Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

O que Hernán encontrou ao subir aquelas escadas

Carolina tinha chegado à cidade com uma mala pequena e a ideia de ficar uma semana. Sua amiga Lorena a havia convidado para passar uns dias longe do vilarejo, longe da rotina, longe de Hernán e da casa que ela conhecia de cor. Estavam casados havia três anos e, embora ela nunca dissesse isso em voz alta, sentia que algo havia se apagado entre os dois sem que nenhum dos dois percebesse.

A semana virou duas. E, na segunda, apareceu Adriano.

Era o vizinho do andar de cima, um homem alto, de mãos grandes e um jeito de olhar que não pedia permissão. Na primeira vez em que se cruzaram na escada, ele a cumprimentou com um sorriso lento e ela ficou com a boca seca. Não era bonito no sentido convencional. Era outra coisa: uma presença que ocupava o espaço e fazia o ar ficar mais denso.

—Então você é a amiga do interior —disse ele, apoiado no corrimão—. Lorena fala muito de você.

—Espero que coisas boas —respondeu ela, e se odiou um pouco pelo tom insinuante que saiu sem pensar.

Nessa noite, Carolina não dormiu bem. Ficou rolando na cama do quarto de hóspedes e se pegou ouvindo os passos do andar de cima. Enfiou a mão por baixo da calcinha sem querer pensar no assunto, e se surpreendeu ao encontrar a boceta encharcada só de imaginar a voz grave daquele homem. Gozaou mordendo o travesseiro, e o orgasmo a deixou mais desperta do que sonolenta.

***

Na terceira noite, Lorena saiu para jantar com um cliente e Carolina ficou sozinha. Às dez, a campainha tocou. Era Adriano, com uma garrafa de vinho e uma desculpa tão transparente que nenhum dos dois fingiu acreditar.

—Vi a luz acesa —disse ele—. Pensei que talvez você não gostasse de ficar sozinha.

Carolina saiu do caminho e o deixou entrar. Sabia exatamente o que ele estava fazendo e era justamente isso que a assustava.

Beberam devagar no sofá, sentados mais perto do que o necessário. Ele falava pouco e a olhava muito. Quando afastou uma mecha do rosto dela, os dedos roçaram em seu pescoço e Carolina sentiu o contato descer por toda a espinha. Não houve mais conversa depois disso.

Adriano a beijou como se tivesse todo o tempo do mundo, sem pressa, mordiscando de leve o lábio inferior dela até que Carolina ficasse sem ar. Desabotoou a blusa botão por botão, parando em cada centímetro de pele que ia ficando exposto. Baixou o sutiã sem tirá-lo completamente, deixando os peitos à mostra, e se abaixou para chupá-los com fome, puxando os mamilos com os dentes até Carolina soltar um gemido rouco que não sabia de onde vinha. Carolina, que havia meses estava acostumada a um carinho automático e previsível, sentiu o corpo inteiro entrar em alerta.

—Abre as pernas —murmurou ele, ajoelhando-se entre as coxas dela—. Quero ver você.

Ele arrancou a saia de um puxão, afastou a calcinha com dois dedos e ficou olhando para a boceta dela por um segundo longo antes de enfiar a língua ali. Carolina jogou a cabeça para trás e agarrou o cabelo de Adriano com as duas mãos. Ele a lambia devagar, de baixo para cima, chupando o clitóris com os lábios como se tivesse todo o tempo do mundo, enfiando dois dedos grossos até o fundo. Ela começou a mover os quadris contra a boca dele, sem vergonha, e quando sentiu a língua encontrar o ritmo exato, gozou com um grito abafado, apertando a cabeça dele entre as coxas.

—Vira de costas —murmurou ele no ouvido dela, levantando-a do sofá.

Ela obedeceu sem pensar, ainda tremendo. As mãos de Adriano percorreram suas costas, cintura, quadris, e Carolina arqueou o corpo, buscando mais. Ouviu-o desafivelar o cinto, baixar as calças e, quando sentiu o pau dele apoiado entre as nádegas, outro gemido lhe escapou. Era grosso, duro, quente. Adriano o passou devagar entre os lábios da boceta, encharcando-a, esfregando-o no clitóris até que ela empurrasse a bunda para trás, pedindo-o.

