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Relatos Ardientes

Uma confissão de verão que nunca esqueci

4.1(30)

Foi no verão depois de terminar o ensino médio. Eu tinha acabado de fazer dezenove anos e uma inquietação constante no corpo que eu não sabia nomear nem acalmar. Morava numa cidadezinha no interior, daquelas em que o calor não baixa até depois da meia-noite e as pessoas arrumam qualquer desculpa para sair à rua. A prefeitura organizava sessões de cinema ao ar livre no parque municipal toda sexta-feira de julho: colocavam uma tela grande entre os pinheiros, distribuíam cadeiras plásticas brancas que nunca davam para todo mundo, e o povo chegava com mantas, garrafas de água e a paciência do mundo.

Eu cheguei tarde naquela noite. Minhas amigas tinham cancelado em cima da hora — uma desculpa, outra desculpa — e eu não quis ficar trancada em casa. Peguei minha cadeira dobrável, uma daquelas de lona azul que meu pai usava quando ia pescar no reservatório, e caminhei os quinze minutos que separavam minha casa do parque. Quando cheguei, as cadeiras brancas da prefeitura já tinham acabado fazia tempo. Me instalei numa ponta do semicírculo de espectadores, bem onde os pinheiros faziam sombra dentro da sombra, no lugar perfeito para ver sem ser vista.

O filme já tinha começado. Algum thriller americano dublado do qual eu não consegui pegar o fio desde o começo. Mas o ar entre os pinheiros cheirava a resina e a grama seca, e eu me sentia bem ali, sozinha, com aquele calor específico do verão que faz a gente querer que alguma coisa aconteça, qualquer coisa, qualquer coisa que quebre a quietude.

Foi então que ele se sentou ao meu lado.

Não tinha trazido cadeira. Se instalou direto na grama, com as costas apoiadas no tronco do pinheiro mais próximo do meu e as pernas esticadas em direção à tela. Levava uma jaqueta de algodão fino sobre o colo apesar do calor, o que me pareceu estranho desde o começo. Era alto até sentado, com o cabelo castanho um pouco comprido, mãos grandes e um maxilar marcado por dois ou três dias de barba por fazer. Devia ter uns vinte e cinco anos, talvez um pouco mais.

Ele não me olhou quando se acomodou. Só disse, com os olhos fixos na tela:

— Cheguei tarde.

Como se eu tivesse perguntado alguma coisa.

— Eu também — respondi, sem saber muito bem por que estava fazendo aquilo.

Ficamos em silêncio. O filme seguia. Eu fingia que assistia, mas minha atenção estava nele, naquela presença a meio metro que soltava um calor diferente do do verão. Ele mantinha a jaqueta sobre o colo com cuidado demais. Havia silêncio demais nos braços, nos ombros. Esse detalhe me chamou a atenção e eu não larguei mais.

Levei cinco minutos para entender o que eu estava vendo.

Debaixo do tecido da jaqueta, algo se mexia. Um movimento lento, rítmico, deliberado. Meu cérebro levou um segundo para processar a imagem e, quando processou, meu pulso disparou. O desgraçado estava batendo uma punheta ali mesmo, a três metros da cidade inteira, com a mão enfiada sob o tecido e a rola dura entre os dedos. Ele não me olhava. Mantinha os olhos fixos na tela com uma expressão absolutamente neutra, como se estivesse conferindo e-mail no celular. Mas sob aquele tecido, a mão dele não parava de subir e descer naquilo que sem dúvida era um pau bem acordado.

Eu devia levantar. Eu devia ir para outro lugar. Eu devia fazer qualquer coisa menos o que estou fazendo agora, que é não me mexer e apertar as coxas.

Senti o calor subir da nuca. E também, sem conseguir evitar, algo mais abaixo: a buceta se encharcava sozinha, pulsando a cada movimento que eu adivinhava sob o tecido. Aquela espécie de peso quente entre as pernas que te avisa que seu corpo já tomou uma decisão antes da sua cabeça. Me recostei um pouco no encosto da cadeira e cruzei os tornozelos, apertando a coxa contra a coxa para acalmar a pulsação do clitóris, e só consegui deixá-la mais inchada.

Foi então que ele virou a cabeça. Só por um instante. Me olhou direto nos olhos, com uma tranquilidade que me pareceu quase obscena dado o que estava fazendo, e levantou uma ponta da jaqueta. Só um momento. O suficiente.

