rubén ficou lambendo-a enquanto Adrián a penetrava por trás. O rosto de Rubén estava a centímetros do membro do amigo entrando e saindo, brilhante. Curioso por natureza, levantou os olhos e, sem pensar duas vezes, passou a língua pela base quando ele saiu.
Adrián se enrijeceu de súbito.
— Porra, Rubén… o que você está fazendo? — disse, entre surpreso e resistente. Mas não se afastou totalmente.
Rubén, encorajado, repetiu: a língua plana, sem pressa.
Marina abriu os olhos e viu a cena. No início sentiu uma repulsa seca. Que merda? Eu achava que isso era um ménage normal, comigo no meio. Um nó de desconforto apertou seu estômago; não esperava que seus amigos héteros se tocassem entre si.
Mas então olhou para o rosto de Adrián: olhos fechados, um gemido baixo escapando apesar da resistência. E Rubén com uma expressão de curiosidade pura, lambendo cada vez com mais determinação.
A repulsa durou poucos segundos. Ver dois homens lindos e héteros explorando algo novo por causa do calor do momento a excitou de um jeito que ela não tinha previsto. Sua boceta se contraiu em torno do nada, faminta.
— Continuem… — sussurrou, com a voz trêmula. — Está me deixando louca ver vocês assim.
Adrián abriu os olhos, olhou para ela e depois para Rubén. Continuava resistente, mas o prazer o denunciava.
— Tem certeza? — perguntou a Marina, como se pedisse permissão.
Ela assentiu, acariciando-se devagar.
Rubén, mais atrevido, pegou o membro de Adrián quando ele saiu dela e o meteu inteiro na boca, chupando com avidez. Adrián arfou forte, os quadris empurrando sozinhos.
— Caralho… eu não pensava que… porra, que bom — murmurou, rendendo-se sem querer.
***
Marina se afastou para ver melhor. Rubén chupava fundo, a língua contornando a ponta, descendo até a base. Adrián, com a cabeça jogada para trás, gemia, uma mão no cabelo do amigo sem empurrar, só sustentando. Ela se acariciava com raiva, a repulsa transformada em pura excitação.
Chegou perto e beijou Adrián com paixão enquanto Rubén continuava. Depois beijou Rubén, saboreando-se misturada com o gosto do outro. O ménage havia mudado por completo.
Deitou-se de barriga para cima. Adrián montado sobre seus seios, escorregando entre eles enquanto ela lambia a ponta dele. Rubén entre suas pernas, penetrando-a com força, mas baixando a cabeça para lamber os testículos de Adrián sempre que podia. Adrián ainda estava um pouco contido, gemia, mas evitava olhar diretamente para ele.
Depois Rubén a tomou de frente. Adrián se colocou atrás dele, roçando entre as nádegas. Rubén empurrou para trás, convidando-o.
Adrián hesitou.
— Tem certeza? — perguntou, inseguro.
Rubén assentiu.
— E olha para ela. Ela está adorando — disse, apontando para Marina, que se tocava enquanto os observava.
Adrián, resistente, mas à beira do limite, se ajudou com saliva e empurrou bem devagar. Rubén rosnou, entre dor e prazer, e empurrou para trás até tê-lo todo. Os três conectados: Adrián se movendo com cuidado no começo, Rubén investindo em Marina com força. Ela gozou gritando, vendo Adrián ceder aos poucos.
Rubén se esvaziou dentro dela. Adrián saiu e terminou sobre as nádegas do amigo, algo que Marina lambeu depois com deleite.
***
Ela queria mais. Pôs Adrián de barriga para cima e cavalgou-o, sentindo-o entrar fundo. Rubén se posicionou atrás, penetrando-a pelo cu: uma dupla penetração que a fez gritar. Enquanto isso, Adrián e Rubén se beijavam por cima do ombro dela, um beijo desajeitado no começo, que Rubén foi aprofundando com curiosidade. Marina gozou outra vez, fascinada com a cena.
Mudaram de novo: Rubén de barriga para cima, Marina cavalgando-o, Adrián penetrando-a por trás enquanto lambia o pescoço de Rubén. Adrián ainda evitava o beijo direto, mas deixava que seus lábios roçassem os do outro.
— Se beijem vocês… — ela os incentivou. — Isso me deixa maluca.
