A tarde em que enfim ficamos sozinhos na casa dela
Subimos para estender a roupa com qualquer pretexto. Entre as caixas d’água da laje, descobri que ela estava tão impaciente quanto eu para parar de fingir.
Subimos para estender a roupa com qualquer pretexto. Entre as caixas d’água da laje, descobri que ela estava tão impaciente quanto eu para parar de fingir.
Reconheci o cesto de roupa que não era o meu e, antes de pensar, já tinha enfiado a mão nas peças dele. O que aconteceu depois me mudou por dentro.
Meu irmão me contava tudo: suas amantes, seus fetiches, o que fazia com Romina. O que ele nunca imaginou é que uma madrugada eu acabaria na cama com ela, sem ele.
Percebi que algo ia mal no instante em que vi o rosto dele ao entrar. Não houve cumprimento, só uma frieza calculada e uma ordem: «Diga em voz alta do que você é responsável».
Quando a porta do elevador se abriu e vi a porta do apartamento entreaberta, entendi que desta vez não haveria regras. E uma parte de mim queria isso havia dias.
Eu o ouvi dizer ao telefone: “essa velha já tá pronta”. Eu devia ter me ofendido. Em vez disso, senti que me molhava inteira contra o balcão.
Ele me passou um bilhetinho na mão ao retirar o prato. Li no quarto: era o número dele. E soube que aquela noite eu não ia ficar sozinha.
Encontrei a calcinha dela no chão do corredor, com um bilhete em cima. A partir dessa noite, os dois jogamos um jogo do qual nenhum dos dois queria sair.
Começou com uma mensagem sobre um conto meu. Terminou comigo na cama, no escuro, obedecendo a tudo o que ela escrevia do outro lado da tela.
Não minto sobre minha idade nem sobre a academia, mas naquela cadeira reclinada tudo isso deixa de importar. Só fica a pressão suave do corpo dela contra o meu.
Nunca fiz isso, mas conheço cada detalhe: o café, o elevador, as mãos dele. Esta é a fantasia que se repete e que nunca me animo a contar em voz alta.
Ela subia para o quarto, abria o armário e se trocava sabendo que a gente a observava da rua. Eu era o mais novo do grupo, mas fui o primeiro a entrar pela sua porta.
Eu tinha jurado que a virgindade dela era inegociável. Naquela manhã, no apartamento emprestado por um amigo, ela me mostrou até onde estava disposta a ir.
Tinha sessenta anos e um casamento adormecido quando notei que o rapaz da casa ao lado me espionava entre as sebes. Não me cobri. Entrei no jogo dele.
Eu o tinha visto só uma vez e não consegui esquecer o corpo dele. Quando soube que ele também me procurava, esperei minha mãe sair para trabalhar e o deixei entrar.
Me escondi no beiral do vestiário com Bruno colado nas minhas costas. Lá embaixo, minha mãe e a amiga dela se despiram entre os operários, e eu não consegui tirar os olhos.
Pensei que o merendero estaria vazio com essa chuva. Então ela apareceu, me pediu fogo e, duas horas depois, deixou o vestido escorregar até o chão.
Nessa quinta-feira eu não tinha aula e a manhã era minha. Abri a água, fechei os olhos e me deixei levar... sem imaginar que umas botas apareceriam na ventilação.
Eu sabia que aqueles dois não tinham me convidado só para pescar. E eu, se for sincera, também não tinha dito sim só pelo rio.
Nunca imaginei que um domingo qualquer no rio acabaria comigo de joelhos na grama, entregue a ele e implorando para que não parasse nunca.