Desviei o olhar na hora. Mas eu já tinha visto.

Era grande. Grossa, comprida, com a glande brilhando de tão inchada e uma gota de líquido pré-ejaculatório escorrendo pela borda. Mais do que eu tinha visto antes, e isso que também não era a primeira vez. O punho dele se movia devagar da base à cabeça, apertado, como se estivesse provocando em vez de gozar. Ele voltou a se cobrir com o tecido e seguiu olhando para a tela como se nada tivesse acontecido, como se tivesse acabado de me mostrar as horas no relógio. Depois sorriu para mim. Não era um sorriso de galã calculado. Era algo mais calmo, mais cúmplice. Como se dissesse: eu sei que você viu, e eu sei que você não vai embora.

Ele tinha razão. Eu sentia minha buceta já ensopada, a calcinha colada aos lábios como se eu tivesse mijado nas calças.

Aproximou o corpo do meu com um movimento lento, sem brusquidão. Nossos braços se roçaram. Ele inclinou a cabeça perto da minha e disse, tão baixinho que eu precisei adivinhar mais do que ouvir:

— Põe a mão em cima.

Houve um segundo de nada. De suspensão total. E depois minha mão deslizou sozinha para baixo do tecido, como se agisse por conta própria.

Era quente. Sólido. Muito mais grosso do que eu tinha imaginado pelo rápido vislumbre. Os dedos não se juntavam quando eu fechava a mão em torno do tronco. Eu sentia as batidas através da pele, aquele pulso grave e constante que subiu pelos meus dedos até o braço. Passei o polegar pela cabeça e encontrei a umidade pegajosa do líquido pré-ejaculatório, já bastante para minha ponta do dedo ficar escorregadia. Eu o envolvi devagar, sem saber muito bem o que fazer, apertando e soltando.

— Isso — disse ele, num sussurro que mal era som —. Mais forte.

Comecei a me mover. Para cima, para baixo, sem pressa, fechando bem a mão em cada passada como ele tinha pedido. Espalhei o líquido pré-ejaculatório por toda a cabeça para o punho deslizar melhor, até o pau brilhar de umidade sob a jaqueta. Ele soltou o ar devagar pelo nariz e continuou olhando para o filme, ou fingindo que olhava. Nós dois fingíamos que aquilo era perfeitamente normal, que não estávamos a três metros de outras cinquenta pessoas sentadas em suas cadeiras brancas, enquanto eu o masturbava com a mão fechada num punho apertado.

Ficamos assim por vários minutos. Eu com a mão sob a jaqueta dele, punhetando-o com uma lentidão que era quase tortura, ele com aquela calma impossível que me desestabilizava mais do que qualquer coisa que eu já tivesse feito. Eu sentia cada veia do pau marcada contra a palma. De vez em quando eu passava as unhas pelo freio e ele contraía o ventre sem fazer um ruído. Eu estava completamente encharcada. Sentia a calcinha colada na buceta inchada, a pulsação acelerada entre as pernas, uma necessidade que não cabia naquela cadeira dobrável de lona azul nem naquele parque nem naquele verão inteiro. Me escapava o pensamento para o que eu queria que ele me fizesse: que enfiar aquela rola até o fundo, que me encostasse contra uma árvore, qualquer coisa menos continuar sentada.

— Tem um lugar mais tranquilo atrás do depósito do equipamento — murmurou ele —. Se você quiser.

Não respondi de imediato. Olhei para a tela. Olhei para o perfil do rosto dele na penumbra. Tirei a mão de baixo da jaqueta, melada do líquido dele. Sequei na coxa da calça — uma mancha escura e brilhante que só eu veria — e agarrei a cadeira pela alça.

— Vou com você — eu disse.

***

Uma pequena construção de blocos de cimento pintados de amarelo-claro servia de depósito para as cadeiras e o equipamento de projeção. Atrás dela havia uma faixa estreita entre a parede dos fundos e a grade metálica do parque, escondida por uns arbustos malcuidados e completamente no escuro. Ele conhecia o lugar. Entrou primeiro, afastou um galho com o braço e me estendeu a mão para eu passar.

O som do filme chegava abafado do outro lado da parede. Música de fundo, vozes, algum momento de tensão na trama que para mim já não importava mais nada. E nós dois naquele corredor de escuridão, tão perto que eu sentia o calor que saía da roupa dele, que cheirava a sabonete e a algo mais animal por baixo.