—Me enfia —murmurou Carolina, e não reconheceu a própria voz.

—Assim? —perguntou ele, e a enterrou de uma só vez até o fundo.

Carolina se agarrou ao encosto do sofá e soltou um som que não reconhecia como seu. Adriano a segurou pelos quadris com as duas mãos e começou a fodê-la com investidas longas, profundas, sem acelerar ainda, observando cada gesto do rosto dela no reflexo da janela escura. Deu-lhe uma palmada seca na bunda que a fez estremecer por inteira e apertar a boceta ao redor da rola.

—Olha pra você —disse Adriano, sem acelerar—. Você estava precisando disso há muito tempo. Toda molhada, e nem sente vergonha.

Ela não respondeu. Não precisava. O corpo respondia por ela, se movendo contra o dele, perseguindo uma intensidade que ela tinha esquecido que existia. Ele a tirou do sofá, deitou-a de barriga para cima no tapete e levantou suas pernas sobre os ombros. Enfiou o pau até o fundo de novo e desta vez começou a fodê-la de verdade, duro, com o púbis batendo no clitóris a cada investida. Carolina apertou os seios com as mãos, puxando os mamilos, enquanto ele a olhava de cima com uma calma que era quase obscena.

—Me diz que faz tempo que ninguém te come assim —disse ele, ofegante, sem parar.

—Ninguém —gemeu ela—. Ninguém, porra, continua, assim, não para…

Quando chegou ao fim, foi com a testa apoiada no couro frio do sofá ao qual ele a havia arrastado de novo, de quatro, com os dedos brancos de tanto apertar e o pau de Adriano se esvaziando quente dentro dela. Sentiu os jatos de porra enchendo-a, e algo dentro do peito também se soltou, como se ela estivesse presa por dentro havia anos.

Depois ficaram estendidos no chão da sala, olhando o teto, com o sêmen ainda escorrendo pelas coxas. Carolina esperou a culpa. Esperou pensar em Hernán, na igreja do vilarejo, nas promessas. Mas tudo o que sentia era uma calma estranha, como se tivesse deixado de prender a respiração pela primeira vez em anos.

***

O que começou como uma noite virou costume. Adriano subia depois do jantar, ou Carolina inventava que precisava de ar e acabava no andar de cima. Lorena desconfiava, mas se calava com um sorriso que tinha algo de cumplicidade e algo de outra coisa que Carolina preferia não nomear.

Cada noite era diferente. Numa, ele a encostou na parede do corredor e a comeu em pé, com os saltos ainda nos pés e a saia erguida até a cintura. Noutra, a fez se ajoelhar na cozinha e encheu sua boca de pau até Carolina engasgar e a maquiagem escorrer junto com as lágrimas. Aprendeu a chupá-lo olhando nos olhos, a engolir a porra sem desviar o rosto, a pedir com palavras sujas o que queria. Adriano a ensinou a gostar do cu também, primeiro com os dedos, depois com a língua, até que numa madrugada, encharcada de óleo e suor, ela implorou que ele a enfiassse ali. Gozaou gritando no travesseiro com o pau dele até o fundo do cu e dois dedos dele esfregando o clitóris.

O problema eram as ligações.

Hernán telefonava todas as noites, pontual, com aquela ternura que agora pesava em Carolina como uma pedra. E muitas vezes ele a pegava justamente no pior momento.

Numa dessas noites, o telefone vibrou sobre a mesa de Adriano enquanto ela estava sobre ele, cavalgando-o devagar, com o pau enterrado até o fundo da boceta. Carolina ficou gelada ao ver o nome na tela.

—Atende —disse Adriano, com um meio sorriso, sem deixar de segurar-lhe os quadris—. Quero ouvir você mentir enquanto eu enfio até o fundo.

Ela negou com a cabeça, mas já estava pegando o telefone com a mão trêmula.

—Oi, amor? —Sua voz saiu mais aguda do que o normal.

