O jardineiro da chácara e meu verão proibido
Eu o observava da varanda havia dias, fingindo que não. Naquela tarde de calor, decidi parar de fingir e desci com um copo de limonada na mão.
Eu o observava da varanda havia dias, fingindo que não. Naquela tarde de calor, decidi parar de fingir e desci com um copo de limonada na mão.
Eram seis da manhã, eu ainda estava com o vestido de noiva e meu marido roncava inconsciente lá em cima. O garçom ainda não tinha ido embora, e eu já não pensava em dormir.
Ela voltava todas as madrugadas cheirando a tabaco americano e perfume novo. Eu calava e guardava minhas suspeitas, até a noite em que resolvi segui-la e descobrir com quem passava aquelas horas.
Aos quarenta e nove anos, eu achava que já tinha visto de tudo, até que aquele desconhecido encharcado tirou a camiseta no meu quintal e eu soube que a tarde não terminaria com jardinagem.
Ninguém no supermercado, na farmácia nem na padaria imaginava o que eu escondia debaixo da roupa. E era justamente isso que mais me excitava.
Você me mandou “tô com fome” e eu soube exatamente o que queria. Não somos um casal, nem você é meu tipo, mas há algo entre nós que ninguém entenderia.
No escuro, a poucos metros do meu portal, o pau dele brilhava sob o único poste da rua. E eu já sabia que ia baixar a cabeça de novo.
Nunca contei a ninguém, mas assim que ele fecha a porta para viajar, há um nome e um corpo que tomam toda a minha imaginação.
Quando os quatro caras entraram no apartamento às cinco da manhã, eu soube que viveria algo que nunca contei a ninguém.
Cheguei tarde ao jantar, mas não por causa do trânsito. Foi pelo desvio que fizemos até aquele terreno baldio a cinquenta metros do restaurante.
Eram mais de onze da noite, todos dormiam e a chuva caía forte. Achei que só ia me molhar um pouco no quintal. Não imaginava até onde eu iria naquela noite.
Vesti o biquíni mais pequeno que tinha e desci para o jardim só para ver a cara dele. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e não ia parar.
Só havia um rapaz no fundo, lavando as mãos. Ele me olhou pelo espelho e, sem dizer uma palavra, nós dois soubemos que a espera tinha acabado.
Saí da água tremendo de frio e a vi ajeitando o biquíni ao sol. Nenhum dos dois sabia que aquela manhã mudaria tudo entre nós.
Tirei o biquíni na jacuzzi sabendo que ele me olhava de lado do telhado. O que eu vim esquecer virou a única coisa de que me lembro da viagem.
Renata sempre se escondia atrás de Camila e Marisol. Nessa noite, na areia morna e longe de casa, decidiu que não queria mais olhar da margem.
Nunca tínhamos passado de um cumprimento cortês, mas naquela tarde encharcada, presa pela chuva na loja dele, tudo mudou com uma única mensagem no meu celular.
Ele não me parecia atraente, mas me excitava me sentir desejada. Quando ele subiu no banco para revisar o ventilador, eu soube exatamente como ia retribuir o favor.
Cruzei a porta do quarto esperando encontrá-lo dormindo. O que vi me trouxe lembranças que eu achava enterradas, e não fui capaz de me virar.
Passar por trás do meu filho com ele colado às minhas costas, prendendo a respiração. Eu sabia que estava errado, e justamente por isso não conseguia parar.