— Como você se chama? — perguntei.

— Importa? — ele respondeu, sem ser grosso. Com curiosidade genuína.

Pensei por um segundo.

— Não — disse.

Ele encostou as costas na parede do depósito. Eu coloquei a cadeira no chão e me ajoelhei à sua frente sobre a grama, com os joelhos afastados e as mãos já subindo por suas coxas. Ele abriu o cinto sem pressa, como se tivesse a noite toda, como se não houvesse cinquenta pessoas do outro lado daquela parede. Baixou a calça e a cueca até a metade da coxa e o pau saltou para fora, tão duro que colava no umbigo, grosso e veado, com os ovos pesados pendendo por baixo. Ficou ali, no calor daquela noite de julho, duro e quieto, esperando.

Eu o segurei primeiro com as duas mãos, uma sobre a outra quase cobrindo todo o comprimento. Passei o polegar pela ponta, devagar, aprendendo o formato, espalhando a gota nova de líquido pré-ejaculatório que aparecia na fenda. Senti a pulsação nas palmas. Depois aproximei a boca e puxei a língua bem plana desde os ovos, arrastando-a pelo comprimento da base até a ponta, encharcando a pele de saliva. Repeti o gesto três, quatro vezes, cuspindo nele entre uma passada e outra, até a baba escorrer pelos ovos e o pau reluzir na pouca luz que vinha da tela distante. Chupei a glande inteira, fechando os lábios atrás da cabeça e sugando forte com a língua girando por baixo, e ele encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. Não dizia nada. Só respirava, com a respiração já mais entrecortada. Aquela quietude dele me dava mais segurança do que qualquer instrução.

Abri a boca o máximo que consegui e comecei a engoli-lo. Os primeiros centímetros iam sozinhos, mas depois era preciso se concentrar: relaxar a mandíbula, respirar pelo nariz, deixar a garganta ceder. Ele não empurrava, não me guiava com a mão. Só deixava que eu marcasse o ritmo, e isso — essa paciência — eu gostei mais do que esperava. Segurei a base com uma mão e amparei os ovos com a outra, rolando-os com cuidado entre os dedos enquanto eu subia e descia a cabeça. A saliva começou a escorrer pelo meu queixo e pingar nos seios. “Assim”, ele disse num sussurro. “Assim, me chupa assim.” Essas palavras foram direto ao centro e senti a buceta se contrair no vazio.

Eu fui mais fundo. E mais fundo ainda. Afrouxei a garganta e o enfiei até meu nariz bater nos pelos pubianos. Aguentei ali alguns segundos, engolindo ao redor da glande, com os olhos lacrimejando e o ar escapando pelo nariz. Senti o peso dele roçando meu queixo e sua pulsação batendo no fundo da minha garganta. Me retirei tossindo um pouco, com fios grossos de saliva pendendo entre minha boca e a ponta do pau. Cuspi nele, envolvi-o com a mão e usei-o como alavanca para engolir a cabeça inteira de novo, chupando só a ponta com a língua trabalhando o freio. Ele abriu os olhos justamente nesse momento. O contato visual durou menos de dois segundos e foi a coisa mais íntima da noite inteira. Vi a mandíbula dele se tensionar. Senti o pau inchar ainda mais na minha boca, pulsando de um jeito diferente.

— Para — disse entre os dentes —. Se você continuar, eu gozo agora.

Tirei-o da boca com um estalo suave e fiquei um momento com a face encostada no tronco, respirando em cima dele, dando beijos úmidos nos ovos enquanto ele se recompunha.

***

Ele me levantou com suavidade, com as mãos nas minhas costelas. Tirou um preservativo do bolso da frente — esse detalhe me acalmou e me incendiou ao mesmo tempo — e o colocou com uma só mão, com a mesma calma com que fazia tudo. Depois me olhou. Não perguntou nada. Esperou.

Eu baixei a calça e a calcinha até os joelhos. O ar noturno bateu na minha buceta encharcada e eu estremeci. Ele abaixou a mão e passou dois dedos pela minha fenda, de trás para a frente, sem enfiá-los, só conferindo o quanto eu estava molhada. Tirou os dedos brilhantes até o pulso e sorriu sem dizer nada. Levou-os aos lábios e eu os chupei, saboreando a mim mesma na pele dele. Passei os braços ao redor dele.