—Carolina, você está bem? Sua voz está estranha.

Adriano escolheu aquele instante para empurrar para cima, devagar e fundo, enterrando-a por completo. Carolina cerrou os dentes e mordeu o dorso da mão livre para não gemer. Ele segurou um seio com a outra mão e beliscou o mamilo, sorrindo.

—Estou... ajudando a Lorena com umas coisas da casa —improvisou—. Estou cansada, só isso.

—Cansada? Você está aí há duas semanas. Quando volta?

—Logo —murmurou ela, e a última sílaba se quebrou quando Adriano a segurou com mais força e começou a fodê-la de baixo, com golpes curtos que faziam suas nádegas baterem contra as coxas dele.

—Sinto sua falta —disse Hernán, alheio a tudo.

—Eu também —respondeu Carolina, sentindo um dedo de Adriano roçar seu cuzinho molhado pelos próprios fluidos, e desligou bem a tempo de soltar o gemido que vinha segurando.

Adriano riu baixinho contra seu pescoço e enfiou o dedo no cu dela enquanto continuava entrando pela boceta.

—Você é terrível —disse—. Está mentindo para ele com o meu pau dentro de você. E nem gozou ainda.

—Você é pior —respondeu ela, e voltou a beijá-lo, movendo os quadris mais rápido.

Ele a deitou de barriga para baixo sem tirá-lo, abriu suas nádegas com as duas mãos e a penetrou de novo por cima, segurando-a pela nuca contra o colchão. Fodeu-a assim, brutal, até Carolina gozar duas vezes seguidas gritando contra o lençol. Ele aguentou até o fim e o retirou bem a tempo de se esvaziar sobre a bunda dela, longos fios de porra quente escorrendo pelas costas e pelas nádegas. O tesão de ter mentido para o marido enquanto o tinha dentro acendia nela algo escuro que ela nunca tinha se permitido. Não tinha orgulho disso, mas também não conseguia parar.

***

As desculpas foram ficando cada vez mais toscas. “Lorena está com febre”. “Perdi a passagem de volta”. “Tem um problema com o dinheiro”. Hernán ouvia todas e, em cada uma, percebia algo novo na voz da mulher, um tom que não lhe pertencia. Um homem aguenta muitas coisas, mas não a sensação de que estão falando com ele de outro lugar.

Numa noite, depois de desligar, Hernán ficou sentado na cozinha do vilarejo com o olhar fixo na parede. Então fez a mala.

Chegou à cidade no fim da tarde do dia seguinte, sem avisar. Lorena abriu a porta e o sangue fugiu do rosto dela em um segundo.

—Hernán! Que... que surpresa. A Carolina está... descansando. Entra, eu preparo um café.

Mas ele já tinha ouvido o som que vinha do andar de cima. Não era a televisão. Era inconfundível: batidas rítmicas de uma cama contra a parede, e a voz da mulher gemendo palavras que ela nunca tinha dito a ele.

—Onde ela está? —perguntou, com uma voz que não admitia rodeios.

—Hernán, espera —disse Lorena, mas ele já subia as escadas de dois em dois.

Seguiu o barulho até uma porta entreaberta e a empurrou. O que encontrou ao subir aquelas escadas o acompanharia pelo resto da vida: Carolina, sua mulher, de quatro na cama, com as costas arqueadas, os seios balançando a cada investida, e outro homem atrás dela, puxando-lhe o cabelo enquanto a comia por trás. Ele viu o rosto dela refletido no espelho do armário, a boca aberta, os olhos semicerrados de prazer, uma expressão que ele jamais tinha visto em três anos de casamento. Ouviu-a gemer “mais forte, mais forte” justamente antes de perceber que era ele.

—Carolina —disse, e a voz lhe falhou no meio.

Ela virou a cabeça e o prazer congelou em horror. Adriano recuou devagar, e Carolina sentiu o pau dele saindo da boceta enquanto olhava para o marido no batente. Cobriu-se como pôde com o lençol, balbuciando.

—Hernán... não é o que parece...

—É exatamente o que parece —respondeu ele.