Rubén tomou a iniciativa e o beijou com língua. Adrián resistiu por um segundo e cedeu, gemendo na boca do amigo.
Depois Marina os pôs frente a frente e os masturbou os dois. Rubén envolveu Adrián com a mão, devagar. Adrián demorou mais para retribuir o gesto, mas no fim o fez, explorando com dedos trêmulos. Ela se acariciava olhando para eles, a repulsa inicial transformada em fascínio total.
Rubén se ajoelhou e o chupou fundo. Adrián gemia alto, segurando a cabeça dele, a resistência se dissolvendo a cada lambida. Marina se colocou atrás de Rubén, lambendo-o enquanto ele trabalhava. Depois Adrián retribuiu o favor: colocou Rubén de barriga para cima e o lambeu, primeiro a ponta e depois inteiro, acrescentando um dedo quando o outro pediu.
***
Os três formaram um triângulo: Marina chupando Adrián com sucções barulhentas, a saliva escorrendo pelo queixo; Adrián chupando Rubén já sem pudor, gemendo contra a pele dele; Rubén devorando-a, a língua entrando nos dois lugares enquanto os dedos dele esfregavam o clitóris inchado. Gemidos constantes, sons úmidos, o cheiro de sexo e suor impregnando o quarto.
Marina foi a primeira a romper o triângulo. Com o rosto brilhando, separou-os com suavidade e os pôs de joelhos diante dela, no centro da cama desfeita. Os três ajoelhados, formando um círculo, os corpos suados se roçando, pele contra pele.
Colocou-se exatamente no meio, uma mão em cada um: a esquerda envolvendo Adrián, ainda úmido da boca de Rubén, subindo e descendo com um giro de pulso na ponta; a direita mal abraçando a grossura de Rubén, apertando até sentir o pulsar sob a palma.
Adrián e Rubén se olharam por um instante — Adrián com um rubor que não passava, Rubén com os olhos escuros de desejo — e, sem precisar falar, cada um estendeu a mão em direção ao outro. Rubén tomou primeiro Adrián com uma confiança curiosa, no ritmo de Marina. Adrián hesitou só um segundo antes de envolver Rubén, sentindo pela primeira vez aquele calor pesado, a mão desajeitada no começo e logo firme.
Os três se acariciavam em um círculo perfeito: ela nos dois, eles entre si e, de passagem, roçando seu clitóris com os polegares livres. O som era hipnótico: mãos escorregando, gemidos entrecortados, respirações acelerando.
Marina inclinou a cabeça e beijou Adrián com língua profunda, saboreando os restos de Rubén. Depois virou-se e beijou Rubén com a mesma intensidade, enquanto Adrián observava excitado. E por fim os três se uniram num beijo desordenado e ardente: bocas abertas, três línguas entrelaçando-se, lábios mordidos, saliva compartilhada. Adrián, já sem resistência, chupou a língua de Rubén enquanto ela lambia o pescoço dos dois.
O ritmo das mãos se acelerou. Rubén foi o primeiro a se quebrar: rosnou fundo contra a boca de Adrián, empurrou os quadris e gozou em jorros que salpicaram o ventre plano de Marina, escorrendo até o umbigo. O cheiro tomou o ar.
Ver isso e senti-lo empurrou Adrián ao limite. Fechou os olhos verdes, um gemido abafado lhe escapou e ele terminou na mão de Marina e na de Rubén, alcançando os seios dela, cobrindo os mamilos, misturando-se sobre a pele com o gozo do amigo.
Marina, estimulada pelos dois orgasmos quentes sobre o corpo e pelas quatro mãos que agora voltavam ao seu clitóris, chegou ao fim com um grito longo. Sua boceta se contraiu em espasmos visíveis, as coxas tremendo, uma onda de prazer percorrendo-a inteira. Nenhum dos dois parou até ela implorar, sensível e exausta.
***
Os três desabaram na cama, os corpos suados e entrelaçados. Marina no meio, o peito subindo e descendo, sorrindo com os olhos fechados. Adrián de um lado, Rubén do outro, cada um com um braço sobre ela e as mãos se tocando sobre seu ventre.
— No começo me chocou — confessou Marina, num sussurro rouco. — Achei que vocês só queriam me comer… e de repente vi vocês se tocando e senti rejeição. Mas depois… porra, eu adorei. Foi a coisa mais quente que eu já vivi na minha vida.