A primeira posição não funcionou. Ele era alto demais, eu baixa demais, o ângulo era impossível por mais que ele dobrasse os joelhos e eu ficasse na ponta dos pés. A cabeça do pau escorregava pelos meus lábios sem encontrar a entrada. Tentamos com a cadeira: ele a colocou encostada na parede, sentou, e eu me sentei montada nele, com os joelhos apoiados no assento de cada lado das coxas dele, e aí encaixou.

Segurei a base com a mão e o guiei até minha entrada. Passei a glande por toda a vulva — um lado e o outro dos lábios, uma carícia circular sobre o clitóris que me fez fechar os olhos — antes de encaixá-lo no buraco.

Comecei a descer devagar. A sensação foi imediata e avassaladora: um alongamento lento que ficava exatamente na fronteira entre o que dói e algo infinitamente melhor. A buceta se abria à força enquanto eu o engolia, centímetro por centímetro, e eu sentia cada veia daquele pau se marcando contra as paredes. Parei no meio do caminho, apoiando as mãos em seus ombros, tremendo um pouco, com a boca aberta contra o cabelo dele. Ele pôs as mãos nas minhas coxas sem pressionar, sem puxar. Só me sustentando. “Não tem pressa”, disse. “Abre devagar. Cabe tudo.” Era a terceira ou quarta vez que ele falava em toda a noite e, toda vez que falava, dizia exatamente o certo.

Respirei fundo. E continuei descendo. Um centímetro. Mais um. O corpo cedendo. Mais um. Até que a bunda ficou totalmente apoiada contra as coxas dele e eu senti a glande bater em algum ponto profundo, num canto que eu nem sabia que existia.

Quando cheguei até o fundo, nós dois ficamos quietos por um momento. Eu sentia cada pulsação dele dentro de mim, amplificada, ocupando um lugar que eu não sabia que tinha. Ele soltou o ar longo e apoiou a testa no meu ombro. Eu respondi com um espasmo da buceta — involuntário, um aperto em anel ao redor de todo o comprimento — e ele abafou um gemido contra o meu pescoço. Aquele instante durou apenas três segundos, mas eu me lembro dele como se tivesse durado muito mais.

E então comecei a me mover.

Devagar no começo, subindo até deixar só a glande dentro e descendo de novo até o fundo, encontrando o ritmo, aprendendo o tamanho dele com o movimento. Cada vez que eu o enfiava inteiro, escapava um suspiro cortado que eu tinha de morder contra o ombro dele. Ele me acompanhava sem se adiantar, com a mesma paciência que tinha tido desde o começo, mas eu sentia a respiração dele ficando cada vez mais pesada contra minha clavícula. O tecido da camiseta dele roçando meus mamilos através da minha, as mãos nas minhas coxas orientando sem forçar. O barulho das minhas coxas batendo nele cada vez que eu descia, aquele som úmido e pegajoso que dois corpos suados fazem quando se encaixam. O som distante do filme do outro lado da parede. A noite de julho sobre nós como uma manta de calor cobrindo tudo.

Acelerei. Comecei a montar nele de verdade, subindo e descendo com as pernas, usando-o como se fosse um brinquedo, procurando o ângulo que esfregasse a parte da frente. Ele ergueu minha camiseta e o sutiã de um tranco — o suficiente para deixar meus seios ao ar — e se abaixou para chupar um mamilo enquanto eu continuava montando nele. Chupava forte, puxando com os dentes, trocando de um lado para o outro, e cada mordida chegava direto à minha buceta e me fazia me apertar mais ao redor dele. Desceu uma mão e encontrou meu clitóris com o polegar sem parar de me chupar, esfregando-me em círculos apertados, coordenados com o vaivém dos meus quadris. Ergueu o rosto do meu peito para me olhar. Esse movimento me desorganizou por completo. A combinação — o pau dele me alcançando no fundo, o polegar no clitóris, os olhos em cima de mim, os lábios brilhando de ter chupado meus peitos — me empurrou para a frente de um jeito que eu nem podia nem queria controlar.

— Não para — eu disse, e não reconheci o som da minha própria voz —. Não para, por favor, não para.

Ele não parou.