Adriano não saiu da cama. Olhou para ela, depois para ele, e teve a decência de ficar em silêncio. Hernán não gritou. Não houve golpes nem ameaças. Só ficou parado no batente por um instante eterno, olhando para a mulher que acreditava conhecer com a porra de outro escorrendo pelas coxas, e então deu meia-volta e desceu as escadas.

Carolina o seguiu meio vestida, descalça, alcançando-o no patamar.

—Espera. Por favor, espera.

Hernán parou, mas não se virou.

—Há quanto tempo? —perguntou.

—Hernán...

—Há quanto tempo, Carolina?

Ela não respondeu, e o silêncio foi resposta suficiente.

***

Nessa noite Carolina não dormiu. Sentou-se na escada do prédio, abraçando os joelhos, esperando sentir o desmoronamento que supostamente deveria sentir. Seu casamento acabava de virar pó. Hernán tinha ido para o hotel da esquina sem dizer mais uma palavra, e de manhã pegaria o primeiro ônibus de volta para o vilarejo.

E, no entanto, o que a mantinha acordada não era a tristeza. Era a pergunta que vinha evitando havia semanas: ela realmente queria voltar?

Lorena se sentou ao lado dela com duas xícaras de chá e um cigarro meio fumado.

—Você vai deixá-lo ir —disse. Não era uma pergunta.

—Não sei.

—Sabe sim. Você soube na primeira noite.

Carolina ficou olhando a fumaça subir em espirais em direção à luz do patamar. Pensou em Hernán, em sua ternura cansada, na vida tranquila e previsível que a esperava a duzentos quilômetros dali. E depois pensou no que tinha descoberto sobre si mesma naquela cidade: uma mulher que se desejava, que se atrevia, que gemia sem vergonha, que pedia pau com nome e sobrenome, que não queria voltar a se apagar.

—Sou uma pessoa horrível —murmurou.

—Você é uma pessoa que finalmente está sendo sincera —respondeu Lorena—. Não é a mesma coisa.

***

De manhã, Hernán passou pelo prédio antes de ir embora. Tocou a campainha com a mala ao lado, e Carolina desceu para abrir. Eles se olharam em silêncio no saguão, dois estranhos que tinham compartilhado uma vida.

—Vim lhe dar a chance de ir comigo —disse ele, sem rancor, só com um cansaço enorme—. Se você me disser que volta, nunca mais vamos falar disso.

Era uma saída. Uma maneira de fingir que nada tinha acontecido, de voltar para a casa conhecida e deixar o tempo apagar a imagem daquela porta entreaberta. Carolina abriu a boca para aceitar, porque era o correto, porque era o esperado dela.

Mas não conseguiu.

—Não posso, Hernán —disse em vez disso, com a voz firme pela primeira vez em muito tempo—. Não seria justo com nenhum dos dois. Passei anos fingindo que estava bem e não estava. Você merece alguém que te ame por inteiro. E eu preciso descobrir quem sou longe do vilarejo.

Hernán assentiu devagar. Algo se quebrou em seu rosto e voltou a se recompor numa dignidade triste.

—Espero que valha a pena —disse.

—Eu também —respondeu ela.

Viu-o se afastar pela rua, a postura ereta, a mala batendo na perna a cada passo, até dobrar a esquina e desaparecer. Carolina ficou bastante tempo no saguão, esperando o arrependimento.

Ele não veio.

Quando subiu as escadas de novo, Adriano a esperava no patamar, encostado no corrimão com o mesmo sorriso lento da primeira vez, e sem nada por baixo do robe entreaberto. Ela passou direto, mas antes de entrar no apartamento se virou, se aproximou dele e mordeu o lábio inferior com a mesma calma com que ele a havia beijado naquela primeira noite. Enfiou a mão por baixo do robe, agarrou o pau já duro dele e o apertou devagar, olhando nos olhos dele. Por dentro sabia que aquela história não tinha terminado. Estava apenas começando. E, pela primeira vez em anos, Carolina não tinha medo do que vinha pela frente.

Ver todos os contos de Confissões

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.