Ao contrário: travou os quadris no assento e começou a me socar de baixo, me encontrando no meio do caminho em cada descida, enfiando aquele pau até um lugar que me fazia ver luzes. O polegar no clitóris continuava se movendo com a mesma cadência exata, sem acelerar embora eu tremesse. Eu podia sentir ele pulsando dentro de mim, notar a veia grossa na parte de cima roçando um ponto específico cada vez que saía. Cravei as unhas nos ombros dele através do tecido. Mordi o pescoço dele para não gritar.

A onda veio de dentro para fora. Um tremor que começou em algum ponto profundo, muito lá dentro, e se espalhou pelas pernas, pelas mãos, pela garganta, com o esforço de não ser barulhenta demais com cinquenta pessoas do outro lado daquela parede. A buceta se fechou ao redor dele em ondas curtas e vorazes, apertando e soltando sem que eu pudesse controlar, ordenhando o pau dele de dentro. Me agarrei aos ombros dele. Enterrei a cara no pescoço. E me deixei ir com um som cortado que ele abafou pondo uma mão na minha nuca, sem apertar, só me sustentando, enquanto a outra continuava na minha cintura me guiando contra ele.

Ele esperou eu terminar antes de se entregar. Quando percebeu que eu parava de tremer, agarrou minhas duas coxas e tomou o controle pela primeira vez na noite inteira. Me ergueu alguns centímetros e começou a me foder por baixo, rápido, seco, cada investida soando com um golpe úmido contra minhas coxas. Eu me deixei levar, mole em cima dele, ainda com as réplicas do orgasmo correndo por mim. Dez, doze empurrões fundos, e eu o senti se tensionar por completo: as coxas, os braços, o pescoço. O pau dele inchou dentro de mim de um jeito impossível e eu senti cada jato quando ele começou a gozar — o preservativo no meio, mas o calor chegando igual, jorro após jorro, pulsação após pulsação apertando dentro de mim —. Ele apertou as mãos nas minhas coxas até doer e ficou completamente imóvel por quatro, cinco segundos, respirando contra meus seios enquanto terminava de se esvaziar.

Ficamos abraçados por um momento, ainda encaixados, ouvindo a respiração um do outro. Senti ele amolecer devagar dentro de mim. Quando me levantei, ele saiu com um som úmido e uma fisgada de vazio que me fez fechar os olhos.

Ele retirou o preservativo com cuidado — pesado, cheio, branco de sêmen até a metade —, deu um nó, enrolou-o num papel do bolso e guardou para jogar fora depois. Esse detalhe — esse cuidado — me pareceu engraçado e terno ao mesmo tempo, completamente em contradição com tudo o que havia acontecido antes. Ele vestiu a roupa. Eu vesti a calcinha, sentindo a buceta ainda pulsando, alargada, escorrendo por dentro. Subi a calça sobre a umidade.

***

Não trocamos números. Não dissemos nossos nomes. Saímos de trás do depósito separados — ele primeiro, eu depois de esperar alguns minutos olhando a grade metálica — e, quando voltei para minha cadeira de lona azul, o filme ainda não tinha terminado.

Sentei. Alguém na tela gritava alguma coisa em inglês. Os pinheiros continuavam lá, iguais aos de antes. Eu sentia a buceta latejando sob a costura do jeans, ainda aberta, ainda quente por dentro.

Fiquei sentada o resto da sessão com o coração ainda acelerado, olhando para a tela sem ver nada. O ar entre os pinheiros continuava cheirando a resina. A noite de julho continuava perfeita e absurda e quente. Em algum momento, aplaudi junto com os outros quando o filme acabou, embora não soubesse o que tinha acontecido nele. Peguei a cadeira. Voltei para casa sozinha, do mesmo jeito que tinha ido, com a umidade pegajosa entre as coxas me lembrando a cada passo o que eu acabara de fazer.

Não soube o nome dele. Nunca mais o vi. Mas aquela noite eu me lembro com uma clareza que muitas outras coisas daquele verão não têm: o movimento sob a jaqueta dele, o sabor salgado do líquido pré-ejaculatório na língua, a escuridão atrás do depósito, as mãos dele nas minhas coxas sem nunca pressionar, o pau dele me enchendo até um canto que eu não sabia que existia, a voz dele dizendo “não tem pressa” enquanto eu aprendia que há coisas em que o corpo sabe perfeitamente o que quer antes que a cabeça tenha tempo de opinar.

Foi isso. E foi suficiente.

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